Qual é a relação entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o sentimento de menos-valia

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Qual é a relação entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o sentimento de menos-valia ?
No TPB, o sentimento de menos-valia é frequente e intenso, resultado da instabilidade na autoimagem e das experiências repetidas de rejeição ou abandono. Isso gera autocrítica severa e baixa autoestima, alimentando o ciclo de sofrimento emocional.

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 Renata Santoro
Psicólogo, Psicanalista
Taubaté
Relação entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o sentimento de menos-valia

No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), o sentimento de menos-valia — a sensação persistente de não ter valor, de ser inadequado ou insuficiente — está profundamente ligado à forma como o self foi estruturado nas experiências iniciais de vida. Na perspectiva psicanalítica, trata-se de um reflexo de falhas no espelhamento e na validação emocional durante o desenvolvimento, muitas vezes marcadas por instabilidade, rejeição ou abandono afetivo.

Essas experiências precoces dificultam a construção de uma identidade estável e integrada. Como consequência, o borderline tende a depender fortemente do olhar do outro para sentir que existe e tem valor. Quando esse olhar é ausente, ambíguo ou hostil, surge o vazio interno acompanhado da autodepreciação e de crises de autoimagem.

O sentimento de menos-valia, no TPB, não é apenas uma crença negativa sobre si mesmo; é uma experiência afetiva intensa, que pode desencadear impulsividade, comportamentos autodestrutivos ou tentativas desesperadas de manter vínculos, mesmo que prejudiciais. Cada rejeição percebida, cada indício de crítica ou distanciamento, reativa de forma desproporcional feridas emocionais antigas.

No processo terapêutico, o objetivo não é simplesmente “aumentar a autoestima”, mas possibilitar que o paciente construa um sentido interno de valor que não dependa exclusivamente da aprovação externa. Isso implica trabalhar a simbolização das experiências dolorosas, ampliar a consciência sobre os padrões relacionais e criar condições para que o sujeito possa se sustentar como alguém digno e inteiro, mesmo na ausência do olhar confirmador do outro.

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