Perguntas do paciente (5)

  • Boa noite. Há um mês atrás, presenciei um assalto na volta pra casa do serviço dentro de um colet

    Boa noite.
    Há um mês atrás, presenciei um assalto na volta pra casa do serviço dentro de um coletivo e em momento algum os meliantes mexeram comigo, mas foi o suficiente para me mudar por inteiro. Primeiro que parei de pegar coletivos, tanto pra ir pro serviço, quanto pra voltar. Não consigo me sentir segura na rua nem mesmo com meus familiares, tenho pensamentos de que a qualquer momento podem me matar, que estou sentindo seguida, hipervigilãncia, medo extremo e sinto que afetou a minha vida social também, pois só me sinto segura em casa, tenho evitado sair, a não ser pro meu serviço. Quero saber como posso tratar essa questão, pois eu só quero voltar a ser normal como antes.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Beatriz Heerdt Muniz

    Sinto muito pelo que você viveu, presenciar um assalto é uma experiência potencialmente traumática, mesmo quando não há agressão direta. O que você descreve não é fraqueza nem exagero: são reações do sistema nervoso após uma situação de ameaça real.

    Depois de eventos assim, é comum o corpo e o cérebro permanecerem em estado de alerta, como uma forma de proteção. Isso pode gerar hipervigilância, medo intenso, sensação de estar sendo seguido, evitação de lugares e mudanças importantes na rotina e na vida social, significa que seu organismo ainda está tentando se sentir seguro.

    O tratamento envolve psicoterapia, especialmente abordagens que trabalham o trauma e a regulação emocional, ajudando o sistema nervoso a sair desse estado de alarme e a retomar a sensação de segurança. Existem métodos que não exigem reviver o evento o tempo todo, mas focam em estabilização, recursos internos e processamento gradual da experiência.

    Com o acompanhamento adequado, é possível reduzir esses sintomas e recuperar sua autonomia, voltando a circular, se relacionar e viver com mais tranquilidade. Se, neste momento, ainda não for possível buscar ajuda profissional, procure estar com pessoas que transmitam segurança, pois a sensação de apoio na relação com o outro ajuda o sistema nervoso a se regular.


  • Olá, irei tentar escrever tudo que sinto, no momento provavelmente estou passando por depressão, cre

    Olá, irei tentar escrever tudo que sinto, no momento provavelmente estou passando por depressão, creio que a raiz dela é desde minha infância, tenho extrema dificuldade de interagir e conversar, manter conversas e etc, até ai ok eu vivi minha vida, resultado: solitude e bloqueio emocional, tenho apenas 1 amigo que está desde minha infância comigo, ainda tenho extrema dificuldade de interagir e conversar, isso pode parecer bobo mas já arruinou, amizades, trabalho em grupo, questões amorosas, basicamente tudo em minha vida, como posso lidar com isso? Creio que não sou tímido, mas a falta de conhecimento nesse tipo de interação me gera insegurança, consequentemente levando a timidez de qualquer forma, também gostaria de saber lidar com o fato de que amadureci demais, me sinto sem graça e estóico, rejeito pessoas e amizades para evitar frustrações, a propósito tenho toc diagnósticado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Beatriz Heerdt Muniz

    Olá. Obrigada por conseguir colocar tudo isso em palavras, isso, por si só, já mostra consciência e um desejo genuíno de cuidar de si.

    Dificuldades persistentes de interação, sensação de bloqueio emocional, isolamento, medo de frustração e um funcionamento mais “fechado” muitas vezes têm relação com experiências emocionais precoces, onde o contato, a expressão ou a segurança relacional não puderam se desenvolver de forma tranquila. Com o tempo, o organismo aprende a se proteger evitando vínculos, não por falta de interesse, mas por medo de sofrimento.

    Esse “amadurecer demais”, sentir-se estóico ou sem graça, pode ser entendido como uma adaptação emocional: uma forma de conter emoções para não se machucar. Isso não significa que você seja frio ou incapaz de se conectar, significa que seu sistema nervoso aprendeu a funcionar assim para se proteger. 

