O que o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) avalia além do isolamento?

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O que o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) avalia além do isolamento?
 Maisa Guimarães Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Na psicanálise, não se trata de avaliar o diagnóstico a partir de critérios objetivos e fechados, mas de escutar o sujeito em sua singularidade. Ainda assim, é importante reconhecer que o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme definido em manuais como o DSM-5, vai muito além do isolamento social.

O diagnóstico envolve dois eixos principais: dificuldades persistentes na comunicação e interação social, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Isso pode incluir rigidez cognitiva, apego a rotinas, hipersensibilidades sensoriais, dificuldade na leitura de expressões emocionais e na compreensão de nuances sociais. Esses aspectos não dizem respeito apenas ao isolamento, mas à forma como o sujeito se relaciona com o outro, com o corpo, com o tempo, com o desejo e com o mundo simbólico.

Do ponto de vista psicanalítico, o TEA não é compreendido apenas como uma síndrome médica, mas como uma forma particular de constituição subjetiva. O que se observa muitas vezes é uma dificuldade em estabelecer laços simbólicos com o outro, uma relação com o mundo marcada por intensidades sensoriais, repetições e uma busca por organização que nem sempre encontra lugar na lógica do discurso do Outro.

A terapia psicanalítica pode oferecer a esse sujeito um espaço de escuta livre de exigências normativas, onde o que está em jogo não é “corrigir” comportamentos, mas possibilitar que o sujeito encontre uma forma própria e menos sofrida de estar no mundo. Ao longo do processo, podem surgir elaborações que ajudem na construção de sentido, na nomeação de afetos, na criação de estratégias singulares para lidar com as angústias e na abertura para novos modos de relação. A análise não busca enquadrar, mas acolher a diferença. E é por isso que pode ser tão potente nesse contexto.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma ótima pergunta — e mostra um olhar curioso e cuidadoso sobre o tema. O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista vai muito além do isolamento social. Ele envolve compreender um conjunto de características que dizem respeito à forma como a pessoa percebe, processa e se relaciona com o mundo. O isolamento pode até aparecer como um comportamento visível, mas é apenas uma das manifestações possíveis.

De modo geral, o diagnóstico busca entender aspectos da comunicação, tanto verbal quanto não verbal, a presença de interesses específicos, padrões repetitivos de comportamento, diferenças sensoriais e a maneira como a pessoa responde a estímulos sociais e emocionais. Mais do que “avaliar sintomas”, o processo tenta captar o modo de funcionamento da mente autista — uma mente que, muitas vezes, percebe detalhes que passam despercebidos por outros e processa as experiências com intensidade particular.

É importante lembrar que o TEA é um espectro, o que significa que há uma enorme variedade de formas de ser e de estar no mundo dentro desse diagnóstico. Algumas pessoas podem ter maior dificuldade nas interações sociais, enquanto outras têm uma comunicação fluida, mas sentem sobrecarga sensorial ou emocional em determinadas situações. A avaliação busca justamente entender essa singularidade para oferecer o suporte mais adequado.

Talvez valha refletir: o que te levou a se interessar por essa avaliação? Há comportamentos ou experiências específicas que despertaram essa dúvida? E como tem sido lidar com essas diferenças no dia a dia? Essas perguntas ajudam a direcionar o olhar não só para o diagnóstico, mas também para o autoconhecimento.

Se for um tema que esteja te tocando de forma mais pessoal, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para compreender melhor essas experiências e, se necessário, buscar uma avaliação formal. Caso precise, estou à disposição.
Além do isolamento, o diagnóstico de TEA avalia padrões de comunicação e interação social, reciprocidade emocional, uso da linguagem verbal e não verbal, interesses restritos, comportamentos repetitivos, rigidez cognitiva, sensibilidade sensorial e impacto funcional desses aspectos na vida cotidiana.

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