Percebi que de um tempo pra cá qd tomo o o levotiroxine de 50 mg , estou tendo uma sonolência e mal

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Percebi que de um tempo pra cá qd tomo o o levotiroxine de 50 mg , estou tendo uma sonolência e mal estar qd não durmo. Isso é normal? Tenho 45 anos e já tomo o remédio da tireoide desde adolescência
É recomendável dosar exames dos hormônios da tireoide pra ver se essa dose em uso está adequada. Ultrassom da tireoide de vez em quando também é importante.

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Dra. Caroline Cunha de Oliveira
Endocrinologista, Nutrólogo, Médico clínico geral
São Paulo
A sua observação é muito válida e merece atenção, especialmente porque envolve uma medicação de uso contínuo e há muitos anos presente na sua rotina. A levotiroxina, como você sabe, é uma reposição do hormônio T4, geralmente indicada em casos de hipotireoidismo. Quando bem ajustada, ela costuma melhorar a disposição, regular o metabolismo e manter a função de órgãos essenciais, como o coração e o cérebro. No entanto, alterações de sensibilidade, efeitos adversos ou sintomas atípicos, como sonolência logo após a ingestão, não devem ser ignorados.

É importante compreender que nem sempre uma reação como essa está diretamente ligada ao comprimido em si. Por isso, na medicina integrativa, nós olhamos para o contexto: você toma a medicação em jejum absoluto, como orientado? Há o uso de outros medicamentos ou suplementos, como cálcio, ferro, colágeno ou fitoterápicos que possam estar interferindo na absorção? Está dormindo bem à noite, ou esse cansaço pode ser reflexo de uma privação de sono acumulada, mascarada pela rotina? Como estão seus níveis de T3 livre, T4 livre, TSH e anticorpos tireoidianos? Em muitos casos, o T4 é corretamente reposto, mas há uma conversão insuficiente para T3, que é o hormônio ativo. Isso pode gerar sintomas como fadiga, dificuldade de concentração e sensação de mal-estar, mesmo com exames aparentemente normais.

Além disso, a fase da vida em que você se encontra — com 45 anos — é marcada por transições hormonais que afetam o eixo tireoidiano, como o declínio progressivo da progesterona e oscilações do estrogênio, o que também pode interferir na forma como o seu corpo responde à levotiroxina. Por isso, considerar a interação entre os hormônios sexuais, o cortisol e os hormônios tireoidianos é essencial para um diagnóstico preciso. Infelizmente, esse tipo de avaliação ampla raramente é feita em consultas convencionais, que seguem protocolos padronizados e, muitas vezes, tratam o exame e não o paciente.

A medicina integrativa permite ampliar essa análise. Podemos investigar não só os níveis hormonais, mas também as vias metabólicas envolvidas na conversão da levotiroxina, o impacto da microbiota intestinal, que participa desse processo, a função hepática, e até deficiências nutricionais silenciosas, como de selênio, zinco, vitamina D, ferritina ou B12, que podem alterar sua resposta ao tratamento. Em muitos casos, ajustes alimentares, reposições específicas ou até mesmo a substituição por formulações manipuladas que combinem T3 e T4, ou ajustes no horário de ingestão, trazem uma melhora expressiva da qualidade de vida do paciente.

Por isso, mesmo sendo uma medicação antiga para você, o seu corpo muda com o tempo e a forma como ele responde a essa reposição também muda. A sonolência e o mal-estar não devem ser ignorados. O ideal é realizar uma avaliação médica integrativa completa para entender se há necessidade de ajuste da dose, da formulação ou de outras intervenções que otimizem a sua resposta e restaurem seu bem-estar. Um plano de cuidados bem estruturado, que considere sua história, sintomas, metabolismo e estilo de vida, é a chave para um tratamento eficaz, seguro e individualizado.

Dra. Caroline Oliveira - CRM/SP 189586, Medicina Integrativa, com foco em Endocrinologia e nutrologia.

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