Quando eu era criança (por volta dos 3 anos), eu sofri um abuso sexual no qual eu recebi toda a culp
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Quando eu era criança (por volta dos 3 anos), eu sofri um abuso sexual no qual eu recebi toda a culpa do que havia ocorrido. Eu apanhei em casa e a minha família e a sociedade onde eu vivia me viram como o culpado disso ter ocorrido. Eu mesmo cresci com esse sentimento de culpa, pois, apesar de isso ter ocorrido quando eu tinha 3 anos e eu não ter contribuído em nada para isso, eu gostei do que aconteceu. Fiquei muito tempo sem contato sexual nenhum com ninguém.
Anos mais tarde, quando eu já estava mais velho, fiquei com um menino na faculdade. Não teve penetração, foi mais uma ficada mesmo. No dia seguinte eu entrei em crise, senti que havia um buraco enorme no meu peito, sentia vontade de gritar, de chorar, mas não podia fazer nada disso, pois não queria que ninguém soubesse do que eu havia feito.
Essa experiência me deixou bem assustado, de modo que eu passei a evitar esses contatos sexuais.
Apesar disso, ainda ocorreram contatos sexuais com outros homens, mas, depois de todos eles, eu me sinto imundo, um lixo, fico lavando as mãos o tempo todo, várias vezes ao dia, passo alcool em gel, fico pensando que peguei alguma doença (mesmo quando o contato não é de risco).
Essa situação me deixa confuso, pois, ao mesmo tempo em que entendo que há algo de errado, e que merece ser tratado, não gostaria de tratar e passar a ter relações com homens.
Me sinto confuso com tudo isso.
Anos mais tarde, quando eu já estava mais velho, fiquei com um menino na faculdade. Não teve penetração, foi mais uma ficada mesmo. No dia seguinte eu entrei em crise, senti que havia um buraco enorme no meu peito, sentia vontade de gritar, de chorar, mas não podia fazer nada disso, pois não queria que ninguém soubesse do que eu havia feito.
Essa experiência me deixou bem assustado, de modo que eu passei a evitar esses contatos sexuais.
Apesar disso, ainda ocorreram contatos sexuais com outros homens, mas, depois de todos eles, eu me sinto imundo, um lixo, fico lavando as mãos o tempo todo, várias vezes ao dia, passo alcool em gel, fico pensando que peguei alguma doença (mesmo quando o contato não é de risco).
Essa situação me deixa confuso, pois, ao mesmo tempo em que entendo que há algo de errado, e que merece ser tratado, não gostaria de tratar e passar a ter relações com homens.
Me sinto confuso com tudo isso.
O que você relata envolve experiências muito delicadas, marcadas por culpa, medo, repressão e confusão emocional desde muito cedo. Ter crescido em um ambiente rígido, com mensagens de punição e vergonha, pode gerar um conflito profundo entre desejo, afeto, identidade e valores, fazendo com que sentimentos naturais sejam vividos com angústia e autojulgamento. O fato de você refletir sobre isso mostra um movimento importante de consciência, mas essas questões não precisam ser elaboradas sozinha. Um espaço terapêutico pode ajudar a ressignificar essas vivências, separar o que foi imposto do que realmente faz sentido para você e construir uma relação mais acolhedora com sua própria história, desejos e identidade, sem culpa ou medo.
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Olá, boa tarde.
Esse tipo de situação traumática surge à tona quando temas parecidos ocorrem. Infelizmente é algo que gera muito sofrimento. Recomendo fortemente que busque tratamento para essa questão. Principalmente psicológico com alguém de que confia no trabalho, mas considero também importante a ajuda de um psiquiatra.
Sei que pode parecer inviável falar sobre esse tema agora, mas vai ajudar muito sobre suas questões.
Espero ter ajudado, grande abraço.
Esse tipo de situação traumática surge à tona quando temas parecidos ocorrem. Infelizmente é algo que gera muito sofrimento. Recomendo fortemente que busque tratamento para essa questão. Principalmente psicológico com alguém de que confia no trabalho, mas considero também importante a ajuda de um psiquiatra.
Sei que pode parecer inviável falar sobre esse tema agora, mas vai ajudar muito sobre suas questões.
Espero ter ajudado, grande abraço.
