Minha filha adotiva perdeu a confiança em nós como pais assim que descobriu por acaso que tinha uma

31 respostas
Minha filha adotiva perdeu a confiança em nós como pais assim que descobriu por acaso que tinha uma outra família biológica e desde então quer manter contato com eles, e eles não querem a aproximação. Ela está muito rebelde. Tem 8 anos, e descobriu quando tinha 5.
 Alessandro Felippe
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
A descoberta da existência de uma família biológica pode gerar uma série de emoções complexas em uma criança, especialmente em uma idade tão jovem. É natural que sua filha esteja confusa, buscando respostas e sentindo a necessidade de entender suas raízes, processo normal, e que necessariamente não diminui o amor que ela sente por vocês. Entenda que a rebeldia muitas das vezes é uma forma de expressar as suas emoções que podem se manifestar em comportamentos desafiadores, por isso a importância da terapia. Estou à disposição caso queira conversar sobre o assunto.

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 Cirano Araújo
Psicólogo, Psicanalista
Belo Horizonte
Olá, como você e sua família têm passado?
Entendo que essa situação seja muito desafiadora e que pode gerar diversas emoções tanto para sua filha quanto para vocês como pais. Quando uma criança descobre algo tão marcante sobre sua história, como a existência de outra família biológica, é comum que surjam sentimentos intensos, como confusão, rejeição, ou até uma sensação de perda. Na psicanálise, compreendemos que essas experiências podem deixar marcas profundas no imaginário da criança, influenciando sua relação com o mundo e com vocês.
Pode ser interessante, caso sintam-se confortáveis, procurar uma terapia familiar ou individual para sua filha. Na psicoterapia, ela teria um espaço seguro para falar sobre suas emoções, dúvidas e angústias, enquanto vocês também poderiam explorar como reconstruir a confiança mútua e lidar com os desafios que surgem nessa relação.

