Artigos 24 julho 2026

Catarata: saiba o que é, sintomas e como tratar a visão

Equipe Doctoralia
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Principais pontos deste artigo
  • A catarata torna o cristalino opaco e impede a visão nítida, não podendo ser corrigida apenas com o uso de novos óculos.
  • A cirurgia é o único tratamento eficaz para a catarata, substituindo a lente natural por uma lente intraocular definitiva.
  • Sintomas como visão embaçada, sensibilidade à luz e cores pálidas indicam a necessidade de avaliação por um oftalmologista.
  • A facoemulsificação é um procedimento minimamente invasivo que permite alta no mesmo dia e uma recuperação visual acelerada.
  • O uso de proteção UV e o controle do diabetes são fundamentais para retardar o envelhecimento e a opacificação do cristalino.

A saúde ocular desempenha um papel fundamental na manutenção da autonomia e da qualidade de vida em todas as fases da existência humana. Entre as diversas patologias que podem comprometer o sistema visual, a catarata destaca-se como uma das condições mais prevalentes e clinicamente significativas. Esta patologia caracteriza-se pela opacificação progressiva do cristalino, que é a lente natural e transparente localizada no interior do olho, logo atrás da íris e da pupila. A função primária do cristalino é permitir a passagem da luz e realizar o ajuste de foco para que as imagens sejam projetadas com nitidez sobre a retina.

Quando ocorre o processo de opacificação, a transparência necessária para a formação de imagens claras é perdida, resultando em uma barreira física que impede a luz de atingir adequadamente as células fotorreceptoras. Segundo dados de organizações internacionais de saúde, a catarata é considerada a principal causa de cegueira reversível no mundo. Estima-se que, anualmente, surjam milhares de novos casos da doença em diversas populações, afetando predominantemente a população idosa, embora não se restrinja exclusivamente a este grupo etário. É de extrema importância compreender que, apesar do impacto severo na visão, o tratamento cirúrgico moderno apresenta altos índices de sucesso na restauração da função visual.

O que é a catarata?

O termo catarata refere-se à perda de transparência do cristalino. Em um sistema ocular saudável, o cristalino funciona de forma análoga a uma lente de câmera fotográfica, sendo composto majoritariamente por água e proteínas organizadas de maneira precisa para manter a clareza e permitir a refração luminosa. Com o passar do tempo, ou devido a fatores externos e metabólicos, essas proteínas podem sofrer um processo de agregação ou degradação, gerando áreas de opacidade que bloqueiam ou dispersam a luz.

O desenvolvimento dessa condição é, em sua maioria, lento e progressivo. No estágio precoce, a opacificação pode afetar apenas uma pequena parte da lente, podendo passar despercebida pelo paciente. No entanto, conforme a densidade da catarata aumenta, a visão torna-se cada vez mais comprometida. Diferente de outros problemas de refração, como a miopia ou a hipermetropia, a perda visual causada pela catarata não pode ser totalmente corrigida apenas com o uso de óculos ou lentes de contato, uma vez que o problema reside na integridade estrutural do cristalino e não apenas no erro de foco.

Como é a visão de quem tem catarata?

A experiência visual de um indivíduo com catarata é frequentemente descrita como a percepção de imagens através de um vidro embaçado, uma cortina de fumaça ou uma película de gordura. Esta sensação ocorre porque a luz, ao tentar atravessar o cristalino opaco, sofre uma dispersão irregular, impedindo que os raios luminosos converjam de forma nítida na retina.

Além da falta de nitidez, o paciente pode observar:

  • A percepção de que as cores estão perdendo sua vivacidade, parecendo mais pálidas ou amareladas.
  • Uma redução significativa na sensibilidade ao contraste, dificultando a distinção entre objetos e fundos de tonalidades semelhantes.
  • A sensação de que a visão piora consideravelmente em ambientes com muita claridade ou durante a condução noturna.

