Tenho ansiedade intensa e faço uso de fluoxetina 40mg. Ultimamente, venho enfrentando uma autoestima

7 respostas
Tenho ansiedade intensa e faço uso de fluoxetina 40mg. Ultimamente, venho enfrentando uma autoestima muito baixa e constante, que me causa sofrimento e interfere no meu dia a dia. Me cobro e me comparo o tempo todo, o que aumenta minha ansiedade e tristeza.

Tenho pensamentos muito negativos e recorrentes, principalmente em relação a mim mesma, com uma sensação frequente de inutilidade. Quase tudo me deixa mal, cansada emocionalmente, triste e desconfortável. Em alguns momentos, esses pensamentos se tornam impulsivos e difíceis de controlar, o que intensifica meu desânimo.

Apesar disso, ainda consigo realizar algumas atividades, mas existem dias em que me sinto completamente paralisada emocionalmente. Nesses períodos mais intensos de ansiedade e tristeza, acontece algo que me preocupa, ou mesmo não acontecendo nada perco a vontade de tomar o antidepressivo, como se eu não tivesse energia ou desejo de melhorar naquele momento.

Gostaria de saber se esses sinais podem estar relacionados a um quadro depressivo associado à ansiedade, poderiam me dizer ?
Dra. Juliane Callegaro Borsa
Psicólogo
Porto Alegre
Os sinais que você descreve são compatíveis, sim, com um quadro em que ansiedade e depressão coexistem, algo bastante frequente na prática clínica. Na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental, a ansiedade intensa tende a manter um estado de hipervigilância e autocrítica, enquanto a depressão se manifesta por pensamentos centrais de desvalor, inutilidade e desesperança, acompanhados de exaustão emocional e redução da motivação. Uma condição frequentemente retroalimenta a outra.
A autoestima baixa persistente, a comparação constante e os pensamentos negativos recorrentes sobre si mesma indicam a ativação de crenças centrais disfuncionais (por exemplo: “não sou suficiente”, “há algo errado comigo”). Esses pensamentos não surgem porque são verdadeiros, mas porque o sistema cognitivo, sob estresse emocional, passa a operar em modo automático e rígido. Isso ajuda a explicar por que quase tudo te afeta emocionalmente e por que há momentos de paralisia psíquica, mesmo quando você ainda consegue manter algumas atividades.
O comportamento de perder a vontade de tomar o antidepressivo nos períodos de maior sofrimento também é compreensível do ponto de vista da TCC. Não costuma ser “falta de vontade de melhorar”, mas um fenômeno ligado à anedonia, desesperança e esquiva experiencial (quando o próprio ato de se cuidar parece inútil ou pesado demais). Ainda assim, é importante reforçar que qualquer alteração no uso da medicação deve ser discutida com o médico, pois interrupções podem intensificar os sintomas.

Em termos de psicoeducação e manejo, alguns pontos são centrais:
- pensamentos não são fatos, especialmente quando vêm carregados de emoção intensa;
- observar e nomear esses pensamentos automáticos já reduz seu impacto;
- trabalhar reestruturação cognitiva (questionar evidências, buscar interpretações mais funcionais) e ativação comportamental gradual costuma ser fundamental nesses quadros;
- ansiedade + depressão não significam fraqueza, mas um sistema emocional sobrecarregado.

O que você relata merece, sim, uma avaliação clínica cuidadosa e acompanhamento adequado. O sofrimento que você descreve é real, tratável e não define quem você é — define apenas o estado emocional em que você se encontra agora.

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Sinto muito que você esteja passando por isso.
Mais importante do que encontrar um nome clínico para o que está acontecendo é olhar para o que pode, de fato, favorecer a sua melhora. Neste momento, é importante compreender que a medicação, embora possa ajudar, geralmente não é suficiente por si só no cuidado da depressão. O acompanhamento psicológico é fundamental para elaborar o que você está vivendo e construir caminhos possíveis de mudança para o seu sofrimento.
Olá, como vai?
Nesse caso, é importante você ser avaliada por um psiquiatra e por um psicólogo, para que a avaliação seja realizada de forma organizada e coerente. Com um breve relato, sem te conhecer um pouquinho, qualquer afirmação seria leviana e desrespeitosa com você. Na dúvida, procure o profissional que te acompanha e se abra! Se for o caso, mude de profissional, ou inicie o tratamento psicoterapêutico. Espero ter ajudado, fico à disposição!
Olá, tudo bem? Veja só, o que você relatou de fato pode indicar tanto ansiedade quanto depressão. Uma resposta certeira só pode ser obtida por avaliação clinica psicológica ou psiquiátrica. Contudo, acredito que mais importante que isso é o seu sofrimento mesmo sob medicação. Quando a ansiedade continua intensa mesmo sob medicação, é altamente indicado a busca por uma psicoterapia. Um psicólogo pode ajudar no manejo da ansiedade, dos pensamentos e na organização de autocuidado. É importante manter a consistência da medicação, pois o uso inadequado dessas medicação podem levar a efeitos colaterais desconfortáveis. Caso opte por tentar terapia, posso te acompanhar.
Diante do que você relata, é importante que seja acompanhada de forma mais próxima pelos profissionais que já te atendem. O ideal é um cuidado combinado, com o acompanhamento psiquiátrico para avaliar como está o uso da medicação, se a dose segue adequada ou se há necessidade de algum ajuste, e o acompanhamento psicológico para trabalhar a autoestima, as cobranças excessivas, os pensamentos negativos recorrentes e o impacto disso na sua rotina. O psicólogo, por estar em contato frequente com o que você vive, pode ajudar a compreender como esses sintomas se organizam e o que os intensifica, enquanto o psiquiatra poderá avaliar os aspectos medicamentosos. Levar essas questões para ambos é fundamental para construir um cuidado mais alinhado ao momento que você está vivenciando.
 Lucas Teixeira
Psicólogo
Belo Horizonte
O que você descreve é um sofrimento psíquico importante e merece ser levado a sério. A combinação de ansiedade intensa, autocrítica constante, sensação de inutilidade, cansaço emocional e momentos de paralisação pode, sim, estar relacionada a um quadro depressivo associado à ansiedade. Esses estados costumam se retroalimentar: a ansiedade intensifica a cobrança interna, e a tristeza aprofunda o desânimo e a perda de sentido. A dificuldade em manter o uso da medicação nos momentos mais críticos também é algo que aparece quando a energia psíquica está muito comprometida, não como falta de vontade, mas como expressão do esgotamento. Ainda assim, é importante dizer com cuidado: apenas um acompanhamento com um profissional de saúde mental — psicólogo e/ou psiquiatra — pode avaliar com precisão se há um quadro depressivo e qual a melhor forma de cuidado.
Bom dia,
Sim, seus sinais são muito compatíveis com um quadro depressivo associado à ansiedade, uma condição comum onde um transtorno alimenta o outro. A fluoxetina atua na base química, mas a psicoterapia é fundamental para trabalhar a raiz desses pensamentos autocríticos e a desesperança que mina sua energia até para o cuidado. É urgente relatar tudo isso ao seu psiquiatra para reavaliar o tratamento. A vontade de parar o remédio é parte do próprio sintoma. Buscar um psicólogo para terapia será complemento essencial. Você mereve e pode encontrar um alívio mais duradouro.

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