O que você descreve faz sentido dentro de uma história de trauma precoce com culpa imposta. Uma criança de 3 anos nunca é responsável por um abuso, nem pelo que aconteceu, nem por ter sentido qualquer tipo de sensação corporal. O corpo pode reagir mesmo quando a situação é errada. Isso não significa consentimento nem gostar de verdade.
Quando alguém cresce carregando culpa e vergonha por algo assim, é comum que, na vida adulta, experiências íntimas ativem memórias emocionais antigas: sensação de sujeira, nojo de si, vontade de se limpar, medo de doença, crise de choro ou vazio no peito. Esse padrão de lavar as mãos repetidamente e checar contaminação lembra respostas de ansiedade, trauma e pode se aproximar de um funcionamento obsessivo.
Outro ponto importante: tratar isso não significa que você será obrigado a ter relações com homens ou definir uma orientação específica. O objetivo do tratamento é reduzir sofrimento, culpa e reações automáticas do corpo, para que você possa escolher com liberdade, inclusive escolher não se envolver sexualmente, se for o que faz sentido pra você.
O que costuma ajudar nesses casos é psicoterapia focada em trauma (por exemplo, abordagens baseadas em evidências como TCC para trauma, EMDR ou terapias somáticas), trabalhando três frentes: retirar a culpa que foi colocada em você, ressignificar as memórias e diminuir os gatilhos físicos de nojo, contaminação.
Se as crises vêm fortes (sensação de buraco no peito, desespero, compulsão de limpeza), uma avaliação com psiquiatra também pode ser útil como apoio, não como única solução.
O que você sente não é sinal de que há algo errado em quem você é, e sim de uma ferida antiga ainda ativa. Isso é tratável, e o foco não é mudar sua identidade, e sim devolver segurança e autonomia sobre seu corpo e suas escolhas. Se hoje você pudesse dar um primeiro passo pequeno, seria procurar um profissional com experiência em trauma sexual infantil.
Quando alguém cresce carregando culpa e vergonha por algo assim, é comum que, na vida adulta, experiências íntimas ativem memórias emocionais antigas: sensação de sujeira, nojo de si, vontade de se limpar, medo de doença, crise de choro ou vazio no peito. Esse padrão de lavar as mãos repetidamente e checar contaminação lembra respostas de ansiedade, trauma e pode se aproximar de um funcionamento obsessivo.
Outro ponto importante: tratar isso não significa que você será obrigado a ter relações com homens ou definir uma orientação específica. O objetivo do tratamento é reduzir sofrimento, culpa e reações automáticas do corpo, para que você possa escolher com liberdade, inclusive escolher não se envolver sexualmente, se for o que faz sentido pra você.
O que costuma ajudar nesses casos é psicoterapia focada em trauma (por exemplo, abordagens baseadas em evidências como TCC para trauma, EMDR ou terapias somáticas), trabalhando três frentes: retirar a culpa que foi colocada em você, ressignificar as memórias e diminuir os gatilhos físicos de nojo, contaminação.
Se as crises vêm fortes (sensação de buraco no peito, desespero, compulsão de limpeza), uma avaliação com psiquiatra também pode ser útil como apoio, não como única solução.
O que você sente não é sinal de que há algo errado em quem você é, e sim de uma ferida antiga ainda ativa. Isso é tratável, e o foco não é mudar sua identidade, e sim devolver segurança e autonomia sobre seu corpo e suas escolhas. Se hoje você pudesse dar um primeiro passo pequeno, seria procurar um profissional com experiência em trauma sexual infantil.
O que você descreve é o efeito de um trauma sexual infantil grave, marcado por culpa imposta, violência, silêncio e confusão emocional. É fundamental dizer com clareza: uma criança nunca é responsável por um abuso. O fato de ter havido alguma sensação corporal ou prazer não torna o abuso consentido, nem transforma você em culpado. Isso é uma resposta fisiológica automática, comum em situações de abuso infantil, e não define caráter, desejo ou identidade.
As crises posteriores, a sensação de vazio, o nojo de si, a necessidade de limpeza excessiva, o medo de contaminação e a evitação de contatos íntimos indicam reencenação traumática, com forte associação entre sexualidade, culpa e perigo. Não se trata de orientação sexual em si, mas de como o trauma se organizou no corpo e na mente. A confusão entre “não quero viver isso” e “não quero tratar” costuma ser o medo de tocar na dor original.