Perguntas como "Como foi para ela receber essa notícia?", "O que ela pode ter sentido sobre a reação de vocês ou da família biológica?" e "Como vocês têm lidado juntos com essa descoberta?" podem ser pontos de partida para desbravar essa situação.
A terapia pode ajudar sua filha a integrar melhor sua história e seus sentimentos, permitindo que ela se sinta acolhida tanto em relação à sua identidade quanto à dinâmica familiar atual. Estou à disposição para orientações e espero que isso tenha trazido alguma clareza para vocês.
É normal que a criança adotada queira contato com os pais biológicos. Sem conseguir, independentemente dos motivos, também é comum que fique com raiva e apresente comportamento rebelde. Como adultos temos a capacidade de emprestar nossa habilidade cognitiva para a criança ajudando ela a compreender suas emoções em relação à realidade. Assim a criança se sentirá segura e aprenderá a geriar seus sentimentos. Fico à disposição. Abraço.
 Rute Rodrigues
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Uma situação muito delicada, que magoa a todos os envolvidos, pois se vocês não falavam da adoção anteriormente talvez tivessem alguns temores envolvidos, como medo de perdê-la no amor, não saberem lidar com as questões que apareceriam, idealmente protegê-la da situação do motivo da adoção da família biológica e da família adotiva, entre outros… pois no relato, parece que não estão se sentindo validados na função de pai e mãe até então exercida e que faz o vinculo relacional com a criança, independente da forma que esta criança veio para a família. Para retomar as rédeas da situação, talvez seja importante a intervenção psicológica que apoie a elaboração dos fatos e conduza vocês a reorganizar a família.
Dra. Aureslina Barreto Ducatti
Psicanalista, Psicólogo
Planalto
É necessário que sua filha tenha um atendimento psicológico pois esta descoberta necessita de vários entendimentos e principalmente por quem ela ficou sabendo ; vocês , pais adotivos , tiveram orientação psicológica quando fizeram a adoção ! necessário acompanhamento psicológico dos pais adotivos também.
 Marco Leite
Psicanalista
Rio de Janeiro
Sua filha precisa ser escutada por um psicólogo infantil, antes de atendê-la, as entrevistas com vocês responsáveis, irão ajudar muito na direção do trabalho.
Dra. Karina Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Olá!
Vocês tem condições de investir em uma terapia para ela?
Se tiverem, é a opção mais indicada!
A terapia não é somente para quem tem transtornos mentais, ela é para todos que percebem que precisam de ajuda para lidar com as questões emocionais.
Ela é uma criança que está tentando elaborar a rejeição da família adotiva e entender os motivos da família biológica ter omitido/mentido para ela. Vocês como pais podem ajudar com bastante conversa sincera e amorosa, sobre as razões que motivaram na escolha de adotar e de não contar sobre a adoção, mas muitas vezes é necessário uma pessoa externa ao conflito e com saber profissional sobre o funcionamento psíquico e emocional para ajudar nesse processo.
  Marcos  Boldrin
Psicanalista, Terapeuta complementar
Campinas
ola recomendo a hipnoterapia
fico a disposição
 Sara Pinto Carneiro
Psicólogo, Psicanalista
Piracicaba
Olá, Essa é uma situação bem desafiadora... Precisaria de mais informações para te orientar mais adequadamente. Mas em linhas gerais quando nós crescemos e desenvolvemos nossa personalidade precisamos acessar nossas origens. Existe a necessidade de respondermos: de onde vim? Com quem me pareço? Qual é minha história?
De novo, precisaria de mais informações para conseguir avaliar ou analisar a situação mais adequadamente, mas existe um movimento esperado da sua filha para conseguir se formar como pessoa. Procure um psicologo ou um profissional que você possa conversar sobre isso e conseguir ajudá-la nessa busca e diminuir a rebeldia.
Espero ter te ajudado um pouquinho.
 Rachel Jurkiewicz
Psicanalista, Psicólogo
Curitiba
Nossa ja faz tres anos que isto ocorreu e nao procurou ajuda ate hoje. Precida procurar um profissional pra investigar com vcs o porque desta adoção e ver o que sua filha esta entendendo isso e isto e tratamento na atea de psicologia clinica
 Dulcinia da Conceição  dos Santos
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Sinto muito que sua família esteja passando por essa situação difícil. O Transtorno Reativo de Vinculação pode ser extremamente desafiador, especialmente quando se envolve questões tão sensíveis como a descoberta de uma família biológica.

É crucial lembrar que a rebeldia de sua filha pode ser uma forma de expressar sua confusão, tristeza e sentimentos de abandono. Aqui estão algumas estratégias que podem ajudar:

Apoio Terapêutico: Um terapeuta especializado em adoção e vinculação pode fornecer a orientação necessária para ajudar sua filha a entender e processar seus sentimentos.

Comunicação Aberta: Tente manter um canal de comunicação aberto e honesto com sua filha, garantindo que ela se sinta ouvida e compreendida.

Estabilidade e Rotina: Crianças com Transtorno Reativo de Vinculação se beneficiam de um ambiente estável e rotinas previsíveis, que podem ajudá-las a se sentir mais seguras.

Educação e Sensibilização: É importante que todos os membros da família estejam cientes do transtorno e trabalhem juntos para apoiar a criança.

Envolvimento Positivo: Encoraje atividades que promovam conexões positivas e reforcem sentimentos de aceitação e pertença.

Vale a pena buscar aconselhamento especializado para desenvolver um plano de ação personalizado que atenda às necessidades específicas de sua filha e sua família. Se precisar de ajuda para encontrar profissionais em São Paulo ou online, estou aqui para ajudar.

