Por que é tão difícil para alguém com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) simplesmente "con

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Por que é tão difícil para alguém com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) simplesmente "confiar" nas pessoas?
Dra. Rosana Paula Silva Medeiros
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
Para quem tem TPB, a confiança não é um estado estável, mas um terreno que parece se mover o tempo todo. Essa dificuldade não é "teimosia", mas uma resposta direta ao funcionamento do cérebro e ao histórico emocional.

Alguns motivos principais são:
1. Pensamento "Tudo ou Nada" (Cisão)
O cérebro Borderline opera frequentemente em cisão. Isso significa que é difícil integrar qualidades boas e ruins em uma mesma pessoa.
Se alguém faz algo gentil, a confiança é total (idealização).
Se essa mesma pessoa falha, esquece de responder ou soa ríspida, o cérebro "deleta" a memória da bondade e a pessoa se torna uma ameaça total (desvalorização).
Resultado: É difícil confiar quando o outro pode se tornar um "inimigo" em segundos na percepção de quem tem o transtorno.

2. Hipervigilância a Pistas Sociais
Estudos de neuroimagem mostram que o cérebro com TPB é mais sensível a expressões faciais e tons de voz. Uma pessoa com TPB pode interpretar um rosto neutro como bravo ou rejeitador.
A pessoa gasta tanta energia procurando sinais de que será traída ou abandonada que o cérebro acaba "encontrando" ameaças onde elas não existem.

3. Falta de "Constância de Objeto"
Essa é uma habilidade cognitiva que nos permite saber que alguém ainda nos ama mesmo quando não está presente ou quando estamos brigados.
No TPB, essa constância é frágil. Se o outro não está reafirmando o afeto o tempo todo, a sensação de segurança desaparece. Sem essa permanência emocional, a confiança não consegue criar raízes.

4. O Ciclo da Invalidação
Muitas pessoas com TPB têm um histórico de trauma ou cresceram em ambientes onde seus sentimentos foram negados ("você está exagerando", "não é para tanto").
Isso cria uma desconfiança básica não só nos outros, mas nos próprios sentidos. A pessoa pensa: "Se eu não posso confiar nem no que eu sinto, como vou saber se posso confiar no que o outro diz?"

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