Por que a dificuldade de percepção social não é uma questão de falta de empatia no Transtorno do esp

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Por que a dificuldade de percepção social não é uma questão de falta de empatia no Transtorno do espectro autista (TEA) ?
Porque a dificuldade de percepção social no autismo está relacionada à forma de processar sinais sociais e não à ausência de sentimentos pelos outros. Pessoas autistas podem se importar profundamente e sentir empatia, mas podem ter mais dificuldade em identificar expressões, intenções ou regras implícitas, o que torna a demonstração e a interpretação das emoções alheias diferentes do esperado socialmente.

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Pessoas com TEA não têm falta de empatia.
A dificuldade está em interpretar sinais sociais sutis como expressões, entonação e implícitos, devido ao funcionamento neurológico próprio.
A empatia emocional geralmente está preservada (ou até aumentada).
O desafio é entender o que o outro quer dizer, não sentir menos.
 Ana Carla Machado Gueiros  Araujo
Psicólogo
Jaboatão Dos Guararapes
Dificuldades em compreender expressões faciais, gestos, tom de voz ou regras sociais implícitas podem fazer com que a pessoa autista pareça distante. No entanto, isso não significa desinteresse ou frieza emocional, mas sim uma forma diferente de processar as informações sociais.
1. Um mito comum: “pessoas autistas não têm empatia”
É comum ouvir que pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) “não têm empatia”. No entanto, a ciência atual mostra que essa ideia não é verdadeira.
O que existe, na maioria dos casos, são diferenças na forma de perceber, interpretar e expressar emoções e sinais sociais, e não falta de sentimento ou de preocupação com o outro.
2. O que é empatia?
Empatia não é uma habilidade única. Ela envolve pelo menos dois aspectos principais:
- Empatia emocional: sentir algo ao perceber a emoção de outra pessoa, como tristeza, alegria ou dor.
- Empatia cognitiva: entender o que o outro está sentindo ou pensando a partir de pistas sociais, como expressões faciais, gestos e tom de voz.
Muitas pessoas autistas sentem empatia emocional, mas podem ter dificuldade na empatia cognitiva, ou seja, em perceber rapidamente o que o outro sente ou em demonstrar isso de forma socialmente esperada.
3. Dificuldade de percepção social não é indiferença. Pessoas com TEA podem ter dificuldade para:
- Reconhecer expressões faciais;
- Interpretar ironias ou indiretas;
- Entender regras sociais implícitas;
- Responder emocionalmente da forma esperada pelo outro.
Isso pode fazer com que sejam vistas como frias ou distantes. Porém, isso não significa que não se importem. Muitas vezes, elas sentem intensamente, mas não sabem como demonstrar ou não percebem o que o outro espera naquele momento.
4. A importância da alexitimia. Uma parte significativa das pessoas autistas apresenta alexitimia, que é a dificuldade em identificar, compreender e nomear as próprias emoções.
Quando alguém tem dificuldade para reconhecer o que sente:
- Fica mais difícil perceber as emoções dos outros;
- A expressão emocional pode parecer reduzida;
Testes tradicionais de empatia podem indicar resultados baixos, mesmo quando a pessoa sente empatia. Por isso, nem toda dificuldade emocional no TEA é causada pelo autismo em si, mas por condições associadas.
5. Diferenças na comunicação: um caminho de mão dupla. As dificuldades sociais não acontecem apenas do lado da pessoa autista. Pessoas não autistas também podem ter dificuldade para entender:
- A forma direta de comunicação do autista;
- A menor expressão facial ou corporal;
- O tempo diferente de resposta emocional.
Esse entendimento levou ao conceito de que o desafio está na diferença de formas de perceber e se comunicar, e não na ausência de empatia de um único lado.
6. Por que isso é importante? Compreender que a dificuldade de percepção social no TEA não é falta de empatia ajuda a:
- Reduzir estigmas e preconceitos;
- Promover relações mais respeitosas;
- Melhorar a comunicação entre autistas, famílias, educadores e profissionais;
- Criar ambientes mais acolhedores e inclusivos.

MENSAGEM PARA A FAMÍLIA:
A avaliação neuropsicológica é um passo importante para ajudar a família a compreender melhor como a pessoa percebe, pensa, sente e se relaciona com o mundo. No contexto do Transtorno do Espectro Autista, ela permite conhecer, de forma individualizada, as habilidades, dificuldades e necessidades de cada pessoa, indo além do diagnóstico e olhando para quem ela é de fato.
Esse processo ajuda a diferenciar o que faz parte do autismo e o que pode estar relacionado a outras condições que frequentemente aparecem associadas, como ansiedade, TDAH, dificuldades de linguagem ou dificuldade em reconhecer e expressar emoções. Com isso, evita-se interpretações equivocadas, como entender comportamentos ou dificuldades sociais como falta de empatia, interesse ou afeto.
Mais do que identificar desafios, a avaliação neuropsicológica revela potencialidades e caminhos possíveis. Ela orienta a família, a escola e os profissionais sobre quais estratégias podem favorecer o desenvolvimento, a comunicação, a autonomia e o bem-estar. Dessa forma, o cuidado se torna mais respeitoso, personalizado e humanizado, promovendo inclusão, qualidade de vida e relações mais compreensivas no dia a dia.

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