Quais são as estratégias para fortalecer a autoimagem no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
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Quais são as estratégias para fortalecer a autoimagem no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Na clínica psicanalítica, quando falamos em fortalecer a autoimagem de uma pessoa no espectro autista, não estamos propondo uma construção artificial de autoestima, mas a possibilidade de o sujeito vir a se reconhecer em sua singularidade, com seus modos próprios de existir, sentir e desejar. A autoimagem, nesse sentido, não é apenas o que se pensa de si, mas como se experimenta a si mesmo diante do olhar do outro — e é justamente aí que a análise pode oferecer um espaço potente de transformação.
No caso de pessoas com TEA, a constituição da autoimagem pode ter sido atravessada por experiências de exclusão, dificuldade de reconhecimento simbólico, incompreensão ou até patologização da diferença. A terapia psicanalítica propõe uma escuta que não busca corrigir comportamentos, mas escutar o sujeito em sua linguagem, no que repete, no que se angustia, no que lhe escapa. Nesse espaço, o que se oferece é um laço, uma aposta de que há sentido mesmo onde parece haver apenas silêncio, repetição ou isolamento.
Fortalecer a autoimagem, portanto, passa por nomear o que até então não era dito, por construir significantes que possam representar algo da experiência vivida. A escuta analítica permite que o sujeito se aproprie de sua história de um modo novo, menos determinado por expectativas externas e mais enraizado naquilo que é próprio dele. Ao longo do processo, pode surgir a possibilidade de sustentar uma posição subjetiva mais estável, menos atravessada pela angústia de não corresponder ao que se espera.
A análise não oferece fórmulas, mas presença e escuta. E muitas vezes, é justamente esse espaço de reconhecimento, onde o sujeito não precisa se adaptar para ser aceito, que inaugura a possibilidade de um fortalecimento genuíno da autoimagem. Porque ela passa a ser construída não para agradar ao outro, mas a partir do que o sujeito é — com seus modos de sentir, pensar e estar no mundo. E isso pode ser profundamente transformador.
No caso de pessoas com TEA, a constituição da autoimagem pode ter sido atravessada por experiências de exclusão, dificuldade de reconhecimento simbólico, incompreensão ou até patologização da diferença. A terapia psicanalítica propõe uma escuta que não busca corrigir comportamentos, mas escutar o sujeito em sua linguagem, no que repete, no que se angustia, no que lhe escapa. Nesse espaço, o que se oferece é um laço, uma aposta de que há sentido mesmo onde parece haver apenas silêncio, repetição ou isolamento.
Fortalecer a autoimagem, portanto, passa por nomear o que até então não era dito, por construir significantes que possam representar algo da experiência vivida. A escuta analítica permite que o sujeito se aproprie de sua história de um modo novo, menos determinado por expectativas externas e mais enraizado naquilo que é próprio dele. Ao longo do processo, pode surgir a possibilidade de sustentar uma posição subjetiva mais estável, menos atravessada pela angústia de não corresponder ao que se espera.
A análise não oferece fórmulas, mas presença e escuta. E muitas vezes, é justamente esse espaço de reconhecimento, onde o sujeito não precisa se adaptar para ser aceito, que inaugura a possibilidade de um fortalecimento genuíno da autoimagem. Porque ela passa a ser construída não para agradar ao outro, mas a partir do que o sujeito é — com seus modos de sentir, pensar e estar no mundo. E isso pode ser profundamente transformador.
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Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta linda — e muito necessária. No TEA, a construção da autoimagem costuma ser um desafio porque, desde cedo, muitas pessoas no espectro crescem ouvindo o que “deveriam” ser, em vez de terem espaço para descobrir quem realmente são. Esse olhar externo constante pode fazer o cérebro associar diferença a erro, o que enfraquece o senso de identidade e pertencimento.
Fortalecer a autoimagem começa, então, por um movimento inverso: sair do olhar de fora e voltar-se para dentro. É reconhecer o próprio jeito de sentir, pensar e perceber o mundo, não como falha, mas como característica. A neurociência mostra que o cérebro autista tem formas singulares de processar informações — algumas áreas funcionam com foco e profundidade admiráveis, outras precisam de mais previsibilidade para se sentirem seguras. Quando essa diversidade é compreendida, nasce uma sensação genuína de valor pessoal.
Um caminho importante é criar ambientes e vínculos que validem quem a pessoa é. Relações seguras, em que ela possa ser compreendida sem precisar mascarar comportamentos, ajudam o sistema nervoso a relaxar e a construir uma narrativa mais positiva sobre si. O cérebro aprende por repetição emocional: quanto mais experiências de aceitação, mais forte se torna a rede neural ligada à autoconfiança.
Vale refletir: em que momentos você sente que precisa “se disfarçar” para ser aceito? O que muda dentro de você quando é acolhido exatamente como é? Quais partes suas merecem ser vistas com mais gentileza? Essas perguntas podem abrir um espaço poderoso de reconexão com a própria identidade.
A terapia pode ajudar muito nesse processo, criando um ambiente onde é possível se ver com mais clareza e menos julgamento. Quando o autoconhecimento cresce, a autoimagem deixa de ser moldada pela comparação e passa a ser guiada pela autenticidade. Caso precise, estou à disposição.
Fortalecer a autoimagem começa, então, por um movimento inverso: sair do olhar de fora e voltar-se para dentro. É reconhecer o próprio jeito de sentir, pensar e perceber o mundo, não como falha, mas como característica. A neurociência mostra que o cérebro autista tem formas singulares de processar informações — algumas áreas funcionam com foco e profundidade admiráveis, outras precisam de mais previsibilidade para se sentirem seguras. Quando essa diversidade é compreendida, nasce uma sensação genuína de valor pessoal.
Um caminho importante é criar ambientes e vínculos que validem quem a pessoa é. Relações seguras, em que ela possa ser compreendida sem precisar mascarar comportamentos, ajudam o sistema nervoso a relaxar e a construir uma narrativa mais positiva sobre si. O cérebro aprende por repetição emocional: quanto mais experiências de aceitação, mais forte se torna a rede neural ligada à autoconfiança.
Vale refletir: em que momentos você sente que precisa “se disfarçar” para ser aceito? O que muda dentro de você quando é acolhido exatamente como é? Quais partes suas merecem ser vistas com mais gentileza? Essas perguntas podem abrir um espaço poderoso de reconexão com a própria identidade.
A terapia pode ajudar muito nesse processo, criando um ambiente onde é possível se ver com mais clareza e menos julgamento. Quando o autoconhecimento cresce, a autoimagem deixa de ser moldada pela comparação e passa a ser guiada pela autenticidade. Caso precise, estou à disposição.
Fortalecer a autoimagem no TEA envolve psicoeducação sobre o autismo, valorização das próprias habilidades, desenvolvimento de autocompaixão, construção de identidade sem camuflagem excessiva, ambientes que respeitem necessidades sensoriais e apoio psicoterapêutico para trabalhar autoestima, pertencimento e aceitação de si.
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