Perguntas do paciente (2490)

  • Estou tomando sertralina a 2 meses de 50. Ela me tirou do fundo do poço, posso dizer que melhorei 85

    Estou tomando sertralina a 2 meses de 50. Ela me tirou do fundo do poço, posso dizer que melhorei 85%. Voltei a fazer tudo que eu fazia antes, inclusive a líbido também voltou. Voltei a me maquiar, sentir, motivação, vontade de fazer coisas novas, fazer planejamentos, saio pros lugares, durmo bem, como etc...porém ainda sobrou 2 sintomas que por mais que sejam leves me incomodam. Que é a oscilação de humor e a sensação que vai me dar Pânico, mas não evolui. As vezes eu fico 2 semanas seguidas ótimas. E do nada meu humor oscila, fico desanimada, triste, coisas pessoais, problemas da vida me fazem ter crises de choro. As crises de choro diminuíram de intensidade também. Mas ainda me incomodam, mesmo não sendo recorrente. Lembrando que eu sofri por apenas 3 meses de ansiedade e Pânico e logo fui procurar ajuda médica. Ainda estou na janela de adaptação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Uma melhora de aproximadamente 85% após dois meses de sertralina é uma resposta bastante significativa e sugere que o tratamento está produzindo benefício. A permanência de sintomas leves, como oscilações de humor e sensação de que uma crise de pânico poderia começar, não significa necessariamente que o tratamento tenha falhado. Alguns sintomas residuais podem levar mais tempo para desaparecer e também podem ser influenciados por situações de estresse e acontecimentos da vida. É importante, porém, acompanhar a evolução e discutir com o psiquiatra se existe indicação de manter a dose, ajustá-la ou associar psicoterapia. Terapia cognitivo-comportamental e técnicas de exposição podem ser especialmente úteis para o medo das crises de pânico. Não altere a dose por conta própria.


  • Ola bom dia . Faço o Uso de Omesartana 20mg , escitalopram 10mg , e 25 gotas do clonazepam a.noite.

    Ola bom dia . Faço o Uso de Omesartana 20mg , escitalopram 10mg , e 25 gotas do clonazepam a.noite. Porém meu sono esta muito superficial e acordando várias vezes a noite . Fui no médico e ele pediu pra tomar trazodona 50mg. Essa combinação é segura ? Tenho 42 anos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A combinação de escitalopram, clonazepam e trazodona pode ser utilizada em determinadas situações clínicas, mas exige acompanhamento médico porque os três medicamentos atuam no sistema nervoso central. A trazodona pode aumentar a sonolência e, associada ao clonazepam, potencializar sedação, tontura e redução dos reflexos. O escitalopram também possui interações que devem ser consideradas, embora essa associação possa ser prescrita quando o médico avalia que os benefícios superam os riscos. É importante evitar álcool e não dirigir ou operar máquinas até saber como a combinação afeta seu estado de alerta. Como você já apresenta sono superficial apesar do clonazepam, vale acompanhar cuidadosamente a resposta à trazodona. Sonolência excessiva, desmaio, confusão ou dificuldade respiratória exigem avaliação médica imediata.


  • Olanzapina pode causar problemas no coração mesmo se tiver uma alimentação saudável e exercícios reg

    Olanzapina pode causar problemas no coração mesmo se tiver uma alimentação saudável e exercícios regulares?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Sim, a olanzapina pode estar associada a alguns efeitos cardiovasculares e metabólicos mesmo em pessoas que mantêm alimentação saudável e praticam exercícios regularmente. Embora hábitos de vida saudáveis reduzam significativamente os riscos, eles não eliminam completamente os possíveis efeitos da medicação. A olanzapina pode favorecer ganho de peso, alterações da glicemia, resistência à insulina, aumento do colesterol e dos triglicerídeos, fatores que, a longo prazo, podem aumentar o risco cardiovascular em alguns pacientes.

    Além disso, embora seja menos comum, a medicação pode causar alterações da pressão arterial, palpitações e mudanças no eletrocardiograma em situações específicas. Por esse motivo, recomenda-se acompanhamento médico periódico com avaliação clínica e exames laboratoriais. A olanzapina é utilizada no tratamento de transtornos de humor, transtorno bipolar, esquizofrenia, ansiedade, depressão resistente e outros quadros psiquiátricos. O acompanhamento regular permite equilibrar os benefícios do tratamento com a prevenção de possíveis efeitos adversos.


