Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ter emoções tão contraditória

3 respostas
Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ter emoções tão contraditórias ao mesmo tempo?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe isso, porque essa experiência de sentir coisas opostas ao mesmo tempo costuma ser muito confusa e, ao mesmo tempo, muito real para quem vive o Transtorno de Personalidade Borderline.

Uma das razões principais é a dificuldade de integrar emoções dentro de uma mesma experiência. Em vez de conseguir sentir “eu gosto dessa pessoa, mas também estou irritado com ela”, as emoções podem surgir de forma mais separada e intensa, como se cada uma ocupasse todo o espaço por alguns instantes. Isso faz com que sentimentos diferentes apareçam com força semelhante, sem se organizarem facilmente.

Existe também um fator importante ligado à história emocional. Quando os vínculos foram marcados por inconsistência, a pessoa pode ter aprendido que o outro pode ser, ao mesmo tempo, fonte de cuidado e de dor. Então, diante de relações importantes, é natural que surjam sentimentos mistos: desejo de proximidade junto com medo de rejeição, carinho junto com raiva, necessidade junto com vontade de se afastar.

Além disso, o cérebro emocional no TPB tende a reagir de forma mais intensa e rápida. Isso faz com que diferentes camadas emocionais sejam ativadas quase simultaneamente. Como a regulação ainda está em desenvolvimento, essas emoções não se organizam com facilidade, dando a sensação de contradição interna.

Do ponto de vista interno, isso não costuma ser vivido como incoerência, mas como conflito. É como se duas partes dentro da pessoa estivessem tentando proteger de formas diferentes: uma busca o vínculo, enquanto a outra tenta evitar dor. Ambas fazem sentido, mas ainda não estão bem integradas.

Fico curioso em como isso aparece para você. Já houve momentos em que você sentiu vontade de se aproximar e se afastar ao mesmo tempo? Quando isso acontece, você consegue identificar de onde vem cada sentimento ou tudo parece misturado? E depois que a emoção diminui, essas partes fazem mais sentido juntas?

Essas reflexões ajudam a compreender melhor essa experiência interna. Caso precise, estou à disposição.

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A presença de emoções contraditórias ao mesmo tempo no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ocorre porque a pessoa tem dificuldade em integrar diferentes emoções dentro de uma mesma experiência. Em vez de conseguir sentir algo complexo como “eu gosto dessa pessoa, mas estou irritado com ela”, cada emoção tende a surgir de forma separada, intensa e dominante, como se ocupasse todo o espaço emocional por alguns instantes.
Isso faz com que sentimentos opostos apareçam com força semelhante, sem se combinarem ou se organizarem de maneira natural. Além disso, o sistema emocional no TPB reage de forma muito rápida e intensa, ativando várias camadas emocionais ao mesmo tempo. Como a capacidade de regulação ainda está em desenvolvimento, torna-se difícil organizar essas emoções de forma coerente, o que gera a sensação de contradição interna.


Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernadosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES
Abraços
 Ivani Benitez Gonsalez
Psicólogo
São Paulo
Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline costumam vivenciar emoções de forma muito intensa e rápida, o que pode dar a impressão de sentimentos contraditórios acontecendo ao mesmo tempo.
Isso ocorre porque há uma dificuldade na regulação emocional: os afetos não se organizam de maneira estável e podem oscilar rapidamente entre extremos, como amor e raiva, proximidade e rejeição. Além disso, existe uma sensibilidade acentuada a sinais de abandono ou frustração, o que pode ativar respostas emocionais intensas e ambivalentes diante de uma mesma situação ou pessoa.
Do ponto de vista psíquico, essas experiências também estão relacionadas a dificuldades na integração de aspectos positivos e negativos de si e do outro , um mecanismo conhecido na psicanálise como “clivagem”. Assim, sentimentos opostos podem coexistir sem se articularem, sendo vividos como conflitantes ou confusos.

A psicoterapia, especialmente com abordagem psicodinâmica, pode ajudar a pessoa a reconhecer, nomear e integrar melhor esses estados emocionais, promovendo maior estabilidade nas relações e na percepção de si mesma.

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