O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) causam falhas de memória?

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O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) causam falhas de memória?
O Transtorno de Personalidade Borderline não causa falhas de memória no sentido clássico de perda cognitiva, como acontece em demências ou lesões neurológicas, mas pode afetar a forma como as lembranças são processadas e recuperadas. Durante momentos de forte estresse emocional ou crise, é comum que a pessoa com TPB tenha dificuldade em lembrar detalhes de acontecimentos ou mesmo esqueça partes de interações importantes, porque a atenção e a memória ficam profundamente influenciadas pelo estado emocional. Além disso, as memórias podem se tornar fragmentadas ou distorcidas, principalmente aquelas ligadas a experiências traumáticas ou relacionamentos interpessoais difíceis. Não se trata de esquecimento involuntário isolado, mas de uma interferência da intensa carga emocional sobre a capacidade de organizar e acessar as lembranças de forma coerente.

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Eventos traumáticos ou muito dolorosos podem ser lembrados de forma fragmentada, com lacunas ou confusão de detalhes, principalmente quando ocorreram em contextos de alto estresse emocional ou invalidação.

A lembrança existe, mas não está integrada de forma organizada à narrativa de vida.
Sim. O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode causar falhas de memória, principalmente em contextos de estresse emocional intenso.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

O Transtorno de Personalidade Borderline não costuma causar falhas de memória no sentido neurológico, como acontece em doenças que afetam diretamente o funcionamento cerebral estrutural. No entanto, muitas pessoas com TPB relatam experiências que podem ser percebidas como “falhas”, e isso geralmente está ligado ao impacto das emoções e não a uma perda de memória propriamente dita.

Em momentos de intensidade emocional elevada, o cérebro tende a priorizar a sobrevivência emocional, e isso pode interferir na forma como as informações são registradas e organizadas. É como se a atenção ficasse tão voltada para o que está sendo sentido que os detalhes do que está acontecendo ao redor não sejam armazenados com clareza.

Além disso, algumas pessoas podem vivenciar estados de dissociação, nos quais se sentem desconectadas de si mesmas ou da situação. Nesses momentos, a experiência pode não ser totalmente integrada, e depois pode surgir a sensação de “branco” ou de dificuldade em lembrar partes do que aconteceu. Não se trata de esquecimento permanente, mas de uma memória que não foi consolidada de forma completa naquele momento.

Outro ponto importante é que a memória emocional costuma ser muito mais intensa do que a memória factual. A pessoa pode lembrar fortemente do que sentiu, mas ter dificuldade em organizar exatamente o que aconteceu, o que pode gerar dúvidas, confusão ou até conflitos em relações.

Fico pensando com você: esses momentos que parecem falhas de memória acontecem em situações mais intensas emocionalmente? Você percebe sinais de que está mais desconectado nesses momentos? E depois, ao tentar lembrar, o que parece faltar mais, os detalhes ou a sequência dos acontecimentos?

Essas experiências podem ser compreendidas e trabalhadas em terapia, especialmente com foco em regulação emocional e maior consciência do momento presente.

Caso precise, estou à disposição.

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