Artigos 20 agosto 2026

Estrabismo: sintomas, tipos e tratamentos principais

Equipe Doctoralia
Equipe Doctoralia
Principais pontos deste artigo
  • O diagnóstico precoce evita a ambliopia (olho preguiçoso), impedindo a perda permanente da acuidade visual, especialmente na infância.
  • Visão dupla, dores de cabeça e inclinação do pescoço são sinais de que o desalinhamento ocular está afetando a função visual e o bem-estar.
  • Tratamentos como óculos, tampão e exercícios ortópticos corrigem desvios e estimulam a coordenação neuromuscular entre os olhos e o cérebro.
  • A cirurgia de estrabismo ajusta a tensão dos músculos oculares para restaurar a visão binocular ou melhorar o alinhamento estético.
  • Fatores genéticos, erros de refração e condições neurológicas podem causar o desvio ocular, exigindo avaliação oftalmológica completa.

A visão é um dos sentidos mais complexos do corpo humano, dependendo da coordenação precisa entre os olhos e o cérebro. O estrabismo é uma condição oftalmológica caracterizada pelo desalinhamento dos eixos visuais, o que impede que ambos os olhos foquem o mesmo objeto simultaneamente. Enquanto em um sistema visual saudável os olhos trabalham de forma sincronizada para enviar duas imagens ligeiramente diferentes que o cérebro funde em uma única imagem tridimensional, no estrabismo essa harmonia é rompida.

Estima-se que o estrabismo afete entre 2% a 4% da população geral, consolidando-se como uma das principais causas de procura por atendimento em oftalmopediatria, de acordo com dados de organizações internacionais de saúde ocular. Embora o estrabismo em crianças seja o diagnóstico mais comum, essa condição pode se manifestar em qualquer etapa da vida, impactando não apenas a função visual, mas também a percepção estética e o bem-estar psicossocial do indivíduo. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações permanentes, como a perda definitiva da acuidade visual em um dos olhos.

O que é estrabismo?

O estrabismo ocorre quando há um desequilíbrio na função dos seis músculos extraoculares que controlam o movimento de cada olho. Para que a visão binocular ocorra corretamente, esses músculos devem trabalhar em conjunto, sob o comando do sistema nervoso central. Quando um ou mais desses músculos não operam de maneira coordenada, um olho pode manter o foco no objeto de interesse enquanto o outro se desvia em uma direção diferente.

Essa condição não deve ser vista apenas como uma questão estética. O desalinhamento interfere na fusão binocular, o processo pelo qual o cérebro combina as informações recebidas de ambos os olhos. Em crianças, cujo sistema visual ainda está em desenvolvimento, o cérebro pode aprender a ignorar a imagem enviada pelo olho desviado para evitar a confusão visual ou a visão dupla. Esse fenômeno é conhecido como supressão e, se não for tratado, pode levar à ambliopia, popularmente chamada de olho preguiçoso, onde a visão do olho desviado não se desenvolve plenamente.

Principais sintomas do estrabismo

Os sinais dessa condição variam significativamente dependendo da idade de início, do tipo de desvio e da capacidade do sistema neurológico de compensar a falha no alinhamento. A percepção dos sinais pode ser óbvia, como um desvio ocular visível, ou sutil, manifestando-se apenas através de desconfortos físicos durante atividades que exigem esforço visual prolongado.

Sinais em adultos

Em adultos, o sistema visual já está consolidado, o que torna a adaptação ao desalinhamento muito mais difícil do que em crianças. Quando o estrabismo em adultos surge, os sintomas costumam ser mais severos e imediatos.

  • Diplopia (visão dupla): É o sintoma mais característico em adultos. Como o cérebro não consegue mais suprimir a imagem do olho desviado com facilidade, o indivíduo vê duas imagens de um único objeto.
  • Fadiga ocular (astenopia): O esforço constante para tentar alinhar os olhos ou fundir as imagens gera cansaço extremo, especialmente após leitura ou uso de telas.
  • Dores de cabeça: Frequentemente localizadas na região frontal, resultantes do esforço muscular e neurológico contínuo.
  • Dificuldade de percepção de profundidade: A perda da binocularidade compromete a estereopsia, tornando tarefas simples, como subir degraus ou dirigir, mais desafiadoras.
  • Inclinação da cabeça (torcicolo ocular): O paciente pode adotar posições compensatórias com a cabeça para tentar alinhar os campos visuais ou reduzir a visão dupla.

Sinais em crianças

Diferente dos adultos, as crianças raramente reclamam de visão dupla. Isso ocorre porque o cérebro infantil possui uma neuroplasticidade que permite a supressão rápida da imagem indesejada. No entanto, o desvio pode ser identificado através de observação cuidadosa.

  • Desvio ocular visível: Pode ser constante ou intermitente, manifestando-se mais claramente quando a criança está cansada, doente ou distraída.
  • Fechamento de um dos olhos: É comum que a criança feche ou aperte um dos olhos em ambientes com muita luminosidade (fotofobia) para tentar melhorar a nitidez.
  • Falta de coordenação motora: A dificuldade em perceber a profundidade pode fazer com que a criança esbarre em objetos com frequência ou tenha dificuldade em segurar brinquedos.
  • Movimentos anormais da cabeça: Assim como os adultos, crianças podem inclinar o pescoço de forma persistente para tentar alinhar a visão, o que às vezes é confundido com problemas ortopédicos.
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Tipos de estrabismo

O estrabismo é classificado de acordo com a direção para a qual o olho se desvia e a constância desse desvio. Compreender essas categorias é essencial para a definição da abordagem terapêutica mais adequada.

