O hiperfoco é o mesmo que "interesses restritos" no contexto do autismo ?

3 respostas
O hiperfoco é o mesmo que "interesses restritos" no contexto do autismo ?
Não exatamente. No autismo, interesses restritos referem-se a áreas ou temas específicos que despertam fascínio intenso, enquanto o hiperfoco é a capacidade de manter atenção profunda e prolongada nesses interesses. Ou seja, interesses restritos são o conteúdo; hiperfoco é a forma de atenção dedicada a ele.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma ótima pergunta — e é comum que as duas expressões sejam confundidas mesmo. Embora o hiperfoco e os interesses restritos possam parecer semelhantes, eles não são exatamente a mesma coisa. O hiperfoco está mais relacionado à intensidade da atenção: é quando a pessoa entra em um estado de concentração profunda em uma atividade, tema ou tarefa, a ponto de perder a noção do tempo ou das demandas externas. Já os interesses restritos dizem respeito ao conteúdo dessa atenção — temas ou áreas de interesse muito específicos, que podem ser mantidos por longos períodos e trazer um senso de conforto, previsibilidade e prazer cognitivo.

Em outras palavras, o hiperfoco é o como, enquanto os interesses restritos são o o quê. Uma pessoa autista pode, por exemplo, ter um interesse restrito em astronomia e entrar em hiperfoco quando está lendo sobre o universo. Nesse caso, o cérebro ativa intensamente circuitos de atenção e recompensa, funcionando quase como um “modo de fluxo” em que o mundo externo parece desaparecer. Você percebe que esse estado costuma vir acompanhado de calma e satisfação, ou mais de ansiedade e necessidade de controle?

O que torna tudo isso fascinante é que essas experiências não são apenas comportamentais — elas têm uma base neurobiológica real. As áreas cerebrais ligadas à recompensa e à regulação emocional se ativam de forma mais concentrada, como se o cérebro dissesse: “aqui é o meu lugar seguro”. Entender isso ajuda a reduzir o olhar de julgamento e aumentar o de aceitação. Que impacto esses momentos de imersão costumam ter na sua rotina — te fortalecem ou às vezes te afastam de outras atividades?

A terapia pode ajudar a equilibrar essa relação com o foco e o interesse, sem podar o que é genuíno, mas trazendo mais flexibilidade e consciência sobre quando mergulhar — e quando respirar fora d’água.

Caso precise, estou à disposição.
Não exatamente. Embora os dois conceitos possam parecer semelhantes, hiperfoco e interesses restritos não são a mesma coisa. O hiperfoco diz respeito a um estado de atenção muito intensa, em que a pessoa fica profundamente concentrada em uma atividade ou assunto por um período de tempo, com dificuldade de se desligar ou mudar o foco. Esse fenômeno está mais relacionado ao funcionamento da atenção e da autorregulação e é bastante comum no TDAH, mas também pode acontecer em pessoas autistas e até em pessoas sem diagnóstico.

Já os interesses restritos são uma característica do autismo e se referem a interesses muito específicos, intensos e persistentes ao longo do tempo. Normalmente são temas que acompanham a pessoa por longos períodos, fazem parte da rotina, das conversas e, muitas vezes, da forma como ela se organiza no mundo, não dependendo de novidade ou estímulo externo para se manterem.

Em algumas situações, a pessoa autista pode entrar em hiperfoco dentro de um interesse restrito, mas isso não significa que os dois conceitos sejam iguais. De forma simples, o hiperfoco explica como a atenção funciona em determinado momento, enquanto os interesses restritos dizem respeito ao padrão de interesses ao longo do tempo. Essa diferença é importante para compreender melhor o funcionamento individual e evitar confusões comuns sobre os diagnósticos.
Espero ter ajudado!!

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