Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a autoimagem?

3 respostas
Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a autoimagem?
 Liesly Soares Prado Silva
Psicólogo
São José do Rio Preto
O Transtorno de Personalidade Borderline pode bagunçar muito a forma como a pessoa se enxerga. Não é só uma questão de “baixa autoestima” ou de não gostar do corpo, é mais fundo que isso. A pessoa com borderline tem dificuldade de saber quem é de verdade.
Num momento, ela pode se sentir boa, importante, merecedora de amor. No minuto seguinte, já se vê como alguém péssimo, sem valor, sem merecer nada. Essa oscilação constante faz com que seja difícil ter uma imagem firme de si mesma.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? A forma como o TPB afeta a autoimagem é um dos temas mais importantes — e dolorosos — dentro desse transtorno, e fico muito feliz que você tenha trazido isso. Não se trata de “não saber quem é”, como algumas pessoas costumam simplificar. É muito mais profundo do que isso.

Na prática clínica, vemos que o TPB cria uma espécie de instabilidade interna, como se a percepção sobre si mesmo dependesse demais do ambiente, do humor do momento ou do vínculo com alguém importante. A mente, que já funciona com um sistema emocional sensível, reage rápido aos movimentos ao redor, e isso faz com que a autoimagem oscile entre sentir-se muito capaz e, pouco depois, profundamente insuficiente. A neurociência ajuda a entender um pouco isso, porque o cérebro, nessas situações, interpreta pequenas mudanças relacionais como se fossem grandes ameaças à integridade emocional.

Ao mesmo tempo, a Teoria do Apego e a Terapia dos Esquemas mostram que essa oscilação costuma nascer lá atrás, quando a pessoa não teve oportunidades consistentes para desenvolver uma identidade interna segura. É como se o “espelho emocional” que deveria refletir quem você é de forma estável tivesse sido substituído por vários espelhos diferentes, cada um mostrando uma versão. Nenhuma dessas versões é falsa, mas todas parecem incompletas demais, e isso gera confusão, angústia e uma sensação de “ser vários eus em um só corpo”.

Talvez faça sentido você observar como isso aparece no seu cotidiano. Quando sua autoimagem muda, ela muda por algo que aconteceu naquele dia? Você percebe sua identidade ficando mais forte quando alguém te valida e mais frágil quando algo dá errado? Em momentos de calma, consegue sentir alguma constância sobre quem você é ou tudo parece temporário? Essas perguntas ajudam a perceber o que está por trás das mudanças, e é justamente isso que trabalhamos na terapia.

Se você já está em acompanhamento, vale muito levar isso para o seu terapeuta, porque é dentro da relação terapêutica que a sensação de identidade pode começar a ganhar contornos mais sólidos. Se ainda não estiver, esse pode ser um ótimo ponto para iniciarmos um processo de compreensão e reconstrução interna. Caso precise, estou à disposição.
O Transtorno de Personalidade Borderline afeta a autoimagem ao gerar instabilidade na forma como a pessoa se percebe, com oscilações entre sentimentos de valor e desvalorização intensa, dificuldade em manter uma identidade coesa e tendência a moldar a percepção de si conforme o contexto relacional; críticas ou sinais de possível rejeição podem provocar mudanças bruscas na visão de si, reforçando insegurança, culpa ou vazio, o que impacta escolhas, metas e vínculos, embora esse padrão possa se tornar mais estável com acompanhamento psicoterápico adequado e trabalho contínuo de construção identitária.

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