É possível que alguém com autismo tenha consciência de sua condição? Como indivíduos com autismo se

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É possível que alguém com autismo tenha consciência de sua condição? Como indivíduos com autismo se percebem de forma diferente daqueles que são neurotípicos?
Sim, muitas pessoas com autismo têm plena consciência de sua condição. Elas podem compreender como percebem o mundo de forma diferente e identificar o impacto disso nas interações, na comunicação e nas emoções. Essa autopercepção, porém, costuma ser mais analítica e detalhada, voltada para padrões e sensações internas, enquanto pessoas neurotípicas tendem a perceber a si mesmas mais a partir das relações e do contexto social.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Que pergunta bela e profunda — ela toca justamente no ponto onde a consciência e a identidade se encontram.

Sim, é perfeitamente possível que uma pessoa com autismo tenha consciência da própria condição, especialmente quando recebe o diagnóstico na vida adulta ou participa de processos de autoconhecimento e psicoterapia. O autismo não compromete a capacidade de autorreflexão, mas pode alterar a forma como essa reflexão acontece. Muitas pessoas no espectro descrevem que sempre sentiram que havia “algo diferente” em seu modo de perceber o mundo — uma intensidade nas sensações, uma atenção aos detalhes que outros não notavam ou uma dificuldade de entender certos códigos sociais que pareciam naturais para os demais.

Do ponto de vista da neurociência, essa diferença de percepção está relacionada a como o cérebro autista processa informações sensoriais e sociais. Enquanto o cérebro neurotípico tende a integrar múltiplos estímulos de forma mais global, o cérebro autista privilegia a coerência local — o detalhe, o padrão, a lógica. Isso faz com que o autista perceba o mundo de forma mais analítica, menos filtrada por convenções sociais. É como se o cérebro dissesse: “Eu vejo o que está realmente aí, não o que esperam que eu veja.”

Essa forma de perceber também se estende à autoimagem. Muitos autistas relatam que têm consciência profunda de suas diferenças, mas que, por muito tempo, essa consciência veio acompanhada de autocrítica e esforço de adaptação — o chamado masking. Com o tempo e o acolhimento, essa mesma consciência pode se transformar em orgulho identitário: o reconhecimento de que enxergar o mundo de forma singular é um modo legítimo de existir.

Você já pensou em como cada pessoa cria uma “teoria da mente” sobre si mesma — uma história interna que explica quem é e por que sente o que sente? No caso do autismo, essa narrativa pode demorar mais para se formar, mas quando se forma, costuma ser profundamente honesta, detalhada e coerente.

A terapia pode ajudar muito nesse processo, auxiliando a transformar o “eu diferente” em um “eu autêntico”, livre de rótulos e pressões externas. Entender-se não é sobre corrigir o que se é, mas sobre fazer as pazes com o próprio ritmo mental. Caso queira se aprofundar nesse tema, estou à disposição.
Sim, é possível. Muitas pessoas autistas têm consciência da própria condição, especialmente na adolescência e vida adulta. Em geral, percebem a si mesmas como diferentes no modo de pensar, sentir e interagir, notando maior esforço social, sensorial e emocional em comparação a pessoas neurotípicas.
Essa autopercepção pode surgir cedo ou após diagnóstico tardio, e costuma se aprofundar com psicoeducação e psicoterapia, favorecendo autoconhecimento e autoestima.

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