 Indayá Jardim de Almeida
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
Olá! Tente manter o diálogo com sua filha, mesmo nos momentos de rebeldia, explicar que ela foi escolhida por você ao invés de adota, mostre o porquê adotou ela, converse sobre a história de vida da sua família, incluindo ela nisso e também busque um psicólogo/ psicanalista para ambos, possibilitando assim um espaço de escuta sensível, acolhimento, investigação e orientação na situação atual. Espero ter ajudado, estou á disposição!
Prof. Maria Luisa de Oliveira Salomon
Psicólogo, Psicanalista
Belo Horizonte
Tenham paciência e tudo muito confuso para ela pena que os pais biológicos não queiram o contato conversem muito com ela expliquem que iam contar a verdade mas que esperavam que ela tivesse pelo.menos uns 8 anos para contar e que foi ruim que ficasse sabendo sem ser por vocês.Mostrem que escolheram ser pais dela e que a amam muito e que gompreendem sua raiva Seria bom que procurassem uma psicóloga para ajudá-los nesse processo e aceitem sua revolta nao e fácil descobrir que fomos rejeitados pelisbpais biológicos e o ideal é que desde pequena soubesse da verdade ahora e necessário dar a ela o tempo que precisar certificar que a amam. muito e que se erraram por mão ter contado mais cedo foi por amor .A terapia vai ajuda lá nesse processo boa sorte
 Camile Riente Luglio de Carvalho
Psicanalista
São José do Rio Preto
A melhor forma e sempre ir dialogando e tentar compreender o que ela está sentindo, natural a " revolta" e raiva, e não e com vocês e sim com a situação em si, e dentro do que ela sente. Dela mesmo.. acolher
 Rebeca Elizeu
Psicanalista
Sorocaba
A descoberta pode ter trazido muitas questões para ela, como a falta de segurança por ter descoberto por si, senso de pertencimento, ao saber que há uma família biológica, busca por sua própria identidade.
Ela ainda está em fase de desenvolvimento emocional e lidar com questões tão complexas pode ser confuso e a rebeldia pode ter sido a forma que ela encontrou para expressas suas angustias que não consegue verbalizar/nomear.
Pode ajudar ela se sentir acolhida , e pode ser que isso seja difícil para vocês, mas validar como ela se sente "Entendemos que isso é importante para você e queremos ouvir como se sente pois também é importante para nós..." Tentar não oferecer respostas prontas, mas uma escuta aberta pode ajudar a reconstruir a confiança entre vocês. Com paciência, empatia e buscando se comunicar sempre.
É bastante importante buscar um ambiente onde ela possa se elaborar seus afetos, como a terapia, onde ela poderá dar maior sentido a como tem se sentido, assim como vocês pais também para compreender como podem ajudá-la e lidar com suas próprias emoções.
O que sua filha está vivenciando é uma crise de identidade e pertencimento, o que é compreensível dada a descoberta sobre sua origem biológica em uma idade tão sensível. Esse tipo de situação pode gerar confusão emocional, sentimentos de rejeição e até mesmo uma rebeldia como forma de expressar sua dor ou frustração.
É essencial abordar essa questão com paciência, empatia e diálogo aberto.
 Viviani Carlin
Psicanalista, Terapeuta complementar
São Paulo
A descoberta da família biológica foi um evento profundo para essa criança, ainda mais considerando que a família biológica não deseja a aproximação. Para ajudar sua filha, considere procurar por terapia, e até mesmo uma terapia familiar. Valide os sentimentos dela e mantenha conversas honestas, perguntando como ela se sente. Demonstre amor incondicional e paciência para reconstruir a confiança. Com o apoio adequado, sua filha pode encontrar paz e compreensão em sua identidade.
 Flávia  Vieira
Psicanalista
Palmas
Existem vários fatores a serem observados nessa questão, que interferem em como ela está reagindo a tudo isso. Afinal, não tem maturidade ainda para entender e processar de forma Clara esses fatos, intenções.. a família precisa de um trabalho em conjunto para superar esse momento e resgatar os vínculos de confiança e afetividade, visando ressignificar os traumas que essa criança já carrega e que serão significativos em toda vida dela.
 Juliana Arango
Psicanalista
Niterói
Nunca descuide das reflexões pessoais sobre o assunto e sobre cada assunto importante e doloroso na sua vida. A psicoterapia pessoal é muito importante. Ela permite, por exemplo, respeitar, na distância justa e saudável, as dificuldades das pessoas ao nosso redor, e o que elas sentem na vivência delas. É impossível acolher outra pessoa da melhor maneira sem ter primeiro acolher os próprios sentimentos e ideais sobre a nossa vivência pessoal no mundo.
Desejo o melhor a vocês. Pode procurar o meu nome no ggl se quiser conversar.
 Anna Heller Moraes Mendes
Psicanalista
Rio de Janeiro
Olá, seria bom um acompanhamento terapêutico para todos e falarem sobre isso? boa sorte
 Paulo Bonzanini
Psicanalista
Santo André
Essa é uma situação delicada e compreensivelmente desafiadora para todos os envolvidos. Sua filha está lidando com uma descoberta complexa para a idade dela, e sua rebeldia pode ser uma forma de expressar dor, confusão e um senso de perda. Algumas reflexões e caminhos para lidar com isso:

