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Do sintoma à pessoa
Receber um novo paciente é o início de uma nova jornada. Única e particular.
Posso receber três novos pacientes com transtorno do pânico, do mesmo gênero, com a mesma idade e serão três universos completamente diferentes.
O sintoma é um fiapo, uma ponta solta, uma pergunta. A partir dele, o saber médico define diagnóstico, prescreve medicamento, solicita afastamento, mas para a psicologia, sua função é diferente.
O que fazemos na psicoterapia é olhar para o fiapo e puxar a ponta solta. Desenrolamos trançados, tateamos nós, compreendemos tramas. Adentramos os entremeios que produzem aquela ponta solta.
Quem é essa pessoa? O que esse sintoma significa? O que está acontecendo em sua vida? O que já viveu antes que a trouxe a este momento? Como ela compreende o mundo? Como olha para a vida? Como vive as relações? Como emprega seu tempo? Como lida com o que lhe acontece? Como chega na terapia? Como se coloca à minha frente? O que espera desse processo?
A primeira entrevista é o início desse percurso. Partimos do sintoma, mas caminhamos em direção à pessoa. Aos poucos, descobrimos quais são as perguntas que realmente importam para que a melhora aconteça.
O sintoma nos coloca em movimento. A psicoterapia pode transformar esse movimento em um caminho de aproximação de nós mesmos.
27/06/2026