Perguntas do paciente (2484)

  • “Como a identificação projetiva se manifesta na dinâmica interpessoal de pacientes com Transtorno de

    “Como a identificação projetiva se manifesta na dinâmica interpessoal de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e de que forma esse mecanismo influencia a relação terapêutica e a contratransferência na prática psiquiátrica?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Na prática psiquiátrica, a identificação projetiva pode aparecer na relação terapêutica por meio de intensas expectativas, mudanças na percepção do profissional e sentimentos despertados no terapeuta, como excesso de responsabilidade, irritação, impotência ou necessidade de resgate. Esses fenômenos não devem ser interpretados automaticamente como manipulação ou como características exclusivas do TPB. A leitura psicodinâmica busca compreender o significado relacional dessas experiências. O manejo envolve supervisão quando pertinente, autorreflexão clínica, manutenção de limites claros, comunicação consistente e validação emocional sem reforçar comportamentos disfuncionais. Dessa maneira, transferência e contratransferência tornam-se instrumentos para compreender o funcionamento psíquico, preservando uma relação terapêutica segura.
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  • "Como o psiquiatra identifica e maneja o manejo da contraatitude (contratransferência) disparada pel

    "Como o psiquiatra identifica e maneja o manejo da contraatitude (contratransferência) disparada pela identificação projetiva de um paciente Borderline (TPB) durante a consulta?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Na prática psiquiátrica/psicoterápica, a contratransferência e a identificação projetiva são fenômenos centrais no manejo de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), porque a relação terapêutica tende a ser intensamente carregada afetivamente.

    1. Como o psiquiatra identifica a contratransferência

    O clínico não “vê” a contratransferência diretamente; ele a reconhece pelos próprios estados internos e padrões relacionais emergentes na sessão, por exemplo:

    Mudança súbita de humor do terapeuta durante a consulta (irritação, impaciência, urgência em “resolver logo”)
    Sensação de estar sendo “manipulado”, culpado ou testado
    Oscilação entre idealização (“esse paciente é muito interessante/sofrido”) e desvalorização (“não melhora nunca”)
    Desejo de resgatar, salvar ou, ao contrário, distanciar-se
    Reações emocionais desproporcionais ao conteúdo objetivo do relato

    Essas respostas internas são pistas de que o paciente pode estar mobilizando identificação projetiva.

    2. O que acontece na identificação projetiva no TPB

    No TPB, é comum o paciente:

    externalizar afetos intoleráveis (raiva, abandono, desamparo)
    “induzir” o outro a sentir esses estados
    organizar a relação em polos: salvador vs. agressor, acolhimento vs. rejeição

    Isso não é consciente; é um mecanismo de regulação emocional interpessoal.

    3. Como o psiquiatra maneja isso clinicamente
    a) Reconhecimento e mentalização do próprio estado

    O primeiro passo é o profissional nomear internamente o que está sentindo, sem agir impulsivamente.
    Ex.: “Estou me sentindo pressionado e irritado de forma desproporcional ao conteúdo.”

    b) Supervisão e autoanálise
    discussão de casos em supervisão
    reflexão sobre padrões repetitivos
    diferenciação entre reação pessoal e induzida pelo paciente
    c) Regulação da resposta emocional (não atuar a contratransferência)
    evitar respostas reativas (rigidez excessiva ou permissividade extrema)
    manter enquadre estável (horários, limites claros, consistência)
    d) Uso terapêutico da contratransferência

    Em abordagens psicodinâmicas e baseadas em mentalização:

    a emoção do terapeuta é usada como dado clínico
    ajuda a entender o estado emocional do paciente “por dentro”

    Exemplo: o terapeuta percebe confusão e isso pode refletir desorganização afetiva do paciente.

    e) Intervenções baseadas em mentalização (MBT) ou DBT
    nomear estados mentais do paciente
    validar emoção sem validar comportamento impulsivo
    reduzir polarização relacional
    4. Objetivo clínico