Tipo de Estrabismo
Direção do Desvio
Descrição
Esotropia
Para dentro
O olho desvia-se em direção ao nariz (convergente).
Exotropia
Para fora
O olho desvia-se para o lado temporal (divergente).
Hipertropia
Para cima
O olho desvia-se para o sentido superior (vertical).
Hipotropia
Para baixo
O olho desvia-se para o sentido inferior (vertical).
Intermitente
Variável
O desvio ocorre apenas em momentos de cansaço, doença ou leitura.

Além das direções citadas na tabela, a exotropia, também conhecida como estrabismo divergente, é uma das formas mais comuns de desvio para fora. O estrabismo também pode ser monocular (quando o mesmo olho sempre se desvia) ou alternante (quando o desvio se alterna entre o olho direito e o esquerdo). A forma alternante costuma ser menos propensa ao desenvolvimento de ambliopia severa.

Causas do estrabismo

A origem do desalinhamento ocular é multifatorial, envolvendo componentes genéticos, mecânicos e neurológicos. O controle dos movimentos oculares é realizado por nervos cranianos que transmitem sinais do cérebro para os músculos extraoculares. Qualquer interrupção ou anomalia nesse caminho pode resultar em estrabismo.

Fatores de risco e condições associadas

Algumas condições de saúde e fatores ambientais aumentam consideravelmente o risco de desalinhamento ocular:

  1. Erros refrativos elevados: A hipermetropia alta é uma causa comum de esotropia acomodativa.
  2. Condições neurológicas: Paralisia cerebral, síndrome de Down, hidrocefalia e tumores cerebrais podem afetar as áreas do cérebro responsáveis pelo controle ocular.
  3. Traumas: Lesões na órbita ocular ou traumas cranianos podem danificar os músculos ou os nervos cranianos.
  4. Acidente Vascular Cerebral (AVC): Em adultos, o AVC é uma causa frequente de início súbito de estrabismo.
  5. Doenças sistêmicas: A diabetes mellitus e doenças da tireoide podem causar inflamação e restrição dos músculos oculares.
  6. Prematuridade: Bebês nascidos prematuramente apresentam maior incidência de problemas no desenvolvimento visual.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico preciso do estrabismo requer uma avaliação oftalmológica completa. O Teste do Olhinho é um dos primeiros exames fundamentais, realizado ainda na maternidade para detectar precocemente alterações como cataratas congênitas.

Durante a consulta clínica, o médico oftalmologista utiliza diversos procedimentos:

  • Teste de acuidade visual: Avalia a capacidade de visão de cada olho separadamente.
  • Teste de reflexo de luz (Hirschberg): Observa-se a posição do reflexo da luz na córnea.
  • Teste de oclusão (Cover Test): O médico cobre cada olho para confirmar o desalinhamento.
  • Exame de fundo de olho: Realizado para descartar doenças da retina ou do nervo óptico.

Opções de tratamento para o estrabismo

O objetivo primordial do tratamento é preservar a visão, alinhar os olhos e restaurar a visão binocular. A estratégia terapêutica é individualizada e depende da idade do paciente e da causa do desvio.

Uso de óculos e lentes de contato

Para muitos pacientes, o uso de lentes corretivas é o único tratamento necessário. Quando a pessoa possui hipermetropia, o esforço para focalizar puxa os olhos para dentro. Ao fornecer a correção adequada, o esforço diminui, permitindo que os olhos se alinhem naturalmente.

Tampão ocular (oclusão)

A oclusão é a ferramenta padrão para o tratamento da ambliopia. O método consiste em cobrir o olho com melhor visão para forçar o cérebro a processar as imagens enviadas pelo olho “preguiçoso”, estimulando o desenvolvimento das vias nervosas visuais.

Exercícios ortópticos

A terapia visual envolve exercícios projetados para melhorar a coordenação neuromuscular e a capacidade de fusão binocular. Esses exercícios são particularmente eficazes em casos de insuficiência de convergência, onde os olhos têm dificuldade em trabalhar juntos para focar em objetos próximos.

Cirurgia de estrabismo

Quando os métodos conservadores não são suficientes, a cirurgia de estrabismo é recomendada. O procedimento visa ajustar a tensão dos músculos extraoculares, realizando uma recessão (enfraquecimento) ou uma ressecção (fortalecimento) do músculo.

A cirurgia é geralmente realizada sob anestesia geral em crianças e anestesia local com sedação em adultos. O objetivo da cirurgia pode ser funcional, para recuperar a visão binocular, ou puramente estético e reconstrutivo, para melhorar o alinhamento visual e a autoestima.

O estrabismo tem cura?

A perspectiva de sucesso no tratamento é altamente positiva. Muitas pessoas buscam saber se o estrabismo tem cura e a resposta é que, com o tratamento adequado, é possível alcançar tanto o alinhamento estético quanto a recuperação da função visual plena.

O acompanhamento com um médico oftalmologista especializado em estrabismo é fundamental para monitorar a evolução do quadro. Além do suporte médico, em alguns casos, o apoio de um psicólogo pode contribuir para que o paciente lide com os impactos emocionais que a condição possa ter gerado.

Referências

  1. Academia Americana de Oftalmologia (AAO). Estrabismo em crianças.
  2. Manual MSD Versão Saúde para a Família. Estrabismo.

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