Causas e fatores de risco

O desenvolvimento da catarata está intrinsecamente ligado a processos bioquímicos e oxidativos que ocorrem no interior do olho. Embora o envelhecimento seja a causa mais comum, diversos outros elementos podem acelerar ou desencadear a opacificação do cristalino.

  1. Envelhecimento natural: É o fator predominante, resultando em um processo degenerativo natural com o avançar da idade, onde as fibras do cristalino tornam-se menos flexíveis.
  2. Traumas oculares e inflamações: Lesões físicas diretas no globo ocular, como contusões ou perfurações, podem danificar a estrutura do cristalino, levando ao surgimento da catarata traumática, que pode se manifestar imediatamente ou anos após o evento. Processos inflamatórios internos, como a uveíte, também contribuem para o risco.
  3. Uso prolongado de medicamentos: O uso sistêmico ou tópico (colírios) de corticoides por períodos prolongados é um fator de risco documentado, podendo induzir mudanças estruturais permanentes no cristalino.
  4. Doenças sistêmicas: Condições como o Diabetes Mellitus estão fortemente associadas à catarata precoce. O excesso de glicose no humor aquoso pode levar ao acúmulo de sorbitol no cristalino, causando edema e opacificação por estresse osmótico.
  5. Exposição à radiação solar: A exposição cumulativa e sem proteção aos raios ultravioleta (UV) sem o uso de filtros adequados é um fator que contribui para o estresse oxidativo das células oculares.
  6. Fatores genéticos e congênitos: Algumas crianças apresentam essa condição presente ao nascimento ou a desenvolvem na infância devido a fatores hereditários ou infecções intrauterinas.

Tipos de catarata

A classificação da catarata é realizada com base em sua etiologia (causa) e na localização específica da opacidade dentro da estrutura do cristalino. Esta distinção é necessária para o planejamento cirúrgico e para a compreensão da progressão da doença.

Tipo de catarata
Descrição e características
Senil
Decorrente do processo natural de envelhecimento; é a forma mais comum da doença.
Congênita
Presente ao nascimento ou manifestada nos primeiros anos de vida, muitas vezes ligada à genética ou infecções gestacionais.
Traumática
Surge após um ferimento ou trauma ocular, podendo ocorrer em qualquer faixa etária.
Secundária
Desenvolve-se em decorrência de outras patologias (como diabetes) ou do uso de certos medicamentos (corticosteroides).
Nuclear
Localizada no centro (núcleo) do cristalino, frequentemente associada à miopização e amarelamento da visão.
Cortical
Inicia-se na periferia do cristalino e avança em direção ao centro em forma de raios ou fatias.
Subcapsular posterior
Forma-se na parte de trás do cristalino; afeta a leitura e a visão sob luz forte de forma mais severa.

Sintomas comuns

Os primeiros sinais clínicos da catarata variam dependendo da densidade da opacidade e da localização da lesão no cristalino. No entanto, alguns sintomas são recorrentemente relatados pelos pacientes durante a avaliação oftalmológica:

  • Visão embaçada ou nublada: Este é o sinal cardeal. O paciente sente que sua acuidade visual diminui progressivamente, não sendo possível obter clareza total mesmo com a atualização da receita de óculos.
  • Sensibilidade à luz (fotofobia) e halos: Luzes brilhantes, como o sol ou faróis de carros, podem se tornar excessivamente desconfortáveis. É comum a percepção de halos coloridos ou círculos luminosos ao redor de lâmapadas.
  • Dificuldade para ler ou dirigir à noite: A redução na passagem de luz torna tarefas que exigem precisão visual e baixo contraste muito mais desafiadoras sob condições de iluminação reduzida.
  • Mudança frequente no grau dos óculos: A alteração na densidade do cristalino pode mudar temporariamente o seu poder de refração, fazendo com que o paciente precise trocar as lentes corretivas em intervalos curtos de tempo.
  • Alteração na percepção das cores: O cristalino opaco atua como um filtro amarelado ou acastanhado, o que faz com que cores vibrantes (como o azul ou o branco) pareçam desbotadas ou tomadas por uma tonalidade sépia.
close-up de um homem idoso com olhos castanhos
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Diagnóstico e exames necessários

O diagnóstico da catarata é realizado exclusivamente por um médico oftalmologista por meio de um exame clínico completo. A detecção precoce é essencial para monitorar a evolução da doença e determinar o momento ideal para a intervenção cirúrgica.