  • Pessoas com transtornos psicóticos podem tomar muito café?

    Pessoas com transtornos psicóticos
    podem tomar muito café?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Pessoas com transtornos psicóticos não necessariamente precisam eliminar completamente o café, mas o consumo excessivo de cafeína pode ser problemático. A cafeína pode aumentar ansiedade, agitação, tremor, insônia e ativação fisiológica, sintomas que podem dificultar a estabilidade psiquiátrica e, em algumas pessoas, piorar a percepção de determinados sintomas. Além disso, café pode interferir no sono, e a privação de sono é um importante fator de descompensação em diversos transtornos psiquiátricos. A quantidade tolerada é individual. Se houver aumento de ansiedade, insônia, irritabilidade ou sintomas psicóticos após o consumo, é prudente reduzir a cafeína gradualmente e discutir o padrão de consumo com o psiquiatra.


  • Posso tomar Vitamina C tomando Venlafaxina 37,5mg?

    Posso tomar Vitamina C tomando Venlafaxina 37,5mg?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Em geral, não existe uma interação clinicamente relevante conhecida entre vitamina C em doses usuais e venlafaxina. Portanto, uma pessoa que utiliza venlafaxina 37,5 mg normalmente pode consumir vitamina C por meio da alimentação ou suplementação convencional, desde que não existam outras contraindicações. O cuidado maior está relacionado ao uso de doses muito elevadas de suplementos, que podem causar efeitos gastrointestinais e, em determinadas pessoas, aumentar o risco de cálculos renais. Também é importante informar ao médico todos os suplementos utilizados, especialmente quando existem outros medicamentos associados. Não há evidência de que a vitamina C reduza o efeito antidepressivo da venlafaxina nas doses habituais.


  • O que uma pessoa pode fazer quando apresenta sofrimento emocional intenso e acredita precisar de ava

    O que uma pessoa pode fazer quando apresenta sofrimento emocional intenso e acredita precisar de avaliação psiquiátrica, mas não tem apoio da família para buscar atendimento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A falta de apoio da família não significa que uma pessoa precise permanecer sem assistência. Um adulto pode buscar avaliação psiquiátrica diretamente, inclusive por serviços públicos de saúde, unidades básicas de saúde e, conforme a situação, CAPS ou serviços de urgência. Se houver sofrimento emocional intenso acompanhado de pensamentos de morte, automutilação, perda importante de controle, confusão ou risco de machucar a si mesmo ou outra pessoa, a prioridade é procurar atendimento de urgência e não permanecer sozinho. Também é possível buscar apoio de alguém de confiança, mesmo que não seja familiar. Ansiedade, depressão, insônia, crise de ansiedade, ataques de pânico e outros transtornos podem ser tratados, e pedir ajuda precocemente é uma atitude de cuidado, não de fraqueza.


  • A combinação de Trazodona 50mg e Aripiprazol 10mg atrapalham no desempenho nas atividades físicas?

    A combinação de Trazodona 50mg e Aripiprazol 10mg atrapalham no desempenho nas atividades físicas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Trazodona 50 mg e aripiprazol 10 mg podem interferir no desempenho físico em algumas pessoas, mas isso varia bastante. A trazodona pode causar sonolência, tontura e redução da disposição, principalmente no início ou após aumento de dose. O aripiprazol costuma ser menos sedativo que vários outros antipsicóticos, mas pode causar fadiga, inquietação ou alterações metabólicas em alguns pacientes. Se você percebe queda significativa de rendimento, é importante avaliar horário das medicações, qualidade do sono, hidratação, alimentação e adaptação ao exercício. Não suspenda os medicamentos para conseguir treinar melhor. O psiquiatra pode avaliar se os horários ou doses podem ser ajustados sem comprometer o controle da depressão, ansiedade ou outros sintomas.