    O manejo adequado busca:

    manter estabilidade do enquadre
    não entrar no ciclo de “acting out” relacional
    ajudar o paciente a desenvolver integração emocional e mentalização


  • “Quais são as diferenças entre mecanismos de defesa primitivos e maduros no funcionamento psíquico d

    “Quais são as diferenças entre mecanismos de defesa primitivos e maduros no funcionamento psíquico de pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Mecanismos de defesa são processos psíquicos que reduzem ou modulam conflitos internos e emoções difíceis. No funcionamento borderline, podem predominar defesas de nível mais primitivo, como cisão, identificação projetiva, idealização, desvalorização, negação e acting out. Já mecanismos mais maduros incluem sublimação, humor, antecipação, supressão e capacidade de reconhecer conflitos sem necessidade de distorcer significativamente a realidade. A presença de defesas primitivas não significa ausência completa de recursos maduros: o funcionamento defensivo pode variar conforme o contexto e o grau de estresse. Na avaliação psiquiátrica, essa análise auxilia na compreensão da regulação emocional, dos relacionamentos e da capacidade de adaptação.
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  • "No transtorno de personalidade borderline (TPB), é possível observar uma evolução no funcionamento

    "No transtorno de personalidade borderline (TPB), é possível observar uma evolução no funcionamento defensivo, com progressão de mecanismos de defesa mais primitivos para mais maduros ao longo do tempo ou com tratamento?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Sim — é possível observar evolução dos mecanismos de defesa no transtorno de personalidade borderline (TPB), tanto ao longo do desenvolvimento natural quanto, mais consistentemente, com tratamento estruturado.

    1. Ponto de partida no TPB

    No TPB, predominam inicialmente defesas mais primitivas, como:

    cisão (idealização × desvalorização)
    projeção e identificação projetiva
    negação
    acting out

    Essas defesas estão ligadas a uma identidade pouco integrada e grande instabilidade afetiva.

    2. A defesa pode mudar ao longo do tempo?

    Sim. Estudos clínicos e modelos psicodinâmicos (especialmente Kernberg e abordagens contemporâneas como MBT e DBT) mostram que:

    há plasticidade do funcionamento defensivo
    com maturação e tratamento, ocorre redução da predominância de defesas primitivas
    há aumento do uso de defesas neuróticas e maduras

    Isso não significa eliminação das defesas primitivas, mas sim diminuição da frequência e intensidade sob estresse.

    3. O que o tratamento promove
    Psicoterapia (especialmente MBT, DBT, TFP):
    melhora da mentalização
    maior capacidade de refletir antes de agir
    integração de representações “boas e más” do self e do outro
    redução da cisão como mecanismo dominante
    Resultado clínico:
    menos impulsividade
    relações mais estáveis
    maior tolerância ao afeto negativo
    maior uso de estratégias como supressão, humor e sublimação
    4. Evidência longitudinal

    Estudos de seguimento mostram que:

    muitos pacientes com TPB apresentam redução significativa de sintomas ao longo de anos
    a organização da personalidade pode migrar de borderline “mais instável” para funcionamento mais próximo do nível neurótico
    defesas maduras tornam-se mais acessíveis, especialmente em contextos não estressores
    5. Limitação importante
    sob estresse intenso, o paciente pode regredir temporariamente a defesas primitivas
    essa regressão não significa “falha do tratamento”, mas vulnerabilidade estrutural residual
    Conclusão

    Sim, há progressão possível de defesas primitivas para mais maduras no TPB
    Isso ocorre principalmente com psicoterapia estruturada e estabilidade emocional ao longo do tempo
    A mudança é gradual, não linear e dependente do contexto emocional


  • “Quais são as diferenças entre mecanismos de defesa maduros e primitivos na psiquiatria, considerand

    “Quais são as diferenças entre mecanismos de defesa maduros e primitivos na psiquiatria, considerando sua associação com níveis de organização da personalidade e gravidade psicopatológica?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Na psiquiatria psicodinâmica, os mecanismos de defesa são estratégias inconscientes do ego para lidar com conflitos internos e afetos intoleráveis. Eles são organizados em um espectro que vai de defesas primitivas (menos maduras) a defesas maduras, e isso se relaciona diretamente com o nível de organização da personalidade e a gravidade psicopatológica.