A psicoterapia especializada em trauma ajuda a trabalhar essa culpa introjetada, regular o corpo, diferenciar passado e presente e reconstruir uma relação mais segura consigo — sem impor rótulos ou caminhos.
Se você vive com vergonha, medo e sofrimento após experiências íntimas, posso te acompanhar em psicoterapia, com acolhimento, ética e profundidade, para elaborar esse trauma no seu ritmo e recuperar dignidade, segurança e liberdade emocional. Você não está sozinho. Isadora Klamt Psicóloga CRP 07/19323
As crises posteriores, a sensação de vazio, o nojo de si, a necessidade de limpeza excessiva, o medo de contaminação e a evitação de contatos íntimos indicam reencenação traumática, com forte associação entre sexualidade, culpa e perigo. Não se trata de orientação sexual em si, mas de como o trauma se organizou no corpo e na mente. A confusão entre “não quero viver isso” e “não quero tratar” costuma ser o medo de tocar na dor original.
A psicoterapia especializada em trauma ajuda a trabalhar essa culpa introjetada, regular o corpo, diferenciar passado e presente e reconstruir uma relação mais segura consigo — sem impor rótulos ou caminhos.
Se você vive com vergonha, medo e sofrimento após experiências íntimas, posso te acompanhar em psicoterapia, com acolhimento, ética e profundidade, para elaborar esse trauma no seu ritmo e recuperar dignidade, segurança e liberdade emocional. Você não está sozinho. Isadora Klamt Psicóloga CRP 07/19323
Primeiramente sinto muito por essa violência tremenda que tu sofreste. O que trazes sobre a culpa de "ter gostado" aos 3 anos... nessa idade o corpo é puro reflexo, então existem estímulos físicos que geram respostas biológicas de prazer, mas isso não tem nada a ver com desejo ou escolha. É uma resposta automática do corpo, e aí é compreensível a confusão pois a linha é tênue e confusa entre o prazer e a dor que, em uma criança tão pequena, é sentida como uma invasão. Tu não consentiste (e nem poderia); seu corpo apenas reagiu a algo que não tinha maturidade para processar.
Essa culpa segue aí, me parece que ela se manifesta na vontade de se lavar ou no medo de doenças. É como se você estivesse tentando limpar uma 'mancha' que não te pertence, mas que te fizeram acreditar que era tua.
Indico fortemente a terapia pra ti. E, desmistificando... a terapia não é para te forçar a ter ou não ter relações com ninguém. O objetivo seria criar um espaço onde não precises te sentir "imundo", onde seja possível tirar esse fardo das tuas costas para que tu possas te sentir em casa dentro do teu próprio corpo.
Caso estejas disposto, vai ser um prazer te acompanhar nesse processo!
Essa culpa segue aí, me parece que ela se manifesta na vontade de se lavar ou no medo de doenças. É como se você estivesse tentando limpar uma 'mancha' que não te pertence, mas que te fizeram acreditar que era tua.
Indico fortemente a terapia pra ti. E, desmistificando... a terapia não é para te forçar a ter ou não ter relações com ninguém. O objetivo seria criar um espaço onde não precises te sentir "imundo", onde seja possível tirar esse fardo das tuas costas para que tu possas te sentir em casa dentro do teu próprio corpo.
Caso estejas disposto, vai ser um prazer te acompanhar nesse processo!
Sinto muito pelo abuso que você sofreu em sua infância. Infelizmente ainda é comum culparem as vítimas, mesmo sendo um absurdo o que você sofreu em uma idade tão jovem. Sinto muito mesmo.
Sobre sua pergunta e sua confusão, são sintomas comuns de quem sobreviveu a este tipo trauma. Mesmo com desejo de se relacionar, os sentimentos podem se tornar mistos, como na sensação de sujeira relatada.
O tratamento na Terapia Cognitiva Comportamental deve tratar o que você quiser tratar, o que você estiver buscando. Ou seja, você não seria obrigado a se relacionar com homens. Trabalhamos o que cliente deseja alcançar e melhorar na sua vida, respeitando seus objetivos e limites.
Entre em contato comigo, a terapia pode te ajudar. Boa sorte em sua jornada.
