Quais são as consequências existenciais de viver com uma doença autoimune?

3 respostas
Quais são as consequências existenciais de viver com uma doença autoimune?
Dr. Ségismar Bergasse
Psicanalista, Sexólogo, Psicólogo
Brasília
Viver com uma doença autoimune é conviver com um paradoxo: o corpo, que deveria proteger, às vezes ataca. Isso mexe não só com a saúde física, mas também com o modo como o sujeito se percebe no mundo.

As consequências existenciais podem ser muitas:

A incerteza — não saber quando os sintomas vão se intensificar ou quando o corpo vai exigir repouso, o que pode gerar ansiedade constante.

O luto do corpo idealizado — confrontar a perda de uma ideia de corpo totalmente saudável, aprendendo a conviver com limitações.

A identidade em revisão — perceber-se como alguém que precisa de cuidados contínuos, o que pode abalar projetos de vida e relações.

A solidão — porque nem sempre quem está ao redor compreende a dimensão invisível de uma doença crônica.


Na psicanálise, esse tipo de experiência pode ser vivido como uma ferida narcísica: o eu descobre que não é senhor absoluto do próprio corpo. Mas, ao mesmo tempo, pode abrir espaço para uma outra relação consigo mesmo — mais cuidadosa, menos onipotente, mais consciente da vulnerabilidade que nos torna humanos.

A aceitação não é simples nem imediata. Mas, com tempo e elaboração, o sujeito pode encontrar novos sentidos: aprender que viver não é vencer o corpo, mas habitar nele com respeito e criatividade, apesar das marcas que carrega.

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Viver com uma doença autoimune não traz apenas impactos físicos; produz também repercussões existenciais profundas, que atravessam identidade, sentido de vida, liberdade, responsabilidade e relações interpessoais. Isso acontece porque essas doenças muitas vezes são crônicas, imprevisíveis e exigem adaptações constantes.
 Cláudia Furtado
Psicólogo
Belo Horizonte
Oi, tudo bem? Que importante a sua pergunta. Penso que viver com uma doença autoimune muitas vezes vai além dos sintomas físicos. Podemos passar a conviver com sentimentos de perda, insegurança e7ou estranhamento em relação ao próprio corpo.. É como se o corpo deixasse de ser totalmente previsível e passasse a impor limites que antes não existiam.
E isso pode ter uma rela;ao com quest'oes existenciais, como medo do futuro, mudanças na identidade, sensação de fragilidade, dependência, culpa por não conseguir manter o mesmo ritmo de antes e até mesmo um sentimento de solidão, porque nem sempre os outros compreendem o que vivemos.
O que eu percebo na minha clinica [e que muitas pessoas começam a se perguntar sobre o sentido da vida, sobre seus vínculos, prioridades e formas de cuidado consigo mesmas. Isso me faz pensar que o sofrimento não está apenas na doença, mas na experiência subjetiva de cada pessoa em precisar reorganizar a própria vida diante de um adoecimento..
A terapia busca oferecer um espaço de escuta para que a pessoa possa falar sobre aquilo que sente em rela;ao a uma doen;a, elaborar suas angústias e encontrar maneiras mais singulares e menos dolorosas de lidar com sua condição. Espero ter te ajudado de alguma forma. Ab;

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