Por que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é diferente nos idosos?

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Por que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é diferente nos idosos?
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) nos idosos pode se apresentar de forma diferente por diversos fatores. Com o envelhecimento, há mudanças cognitivas, emocionais e físicas que podem influenciar os sintomas. Muitas vezes, as obsessões e compulsões se tornam mais sutis ou se confundem com preocupações excessivas relacionadas à saúde, segurança ou organização. Além disso, o idoso pode ter mais resistência em reconhecer os sintomas como parte de um transtorno, interpretando-os como “manias” da idade. Também é comum que o TOC se associe a outras condições, como depressão, ansiedade generalizada ou declínio cognitivo, o que pode dificultar o diagnóstico. Outro ponto é que, no idoso, os rituais compulsivos podem ser menos evidentes, mas igualmente desgastantes, afetando a autonomia e a qualidade de vida. O tratamento, quando adequado, pode trazer benefícios significativos, e envolve uma avaliação cuidadosa para diferenciar o TOC de outras condições que podem surgir nessa fase da vida.

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
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O Transtorno Obsessivo-Compulsivo pode se manifestar de forma diferente em idosos porque ele passa a dialogar com mudanças naturais do envelhecimento, com a história de vida e com o contexto atual da pessoa. Em muitos casos, os sintomas ficam mais ligados a medo de perdas, segurança, saúde, organização e controle, e menos a conteúdos que costumam aparecer com mais frequência em fases anteriores da vida. Além disso, o modo como a pessoa percebe e relata o sofrimento também muda com o tempo.

Do ponto de vista clínico, é comum que o TOC em idosos seja confundido com “jeito de ser”, rigidez de personalidade ou até com sinais normais da idade. Isso pode atrasar o reconhecimento do sofrimento, porque a própria pessoa ou a família tendem a minimizar os sintomas. Em alguns casos, as compulsões ficam mais mentais do que comportamentais, o que torna tudo ainda menos visível.

Há também fatores neurobiológicos e emocionais envolvidos. Mudanças cognitivas sutis, maior sensibilidade a perdas, lutos acumulados, redução de autonomia ou experiências médicas marcantes podem intensificar a necessidade de controle. O cérebro passa a usar estratégias antigas de enfrentamento para lidar com inseguranças atuais, e o TOC pode ganhar novas “roupagens”, mesmo que a base do funcionamento seja a mesma.

Vale refletir: esses comportamentos surgiram recentemente ou sempre existiram e foram se intensificando? Eles aliviam a ansiedade ou acabam aumentando o sofrimento com o tempo? A pessoa consegue reconhecer que aquilo é excessivo ou sente que “precisa” fazer para ficar em paz? O quanto isso interfere na rotina, nas relações e na qualidade de vida?

A psicoterapia é fundamental para diferenciar o que é envelhecimento, o que é padrão de personalidade e o que de fato faz parte do TOC, além de ajudar a reorganizar esse funcionamento de forma mais flexível. Em alguns casos, a avaliação psiquiátrica é importante para ajuste de medicação, e a avaliação neuropsicológica pode contribuir quando há dúvidas sobre cognição. Se a pessoa já estiver em terapia, conversar abertamente sobre essas mudanças com o terapeuta é um passo importante.

Caso precise, estou à disposição.

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