Como manejar o "Ciúme Terapêutico" (quando o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TP

2 respostas
Como manejar o "Ciúme Terapêutico" (quando o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) vê o terapeuta com outros)?
Oi, é um prazer te ter por aqui.

A transparência de limites no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é fundamental para fortalecer a confiança do paciente. Ao longo do processo terapêutico, o paciente passa a compreender melhor como sua autoimagem pode oscilar e aprende a diferenciar experiências momentâneas de aspectos mais estáveis de sua identidade. A psicoeducação também desempenha um papel central, pois ajuda o paciente a reconhecer seus próprios padrões emocionais e comportamentais e a relacioná-los aos sintomas do transtorno, o que favorece maior clareza e segurança na relação terapêutica.
Compreender esses elementos contribui para reduzir o estigma, valorizar o apoio profissional e promover um manejo mais eficaz do TPB. Esses fatores, em conjunto, facilitam a aceitação do diagnóstico e fortalecem o engajamento no tratamento.


Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernadosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES
Abraços

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

O chamado “ciúme terapêutico” costuma tocar em um ponto muito sensível no Transtorno de Personalidade Borderline: o medo de não ser especial, de ser substituído ou de perder o lugar na relação. Quando o paciente percebe que o terapeuta atende outras pessoas, isso pode ativar experiências emocionais antigas, ligadas à exclusão, comparação ou abandono. Não é apenas sobre o aqui e agora, mas sobre o significado que essa percepção ganha internamente.

Na condução clínica, o mais importante não é tentar convencer o paciente de que “isso é normal”, mas acolher a experiência emocional que está por trás desse sentimento. Validar não significa concordar com a interpretação, mas reconhecer que aquilo faz sentido dentro da história e da forma como o paciente aprende a se vincular. Ao mesmo tempo, o terapeuta mantém limites claros e uma postura consistente, ajudando o paciente a diferenciar o vínculo terapêutico de uma relação exclusiva ou fusional.

Esse tipo de situação costuma ser uma oportunidade clínica muito rica. É possível explorar como o paciente lida com a ideia de não ser o único, o que isso desperta nele e quais estratégias ele utiliza para lidar com essa dor. Muitas vezes, surgem padrões como comparação constante, necessidade de confirmação ou até movimentos de afastamento como forma de proteção. Trabalhar isso dentro da relação terapêutica permite que o paciente vivencie algo diferente do que costuma acontecer em outras relações.

Talvez seja interessante refletir: o que exatamente vem à tona quando você imagina que o terapeuta está com outros pacientes? É mais uma sensação de perda, de rejeição ou de não ser suficiente? Em outras relações da sua vida, algo parecido já apareceu? E quando esse sentimento surge, você tende a se aproximar mais, se afastar ou testar o vínculo de alguma forma?

Com o tempo, o objetivo não é eliminar completamente esse tipo de reação, mas ajudar o paciente a construir uma experiência interna mais segura, onde o vínculo não depende de exclusividade para ser sentido como real. A relação terapêutica, quando bem manejada, se torna um espaço onde essa dor pode ser compreendida e transformada, sem precisar ser repetida de forma automática.

Caso precise, estou à disposição.

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