    1. Mecanismos de defesa primitivos

    São típicos de níveis mais baixos de integração do ego, frequentemente associados à organização borderline ou psicótica da personalidade.

    Características centrais:
    Operam com distorção intensa da realidade
    Tendem a ser globais e pouco flexíveis
    Reduzem ansiedade por meio de cisão ou negação da realidade psíquica
    Exemplos:
    Cisão (splitting): pessoas ou objetos são vistos como totalmente bons ou maus
    Idealização e desvalorização extremas
    Projeção: atribuir ao outro sentimentos próprios intoleráveis
    Identificação projetiva
    Negação primitiva da realidade
    Onipotência e controle onipotente
    Associação clínica:
    Transtorno de personalidade borderline
    Estados psicóticos
    Quadros de desorganização grave do self
    2. Mecanismos de defesa maduros

    São mais sofisticados e preservam melhor o contato com a realidade. Associam-se a organização neurótica ou personalidade bem integrada.

    Características centrais:
    Mantêm teste de realidade preservado
    São flexíveis e adaptativos
    Permitem elaboração emocional sem distorcer significativamente o externo
    Exemplos:
    Sublimação: canalizar impulsos em atividades socialmente aceitas
    Supressão: decisão consciente de adiar pensamentos dolorosos
    Humor: transformação simbólica do afeto
    Antecipação: preparação para estressores futuros
    Altruísmo
    Repressão (mais neurótica, ainda relativamente adaptativa)
    Associação clínica:
    Personalidade neurótica ou saudável
    Melhor funcionamento social e ocupacional
    Menor desorganização emocional
    3. Relação com organização da personalidade (Kernberg)
    Organização psicótica
    Defesas: primitivas + perda de teste de realidade
    Identidade fragmentada
    Organização borderline
    Defesas: primitivas predominantes (cisão, projeção)
    Teste de realidade geralmente preservado, mas instável sob estresse
    Relações instáveis e polarizadas
    Organização neurótica
    Defesas: maduras e neuróticas
    Identidade integrada
    Boa diferenciação entre self e objeto
    4. Importância clínica
    Defesas primitivas → maior gravidade, instabilidade emocional, impulsividade
    Defesas maduras → maior resiliência psicológica e capacidade de adaptação
    O tratamento psicoterápico visa frequentemente evoluir defesas primitivas para mais maduras, sem eliminá-las completamente, mas integrando-as


  • “De que forma a psiquiatria distingue o uso de mecanismos de defesa maduros e primitivos na avaliaçã

    “De que forma a psiquiatria distingue o uso de mecanismos de defesa maduros e primitivos na avaliação do funcionamento do ego e do nível de organização da personalidade?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A avaliação psicodinâmica do funcionamento do ego considera a qualidade das defesas utilizadas diante de conflitos e situações de estresse. Defesas maduras, como sublimação, humor e supressão, tendem a permitir melhor adaptação sem distorção significativa da realidade. Defesas primitivas, como cisão, projeção, identificação projetiva e idealização/desvalorização, podem estar associadas a maior instabilidade da identidade e dos vínculos. Na organização borderline, essas defesas podem ser predominantes, embora o indivíduo também possa utilizar recursos mais maduros. Portanto, não se deve classificar uma pessoa exclusivamente por uma defesa isolada; a avaliação psiquiátrica deve considerar o padrão global de funcionamento, o teste de realidade, a identidade e o contexto clínico.
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  • “Como os mecanismos de defesa maduros e primitivos se diferenciam na sua relação com a organização p