1. O impacto da descoberta precoce
Descobrir sobre a adoção por acaso e tão jovem pode ter gerado um sentimento de quebra de confiança. Para uma criança de 5 anos, essa revelação pode ter sido um choque, pois ela ainda não tinha maturidade para processar completamente o significado disso. Possivelmente, ela sentiu que algo essencial sobre sua vida foi ocultado, o que pode ter gerado a sensação de traição.

2. O desejo de conexão com a família biológica
Mesmo que os pais biológicos não queiram contato, o desejo da sua filha de conhecê-los é legítimo. Muitas crianças adotadas passam por essa fase de curiosidade sobre suas origens, e isso não significa que ela rejeita vocês como pais. Mas, como ela ainda é muito jovem, pode estar reagindo de forma impulsiva e desafiadora por não saber como lidar com essa frustração.

3. A rebeldia como expressão emocional
A rebeldia dela pode ser uma forma de expressar sentimentos não resolvidos:

Raiva e mágoa: Pode estar se sentindo rejeitada por vocês ou pela família biológica.
Confusão sobre identidade: Pode estar tentando entender quem ela é e onde se encaixa.
Medo do abandono: Mesmo que inconscientemente, pode temer que, se foi "abandonada" uma vez, isso aconteça de novo.
4. Como reconstruir a confiança
O mais importante agora é reconstruir o vínculo com ela. Algumas estratégias que podem ajudar:

Validação emocional: Em vez de tentar convencê-la a esquecer a família biológica, reconheça os sentimentos dela. Algo como: "Entendo que você queira conhecê-los, é natural. Deve ser difícil saber que eles não querem esse contato agora. Mas estamos aqui para você."
Diálogo sincero e adequado para a idade: Pergunte sobre o que ela sente e dê espaço para que ela expresse sua dor, sem minimizar. Se ela se sente traída, diga que entende esse sentimento.
Narrativa positiva sobre a adoção: A forma como ela vê sua adoção pode ser trabalhada. Não como algo que foi escondido dela, mas como uma história de amor e acolhimento.
Psicoterapia infantil: Um profissional pode ajudá-la a processar essas emoções de forma mais saudável.
5. E quanto à família biológica?
Se o contato não for uma opção, o melhor caminho é ajudá-la a lidar com essa frustração, oferecendo explicações adequadas para sua idade. Em vez de reforçar que "eles não querem contato", pode ser mais suave algo como: "No momento, eles não estão prontos para esse encontro, mas isso não significa que você não seja importante."

6. Paciência e amor
Mesmo que ela esteja rebelde agora, essa fase pode ser trabalhada. A chave é demonstrar que, independentemente de suas origens e desejos, ela é amada e acolhida por vocês
 Júnior Oliveira
Psicanalista
Rio de Janeiro
Olá desejo que tudo se resolva bem.

Um acompanhamento psicológico é uma das coisas mais importante, um profissional , por ser insento, ajudará bastante.

Se preocupe em amar e demonstrar esse amor, seja sincero sempre, e demonstre com transparência como você está sentindo, expor nossas fragilidades pode quebra muita resistência.

