Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no ence

Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no encerramento de uma terapia que não resolveu a demanda. É normal o processo ser encerrado sem uma sessão de devolutiva do psicólogo? Mesmo já tendo se passado alguns meses do término, o paciente ainda tem o direito de solicitar e receber essas informações por escrito, ou o profissional pode se recusar pelo tempo decorrido? Eu gostaria de saber se tenho o direito de receber um relatório onde o profissional explique a visão geral dele sobre qual ele entendeu que era a minha demanda, qual seria a solução pensada por ele e quais barreiras ou limitações foram encontradas para que o processo não tenha dado certo. Também gostaria de saber se é meu direito pedir o prontuário com o histórico das sessões, contendo o que eu falei, as demandas que trouxe e as intervenções que ele fez. O psicólogo é obrigado por regulamentação ou código de ética a me fornecer tudo isso caso eu peça, ou é algo opcional? Se for obrigado, como essas informações devem ser entregues oficialmente: em formato digital como PDF assinado ou em papel físico impresso? Como preciso dessas informações para buscar uma nova ajuda especializada a partir da avaliação técnica de um profissional da saúde, o que mais seria de meu direito solicitar para me ajudar nessa transição, e também a entender toda a minha demanda a partir da visão de um profissional pra eu conseguir lidar melhor com minhas questões?

2 respostas


Não é o ideal, mas acontece. Eticamente, o encerramento do processo psicoterápico deve, sempre que possível, ser planejado e contar com uma sessão de encerramento, junto com a devolutiva do seu processo. Por lei e por regulamentação do CFP (Resolução CFP nº 01/2009), o psicólogo é obrigado a guardar o seu prontuário por, no mínimo, 5 anos. Portanto, mesmo após alguns meses, o seu prontuário está guardado e você tem total direito de acesso a ele. O psicólogo não pode se recusar a te dar acesso ou uma cópia dele. É uma obrigação legal e ética do profissional fornecer esses dados ao paciente quando solicitados. Se for digital, o formato ideal é o PDF, e ele deve conter uma assinatura eletrônica (como as do Gov.br ou certificados digitais reconhecidos), garantindo a autenticidade e o sigilo do documento.

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Olá! Sua dúvida é bastante pertinente. De modo geral, o paciente tem direito de solicitar informações e documentos relacionados ao seu atendimento psicológico, mas é importante diferenciar o que é um direito previsto nas normas da profissão daquilo que depende do julgamento técnico do psicólogo. Em relação ao encerramento da psicoterapia, uma sessão de devolutiva costuma ser considerada uma boa prática clínica, pois permite revisar o processo terapêutico, discutir os resultados alcançados, esclarecer dúvidas e, quando necessário, orientar os próximos passos. No entanto, ela não é obrigatória em todos os casos e pode não ocorrer por diferentes motivos, como interrupção do tratamento pelo próprio paciente ou impossibilidade de continuidade do vínculo. Mesmo que alguns meses tenham se passado desde o término da terapia, você ainda pode entrar em contato com o profissional e solicitar documentos relacionados ao atendimento. Quanto aos documentos, é importante distinguir suas finalidades: Prontuário psicológico: reúne os registros técnicos do atendimento, elaborados pelo psicólogo para documentar o processo terapêutico. O paciente tem direito de solicitar acesso às informações que lhe dizem respeito, respeitados os critérios técnicos e éticos previstos pelo Conselho Federal de Psicologia. Relatório psicológico: é um documento elaborado mediante solicitação, destinado a descrever aspectos do atendimento, objetivos, procedimentos e observações clínicas pertinentes para a finalidade informada. Ele não precisa reproduzir integralmente o conteúdo do prontuário nem responder exatamente às perguntas formuladas pelo paciente, pois sua elaboração segue critérios técnicos estabelecidos pela profissão. Assim, você pode solicitar um relatório para auxiliar na continuidade do tratamento com outro profissional. É possível informar que gostaria que ele contemplasse uma síntese da demanda apresentada, dos objetivos terapêuticos, das intervenções realizadas, da evolução observada e dos fatores que, na avaliação técnica do psicólogo, influenciaram o encerramento ou os resultados obtidos. O conteúdo final, entretanto, será definido pelo profissional de acordo com as normas éticas e técnicas. Da mesma forma, você pode solicitar cópia das informações do prontuário às quais tem direito. Caso existam dados cujo compartilhamento possa gerar prejuízo ao próprio paciente ou envolvam informações protegidas de terceiros, o psicólogo deverá avaliar a forma mais adequada de disponibilizá-los, sempre fundamentado nas normas profissionais. Atualmente, esses documentos podem ser entregues em formato físico ou digital. Quando emitidos eletronicamente, é comum que sejam enviados em PDF com assinatura eletrônica ou digital, desde que atendam aos requisitos de autenticidade e validade do documento. Se o objetivo é facilitar a transição para um novo tratamento, além do relatório, pode ser útil solicitar informações sobre a hipótese diagnóstica (quando houver), os objetivos trabalhados, as intervenções utilizadas, a evolução observada e recomendações para a continuidade do acompanhamento. Esses elementos costumam ser suficientes para oferecer ao novo profissional uma compreensão inicial do caso. Caso surjam dúvidas sobre seus direitos ou sobre a emissão de documentos psicológicos, também é possível buscar orientação junto ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) da sua região. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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