Todos os portadores de esclerose múltipla apresentam bandas oligoclonais presentes? Estou em dúvida

6 respostas
Todos os portadores de esclerose múltipla apresentam bandas oligoclonais presentes? Estou em dúvida do diagnóstico, pois no meu exame de liquor só deu alterado o índice IgG. Também tenho múltiplas lesões na substância branca em ambos hemisférios cerebrais. Tenho dormência e fraqueza no lado esquerdo, rosto, braço e perna. Está certo o diagnóstico de Esclerose Múltipla? Faço tratamento com Copaxone.
A presença de bandas oligoclonais é um dos fatores de prognóstico para a evolução da doença.
Mas não é o único.

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Apesar da maioria dos pacientes apresentarem, a presença de BOC não é essencial para o diagnóstico e muitos podem não ter mesmo.
O diagnóstico é feito com base na avaliação detalhada das características das lesões e o exame neurológico.
Dra. Ana Karoline Basler
Neurologista
São Paulo
Olá, tudo bem?
A presença das Bandas Oligoclonais tipo 2 ocorre em cerca de 85-95% dos pacientes com Esclerose Múltipla, mas não exclui o diagnóstico se for ausente (Exemplo: Se for realizado o exame logo após pulsoterapia com corticoide pode vir ausente). O diagnóstico é feito baseado na história e nas alterações da RM crânio e/ou medula. Outros exames auxiliam no diagnóstico, como o liquor. Para ter certeza do seu diagnóstico, recomendo uma consulta com médico neurologista, especialista em doenças desmielinizantes.
A presença de bandas oligoclonais (BOC) no líquor é um dos exames auxiliares importantes no diagnóstico de esclerose múltipla (EM), mas nem todos os pacientes com EM apresentam esse achado. Embora a maioria dos pacientes tenha BOC positivas (em torno de 85% a 95%, dependendo da população e da técnica usada), há uma pequena parcela que pode ter EM mesmo sem esse marcador no líquor — especialmente em populações latino-americanas, onde a positividade pode ser um pouco menor.

O seu exame mostrou índice de IgG alterado, o que já indica uma produção aumentada de imunoglobulinas no sistema nervoso central, e isso também pode ser um achado compatível com EM, mesmo que as bandas oligoclonais não tenham sido detectadas.

Quanto à ressonância magnética, o achado de múltiplas lesões na substância branca levanta a suspeita de EM, mas é preciso avaliar com muito cuidado a localização, forma e características dessas lesões. Nem toda lesão na substância branca significa EM: problemas como doença de pequenos vasos, enxaqueca, hipertensão, diabetes, vasculites ou outras doenças autoimunes também podem causar lesões semelhantes. Por isso, o diagnóstico correto depende da análise conjunta da imagem, do exame clínico e do líquor, além de excluir outras causas.

Você descreveu sintomas de dormência e fraqueza do lado esquerdo do corpo, incluindo rosto, braço e perna. Esses são sintomas compatíveis com surtos neurológicos, como os que ocorrem na EM, especialmente se surgiram de forma súbita e duraram dias ou semanas. Esses sintomas fortalecem a hipótese diagnóstica — principalmente se se repetiram ou evoluíram com o tempo.

O fato de você estar em uso de Copaxone (acetato de glatirâmer) sugere que algum médico já considerou o diagnóstico de EM e iniciou uma terapia modificadora da doença (DMT). Esse medicamento é considerado de baixa eficácia e tem perfil seguro, mas atualmente sabemos que iniciar terapias de maior eficácia o quanto antes pode reduzir o risco de progressão e acúmulo de incapacidade. Em alguns casos, a mudança para um tratamento mais potente pode ser indicada.

Em resumo:
Não é obrigatório ter bandas oligoclonais positivas para confirmar EM, embora sua presença fortaleça o diagnóstico. Um índice de IgG alterado no líquor já é um sinal de inflamação no sistema nervoso central. Os seus sintomas clínicos e achados de imagem podem sim ser compatíveis com EM, mas é essencial confirmar se o diagnóstico foi bem estabelecido, com base nos critérios diagnósticos atuais (McDonald 2017). Pode valer a pena reavaliar o seu caso com um neurologista especializado, principalmente para revisar o diagnóstico, os exames de imagem e discutir se o tratamento atual é o mais adequado.

Estou à disposição para uma avaliação detalhada e, se necessário, para discutir outras opções terapêuticas que ofereçam maior proteção a longo prazo.
Dra. Mariana M. Sant'Ana
Neurologista, Especialista em dor
Cuiabá
Sua dúvida é muito pertinente — e demonstra um ótimo entendimento sobre o processo diagnóstico da Esclerose Múltipla (EM), uma condição neurológica autoimune que exige análise criteriosa de sintomas clínicos, exames de imagem e líquor.

Vamos esclarecer ponto a ponto:

1⃣ Bandas oligoclonais nem sempre estão presentes

As bandas oligoclonais (BOCs) no líquor representam a produção local de anticorpos no sistema nervoso central, e sua presença é um marcador de inflamação crônica compatível com EM.
Porém, nem todos os pacientes com Esclerose Múltipla têm bandas positivas.
Estudos mostram que:

Cerca de 85 a 95% dos pacientes com EM clássica têm BOCs positivas;

Mas até 10-15% dos casos confirmados podem ter bandas ausentes, especialmente nas formas iniciais ou benignas da doença.

