Quais são os impactos da cibercondria no diagnóstico pela internet?
Quais são os impactos da cibercondria no diagnóstico pela internet?
3 respostas
Olá! A cibercondria ou hipocondria digital, que se refere a uma busca incessante por informações a respeito da saúde na internet, pode gerar preocupações equivocadas a respeito de determinada doença, gerando ansiedade, além de autodiagnósticos errôneos, automedicação e a um sofrimento desnecessário. A orientação é a de sempre buscar um profissional para uma avaliação e diagnóstico.
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A cibercondria não apenas dificulta o diagnóstico correto, como também amplifica o sofrimento psíquico. A orientação profissional é fundamental e a clínica psicanalítica oferece um espaço para simbolizar essa angústia.
A cibercondria costuma nascer de um movimento legítimo: a tentativa de lidar com a angústia do desconhecido, de buscar um nome para o que se sente. No entanto, em vez de acalmar, esse percurso frequentemente amplifica a ansiedade. Isso porque a internet oferece informações descontextualizadas, sem levar em conta a história singular do sujeito, e o internauta acaba navegando por um mar de possibilidades onde o resfriado comum rapidamente vira “câncer” e o cansaço vira “doença rara”. Do ponto de vista psicanalítico, a cibercondria pode ser entendida como uma tentativa de controlar um real que escapa – o corpo e seus sinais –, mas que, paradoxalmente, coloca o sujeito numa posição solitária, preso em um circuito onde a dúvida só se alimenta de mais busca. Os impactos no diagnóstico são profundos. Ao chegar ao consultório já com um autodiagnóstico ou com uma lista de hipóteses colhidas na web, o paciente muitas vezes deixa de ocupar o lugar de quem narra sua experiência e passa a confrontar o profissional com um saber supostamente equivalente. Isso pode fragilizar a relação de confiança e transformar a consulta em um embate de opiniões, em vez de um espaço de escuta e investigação compartilhada. A psicanálise nos lembra que o diagnóstico não é apenas uma etiqueta técnica; ele se constrói na relação, no tempo da palavra e no acolhimento da singularidade. Quando a internet sequestra essa função, perde-se o essencial: a possibilidade de que o sujeito, ao falar de seus sintomas para outro, possa ressignificá-los e sair do lugar de refém da própria angústia.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.