Desejo o melhor para vocês.
.
Olá,

Esta questão que você trás é muito delicada, minha orientação é a de que vocês busquem ajuda de um/a profissional, um psicólogo/a que trate de crianças, pois sempre há um acompanhamento dos pais também.
 Lucas Jerzy Portela
Psicanalista
Salvador
Boa pergunta pra você se fazer em sua psicanálise, com um psicanalista.
 Maria Carolina Andrade
Psicólogo, Psicanalista
Goiânia
Olá! Vocês já buscaram auxílio psicoterápico? Pois seria essencial para toda a família ter o apoio profissional de um psicoterapeuta para poder melhor elaborar o que passa no psíquico de cada um neste momento. As dinâmicas familiares são complexas por natureza, contudo, se há desejo, amor e disposição, as soluções para a travessias de momentos difíceis aparecem com o desenrolar dos eventos no tempo. Há de investigar e melhor dizer de quais fantasias que alimentam a criança sobre a família biológica. Há de se fazer um luto dos imaginários tanto dos pais biológicos quanto dos adotivos. Há de se fazer luto também do que os pais imaginavam que seria a condução e a convivência com a adoção. Há muito o que se dizer e trabalhar em cada sujeito da família para que os nós se tornem laços. Caso queiram, fico a disposição!
Essa situação é realmente delicada e desafiadora para toda a família. A descoberta da existência da família biológica pode gerar um impacto muito grande na criança, especialmente em uma idade tão sensível como a dela, e afetar diretamente a confiança e o vínculo que ela tem com vocês como pais adotivos.

A sensação de perda, confusão e a busca por identidade são normais nessa fase, e a rejeição por parte da família biológica pode aumentar ainda mais a angústia dela, levando a comportamentos rebeldes e de distanciamento.

Para lidar com isso, algumas estratégias podem ajudar:

Manter o diálogo aberto e acolhedor: mesmo que ela esteja rebelde, é importante que se sinta ouvida e compreendida. Demonstre que vocês estão presentes para apoiá-la, sem julgamentos.

Reforçar o vínculo afetivo: crie momentos de conexão positiva e segurança, mostrando que o amor e o cuidado de vocês são constantes e incondicionais.

Buscar apoio psicológico especializado: um psicólogo infantil com experiência em adoção pode ajudar sua filha a processar esses sentimentos, trabalhar a confiança e fortalecer a identidade dela.

Educar sobre a complexidade das relações familiares: conforme a idade dela permitir, explicar que famílias podem ser diferentes e que o amor e o cuidado que vocês oferecem são reais e importantes.

Cuidar de vocês mesmos: é importante que vocês também tenham suporte para lidar com essa situação, mantendo o equilíbrio emocional para melhor apoiar sua filha.