    “Como os mecanismos de defesa maduros e primitivos se diferenciam na sua relação com a organização psíquica e com a manifestação de quadros psicopatológicos?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Os mecanismos de defesa diferenciam-se principalmente pela maneira como regulam conflitos, afetos e relações com a realidade. Defesas mais maduras permitem maior flexibilidade psicológica e adaptação, enquanto defesas primitivas tendem a envolver maior distorção da experiência interna ou interpessoal. Na psicopatologia, o predomínio de determinadas defesas pode ajudar a compreender a forma como o indivíduo enfrenta ansiedade, perdas, conflitos e relações. Entretanto, uma defesa isolada não estabelece diagnóstico. A avaliação psiquiátrica deve integrar funcionamento da personalidade, sintomas, curso clínico, teste de realidade e contexto psicossocial. Essa abordagem evita reduzir quadros complexos, como o TPB, a um único mecanismo psicológico.
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  • “Quais são as diferenças entre mecanismos de defesa maduros e primitivos do ponto de vista psiquiátr

    “Quais são as diferenças entre mecanismos de defesa maduros e primitivos do ponto de vista psiquiátrico, considerando seu impacto no funcionamento mental e na adaptação do indivíduo?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Do ponto de vista psiquiátrico e psicodinâmico, mecanismos de defesa maduros e primitivos diferem sobretudo pelo grau de flexibilidade e distorção envolvido no processamento dos conflitos. Defesas maduras, como humor, sublimação, antecipação e supressão, geralmente permitem lidar com emoções difíceis preservando melhor a adaptação e o contato com a realidade. Defesas primitivas, como cisão, projeção, identificação projetiva e idealização/desvalorização, podem reduzir temporariamente a ansiedade, mas tendem a produzir maior instabilidade emocional e interpessoal. No TPB, essas defesas podem ser mais frequentes, especialmente sob estresse. Sua identificação auxilia o psiquiatra a compreender o funcionamento mental e a estabelecer estratégias terapêuticas mais individualizadas.


  • Qual o papel da idealização e desvalorização nas relações interpessoais do Transtorno de Personalida

    Qual o papel da idealização e desvalorização nas relações interpessoais do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), idealização e desvalorização podem representar oscilações na percepção de si e do outro diante de dificuldades na integração de aspectos positivos e negativos dos relacionamentos. Uma pessoa pode ser percebida inicialmente como extremamente boa, segura e disponível e, diante de frustração, rejeição percebida ou medo de abandono, passar a ser vista como indiferente ou hostil. Esse fenômeno, frequentemente relacionado ao pensamento dicotômico, não significa necessariamente manipulação consciente. A psicoterapia, especialmente abordagens estruturadas como a terapia comportamental dialética, busca ampliar a regulação emocional e favorecer percepções mais integradas e estáveis.


  • Comecei um tratamento com sertralina e tive pico de pressão várias vezes ao dia depois de tomar o re

    Comecei um tratamento com sertralina e tive pico de pressão várias vezes ao dia depois de tomar o remédio as vezes de 18/9, só consegui remarcar a consulta com a psiquiatra daqui a uma semana e meia. O que fazer nesse caso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Elevações importantes da pressão após iniciar sertralina precisam ser avaliadas, principalmente se os valores chegam a 18/9. Embora a sertralina geralmente não provoque hipertensão significativa, algumas pessoas podem apresentar ativação, ansiedade, agitação ou alterações cardiovasculares no início do tratamento. Como você relata episódios repetidos, não é recomendável simplesmente aguardar uma semana e meia sem orientação. Entre em contato com sua psiquiatra ou procure atendimento médico para verificar a pressão corretamente e avaliar outras causas. Se ocorrer pressão muito elevada associada a dor no peito, falta de ar, alteração neurológica, confusão ou dor de cabeça intensa, procure atendimento de urgência.


  • "Quais são as associações entre padrões de apego infantil e o desenvolvimento de traços borderline e

    "Quais são as associações entre padrões de apego infantil e o desenvolvimento de traços borderline em pacientes adultos?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Padrões de apego inseguros na infância, especialmente aqueles caracterizados por instabilidade, inconsistência ou dificuldade de disponibilidade emocional dos cuidadores, estão associados em estudos a maior vulnerabilidade para dificuldades de regulação emocional e relacionamentos na vida adulta. Entretanto, não existe uma relação determinística entre determinado estilo de apego e o desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). O transtorno resulta da interação complexa entre fatores temperamentais, genéticos, ambientais e experiências relacionais. Na prática psiquiátrica, a história de apego auxilia na compreensão do funcionamento interpessoal, mas não substitui a avaliação diagnóstica completa.


