Os antipsicóticos aumentam ou reduzem a quantidade de serotonina no cérebro?

5 respostas
Os antipsicóticos aumentam ou reduzem a quantidade de serotonina no cérebro?
Primeiramente, é importante esclarecer que esta tônica na serotonina, da qual as pessoas sempre falam, é exagerada. Os problemas psiquiátricos não derivam de uma "falta" de serotonina, como muitos nos perguntam. As alterações do funcionamento cerebral que ocorrem nos transtornos psiquiátricos são muito mais complexos e pessoas com transtornos psiquiátricos podem ter níveis iguais, menores ou maiores de serotonina, quando você a dosa no sangue ou no líquor (líquido que banha o cérebro).

Os antipsicóticos mais antigos (haloperidol, clopromazina, por exemplo) não têm efeito direto sobre a serotonina. Os antipsicóticos de segunda e terceira geração são levemente estimulantes dos receptores de serotonina, o que talvez explique que pode melhorar a motivação, em esquizofrênicos e ajudem a melhorar algumas depressões, quando usados como estabilizadores do humor ou para potencializar antidepressivos.

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Dr. Walter Sena
Psiquiatra
Rio de Janeiro
Prezada(o),
Complementando a resposta do colega, enfatizo que as medicações não aumentam a quantidade de serotonina.
Elas podem aumentar a disponibilidade da serotonina já existente no cérebro. Fazem isso ao estimular a recaptacão da serotonina, como em um processo de “reciclagem” ou reutilização .
Dito isso, alguns antipsicóticos tem capacidade de promover essa recaptação, porém com muito menos intensidade do que os antidepressivos.
O efeito do antipsicótico na depressão está mais associado à tranquilização que promove, sendo um bom substituto aos calmantes.
Dr. Hugo Salmen Evangelista Espindola
Psiquiatra
Rio de Janeiro
Os antipsicóticos, especialmente os da segunda geração ou atípicos, interagem com os sistemas de serotonina no cérebro de maneira indireta. Eles atuam como antagonistas dos receptores 5-HT2A da serotonina, bloqueando esses receptores, o que pode levar a um aumento indireto nos níveis de serotonina. Esse mecanismo difere dos antidepressivos, que aumentam diretamente os níveis de serotonina. Utilizados principalmente no tratamento de transtornos psicóticos, como esquizofrenia, e em alguns casos de transtornos de humor, os antipsicóticos atípicos modulam a atividade serotonérgica de forma complexa, influenciando a neurotransmissão e contribuindo para o manejo eficaz de diversas condições psiquiátricas.

Estou à disposição para mais informações ou esclarecimentos.
Dra. Lilian Muniz
Psiquiatra, Generalista
Rio de Janeiro
Os antipsicóticos atuam principalmente nos sistemas de dopamina e, em alguns casos, serotonina do cérebro — mas sua ação não é simplesmente ‘aumentar’ ou ‘reduzir’ a serotonina de forma direta.

Os antipsicóticos típicos (mais antigos) focam principalmente em bloquear receptores de dopamina, o que ajuda a reduzir sintomas como delírios e alucinações.

Já os antipsicóticos atípicos (mais modernos) atuam tanto bloqueando receptores de dopamina quanto de serotonina, principalmente o subtipo chamado 5HT2A.
→ Nesse caso, não se trata de diminuir a serotonina total, mas de modular sua ação em determinadas regiões cerebrais, o que pode ajudar a equilibrar efeitos colaterais e trazer benefícios para sintomas afetivos, como depressão ou ansiedade.

Ou seja: os antipsicóticos podem ter efeitos sobre a serotonina, mas não são usados para aumentar serotonina como os antidepressivos. E sim, a ação sobre a serotonina pode variar de acordo com o tipo de antipsicótico, a dose e a resposta individual.

Por isso, o acompanhamento cuidadoso é essencial. Cada pessoa responde de um jeito, e o ajuste fino do tratamento leva em conta muito mais do que o nome da substância — envolve escuta, observação e tempo.
Os antipsicóticos não atuam aumentando ou reduzindo a quantidade de serotonina e sim ajustam como ela age nos receptores( que modulam a comunicação entre os neurônios); influenciando assim, o humor, ansiedade e sintomas psicóticos.

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