Lembre-se que reconstruir a confiança leva tempo e paciência, mas com amor e apoio adequado, é possível fortalecer o vínculo e ajudar sua filha a se sentir segura e amada.
Dra. Paula Marinho
Psicanalista
Niterói
Que tal procurar uma Terapia para ela poder expressar o que se passa com seus pensamentos e sebtimentos sobre isso,
É essencial um acompanhamento psicológico para ajudá-la a lidar com a situação. Essa descoberta é muito impactante para uma criança e ela precisa de apoio de um profissional para saber lidar.
O que vocês estão vivendo é muito delicado e compreensível. Para uma criança adotiva, descobrir a existência da família biológica de forma inesperada pode gerar confusão, sensação de perda de controle e medo de ter sido enganada, mesmo que isso não tenha sido a intenção de vocês. A quebra de confiança costuma aparecer como rebeldia, oposição e afastamento emocional, não porque ela deixou de amar vocês, mas porque está tentando elaborar algo grande demais para a idade dela. O desejo de contato com a família biológica faz parte da construção da identidade, e o fato de esse contato não ser possível pode intensificar frustração e raiva. O mais importante agora é reforçar, de forma constante e tranquila, que ela é amada, escolhida e pertencente à família de vocês, sem desqualificar seus sentimentos ou a curiosidade sobre suas origens. Um acompanhamento terapêutico infantil é fundamental para ajudá-la a simbolizar essa história, restaurar a confiança e encontrar formas mais seguras de expressar o que sente, além de orientar vocês como pais nesse processo.
O desejo de contato com a família biológica costuma estar menos ligado às pessoas concretas e mais a uma necessidade psíquica de completar a própria narrativa: “de onde eu vim?”, “por que fui entregue?”, “o que há de mim lá?”. O fato de a família biológica não querer aproximação pode ser vivido por ela como um novo abandono, o que intensifica sentimentos de raiva, tristeza e confusão. Muitas vezes, essa dor não consegue ser expressa em palavras e aparece como rebeldia, oposição, agressividade ou retraimento.
Na psicanálise, entendemos que a criança costuma dirigir sua raiva justamente para quem ela sente que não vai abandoná-la. Ou seja, a perda de confiança que vocês percebem pode coexistir com um vínculo profundo. A rebeldia pode ser uma forma de perguntar, sem palavras: “vocês continuam aqui mesmo quando eu estou difícil?”
Coloco-me à disposição como profissional para acolher, orientar e acompanhar vocês nesse caminho. A adoção é construída todos os dias e crises como essa, embora dolorosas, podem se tornar momentos importantes de fortalecimento do vínculo, quando bem cuidadas.
É profundamente compreensível que o coração de vocês esteja apertado diante dessa situação, pois a descoberta da adoção de forma acidental é um dos momentos mais delicados na construção de uma família, agindo como um pequeno terremoto na base da confiança que uma criança de oito anos tem no mundo. Quando sua filha descobriu, aos cinco anos, que existia uma outra história da qual ela não participava conscientemente, a mente dela pode ter interpretado isso não como um segredo guardado por cuidado, mas como uma quebra de lealdade, fazendo-a sentir que o terreno onde ela pisava não era tão sólido quanto imaginava. Na psicologia infantil e na psicanálise, entendemos que essa rebeldia que ela apresenta agora não é falta de amor por vocês, mas sim uma manifestação da dor, do luto pela perda da identidade que ela conhecia e de uma tentativa desesperada de buscar suas raízes para entender quem ela realmente é.

A busca constante pela família biológica, mesmo diante da rejeição deles, é uma forma de ela tentar preencher um vazio ou resolver um mistério que a descoberta acidental deixou em aberto. Para uma criança de oito anos, o desejo de contato é muitas vezes uma fantasia de cura: ela imagina que, ao encontrar essas pessoas, todas as suas dúvidas e sentimentos de não pertencimento desaparecerão. O fato de a família biológica não querer a aproximação coloca vocês em uma posição muito difícil, pois vocês precisam protegê-la de uma nova rejeição sem parecer que estão impedindo o contato por ciúme ou controle. Essa dualidade gera nela uma raiva que acaba sendo descarregada em vocês, que são as figuras seguras e presentes, funcionando como um para-raios para a frustração que ela sente em relação aos pais biológicos.

Para começar a reconstruir essa confiança, o caminho passa por validar o sentimento dela em vez de tentar combater a rebeldia com mais rigor. É fundamental que ela sinta que pode falar sobre a família biológica, sobre a raiva que sente de vocês e sobre a tristeza da descoberta sem que vocês fiquem magoados ou defensivos. Mostrar a ela que vocês suportam a raiva dela e que o amor de vocês permanece inalterado, mesmo nos momentos de maior rebeldia, é o que gradualmente devolverá a ela a sensação de segurança. É um processo de cicatrização que exige muita paciência e, muitas vezes, o auxílio de uma terapia especializada em adoção, onde ela possa processar esse luto e essa ambivalência de sentimentos em um espaço neutro.

Lembrem-se de que a rebeldia é a linguagem que ela encontrou para dizer que está sofrendo e que precisa ter certeza de que, desta vez, ninguém vai esconder nada dela ou deixá-la. Ao serem transparentes sobre a história dela, dentro do que a idade permite, e ao acolherem a curiosidade dela sem julgamentos, vocês estarão provando, dia após dia, que a família que a escolheu é o porto seguro onde ela pode desmoronar e se reconstruir. Esse vínculo, embora testado agora por essa tempestade, tem a capacidade de se tornar ainda mais forte se for baseado na verdade e no acolhimento incondicional de toda a complexidade que envolve a história de vida dela.

Espero ter ajudado! Fique bem!

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