Já pesquisei em TODOS os lugares possíveis, e vi relatos de advogados e pessoas com a condição de Tr

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Já pesquisei em TODOS os lugares possíveis, e vi relatos de advogados e pessoas com a condição de Transtorno de Personalidade Borderline. A lei não é definitiva sobre transtornos de personalidade se encaixar em dificiente psicossocial, mas é possível desde que grave e afete diversas áreas da vida. A questão é que por mais que a lei aponte que é responsabilidade do profissional, psiquiatra e psicologo, atestarem essa incapacitação que a doença POSSA trazer em alguns casos, a grande maioria se recusa. Mesmo que existam estudos que corroborem com o fato de qua existem, por exmplo, sintomas similares no autismo e no borderline (entretanto com causas diferentes), e o autismo mesmo já possuir direitos próprios quando se diz a prioridade e cotas, e o borderline está longe disso. Eu convivo com o diagnostico dessa condição desde meus 23 anos, mas tenho complicações na vida referente a esse transtorno (e o TDAH também) desde os 16 anos, já perdi meses de aula no ensino médio, já tranquei periodo na faculdade, já fiz periodo excepcional na faculdade, já perdi emprego, já fiquei 2 semanas sem ir ao emprego dado a tentativas sui***** dado meu diagnostico, tenho dificuldade em me manter em empregos dado minha instabilidade emocional e psicológica, tenho dificuldades em diversos outros campos da minha vida, e gostaria de me sentir acolhida pelos profissionais e pelo Estado, mas ainda tem muito preconceito e até hoje ainda é uma discussão na psiquiatria se borderlines são neurodivergentes ou não. Espero um dia avançar nisso...
A sua colocação é pertinente e expressa uma realidade que infelizmente ainda é invisibilizada pelo sistema de saúde. É inegável que o Transtorno de Personalidade Borderline pode causar um sofrimento psíquico significativo e impactos profundos em diversas áreas da vida — e o seu relato pessoal comprova isso de forma muito concreta.

É importante, no entanto, esclarecer que o Transtorno de Personalidade Borderline não é — e não deve ser — confundido com o autismo ou outras formas de deficiência. Cada uma dessas condições possui características clínicas, origens e formas de tratamento distintas. Borderline não é uma deficiência intelectual nem um transtorno do desenvolvimento neurológico, como o autismo. No entanto, isso não significa que os impactos do TPB na vida cotidiana sejam menos significativos ou menos dignos de atenção, cuidado e acolhimento.

A comparação com o autismo, nesse contexto, ajuda a evidenciar como políticas públicas e garantias de direitos podem ser ampliadas para outras condições que também geram limitações importantes. A luta, portanto, não é por equiparar diagnósticos, mas por garantir que todas as pessoas em sofrimento psíquico grave tenham acesso a suporte digno, humano e eficaz.

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Dra. Fernanda Souza de Abreu Júdice
Psiquiatra, Médico perito, Médico clínico geral
Rio de Janeiro
ocê tem toda razão em tudo o que disse. Dá pra sentir o quanto você já passou, e como ainda está lidando com os efeitos de tudo isso no presente. Não é justo que, mesmo com diagnóstico, histórico de sofrimento e impacto real na sua vida, você tenha que lutar tanto para ser reconhecida, acolhida ou ao menos escutada com seriedade.

A legislação brasileira realmente deixa em aberto a possibilidade de reconhecer transtornos como o Borderline dentro do conceito de deficiência psicossocial, desde que o impacto seja significativo e duradouro. E pelo que você relatou — prejuízo acadêmico, instabilidade nos empregos, tentativas de suicídio, dificuldade de funcionamento no dia a dia — não tem nenhuma dúvida de que esse impacto existe. O problema é que, mesmo quando a lei permite, na prática os profissionais se recusam a atestar. E isso muitas vezes não é por falta de critério, mas por falta de sensibilidade, desinformação ou até mesmo preconceito travestido de "cautela".

Sobre a comparação com o autismo, você está certíssima. Não se trata de dizer que são iguais, mas sim de reconhecer que existem sobreposições reais em sintomas como desregulação emocional, dificuldades sociais, alterações de percepção e sofrimento psicológico crônico. E a diferença de tratamento entre os dois acaba sendo gritante. Autistas hoje têm respaldo legal, prioridade, cotas. Pessoas com Borderline muitas vezes nem são vistas como legítimas dentro da própria saúde mental, quanto mais pela sociedade.

A verdade é que a psiquiatria ainda carrega muitas contradições internas. Há debates que se arrastam há anos sem consenso, como essa questão da neurodivergência no Borderline. Mas isso não muda o fato de que o sofrimento é real. As barreiras que você enfrenta são reais. E o abandono institucional também.

Espero que você continue falando, continue exigindo, continue se fazendo ouvir. Porque você está certa em tudo. E quem tem um olhar sensível sabe disso.

Se um dia quiser ajuda para montar algo que te represente juridicamente — um laudo, um parecer, um relato técnico — estou à disposição. Você não deveria precisar provar tanto pra ser reconhecida, mas se for necessário, que seja com dignidade e respaldo.

Essas informações são educativas e não substituem uma consulta médica. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um médico psiquiatra. Estou à disposição.
Muito obrigada por compartilhar seu relato com tanta clareza e profundidade. O que você está trazendo é legítimo e importante: representa a realidade de muitas pessoas que convivem com transtornos de personalidade, especialmente o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), que ainda é alvo de muito estigma, desinformação e resistência institucional, inclusive dentro da própria psiquiatria e psicologia.

Ao meu ver, a lei brasileira (como a Lei Brasileira de Inclusão – LBI, Lei 13.146/2015) não traz uma lista fechada de diagnósticos, mas sim considera como deficiência "qualquer limitação de longo prazo que afete de forma significativa uma ou mais áreas da vida" — o que inclui a saúde mental.
O decreto n° 3.298/1999, em seu artigo 4º, já abria espaço para o conceito de deficiência psicossocial, e a LBI fortaleceu isso. Porém, o reconhecimento prático ainda depende da interpretação dos profissionais de saúde e, principalmente, da perícia técnica, o que cria uma barreira real para pessoas com condições como TPB, que sofrem consequências graves, mas nem sempre conseguem esse reconhecimento formal.
Seu relato é uma forma de resistência.
Você não está sozinha. Muitas pessoas vivem situações semelhantes e sua voz — firme, clara e embasada — é parte essencial da mudança.
Você merece acolhimento, reconhecimento e respeito. E essa luta, ainda que seja difícil, é justa — e necessária.

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