Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é descrito como um transtorno de “desregulaçã

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Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é descrito como um transtorno de “desregulação do sistema de apego”?
 Marcelo Viana
Psicólogo
São José do Rio Preto
No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), falar em “desregulação do sistema de apego” é uma forma técnica de dizer algo bem humano: a pessoa tem uma necessidade muito intensa de vínculo e segurança, mas ao mesmo tempo sente muita dificuldade em se sentir segura nas relações.

É como se o “alarme” do abandono estivesse sempre sensível demais. Pequenos sinais — um atraso, uma mudança de tom, um silêncio — podem ser sentidos como rejeição real. Isso gera muita angústia e pode levar a reações intensas, como medo de perder o outro, necessidade urgente de proximidade ou até afastamentos impulsivos.

Não é falta de controle ou “drama”, mas um funcionamento emocional em que o vínculo é vivido com muita intensidade e pouca estabilidade interna.

Na terapia, o objetivo é justamente ajudar a pessoa a se sentir mais segura nas relações, regulando essas emoções e construindo vínculos mais estáveis ao longo do tempo.

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Essa condição é frequentemente ligada a disfunções na regulação emocional e na autoimagem, tornando o apego uma fonte de sofrimento, em vez de conforto. Essa condição é frequentemente ligada a disfunções na regulação emocional e na autoimagem, tornando o apego uma fonte de sofrimento, em vez de conforto
No Transtorno de Personalidade Borderline, ele é descrito como uma desregulação do sistema de apego porque os padrões de vínculo deixam de funcionar de forma estável como sistema de regulação emocional e passam a oscilar intensamente sob ativação afetiva. Em condições típicas, o sistema de apego ajuda a buscar proximidade em situações de ameaça e a recuperar segurança quando o vínculo é percebido como disponível; no entanto, no TPB, sinais reais ou interpretados de afastamento podem ser vividos como abandono iminente, ativando respostas intensas de urgência emocional, enquanto a proximidade pode gerar simultaneamente medo de invasão, dependência ou perda de controle. Essa instabilidade faz com que o outro seja ao mesmo tempo principal fonte de regulação e principal gatilho de desorganização emocional. Assim, o vínculo deixa de funcionar como base estável de segurança e passa a organizar diretamente as oscilações afetivas, contribuindo para padrões relacionais intensos, ambivalentes e altamente reativos.

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