Sobre sua pergunta e sua confusão, são sintomas comuns de quem sobreviveu a este tipo trauma. Mesmo com desejo de se relacionar, os sentimentos podem se tornar mistos, como na sensação de sujeira relatada.
O tratamento na Terapia Cognitiva Comportamental deve tratar o que você quiser tratar, o que você estiver buscando. Ou seja, você não seria obrigado a se relacionar com homens. Trabalhamos o que cliente deseja alcançar e melhorar na sua vida, respeitando seus objetivos e limites.
Entre em contato comigo, a terapia pode te ajudar. Boa sorte em sua jornada.
Olá, tudo bem? Sinto muito por todas essas sensações intensas. Ao ler sua história fiquei pensando em como o sofrimento conhecido pode parecer mais bonito que o sofrimento desconhecido. Essa é uma forma triste e paralisante de ver as coisas. Afinal, pense assim, você realmente gostaria que as coisas permaneçam como estão? Se a resposta é não, isso já é suficiente para que você tente qualquer outra coisa. Pois quando estamos perdidos em uma floresta, é sempre melhor andar para algum lugar do que ficar parado. Eu recomendo que você tente um processo psicoterapêutico. Eu sei que pode ser assustado, pois você não sabe o que vai acontecer depois disso. Mas a vida é assim mesmo, nos nunca sabemos o que irá acontecer, apenas tentamos não ficar parados, pois do contrário não sairemos do lugar.
Sinto muito que você tenha carregado tanta culpa por algo que aconteceu quando você era apenas uma criança. O que você viveu foi um abuso, e nada disso foi responsabilidade sua. Quando experiências assim acontecem tão cedo e ainda são acompanhadas de punição, julgamento e silêncio, é comum que a pessoa cresça com sentimentos distorcidos de culpa e vergonha, como se tivesse feito algo errado, mesmo não tendo escolha nenhuma naquela situação. Parece que, quando você tem algum contato íntimo hoje, isso acaba reativando toda essa dor antiga, como se você revivesse emocionalmente aquele lugar de culpa, e por isso vêm essas reações tão intensas de nojo, medo, necessidade de se limpar e ansiedade com doenças, mesmo sem risco real. É importante dizer que buscar tratamento psicológico não significa que você será forçado a viver algo que não quer. Terapia é um espaço para compreender o que você sente, respeitando seu tempo, seus limites e principalmente suas escolhas. O objetivo é aliviar essa dor, essa culpa e esse sofrimento.
Eu sinto muito que você tenha vivido algo tão doloroso e injusto. Você era uma criança de três anos. Não houve culpa sua em nada do que aconteceu. E o fato de ter sentido alguma sensação de prazer não significa consentimento nem responsabilidade. O corpo pode reagir fisiologicamente mesmo em situações de abuso, e isso não transforma a vítima em culpada.
O que você descreve depois, a crise, o vazio no peito, a sensação de sujeira, a necessidade de se limpar, parece muito ligado ao trauma e à culpa que foi colocada em você lá atrás. Não soa como algo simplesmente sobre se relacionar com homens, mas sobre vergonha e medo que ficaram profundamente associados à sexualidade.
A confusão que você sente é compreensível. Uma parte sua busca contato e afeto, outra reage com pânico e autodepreciação porque aprendeu que isso era errado e merecia punição. Isso pode ser cuidado em terapia, no seu ritmo. Buscar ajuda não significa que você será direcionado a viver algo que não queira, mas sim que poderá se libertar da culpa e da sensação de ser sujo, que não pertencem a você. Você merece paz com a sua própria história.
O que você descreve depois, a crise, o vazio no peito, a sensação de sujeira, a necessidade de se limpar, parece muito ligado ao trauma e à culpa que foi colocada em você lá atrás. Não soa como algo simplesmente sobre se relacionar com homens, mas sobre vergonha e medo que ficaram profundamente associados à sexualidade.
A confusão que você sente é compreensível. Uma parte sua busca contato e afeto, outra reage com pânico e autodepreciação porque aprendeu que isso era errado e merecia punição. Isso pode ser cuidado em terapia, no seu ritmo. Buscar ajuda não significa que você será direcionado a viver algo que não queira, mas sim que poderá se libertar da culpa e da sensação de ser sujo, que não pertencem a você. Você merece paz com a sua própria história.
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