Por que pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB) podem acreditar em suas próprias me

3 respostas
Por que pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB) podem acreditar em suas próprias mentiras?
Em quem tem TPB, quando a emoção fica muito alta, o cérebro pode perceber e lembrar as coisas de um jeito que parece 100% verdadeiro naquele momento. Alguns motivos comuns:

Emoção vira “prova”: se estou com muita raiva/medo, meu cérebro conclui “então é fato”.

Memória sob estresse: na crise, lembramos por pedaços; depois o cérebro preenche lacunas para a história fazer sentido.

“8 ou 80”: leituras tudo-ou-nada tornam a situação maior do que foi.

Vergonha/medo de abandono: para aliviar a dor, a mente cria explicações que protegem naquele instante.

Dificuldade de considerar outras perspectivas (na hora da crise).

O que ajuda na prática

Pausar e regular (respiração diafragmática, grounding) antes de concluir.

Perguntar: “O que observei? O que interpretei?”

Checar fatos com alguém de confiança: “Foi isso mesmo que você quis dizer?”

Registrar por escrito e revisar quando a emoção baixar.

Treinar, em terapia, mindfulness, reestruturação de pensamentos e tolerância ao mal-estar (DBT/TCC).

Resumo: não é “mentir de propósito”; é como emoção e memória funcionam na crise. Com treino, essas distorções diminuem muito e os relacionamentos ficam mais leves

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
 Vanessa Oliveira Martins
Psicólogo, Psicanalista
Londrina
No transtorno de personalidade borderline, a memória é um ponto crítico devido à sua relação com a instabilidade emocional e a identidade. Os pacientes frequentemente apresentam memória autobiográfica supergeneralizada, lembrando-se de eventos (especialmente negativos) de forma vaga e não específica, o que impede a construção de um senso de self estável. Além disso, a alta prevalência de sintomas dissociativos no TPB, muitas vezes decorrentes de trauma, resulta em alterações como a amnésia dissociativa e a polarização das lembranças, dificultando a integração das experiências e a manutenção de relacionamentos estáveis.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá! Eu entendo a curiosidade, mas vale um ajuste importante de linguagem: no TPB, na maioria das vezes não se trata de “acreditar em mentiras” no sentido de manipulação consciente. O que costuma acontecer é algo mais sutil e humano: em estados de emoção intensa, a percepção fica enviesada, a memória pode ficar fragmentada e o cérebro preenche lacunas com a narrativa que faz mais sentido para o que a pessoa está sentindo naquele momento. A emoção vira uma lente, e a mente passa a interpretar sinais ambíguos como prova de rejeição, traição ou abandono.

Quando a pessoa entra em picos de medo, vergonha ou raiva, o sistema emocional reage como se estivesse em perigo real. Nessa hora, a necessidade de segurança e de coerência interna é tão grande que versões dos fatos podem mudar rapidamente, não por maldade, mas porque a experiência interna muda. Se num momento o outro é percebido como alguém que ama, em outro pode ser sentido como ameaça, e a história se reorganiza para justificar essa sensação. É como se o cérebro dissesse: “Preciso me proteger agora”, e a precisão dos detalhes vira secundária.

Também pode haver mecanismos de defesa e estratégias aprendidas ao longo da vida, como negar algo para não sentir culpa ou vergonha, ou afirmar algo para reduzir a sensação de abandono. Algumas pessoas têm episódios dissociativos em estresse alto, e isso bagunça ainda mais a clareza do que foi dito e feito. O resultado, para quem observa de fora, pode parecer mentira, mas por dentro muitas vezes é um esforço desesperado de regular um sofrimento que está difícil de conter.

O que você tem observado é uma mudança de versão em momentos de briga, uma convicção intensa de algo que depois não se sustenta, ou uma tentativa de convencer o outro para evitar rejeição? Em quais situações isso acontece mais, por exemplo quando há silêncio, demora para responder, ciúme ou sensação de afastamento? E por trás disso, você percebe mais medo de perder o vínculo, vergonha de errar, ou raiva por se sentir desvalorizado?

Se esse tema estiver acontecendo num relacionamento, a terapia pode ajudar a diferenciar percepção emocional de fato, construir linguagem mais precisa e reduzir reações impulsivas, sem transformar tudo em julgamento moral. Caso precise, estou à disposição.

Especialistas

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Psicólogo

Rio de Janeiro

Claudia Matias Santos

Claudia Matias Santos

Psicólogo

Rio de Janeiro

Anabelle Condé

Anabelle Condé

Psicólogo

Rio de Janeiro

Paloma Santos Lemos

Paloma Santos Lemos

Psicólogo

Belo Horizonte

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 2586 perguntas sobre Transtorno da personalidade borderline
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.