O perfeccionismo pode causar "burnout" em mulheres autistas?

3 respostas
O perfeccionismo pode causar "burnout" em mulheres autistas?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito importante — e, na prática clínica, aparece com frequência entre mulheres autistas. Sim, o perfeccionismo pode, sim, levar ao burnout, especialmente quando se torna uma estratégia de sobrevivência emocional.

Muitas mulheres autistas aprendem desde cedo a mascarar suas dificuldades para se encaixar socialmente. Esse esforço contínuo de observar, imitar e controlar o próprio comportamento gera uma carga mental enorme. Com o tempo, o cérebro passa a funcionar em modo de “alto desempenho”, tentando prever tudo para evitar rejeição, críticas ou falhas. O perfeccionismo, nesse contexto, não é vaidade — é uma tentativa de se sentir segura em um mundo que frequentemente não compreende o jeito autista de ser.

Mas o corpo e a mente têm um limite. Quando o sistema nervoso vive constantemente ativado, o cortisol — hormônio do estresse — se mantém elevado, e o cérebro começa a mostrar sinais de exaustão: dificuldade de concentração, irritabilidade, hipersensibilidade sensorial, queda de produtividade, e até uma espécie de “apagão emocional”, onde a pessoa sente que perdeu acesso às próprias forças. É o que muitas mulheres descrevem como “esgotamento autista” ou autistic burnout.

Vale refletir: será que seu perfeccionismo vem de um desejo genuíno de fazer bem feito, ou do medo de ser julgada se errar? O que acontece dentro de você quando algo não sai exatamente como o planejado? E como seria se, aos poucos, você pudesse permitir que o “bom o suficiente” também fosse um lugar de descanso?

A terapia pode ajudar muito a desmontar esse padrão, não com críticas, mas com compaixão e consciência. Aprender a identificar os sinais de sobrecarga, respeitar os próprios limites e diferenciar esforço de exaustão é um passo essencial para preservar a saúde emocional e a vitalidade.

Se sentir que é hora de compreender melhor esse ciclo e encontrar um equilíbrio mais leve entre exigência e bem-estar, estou à disposição.

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 Zilnar Freitas
Psicólogo
Mossoró
Sem dúvidas! O perfeccionismo é uma característica bem presente em casos de autismo feminino e a necessidade de fazer sempre da melhor forma pode gerar uma sobrecarga cognitiva e física, favorecendo a instalação de um quadro de exaustão como a síndrome de Burnout.
Dra. Mayara Ciciliotti
Psicólogo, Psicanalista
Vitória
A síndrome do Esgotamento Profissional também chamada de de burnout é um quadro emocional multifatorial, diretamente relacionado ao contexto e às condições de trabalho, caracterizando-se por exaustão emocional, fadiga crônica e processos de despersonalização decorrentes do estresse ocupacional prolongado.

Nesse sentido, o perfeccionismo não deve ser tomado como causa direta ou isolada do burnout em qualquer indivíduo. Ele pode atuar, em alguns casos, como um fator associado, mas o adoecimento emerge da combinação entre exigências excessivas, sobrecarga, falta de apoio, inadequação de demandas e limites institucionais, especialmente quando há pouca adaptação às necessidades do sujeito.

No caso de mulheres autistas, fatores como hipersensibilidades, sobrecarga sensorial e demandas sociais intensas no trabalho podem aumentar a vulnerabilidade aos fatores estressores do trabalho. Ainda assim, é fundamental manter uma leitura diagnóstica diferencial e contextual, evitando explicações simplificadoras. O cuidado clínico exige análise singular de cada caso, considerando tanto o funcionamento subjetivo quanto as condições reais de trabalho. Sendo, portanto, imprescindível a avaliação de um profissional qualificado.

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