minha sogra está com suspeita de transtorno delirante persistente, ela possui todos os sintomas, inv
minha sogra está com suspeita de transtorno delirante persistente, ela possui todos os sintomas, inventa histórias inexistentes, como de que está namorando com um cantor famoso, e acusa o meu sogro de ter feito algo que ele não fez e pedindo o divórcio, mas ela se recusa a ir ao médico e tentar um tratamento dizendo que nao está doente, o que fazer nessa situação?
3 respostas
Sinto que vocês estejam passando por isso. Pelo seu relato, é possível que se trate de um transtorno delirante persistente, mas é necessário avaliar outras possibilidades antes de definir um diagnóstico, com uma boa avaliação médica e, quando indicado, exames complementares. Nesse tipo de situação, confrontá-la diretamente costuma não ajudar e pode aumentar a desconfiança e os conflitos. Uma estratégia possível é tentar aproximá-la de um atendimento por outro motivo que ela aceite melhor, como insônia, ansiedade, estresse, problemas de memória ou até um check-up de rotina. Também ajuda conversar com ela sem confirmar o delírio, mas validando o sofrimento que ela está sentindo. Se ela continuar recusando, um familiar pode procurar sozinho um psiquiatra, CAPS ou unidade de saúde, explicar detalhadamente o quadro e receber orientação sobre como conduzir a abordagem. Uma consulta domiciliar também pode ser uma alternativa. Caso exista risco de agressão, abandono dos próprios cuidados, exposição financeira importante ou incapacidade de se manter em segurança, procure um serviço de urgência. Se os recursos fora do hospital forem insuficientes, uma internação involuntária pode ser considerada, mas somente após avaliação médica.
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Boa tarde! O mais difícil é que, para sua sogra, essas histórias provavelmente parecem totalmente reais. Por isso, dizer que ela está inventando, tentar provar que o cantor não a conhece ou discutir cada acusação contra o marido costuma aumentar ainda mais a desconfiança. A família tende a conseguir mais aproximação quando fala do sofrimento que ela reconhece: medo, insônia, conflitos, nervosismo ou desgaste no casamento, e não de um diagnóstico que ela rejeita. Às vezes ela aceita conversar com um médico para “ficar mais tranquila” antes de admitir qualquer problema emocional. Enquanto isso, observem se surgem ameaças, agressividade, gastos importantes, tentativa de procurar esse cantor ou risco para ela ou para o marido. Mesmo que ela ainda não aceite ir, uma consulta com familiares pode ajudar a planejar essa abordagem sem transformar a casa numa disputa sobre quem está dizendo a verdade.
Saudações! Essa situação é extremamente dolorosa e exaustiva para toda a família, mas a recusa em buscar ajuda é a principal característica do Transtorno Delirante Persistente, uma vez que a ausência de crítica (o paciente acreditar piamente que o delírio é a mais pura verdade e que não está doente) faz parte da própria patologia, restando à família adotar uma estratégia de manejo que evite o confronto direto e busque vias alternativas de intervenção médica. O primeiro passo fundamental é que a família nunca tente desmentir, confrontar ou provar logicamente que a história com o cantor famoso é mentira ou que as acusações contra o seu sogro são falsas, pois para o cérebro dela essas percepções são realidades absolutas, e o confronto direto serve apenas para gerar agressividade, fazer com que ela inclua vocês no próprio delírio (achando que estão conspirando contra ela) e fechar de vez as portas para qualquer diálogo. Em vez de focar no delírio em si, a abordagem deve se basear na validação do sofrimento emocional dela, usando ganchos de sintomas físicos ou secundários reais para convencê-la a ir ao médico, dizendo frases como "vejo que você está muito angustiada, sem dormir direito e estressada com tudo isso, vamos ao médico para cuidar do seu sono e do seu bem-estar", direcionando a consulta inicial para um geriatra, neurologista ou clínico geral de confiança caso ela tenha preconceito com a palavra "psiquiatra", permitindo que esse primeiro médico faça o acolhimento e realize o encaminhamento sutil ou a introdução discreta da medicação antipsicótica. Caso ela se recuse terminantemente a sair de casa para qualquer consulta, o passo seguinte é agendar uma consulta domiciliar com um psiquiatra particular ou acionar a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou da Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro para que os profissionais façam uma visita de assistência em casa, avaliando o quadro no próprio ambiente dela. Adicionalmente, o seu sogro e os filhos devem procurar o CAPS ou um advogado para entender os aspectos legais de proteção e, se o delírio colocar a integridade física dela ou de terceiros em risco imediato devido às falsas acusações, a legislação brasileira prevê a possibilidade de uma avaliação e internação involuntária, que deve ser solicitada por um familiar de primeiro grau (como os filhos) e obrigatoriamente assinada por um médico psiquiatra após uma avaliação técnica. Por fim, enquanto buscam esse suporte profissional, é urgente que o seu sogro receba apoio psicológico e não fique sozinho com ela durante as crises de acusação, e que os familiares assumam discretamente o controle de documentos, finanças e decisões importantes dela para protegê-la de prejuízos práticos decorrentes dessas histórias inexistentes. Espero ter contribuído.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.

