Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração p

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Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração para minha ansiedade e falta de motivação/ânimo dessa vida. Normalmente automutilação é tratado pelas pessoas apenas como cortes, as vezes queimaduras voluntárias, mas eu queria saber sobre uma perspectiva profissional como esse ato em específico é classificado.
 Gabriel Gonçalves Guimarães
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Podemos considerar o morder o próprio lábio como um ato de automutilação, a depender também da intensidade e da contextualização desse ato. É necessário passar por uma avaliação profissional desse sintoma em um acompanhamento terapêutico. Não necessariamente automutilação são apenas cortes ou queimaduras.

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Nem todo comportamento que causa algum ferimento no próprio corpo é automaticamente classificado como automutilação. O que costuma ser mais importante é entender a função daquele comportamento.

No seu caso, você relata que morde o lábio para lidar com a ansiedade e se distrair de emoções difíceis. Dependendo da frequência, intensidade e do quanto isso causa lesões, esse comportamento pode ser compreendido como uma forma de autorregulação emocional que merece atenção clínica, especialmente se estiver gerando sofrimento ou danos físicos.

Mais do que o ato em si, é importante investigar o que ele representa para você, em quais situações acontece e quais emoções costuma aliviar naquele momento.
Sim, morder o próprio lábio de forma repetitiva e intencional pode ser compreendido como uma forma de comportamento autolesivo leve, ainda que socialmente menos reconhecida do que cortes ou queimaduras, sobretudo quando funciona como um recurso para regular ansiedade ou tensionamentos internos; na leitura psicanalítica, esse ato pode operar como uma via de descarga que tenta dar contorno a algo que não encontra simbolização, deslocando o conflito para o corpo, e o ponto importante não é apenas o ato em si, mas a função que ele cumpre para você, o que abre espaço para pensar outras formas de elaboração que não passem pela via da dor.

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