  • Teste de acuidade visual: Utiliza-se a tabela de Snellen (letras ou símbolos de diferentes tamanhos) para quantificar o quanto o paciente consegue enxergar a diferentes distâncias.
  • Exame de lâmpada de fenda (biomicroscopia): Este é o exame primordial para o diagnóstico. O médico utiliza um microscópio com uma fenda de luz de alta intensidade para examinar as estruturas anteriores do olho em detalhes. Isso permite visualizar a localização exata e a densidade da opacidade no cristalino.
  • Mapeamento de retina: Antes de qualquer procedimento, é necessário realizar a dilatação da pupila para examinar o fundo do olho. Este exame visa descartar outras doenças que possam estar afetando a visão, como o glaucoma ou a degeneração macular, garantindo que a perda visual seja de fato decorrente da catarata.
  • Tonometria: Medição da pressão intraocular para assegurar que não existam complicações associadas.

O tratamento definitivo: cirurgia de catarata

É fundamental esclarecer que, até o presente estágio da medicina oftalmológica, não existem colírios, medicamentos via oral, exercícios oculares ou terapias alternativas que revertam ou curem a catarata. Uma vez que as proteínas do cristalino sofreram o processo de opacificação, a transparência original não pode ser restaurada por meios químicos.

O único tratamento eficaz é a intervenção cirúrgica. O procedimento consiste na remoção do cristalino opaco e na sua substituição por uma lente intraocular (LIO) artificial e transparente. A escolha da tecnologia de substituição do cristalino é personalizada para cada paciente. Atualmente, a cirurgia de catarata é um dos procedimentos médicos mais realizados e seguros em todo o mundo. A decisão sobre o momento de operar é baseada no impacto que a perda visual exerce sobre as atividades diárias do paciente, como dirigir, ler ou trabalhar.

Tipos de lentes intraoculares (LIOs)

A escolha da lente intraocular é uma etapa fundamental do planejamento cirúrgico. As LIOs são próteses permanentes projetadas para durar a vida toda e, além de tratarem a catarata, podem corrigir erros refrativos preexistentes, como a miopia, hipermetropia e o astigmatismo.

Tipo de lente
Função principal e indicações
Monofocais
Oferecem excelente nitidez para uma única distância (geralmente para longe). O paciente costuma necessitar de óculos para leitura após a cirurgia.
Multifocais
Possuem múltiplos pontos de foco, permitindo que o paciente realize atividades de perto (leitura), distância intermediária (computador) e longe com menor dependência de óculos.
Tóricas
Desenvolvidas especificamente para pacientes que possuem astigmatismo corneano, corrigindo esta irregularidade simultaneamente à remoção da catarata.
Foco estendido (EDOF)
Proporcionam uma transição suave entre o foco de longe e a visão intermediária, mantendo uma excelente qualidade de imagem com menos fenômenos visuais noturnos.

Passo a passo da cirurgia (facoemulsificação)

A técnica cirúrgica padrão-ouro utilizada atualmente é a facoemulsificação. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, geralmente realizado em regime ambulatorial, o que significa que o paciente recebe alta no mesmo dia.

  1. Anestesia: Na grande maioria dos casos, utiliza-se apenas anestesia local por meio de colírios, associada a uma leve sedação para garantir o conforto e o relaxamento do paciente durante o processo.
  2. Microincisão: O cirurgião realiza uma incisão microscópica (geralmente menor que 3 milímetros) na parte lateral da córnea.
  3. Fragmentação do cristalino: Através desta incisão, é introduzida uma ponteira de ultrassom que emite ondas para fragmentar (emulsificar) o cristalino opaco em pequenas partículas.
  4. Aspiração: Os fragmentos são suavemente aspirados do interior do olho.
  5. Implante da LIO: A lente intraocular artificial, que é flexível e dobrável, é inserida através da mesma microincisão. Uma vez dentro do olho, ela se desdobra e se posiciona permanentemente no local onde ficava o cristalino natural.
  6. Finalização: Devido ao tamanho reduzido e ao formato arquitetônico da incisão, o fechamento ocorre por meio de pressão interna natural, não havendo necessidade de pontos na maioria absoluta das vezes. O tempo médio do procedimento varia entre 15 a 30 minutos.

