Tenho 55 anos e há 30 anos, aproximadamente, tenho tratado esclerose mesial tempora com sucesso (sem

3 respostas
Tenho 55 anos e há 30 anos, aproximadamente, tenho tratado esclerose mesial tempora com sucesso (sem crises). Meu problema é a memória. Sempre que preciso lembrar de algo que aconteceu me dá “branco”. Isso me atrapalhou muito na época em que eu estudava. Há como tratar essa perda de memória?
Dr. Antonio Yasbec Chiarella
Generalista
Goiânia
Infelizmente essa perda de memória que você apresenta e decorrente da própria doença Esclerose Mesial temporal. Ela causa um certo comprometimento da memória até porque ela afeta a região que é esponsável pela nossa memória que o lobo temporal. Além disso, sua memória pode ser ainda mais comprometida devido a neurotoxicidade provocada pela Drogas Antiepilépticas utilizadas no controle das crises principalmente no que diz respeito ao Fenobarbital, carbamazepina e em menor intensidade com o Hidantal. Não sei se você faz uso de alguma dessas medicações que eu citei, mas hoje em dia existem drogas mais modernas que podem minimizar um pouco desses efeitos colaterais indesejados. Converse com seu neurologista e veja a melhor decisão a ser tomada. Espero tê-lo(a) ajudado um pouco.

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A esclerose mesial temporal é associada com perda de memória, uma vez que os lobos afetados são justamente os "responsáveis" pela memória de longo prazo. Fazendo uma pequena analogia, é como se todas as memórias verbais estivessem organizadas em uma "biblioteca" no lobo temporal esquerdo (se você for destra), mas quando você tenta consultar essas memórias não as encontra. Ou seja, as memórias são formadas, mas são de difícil acesso para você. Neste contexto, recomenda-se a realização de uma avaliação neuropsicológica para entender seu quadro cognitivo de maneira sistêmica e, a partir dos resultados, iniciar um planejamento de biofeedback junto a um profissional da neuropsicologia.
Dra. Camila Cirino Pereira
Neurologista, Médico do sono, Psiquiatra
São Paulo
A esclerose mesial temporal é uma condição neurológica caracterizada por uma lesão nas estruturas profundas do lobo temporal, especialmente no hipocampo, que é uma das principais regiões responsáveis pela formação e consolidação da memória. Mesmo quando as crises epilépticas estão bem controladas — como no seu caso — é comum que o paciente apresente dificuldades persistentes de memória, especialmente para lembrar de fatos recentes, organizar informações novas e recuperar lembranças específicas do passado. Isso ocorre porque o hipocampo, além de participar da geração de crises epilépticas, é essencial para transformar informações de curto prazo em memória de longo prazo. Quando há dano estrutural ou perda neuronal, como acontece na esclerose mesial temporal, o cérebro precisa criar rotas compensatórias para processar e armazenar informações. A boa notícia é que há tratamento e estratégias eficazes para melhorar a função cognitiva e reduzir o impacto da perda de memória, mesmo em casos crônicos e estáveis. O plano terapêutico envolve abordagens combinadas, que devem ser conduzidas por um neurologista com apoio neuropsicológico: 1. Reabilitação neuropsicológica personalizada: é a intervenção mais indicada. O neuropsicólogo realiza uma avaliação detalhada das funções cognitivas (atenção, memória, linguagem, funções executivas) e elabora um programa de exercícios específicos para estimular o hipocampo e as áreas corticais associadas à memória. Isso ajuda o cérebro a criar novas conexões e rotas compensatórias, melhorando o desempenho ao longo dos meses. 2. Treinamento cognitivo digital: existem programas e aplicativos validados (como Lumosity, NeuroNation e CogniFit) que podem ser usados em casa para exercitar atenção, memória e raciocínio, desde que orientados por um profissional. 3. Estratégias comportamentais: uso de anotações estruturadas, listas diárias, alarmes, agendas digitais, repetição ativa e associação de ideias são técnicas comprovadas para contornar falhas de evocação e manter o cérebro ativo. 4. Estímulo cerebral global: atividades que envolvem aprendizado novo (como idiomas, instrumentos musicais, leitura crítica e jogos de lógica) promovem neurogênese e plasticidade hipocampal, favorecendo a recuperação da memória funcional. 5. Tratamento farmacológico adjuvante: em alguns casos, o neurologista pode indicar neuroprotetores e nootrópicos, como citicolina, piracetam, donepezila, memantina ou ginkgo biloba padronizado, dependendo do perfil clínico e da interação com o anticonvulsivante utilizado. Esses medicamentos melhoram a oxigenação cerebral, a transmissão sináptica e a função mitocondrial dos neurônios, auxiliando na performance cognitiva. 6. Revisão dos anticonvulsivantes em uso: alguns medicamentos antiepilépticos, principalmente em doses altas ou uso prolongado, podem potencializar lentidão cognitiva e déficit de atenção. Fármacos mais antigos como fenitoína, carbamazepina ou valproato tendem a ter maior impacto. Se esse for o caso, o médico pode avaliar a troca por opções com melhor perfil cognitivo, como levetiracetam, lamotrigina ou lacosamida. 7. Cuidados com o sono e o estresse: distúrbios do sono (como apneia ou insônia crônica), ansiedade e sobrecarga mental pioram a consolidação da memória. O uso de técnicas de relaxamento, higiene do sono e acompanhamento psicológico pode melhorar substancialmente o rendimento cognitivo. O mais importante é compreender que o seu quadro é passível de melhora significativa com reabilitação cognitiva direcionada e ajustes no tratamento neurológico. Embora o dano estrutural da esclerose mesial temporal não possa ser revertido, o cérebro possui plasticidade — ou seja, capacidade de reorganizar suas conexões e compensar perdas funcionais com estímulos adequados e consistentes. Em resumo: a perda de memória associada à esclerose mesial temporal é uma consequência funcional da lesão hipocampal, mas pode ser tratada e compensada com neuroreabilitação, otimização medicamentosa, estimulação cognitiva e hábitos que promovam neuroplasticidade. O acompanhamento contínuo com neurologista e neuropsicólogo é fundamental para definir o melhor plano de reabilitação e monitorar a evolução. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com seu neurologista é essencial para confirmar o diagnóstico e garantir segurança no uso. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, epilepsia, reabilitação cognitiva e regulação neurofuncional, sempre com uma abordagem técnica, empática e humanizada. Dra. Camila Cirino Pereira – Neurologista | Especialista em TDAH | Especialista em Medicina do Sono | Especialista em Saúde Mental CRM CE 12028 | RQE Nº 11695 | RQE Nº 11728

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