  • "Qual é a relação entre estilos de apego na infância e a manifestação do transtorno de personalidade

    "Qual é a relação entre estilos de apego na infância e a manifestação do transtorno de personalidade borderline (TPB) na prática psiquiátrica?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Na prática psiquiátrica, padrões de apego inseguro podem ajudar a compreender características frequentemente observadas no TPB, como medo intenso de abandono, necessidade de proximidade, dificuldade de confiar, sensibilidade à rejeição e instabilidade nos relacionamentos. Entretanto, o estilo de apego não constitui diagnóstico de TPB e não explica sozinho sua origem. A avaliação considera o funcionamento global da personalidade, padrões persistentes de relacionamento, identidade, impulsividade, regulação emocional e histórico de sofrimento. Essa compreensão pode contribuir para estabelecer uma relação terapêutica mais consistente e individualizada.


  • "Como a psiquiatria compreende a influência de respostas emocionais impulsivas nos processos decisór

    "Como a psiquiatria compreende a influência de respostas emocionais impulsivas nos processos decisórios em transtorno de personalidade borderline (TPB) ?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    No Transtorno de Personalidade Borderline, emoções intensas podem influenciar significativamente processos decisórios, sobretudo durante períodos de estresse interpessoal. A ativação emocional pode reduzir a capacidade de considerar consequências futuras e favorecer respostas imediatas destinadas a diminuir sofrimento, medo, raiva ou sensação de abandono. Isso pode contribuir para impulsividade, conflitos interpessoais ou comportamentos de risco. Entretanto, não significa ausência permanente de capacidade de julgamento. Intervenções psicoterápicas voltadas à regulação emocional, tolerância ao sofrimento e habilidades de tomada de decisão podem melhorar progressivamente esse funcionamento.


  • "Qual a relação entre processamento interoceptivo e respostas emocionais desadaptativas em indivíduo

    "Qual a relação entre processamento interoceptivo e respostas emocionais desadaptativas em indivíduos com transtorno de personalidade borderline TPB)?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A interocepção corresponde à capacidade de perceber e interpretar sinais internos do organismo, como frequência cardíaca, tensão muscular, respiração e sensações viscerais. No TPB, alterações na percepção ou interpretação desses sinais podem contribuir para que mudanças fisiológicas sejam vivenciadas como emoções extremamente intensas ou ameaçadoras. Essa interação entre sinais corporais, emoções e interpretação cognitiva pode favorecer respostas desadaptativas, especialmente durante situações de estresse. A avaliação clínica considera como o paciente identifica essas sensações, quais significados atribui a elas e quais comportamentos surgem posteriormente.


  • "Como déficits de interocepção se associam à desregulação emocional no transtorno de personalidade b

    "Como déficits de interocepção se associam à desregulação emocional no transtorno de personalidade borderline (TPB) na prática psiquiátrica?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Alterações interoceptivas podem estar associadas à dificuldade de reconhecer, diferenciar e regular estados emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline. O indivíduo pode perceber intensamente determinadas sensações corporais, mas ter dificuldade para identificar sua origem ou distingui-las de outras emoções. Isso pode amplificar respostas de ansiedade, raiva ou medo e favorecer comportamentos impulsivos. Na prática psiquiátrica, essa dimensão pode ser explorada durante a anamnese, investigando gatilhos, sensações físicas, emoções, pensamentos e comportamentos subsequentes. Essa compreensão auxilia na formulação terapêutica, especialmente em intervenções voltadas à regulação emocional.