Pós-operatório e recuperação

O período de recuperação costuma ser rápido, mas exige disciplina do paciente para evitar complicações infecciosas ou inflamatórias.

  • Uso de colírios: É imprescindível seguir rigorosamente o cronograma de instilação de colírios antibióticos e anti-inflamatórios prescritos pelo médico para prevenir infecções e controlar a resposta inflamatória ocular.
  • Cuidados físicos: Recomenda-se evitar esforços físicos intensos, levantamento de peso e movimentos bruscos com a cabeça nos primeiros dias. Também deve-se evitar coçar os olhos ou dormir sobre o olho operado.
  • Higiene e ambiente: É importante manter as mãos limpas e evitar ambientes com muita poeira, fumaça ou vapor. O uso de protetores oculares durante o sono pode ser indicado nos primeiros dias.
  • Melhora visual: Embora muitos pacientes notem uma melhora imediata na nitidez, a estabilização completa da visão e a cicatrização final podem levar de algumas semanas a um mês.

Riscos e complicações possíveis

Como qualquer procedimento cirúrgico, a remoção da catarata não é isenta de riscos, embora a incidência de complicações graves seja estatisticamente baixa quando realizada por profissionais capacitados e em ambientes adequados.

Possíveis intercorrências incluem infecção intraocular (endoftalmite), edema de retina, sangramentos ou o deslocamento da lente intraocular. Um fenômeno relativamente comum a longo prazo é a opacidade da cápsula posterior, por vezes chamada de “catarata secundária”. Trata-se do embaçamento da membrana que sustenta a lente artificial. Esta condição não requer uma nova cirurgia, sendo tratada de forma simples e rápida em consultório através de um procedimento a laser chamado YAG Laser Capsulotomia.

Prevenção e hábitos saudáveis

Embora não seja possível impedir completamente o envelhecimento do cristalino, a adoção de certos hábitos pode contribuir para retardar o surgimento da catarata e preservar a saúde ocular geral.

  • Proteção contra raios UV: Utilizar óculos de sol com proteção comprovada contra raios UVA e UVB e chapéus em ambientes externos é uma medida essencial para reduzir o estresse oxidativo no cristalino.
  • Cessação do tabagismo: O fumo libera substâncias tóxicas na corrente sanguínea que aceleram a formação de radicais livres, prejudicando a transparência das lentes oculares.
  • Controle glicêmico: Pacientes diabéticos devem manter níveis rigorosos de glicose no sangue para evitar alterações metabólicas que levam à opacificação precoce.
  • Alimentação equilibrada: Dietas ricas em antioxidantes (como vitaminas C e E, luteína e zeaxantina) podem auxiliar na proteção celular.
  • Exames regulares: Consultas oftalmológicas anuais permitem o acompanhamento de qualquer alteração inicial, garantindo que intervenções sejam feitas no momento apropriado.

Apoio profissional e acompanhamento

A saúde ocular deve ser monitorada de forma contínua, especialmente após os 50 anos de idade ou em caso de diagnóstico de doenças crônicas. Ao identificar quaisquer alterações na qualidade da visão, como embaçamento persistente ou dificuldade com cores, é essencial buscar a avaliação de um médico oftalmologista. Somente o profissional especializado poderá realizar o diagnóstico diferencial e indicar o tratamento mais seguro para garantir a manutenção da funcionalidade visual e do bem-estar.

Referências

  1. MSD Manuals. Catarata
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS). Relatório mundial sobre a visão

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