Como a sobrecarga sensorial pode afetar o humor e o comportamento de pessoas com Transtorno de Perso

2 respostas
Como a sobrecarga sensorial pode afetar o humor e o comportamento de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Leila Torres Leal
Psicólogo, Terapeuta complementar
Rio de Janeiro
Boa tarde!
Sim. Embora a sobrecarga sensorial não seja um sintoma oficialmente reconhecido nos critérios diagnósticos do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) segundo o DSM-5, muitas pessoas com TPB relatam vivências sensoriais intensas e avassaladoras — especialmente em momentos de estresse emocional. Esses episódios podem ser extremamente desorganizadores e causar grande desconforto, mesmo que não sejam exclusivos desse transtorno.

Esses sintomas costumam surgir em momentos de estresse ou quando há muitos estímulos ao mesmo tempo.

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 Renata Santoro
Psicólogo, Psicanalista
Taubaté
Sobrecarga sensorial no Transtorno de Personalidade Borderline: impactos no humor e no comportamento

No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a sobrecarga sensorial — quando sons, luzes, cheiros, toques ou estímulos emocionais se tornam excessivos — pode intensificar oscilações de humor, impulsividade e reações emocionais intensas. Essa sensibilidade não é apenas física: ela está profundamente ligada ao modo como o psiquismo borderline processa e responde às experiências.

Na perspectiva psicanalítica, o excesso de estímulos pode reativar memórias emocionais não simbolizadas e vivências precoces de instabilidade ou invasão, levando a respostas que oscilam entre retraimento, explosões emocionais e comportamentos impulsivos. O corpo e a mente ficam em estado de alerta permanente, o que desgasta a capacidade de autorregulação e aumenta a vulnerabilidade a crises emocionais.

Quando o tratamento se propõe a ir além do acolhimento básico, ele desafia o paciente a se aproximar daquilo que antes era intolerável, mas agora pode ser explorado, compreendido e transformado. Não se trata apenas de evitar o que causa desconforto, e sim de ampliar gradualmente a capacidade de sustentar e metabolizar a intensidade — interna e externa — sem que isso leve ao colapso ou à ruptura relacional. É nesse enfrentamento que o sujeito encontra novas formas de existir e se relacionar, menos pautadas pela defesa automática e mais pela escolha consciente.

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