Como diferenciar, no caso do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), quando a pessoa está se e

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Como diferenciar, no caso do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), quando a pessoa está se expressando de forma genuína e quando ela está passando por uma crise de desregulação emocional que pode estar distorcendo o que ela sente ou diz no momento?
No TPB, a diferença não está em “ser verdadeiro ou falso”, porque mesmo na crise há verdade afetiva, mas em como essa verdade está sendo organizada e expressa, então uma expressão mais genuína tende a ter alguma continuidade com a história da pessoa, consegue ser nomeada com certa nuance (“estou magoado, mas ainda me importo”) e, mesmo intensa, não rompe totalmente a percepção do outro ou de si, enquanto na desregulação emocional há uma espécie de estreitamento psíquico, onde o afeto domina e reorganiza tudo de forma mais polarizada, surgem certezas absolutas (“nada presta”, “você nunca se importou”), maior urgência, impulsividade e dificuldade de simbolizar, como se o que é sentido precisasse ser imediatamente evacuado, e muitas vezes depois há mudança brusca de perspectiva ou até estranhamento do que foi dito, então um critério clínico útil não é invalidar o conteúdo, mas observar o estado em que ele emerge: se há espaço interno para pensar e sustentar ambivalências, ou se há uma tomada quase total pelo afeto, e talvez faça sentido você perceber em si ou no outro se, naquele momento, ainda existe algum espaço para refletir sobre o que se sente ou se tudo parece urgente demais para ser pensado.

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No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a diferença entre expressão genuína e expressão distorcida pela desregulação emocional não está no conteúdo do que a pessoa diz, mas no estado emocional que sustenta aquela fala. A autenticidade existe, mas pode ficar encoberta quando a emoção está intensa demais para ser organizada.
A distinção costuma aparecer em três dimensões:
1. Coerência interna: quando é genuíno
A expressão tende a ser mais genuína quando a pessoa:
• consegue explicar o que sente com alguma clareza
• mantém o mesmo sentimento ao longo do tempo
• não muda radicalmente de posição em minutos ou horas
• consegue ouvir o outro sem se desorganizar
• expressa emoção proporcional ao contexto
Nesses momentos, o que ela diz costuma refletir valores, necessidades e percepções mais estáveis.
2. Intensidade e instabilidade: quando é desregulação
A expressão tende a estar distorcida pela desregulação quando a pessoa:
• fala a partir de uma emoção muito intensa e súbita
• muda de sentimento rapidamente (amor/ódio, proximidade/distância)
• usa termos absolutos (“sempre”, “nunca”, “acabou”, “não aguento”)
• sente urgência extrema para ser entendida ou respondida
• tem dificuldade de acessar nuances ou perspectivas alternativas
Nesses momentos, a fala reflete o pico emocional, não o sentimento profundo e duradouro.
3. Continuidade temporal: o critério mais confiável
No TPB, a melhor forma de diferenciar é observar o que permanece depois que a emoção baixa.
• Se a pessoa mantém a mesma percepção, é genuíno.
• Se ela diz que “não era bem aquilo”, “foi exagero”, “não era o que eu realmente queria”, então era desregulação.
A autenticidade aparece quando a emoção está regulada; a distorção aparece quando a emoção domina o sistema cognitivo.

Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernadosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES
Abraços

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