Quais são as características do Autismo Mascarado ?

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Quais são as características do Autismo Mascarado ?
 Maisa Guimarães Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
O chamado “autismo mascarado” ou “autismo camuflado” refere-se a uma forma de funcionamento em que a pessoa, muitas vezes com traços do espectro autista de nível 1 (anteriormente chamado de autismo leve ou Asperger), desenvolve estratégias para esconder ou compensar suas dificuldades sociais e sensoriais. Essas estratégias de camuflagem nem sempre são conscientes, mas visam se adaptar às exigências do ambiente — muitas vezes, às custas de um grande sofrimento psíquico.

Na clínica, é comum que esses sujeitos cheguem com queixas difusas, como exaustão social, sensação de inadequação, crises de ansiedade ou depressão, dificuldade de sustentar vínculos afetivos, ou mesmo uma angústia profunda de não saber quem se é. Essas queixas, embora aparentemente desconectadas do diagnóstico de TEA, podem estar enraizadas em uma tentativa contínua de se ajustar a padrões neurotípicos, silenciando as próprias necessidades e modos de ser. E isso pode se intensificar em mulheres ou em pessoas com boa capacidade cognitiva, que desde cedo aprenderam a observar e imitar comportamentos socialmente esperados, mesmo sem compreendê-los plenamente.

A psicanálise não busca rotular, mas escutar o sujeito a partir de seu discurso, suas repetições, seus sintomas. Por isso, a terapia pode ser um espaço potente para desmascarar aquilo que foi construído como defesa — não no sentido de expor, mas de permitir que o sujeito encontre palavras para aquilo que até então era apenas vivido como desconforto ou inadequação. É nesse movimento de escuta singular que pode surgir a possibilidade de abandonar o esforço constante de “parecer normal” e se aproximar do que de fato faz sentido para si.

A terapia ajuda, assim, não a apagar o sofrimento, mas a construir um espaço onde ele possa ser simbolizado. O sujeito encontra ali a chance de se escutar, de nomear o que sente, de reconhecer seus limites e potências sem se moldar o tempo todo ao olhar do outro. É nesse processo que, muitas vezes, o que era vivido como “estranho” ou “errado” passa a ser compreendido como parte legítima da sua forma de existir — e isso pode ser profundamente libertador.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma excelente pergunta, porque o diagnóstico em adultos realmente pode ser complexo. Muitas condições psicológicas e padrões de comportamento podem se parecer com o autismo à primeira vista, especialmente quando a pessoa desenvolveu estratégias de adaptação ao longo da vida.

Alguns quadros, como ansiedade social, Transtorno de Personalidade Esquizoide, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), podem compartilhar traços semelhantes — como isolamento, dificuldade de manter contato visual, hipersensibilidade a estímulos ou fixação em rotinas. O mesmo vale para pessoas que passaram por traumas precoces ou relações marcadas por rejeição, que podem ter aprendido a se proteger evitando vínculos. Em todos esses casos, há comportamentos que se parecem com o TEA, mas que surgem por razões diferentes.

A diferença está, muitas vezes, no como e desde quando. No autismo, essas características tendem a estar presentes desde a infância, mesmo que de forma mais sutil, e não surgem como resultado de eventos traumáticos. Além disso, elas estão ligadas a um modo de funcionamento neurológico específico — o cérebro autista processa o mundo de maneira distinta, com maior foco, sensibilidade e necessidade de previsibilidade.

Talvez valha refletir: desde quando você percebe esses traços em si? Eles se intensificam em momentos de estresse ou sempre fizeram parte do seu jeito de ser? Há um cansaço constante em tentar se adaptar socialmente? Essas pistas ajudam a diferenciar entre um padrão de funcionamento e uma resposta aprendida ao longo da vida.

Uma avaliação bem conduzida considera toda a história de desenvolvimento e não apenas o comportamento atual. E, mais importante, ela não busca rotular, mas compreender — porque o nome que se dá é menos importante do que o alívio de finalmente entender quem se é. Caso precise, estou à disposição.
A mascaração do autismo, é um aprendizado desenvolvido pelas pessoas com este espectro. O comportamento de mascarar, costuma acontecer para esconder, compensar ou disfarçar as características nas pessoas com o espectro autista, para buscar a adequação às normas sociais. Algumas características do Autismo Mascarado são, a boa comunicação verbal, onde por vezes o vocabulário costuma ser elaborado. Interações baseadas na observção e imitação de como se comportar. Manter conversas e relacionamentos sociais, mas com muito esforço mental. Sensação constante de estar atuando e medo de ser autentica. Hipervigilância na fala, reação e postura. Necessidade de isolamento prolongado por exaustão pós sociais. Crises emocionais pós um grande período de exposição. Em público autocontrole, adequação e funcionalidade, mas no particular, rigidez cognitiva, desorganização, crises emocionais, entre outros.

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