Todo ser humano tem direito a um amor-próprio básico? Não me refiro ao egoísmo ou à exaltação do eu

4 respostas
Todo ser humano tem direito a um amor-próprio básico?
Não me refiro ao egoísmo ou à exaltação do eu, mas à autopreservação da vida, à dignidade humana mínima que impede a autodestruição total.

Nesse sentido, mesmo pessoas egoístas ou moralmente erradas não estariam erradas em possuir esse amor-próprio mínimo e saudável, sendo o problema aquilo que está deturpado no caráter, nas escolhas e nas ações, e não o simples instinto de preservar a própria existência.

Essa noção também se aplicaria, em termos gerais, até a pessoas más ou cruéis? (considerando que em alguns casos há patologias envolvidas). A distinção estaria entre o valor intrínseco da vida humana e a responsabilidade moral pelos atos cometidos?
Sim. Todo ser humano tem direito a um amor-próprio básico, entendido como autopreservação e dignidade mínima, independentemente de falhas morais. Esse valor é intrínseco à vida humana. O que pode e deve ser responsabilizado são as escolhas e ações cometidas, não o simples direito de existir. Essa distinção entre valor da vida e responsabilidade moral é fundamental, inclusive na clínica.

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Olá, como vai?
Você pode se aprofundar no tema ao ler sobre narcisismo na psicanálise.
Espero ter ajudado, fico à disposição.
 Lucas Teixeira
Psicólogo
Belo Horizonte
Na teoria freudiana, existe algo próximo a esse “amor-próprio básico”: o narcisismo primário. Trata-se do investimento libidinal do eu sobre si mesmo, fundamento da autopreservação e da continuidade psíquica. Sem um mínimo desse investimento, o sujeito tende à autodestruição ou ao esvaziamento do desejo.

Isso é diferente do egoísmo exacerbado, que pode envolver defesas rígidas, idealizações ou distorções do caráter. Mesmo alguém moralmente condenável mantém, em geral, esse núcleo narcísico que sustenta a própria vida. A psicanálise distingue, portanto, o valor estrutural do eu — necessário para existir — das escolhas e atos pelos quais o sujeito deve responder. O problema ético não é amar-se minimamente, mas como esse amor se articula com os outros.
Sim; todo ser humano tem direito a um amor-próprio básico, que preserva a vida e a dignidade, independentemente de escolhas morais ou caráter.
Esse amor-próprio não justifica atos prejudiciais, mas separa o valor intrínseco da vida da responsabilidade ética pelos atos.
Mesmo pessoas más ou com patologias têm direito à autopreservação, embora devam responder moralmente por suas ações.

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