Por que a predisposição genética não é suficiente para o desenvolvimento do Transtorno de Personalid

2 respostas
Por que a predisposição genética não é suficiente para o desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Lívia Vernaci Estrella
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Oi, tudo bem?
Sua pergunta serve também para pensarmos em outros transtornos, como a depressão, TAB... para além do TPB. O que acontece é que a genética pode "preparar o terreno", mas é o ambiente (onde morou, com quem conviveu) e a vivência emocional que moldam o desenvolvimento do TPB. É como ter uma semente: ela só germina se encontrar solo fértil — ou neste caso, um contexto emocional e social que favoreça ou precipite o transtorno.
Como diria o super-herói mais atrapalhado da TV (Chapolin Colorado): "Não criemos pânico!". Dar muita relevância a esse dado pode mais atrapalhar o desenvolvimento de si mesmo do que ajudar. Pode, inclusive, criar o que chamamos de "Profecia Autorrealizável", um fenômeno psicológico em que uma expectativa ou crença (negativa, nesse caso!) sobre algo acaba influenciando comportamentos de forma a tornar essa expectativa realidade.
Imagine que você acredita que vai fracassar em um relacionamento. Essa crença pode gerar:
- Ansiedade antecipatória
- Tensão
- Autossabotagem inconsciente
Esses comportamentos aumentam a chance de um você agir de forma menos espotânea e mais relaxada, confirmando a profecia. Ou seja, a crença molda a realidade.

Por isso a importância de ter um BOM (letra maiúscula!) profissional te acompanhando. De preferência, formado em psicologia, cujo curso tem uma amplitude maior sobre o ser humano, a cultura e sociedade.
Estou à disposição.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Que ótima a sua pergunta. Ela mostra que você está realmente tentando entender o TPB para além das explicações simplistas, e isso já abre espaço para reflexões importantes sobre como a mente humana se forma e se organiza ao longo da vida.

Quando falamos em predisposição genética, estamos falando de um terreno fértil, mas nunca de um destino. O cérebro pode até ter uma sensibilidade maior para emoções intensas, impulsividade ou oscilação afetiva, mas ele só se desenvolve dentro de um ambiente. É nesse encontro entre vulnerabilidades internas e experiências externas que o funcionamento emocional ganha forma. Um gene não explica, por si só, por que alguém reage tão profundamente a rejeições, nem por que certos padrões de apego se tornam tão dolorosos. O que você percebe que te chama mais atenção nessa interação entre história de vida e sensibilidade emocional?

Os estudos mais recentes mostram que o sistema emocional humano aprende cedo a se regular a partir da relação com cuidadores. Se faltam validação, estabilidade e possibilidade de expressar o que se sente, o cérebro passa a interpretar certas situações como ameaças mesmo quando não são. Já parou para notar em que momentos do seu dia o seu corpo reage de um jeito mais intenso do que a situação exigiria? O que essa reação parece tentar proteger ou evitar?

Essa combinação entre predisposição e ambiente ajuda a entender por que duas pessoas com a mesma genética podem ter trajetórias completamente diferentes. É como se o organismo estivesse sempre tentando se adaptar ao melhor que pode, mesmo que isso gere defesas que, mais tarde, passam a machucar. Que partes dessa explicação ressoam mais com a sua própria experiência ou com alguém que você conhece?

Se sentir que explorar isso pode te ajudar a compreender melhor suas emoções ou seus padrões relacionais, podemos conversar mais sobre isso quando quiser. Caso precise, estou à disposição.

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