  • "Como a hipervigilância interpessoal se apresenta e pode ser avaliada em pacientes com transtorno de

    "Como a hipervigilância interpessoal se apresenta e pode ser avaliada em pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB) na prática psiquiátrica?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A hipervigilância interpessoal no Transtorno de Personalidade Borderline pode aparecer como atenção excessiva a mudanças sutis no comportamento, tom de voz, expressões faciais ou disponibilidade afetiva das outras pessoas. Pequenas alterações podem ser interpretadas como sinais de rejeição, abandono, crítica ou desinteresse, especialmente em situações de elevada ativação emocional. Na avaliação psiquiátrica, é importante investigar os gatilhos, as interpretações atribuídas aos acontecimentos e os comportamentos subsequentes, diferenciando percepção legítima de ameaça de interpretações influenciadas por estados emocionais. Esse padrão pode ser trabalhado por meio de psicoterapia estruturada.


  • Como os estados de crise no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreendidos sob

    Como os estados de crise no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreendidos sob a ótica das defesas primitivas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Na perspectiva psicodinâmica, estados de crise no TPB podem ser compreendidos como momentos de intensa desorganização afetiva nos quais mecanismos defensivos mais primitivos se tornam predominantes. Clivagem, idealização, desvalorização e identificação projetiva são conceitos frequentemente utilizados para compreender essas oscilações. Durante uma crise, a capacidade de integrar aspectos contraditórios de si e dos outros pode ficar temporariamente reduzida. Essa formulação não significa que o paciente escolha conscientemente esses mecanismos. Na prática, reconhecer esse funcionamento ajuda o psiquiatra a compreender conflitos, fortalecer a aliança terapêutica e evitar respostas que aumentem a instabilidade relacional.


  • "Como a psiquiatria contemporânea define e observa a difusão de identidade no contexto do Transtorno

    "Como a psiquiatria contemporânea define e observa a difusão de identidade no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Na psiquiatria psicodinâmica, a difusão de identidade descreve uma dificuldade persistente em manter uma representação integrada, estável e coerente de si mesmo e dos outros. No TPB, isso pode se manifestar por mudanças marcantes na percepção de valores, objetivos, características pessoais, vínculos e projetos de vida. O indivíduo pode experimentar diferentes estados do self como aparentemente incompatíveis entre si. A avaliação clínica busca identificar a estabilidade da identidade, a continuidade temporal dessas representações e sua relação com os vínculos interpessoais. É um conceito psicodinâmico útil, mas não deve ser utilizado isoladamente para estabelecer o diagnóstico.


  • "Como o fenômeno de difusão de identidade se manifesta e é conceitualizado em pacientes com transtor

    "Como o fenômeno de difusão de identidade se manifesta e é conceitualizado em pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB) na prática clínica psiquiátrica?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Clinicamente, a difusão de identidade pode ser percebida quando o paciente apresenta dificuldade significativa para responder de maneira consistente quem é, quais são seus valores, objetivos ou características pessoais, especialmente diante de mudanças relacionais. Também pode haver oscilações entre autoimagem extremamente positiva e negativa. No TPB, essas alterações podem acompanhar instabilidade emocional e interpessoal. A investigação psiquiátrica deve avaliar se essas características são persistentes e abrangentes, diferenciando-as de mudanças normais do desenvolvimento ou de alterações de identidade associadas a outros transtornos.


  • Como se caracterizam os estados emocionais associados às defesas primitivas em pacientes com transto

    Como se caracterizam os estados emocionais associados às defesas primitivas em pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB) em contexto psiquiátrico?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    As defesas primitivas podem estar associadas a estados emocionais de elevada intensidade, nos quais predominam medo de abandono, raiva, vergonha, vazio ou sensação de ameaça ao vínculo. Na formulação psicodinâmica do TPB, mecanismos como clivagem podem dificultar a integração simultânea de características positivas e negativas do self e dos outros. Assim, a experiência emocional pode oscilar rapidamente entre sentimentos aparentemente opostos. A compreensão desses estados auxilia o psiquiatra a reconhecer padrões relacionais e emocionais recorrentes, favorecendo intervenções que aumentem a capacidade de mentalização e regulação dos afetos.


Perguntas frequentes

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