Ou seja, a ausência das bandas não exclui o diagnóstico — o que reforça a importância de avaliar o conjunto clínico e radiológico.

2⃣ O índice IgG aumentado

O índice de IgG no líquor reflete o grau de produção intratecal de imunoglobulina G, e quando está elevado, mesmo sem bandas, indica processo inflamatório ativo no sistema nervoso central.
Esse achado, aliado à presença de lesões típicas de EM na ressonância, fortalece a hipótese diagnóstica.

3⃣ Lesões na substância branca

Você menciona múltiplas lesões na substância branca bilateral, o que é compatível com EM — especialmente se forem:

Periventriculares (ao redor dos ventrículos cerebrais);

Juxtacorticais (próximas ao córtex cerebral);

Infratentoriais (tronco e cerebelo);

Ou na medula espinhal.

Essas áreas são as mais típicas do padrão de desmielinização da doença.
A presença de lesões em diferentes locais e momentos (chamadas de disseminação no espaço e no tempo) é um dos critérios diagnósticos principais, conforme os critérios de McDonald (2021).

4⃣ Sintomas clínicos

Os sintomas que você descreve — dormência e fraqueza no lado esquerdo do rosto, braço e perna — correspondem exatamente a surtos neurológicos típicos de EM, caracterizados por déficits motores e sensitivos focais que duram dias ou semanas e melhoram gradualmente.

5⃣ Diagnóstico e tratamento

Com base nos dados que você citou:

Lesões desmielinizantes múltiplas na ressonância,

Índice IgG elevado no líquor,

E quadro clínico compatível com surtos neurológicos focais,

É coerente que o seu neurologista tenha confirmado o diagnóstico e iniciado o tratamento com Copaxone (acetato de glatirâmer), que é uma terapia modificadora da doença usada justamente em formas remitentes-recorrentes de EM.

O mais importante é manter o seguimento regular com seu neurologista, que avaliará a resposta clínica e radiológica ao tratamento, ajustando a conduta se surgirem novas lesões ou surtos.

Resumo prático

Nem todos os pacientes com EM têm bandas oligoclonais positivas;

Um índice IgG elevado no líquor também indica atividade imunológica compatível com EM;

O diagnóstico depende da integração entre clínica, imagem e líquor;

Seu tratamento com Copaxone está dentro das recomendações atuais para controle da doença.

Reforço que esta resposta é informativa e não substitui a orientação do seu neurologista assistente, que tem acesso completo aos seus exames e histórico clínico.

Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais em Cuiabá e São Paulo e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica e doenças desmielinizantes como Esclerose Múltipla, sempre com uma abordagem técnica e humanizada.

Dra. Mariana Santana – Neurologista em Cuiabá | Neurologista em São Paulo | Especialista em Tratamento da Dor
CRM: 5732-MT | RQE nº 5835
Dra. Camila Cirino Pereira
Neurologista, Médico do sono, Psiquiatra
São Paulo
Nem todos os pacientes com Esclerose Múltipla (EM) apresentam bandas oligoclonais positivas no líquor, embora esse seja um achado importante para o diagnóstico. As bandas oligoclonais refletem a produção intratecal de imunoglobulinas (IgG) no sistema nervoso central — um marcador de inflamação crônica característica da doença. Cerca de 85% a 95% dos pacientes com EM têm bandas oligoclonais detectáveis, mas até 10–15% podem ter resultado negativo, e ainda assim preencher todos os critérios clínicos e radiológicos compatíveis com o diagnóstico. O índice IgG aumentado, como no seu caso, já indica que existe atividade imunológica anormal dentro do sistema nervoso central, o que fortalece a hipótese de uma doença desmielinizante mesmo sem a presença explícita das bandas. Além disso, o achado de múltiplas lesões na substância branca bilateralmente, especialmente quando localizadas em regiões típicas — como periventriculares, infratentoriais e corpo caloso — é altamente sugestivo de Esclerose Múltipla, principalmente quando associado a sintomas neurológicos focais e flutuantes como dormência, formigamento e fraqueza em um lado do corpo. Para confirmar o diagnóstico, os neurologistas utilizam os critérios de McDonald (revisão 2021), que exigem evidência de disseminação no tempo e no espaço (ou seja, lesões em diferentes locais e em momentos distintos). Isso pode ser demonstrado por ressonância magnética com contraste (gadólio), mostrando lesões novas e antigas, associadas a achados clínicos e laboratoriais. O fato de você já estar em uso de Copaxone (acetato de glatirâmer) indica que seu neurologista identificou alta probabilidade de EM, e essa medicação é uma terapia modificadora da doença segura, indicada justamente para reduzir surtos e desacelerar a progressão. Em resumo: a ausência de bandas oligoclonais não exclui o diagnóstico de Esclerose Múltipla. O conjunto dos achados — lesões disseminadas na substância branca, sintomas neurológicos focais e aumento do índice IgG — sustenta o diagnóstico, desde que outras causas (como vasculites, infecções ou doenças autoimunes sistêmicas) tenham sido descartadas. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com seu neurologista é essencial para confirmar o diagnóstico e garantir segurança no uso. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, doenças desmielinizantes e regulação neurofuncional, sempre com uma abordagem técnica, empática e humanizada. Dra. Camila Cirino Pereira – Neurologista | Especialista em TDAH | Especialista em Medicina do Sono | Especialista em Saúde Mental CRM CE 12028 | RQE Nº 11695 | RQE Nº 11728

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