Como posso lidar com o medo constante de que meu linfoma vai voltar, mesmo após o tratamento?

Como posso lidar com o medo constante de que meu linfoma vai voltar, mesmo após o tratamento?

4 respostas


Essa é uma pergunta muito importante, mas antes quero reconhecer que esse medo faz sentido. Depois de uma experiência como o câncer, podemos aprender que o mundo pode não ser totalmente seguro. Na perspectiva da Terapia do Esquema, esse medo constante pode estar ligado à ativação de alguns esquemas, como: Vulnerabilidade a doença: “algo ruim pode acontecer a qualquer momento” Hipervigilância: ficar sempre em alerta, procurando sinais de perigo. É importante identificar o “perigo real”, checar as evidências pode ajudar: Você fez tratamento? Existe acompanhamento médico? Quais são os dados concretos do presente? Ficar monitorando o corpo o tempo todo ou buscando sinais na internet pode aumentar o ciclo de ansiedade. Um ponto muito importante: o objetivo não é eliminar totalmente o medo, mas fazer com que ele não controle a sua vida.

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Sentir medo de recidiva é algo muito comum após o tratamento, e não significa fraqueza. Em vez de tentar eliminar esse medo, pode ser mais possível aprender a conviver com ele, trazendo o foco para o presente e para os cuidados que seguem sendo feitos. Criar rotina, acompanhar com a equipe médica e ter espaços de apoio ajudam a reduzir a sensação de descontrole. Aos poucos, esse medo tende a perder intensidade. A terapia pode ser um espaço importante para elaborar essa insegurança e fortalecer sua sensação de segurança ao longo do tempo. A disposição.


Esse medo é muito comum — e, na maioria das vezes, não significa fraqueza nem pessimismo, mas sim uma resposta emocional esperada após viver uma experiência tão impactante. Mesmo depois do tratamento, muitas pessoas que passaram por um linfoma continuam em estado de alerta, com pensamentos como: “e se voltar?”, “e se eu estiver deixando passar algum sinal?” ou “será que estou realmente seguro(a)?”. Isso acontece porque o corpo e a mente podem permanecer “programados” para o perigo, mesmo quando a fase mais crítica já passou. Esse medo constante é conhecido, em muitos casos, como ansiedade de recidiva ou medo de recorrência do câncer. Ele pode se manifestar através de: • hipervigilância com qualquer sintoma corporal; • ansiedade antes de exames e consultas de acompanhamento; • dificuldade de relaxar mesmo quando tudo está bem; • pensamentos catastróficos; • insônia, tensão muscular e sensação de ameaça constante; • dificuldade de retomar a rotina com segurança. O primeiro passo é entender que esse medo faz sentido emocionalmente. Depois de uma experiência de adoecimento importante, o cérebro pode continuar funcionando como se ainda precisasse se defender o tempo todo. Ou seja: mesmo após o tratamento, o sistema nervoso pode permanecer em estado de alerta. Algumas estratégias que costumam ajudar são: • diferenciar cuidado de hipervigilância: seguir o acompanhamento médico é saudável; monitorar o corpo o tempo todo pode aumentar a ansiedade; • evitar interpretar automaticamente qualquer sensação física como sinal de recaída; • manter uma rotina com sono, alimentação, movimento e momentos de prazer, para ajudar o cérebro a sair do estado de ameaça constante; • aprender técnicas de regulação emocional e corporal para reduzir o excesso de ativação. Nesses casos, o acompanhamento psicológico é muito importante, porque ajuda a pessoa a processar o trauma do adoecimento, diminuir o medo constante e recuperar uma sensação interna de segurança. Abordagens como a psicoterapia integrativa e o EMDR podem ser especialmente úteis quando o diagnóstico e o tratamento deixaram marcas emocionais profundas. O EMDR, por exemplo, pode ajudar no reprocessamento de memórias traumáticas, no medo de recidiva e na redução da hipervigilância, favorecendo mais equilíbrio emocional e qualidade de vida. Se esse medo está impedindo você de viver o presente, mesmo após o tratamento, vale muito a pena buscar ajuda. Sobreviver ao câncer também envolve aprender, aos poucos, a se sentir seguro(a) novamente.

Aline Oliveira

Aline Oliveira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Esse medo é muito compreensível, porque depois de passar por algo tão intenso como um linfoma, o corpo até pode estar em remissão, mas a mente ainda fica em estado de alerta, como se precisasse se preparar para uma possível volta da doença. Esse tipo de pensamento costuma aparecer como uma tentativa de se proteger, mas acaba gerando ansiedade constante ao colocar você sempre no futuro e no “e se”. Lidar com isso não é eliminar totalmente o medo, mas aprender a não deixar que ele organize sua vida, trazendo sua atenção de volta para o presente sempre que possível e diferenciando o que é acompanhamento real de saúde, como exames e consultas, do que são projeções da ansiedade. Aos poucos, pode ajudar construir uma sensação de segurança baseada no cuidado contínuo e no fato de que, neste momento, você está bem, permitindo que sua vida não fique suspensa pela possibilidade do que pode ou não acontecer.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.