    A psicoterapia pode ajudar muito nesse processo, especialmente abordagens que olham para a história emocional, o trauma relacional e a regulação emocional. O trabalho não é “forçar” habilidades sociais, mas reconstruir segurança interna, ampliar a tolerância ao contato e permitir vínculos de forma gradual e respeitosa com o seu ritmo.
    É possível aprender novas formas de se relacionar sem deixar de ser quem você é. 


  • Boa noite! Minha filha fez uma Cirurgia Ortognatica a 15 dias e tem acordado frequentemente com pes

    Boa noite!
    Minha filha fez uma Cirurgia Ortognatica a 15 dias e tem acordado frequentemente com pesadelos de que estão forçando a mandíbula dela a ficar aberta, ela descreve tudo como se estivesse revivendo a cirurgia, será apenas uma sensação passageira ou caso para psicólogo. Como isso é possível?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Beatriz Heerdt Muniz

    Bom dia, sinto muito que sua filha esteja passando por isso, uma cirurgia, pode trazer sensação de perda de controle do corpo, pode ser vivenciada pelo organismo como uma experiência potencialmente traumática.

    Mesmo quando o procedimento é bem-sucedido do ponto de vista médico, o cérebro pode registrar a vivência como ameaça. Por isso, nas semanas seguintes, podem surgir pesadelos, imagens vívidas, sensação de estar revivendo a cirurgia ou medo intenso, como uma tentativa do sistema nervoso de processar o que aconteceu.

    À medida que o corpo recupera a sensação de segurança, essas reações tendem a diminuir. No entanto, se os pesadelos forem frequentes, causarem sofrimento ou começarem a impactar o sono, o humor ou mesmo a recuperação, a ajuda de um psicólogo, especialmente com olhar para trauma e regulação emocional, pode ser muito importante, pois pode ajudar o sistema nervoso a sair desse estado de alarme e a integrar essa experiência de forma mais segura, sem que ela precise reviver a cirurgia repetidamente.


  • Qual é a melhor maneira de vencer um trauma de um acontecimento que traz medo ?

    Qual é a melhor maneira de vencer um trauma de um acontecimento que traz medo ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Beatriz Heerdt Muniz

    Após um acontecimento que gera medo intenso, é comum o corpo permanecer em estado de alerta, com lembranças invasivas, evitação e ansiedade. O caminho de cuidado envolve segurança, tempo e apoio adequado. A psicoterapia, especialmente com abordagens que trabalham o trauma e a regulação emocional, ajuda a processar a experiência de forma gradual, sem forçar a pessoa a reviver o evento de maneira desorganizadora.
    Além disso, recursos simples podem auxiliar: manter uma rotina minimamente previsível, buscar contato com pessoas que transmitam segurança, cuidar do sono e do corpo e respeitar os próprios limites. Evitar julgamentos como “já devia ter superado” também é fundamental, pois o trauma não é uma escolha.


  • É possível uma pessoa se tornar introvertida depois de algum trauma ?

    É possível uma pessoa se tornar introvertida depois de algum trauma ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Beatriz Heerdt Muniz

    Olá, sim, isso é possível. Após uma experiência traumática, muitas pessoas passam a se comportar de forma mais retraída, evitando interações sociais que antes eram naturais.
    Do ponto de vista psicológico, o trauma pode levar o sistema nervoso a entrar em um estado de proteção, no qual o contato com outras pessoas passa a ser percebido como potencialmente ameaçador. Como consequência, surgem comportamentos como isolamento, redução da comunicação, dificuldade de se expressar e necessidade maior de ficar sozinho para se sentir seguro.
    É importante diferenciar traços de personalidade de estratégias de sobrevivência. A introversão faz parte da personalidade, mas após um trauma o que muitas vezes acontece é um recolhimento emocional aprendido, não uma mudança real de quem a pessoa é. Esse retraimento não é uma falha, e sim uma tentativa do organismo de evitar novas dores.
    Com acompanhamento psicológico, especialmente em abordagens que trabalham o trauma e a regulação emocional, é possível compreender essas mudanças, recuperar a sensação de segurança nas relações e, aos poucos, retomar formas de contato mais próximas, respeitando o tempo e os limites de cada pessoa.


Perguntas frequentes

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