Como o modelo transdiagnóstico pode ajudar a entender a comorbidade em psiquiatria?
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Como o modelo transdiagnóstico pode ajudar a entender a comorbidade em psiquiatria?
Suponho que esteja se referindo a propostas do tipo RDoC (Research Domain Criteria). A ideia por trás deste tipo de proposta é que a Psiquiatria não conseguiu estabelecer categorias diagnósticas com homogeneidade etiológica e etiopatogênica. Na verdade, a etiopatogenia dos transtornos psiquiátricos possui alguns modelos, mas nenhum deles definitivo. Assim, os proponentes dos RDoC supuseram que, se ao invés de fazer pesquisas dentro de categorias diagnósticas existentes (principalmente do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana), as pesquisas fossem direcionadas ao estudo das manifestações psicopatológicas, poder-se-ia encontrar categorias naturais de modo mais eficiente. Assim, estudar algo como "regulação emocional" poderia levar a mais dados confiáveis, por exemplo, sobre depressão, do que estudar as bases neurais da depressão, dado que os resultados, nestes últimos estudos, são muito díspares, sugerindo que vários tipos de depressão podem ter causas diferentes. Por outro lado, os estudos tradicionais também apresentam resultados opostos a este, onde se encontram aspectos neurofarmacológicos e mesmo estruturais comuns a diagnósticos psiquiátricos categoriais distintos.
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Saudações! O modelo transdiagnóstico surgiu como alternativa à visão tradicional da psiquiatria, que se apoia fortemente em categorias diagnósticas rígidas (como no DSM ou CID). Ele parte da ideia de que os transtornos mentais não são “caixas” separadas, mas compartilham mecanismos psicológicos, neurobiológicos e comportamentais comuns.
Como isso ajuda a entender a comorbidade:
1. Explicando a sobreposição de sintomas
Muitos transtornos compartilham sintomas centrais (ex.: ansiedade elevada presente tanto no transtorno de pânico quanto no transtorno obsessivo-compulsivo). O modelo transdiagnóstico entende a comorbidade como reflexo de processos comuns, e não como “coincidência” de dois transtornos distintos.
2. Mecanismos centrais compartilhados
Desregulação emocional pode estar na base de depressão, transtorno de personalidade borderline e transtornos de ansiedade.
Intolerância à incerteza aparece no TOC, TAG e transtornos alimentares.
Processos atencionais enviesados (como hipervigilância para ameaça) surgem em fobia social, TEPT e ansiedade generalizada.
Isso mostra que a comorbidade pode ser explicada por fatores de risco transversais, em vez de diagnósticos independentes.
3. Menos “inflacionamento” diagnóstico
Pacientes que recebem vários diagnósticos (ex.: depressão + TAG + pânico) podem ser entendidos, no modelo transdiagnóstico, como tendo uma vulnerabilidade central única, expressa de formas diferentes. Assim, reduz-se a “fragmentação” do caso clínico.
4. Intervenções mais eficientes
Ao invés de múltiplos protocolos para cada diagnóstico, terapias baseadas no modelo transdiagnóstico (como o Protocolo Unificado de Barlow) tratam os processos nucleares que alimentam diferentes transtornos. Isso ajuda especialmente em casos de alta comorbidade, que são a regra e não a exceção em psiquiatria.
5. Pesquisa em rede (network approach)
Estudos transdiagnósticos mostram que sintomas de diferentes diagnósticos podem se influenciar mutuamente em redes dinâmicas. Isso ajuda a entender porque, por exemplo, ansiedade crônica. Espero ter contribuído.
Como isso ajuda a entender a comorbidade:
1. Explicando a sobreposição de sintomas
Muitos transtornos compartilham sintomas centrais (ex.: ansiedade elevada presente tanto no transtorno de pânico quanto no transtorno obsessivo-compulsivo). O modelo transdiagnóstico entende a comorbidade como reflexo de processos comuns, e não como “coincidência” de dois transtornos distintos.
2. Mecanismos centrais compartilhados
Desregulação emocional pode estar na base de depressão, transtorno de personalidade borderline e transtornos de ansiedade.
Intolerância à incerteza aparece no TOC, TAG e transtornos alimentares.
Processos atencionais enviesados (como hipervigilância para ameaça) surgem em fobia social, TEPT e ansiedade generalizada.
Isso mostra que a comorbidade pode ser explicada por fatores de risco transversais, em vez de diagnósticos independentes.
3. Menos “inflacionamento” diagnóstico
Pacientes que recebem vários diagnósticos (ex.: depressão + TAG + pânico) podem ser entendidos, no modelo transdiagnóstico, como tendo uma vulnerabilidade central única, expressa de formas diferentes. Assim, reduz-se a “fragmentação” do caso clínico.
4. Intervenções mais eficientes
Ao invés de múltiplos protocolos para cada diagnóstico, terapias baseadas no modelo transdiagnóstico (como o Protocolo Unificado de Barlow) tratam os processos nucleares que alimentam diferentes transtornos. Isso ajuda especialmente em casos de alta comorbidade, que são a regra e não a exceção em psiquiatria.
5. Pesquisa em rede (network approach)
Estudos transdiagnósticos mostram que sintomas de diferentes diagnósticos podem se influenciar mutuamente em redes dinâmicas. Isso ajuda a entender porque, por exemplo, ansiedade crônica. Espero ter contribuído.
O modelo transdiagnóstico na psiquiatria busca identificar processos e fatores comuns que estão presentes em diferentes transtornos, em vez de focar apenas nos diagnósticos específicos. Ele ajuda a compreender a comorbidade, ou seja, a ocorrência de mais de um transtorno ao mesmo tempo, ao mostrar que certos padrões de pensamento, comportamento ou regulação emocional podem contribuir para múltiplas condições.
Esse enfoque permite que o tratamento seja pensado de forma mais integrada e personalizada, abordando mecanismos subjacentes que afetam várias condições ao mesmo tempo, em vez de tratar cada diagnóstico isoladamente.
Esse enfoque permite que o tratamento seja pensado de forma mais integrada e personalizada, abordando mecanismos subjacentes que afetam várias condições ao mesmo tempo, em vez de tratar cada diagnóstico isoladamente.
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