  • Tomo respiridona anoite e ritalina de manhã tenho tdh depressão e autismo tenho agressividade a resp

    Tomo respiridona anoite e ritalina de manhã tenho tdh depressão e autismo tenho agressividade a respiridona e ritalina são eficiente nesses casos ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Risperidona e metilfenidato podem ser utilizados na mesma pessoa, mas tratam alvos diferentes. O metilfenidato é um estimulante utilizado principalmente para sintomas de TDAH, como desatenção, impulsividade e hiperatividade. A risperidona pode ser utilizada em situações específicas para irritabilidade, agressividade e alterações comportamentais associadas ao transtorno do espectro autista, entre outras indicações. A combinação pode ser apropriada quando existe indicação individualizada, mas requer acompanhamento de pressão arterial, frequência cardíaca, peso, metabolismo, sono e possíveis efeitos neurológicos. A resposta depende do diagnóstico e dos sintomas predominantes; portanto, a presença de TDAH e autismo não significa automaticamente que esses medicamentos sejam necessários ou que funcionarão da mesma maneira para todos.


  • Tenho depressão, Insônia e gostaria de saber se é seguro usar amitriptilina 12,5 mg de noite pra dor

    Tenho depressão, Insônia e gostaria de saber se é seguro usar amitriptilina 12,5 mg de noite pra dormir no outro dia tenho ressaca fico sonolento mas médico receitou agora desvenlafaxina 50 mg essa vou começar tomar de dia. Essa combinação é comum? Quais efeitos colaterais devo observar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A combinação de amitriptilina e desvenlafaxina pode ser utilizada em situações específicas, mas exige acompanhamento médico porque ambas possuem atividade sobre neurotransmissores relacionados à serotonina e noradrenalina. A amitriptilina em baixa dose pode ser utilizada para sono ou dor em determinados pacientes, porém sonolência e sensação de “ressaca” no dia seguinte são efeitos relativamente comuns. Ao iniciar desvenlafaxina, podem ocorrer náusea, ansiedade, insônia, cefaleia, sudorese ou alterações da pressão arterial, especialmente no começo. Como existe possibilidade de interação farmacodinâmica, o médico deve acompanhar tolerabilidade e resposta. Não ajuste ou suspenda nenhum dos dois medicamentos sem orientação, principalmente se houver piora importante do humor ou sintomas incomuns.


  • Os medicamentos Vortioxetina 20mg, Bup 300mg e Quetiapina 100mg são prejudiciais na gestação? Tenho

    Os medicamentos Vortioxetina 20mg, Bup 300mg e Quetiapina 100mg são prejudiciais na gestação? Tenho depressão severa, ansiedade generalizada e insônia grave e gostaria de saber se devo me preocupar com algum desses medicamentos, pois infelizmente estou sem dinheiro esse mês e só vou na minha psiquiatra mês que vem.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Na gestação, a decisão de manter ou modificar psicofármacos deve considerar cuidadosamente os riscos do medicamento e também os riscos de uma depressão grave, ansiedade ou insônia não tratadas. Vortioxetina, bupropiona e quetiapina possuem perfis de segurança diferentes e os dados disponíveis na gestação não são equivalentes entre eles. Isso não significa que a gestante deva interromper abruptamente qualquer uma dessas medicações. A suspensão repentina pode provocar sintomas de retirada e, principalmente, recaída psiquiátrica. Como você descreve depressão severa e sintomas importantes, a decisão deve ser individualizada com seu psiquiatra e obstetra. Se realmente não conseguir atendimento até o próximo mês, procure uma UBS, serviço de saúde mental ou atendimento de urgência para orientação sobre a continuidade segura do tratamento.


  • O que é a técnica da "Metáfora Ancorada" e como ela desativa a escalada verbal de clivagem?

    O que é a técnica da "Metáfora Ancorada" e como ela desativa a escalada verbal de clivagem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A expressão “Metáfora Ancorada” não corresponde, de forma universal, a uma técnica psicoterapêutica padronizada com definição única nas principais classificações de psicoterapia. Em alguns contextos, pode ser utilizada para descrever uma intervenção comunicacional na qual se introduz uma imagem, comparação ou referência previamente construída para ajudar a pessoa a organizar a experiência emocional e reduzir a escalada de uma interação. Já “clivagem” é um conceito utilizado em diferentes modelos psicodinâmicos e descreve, em determinados contextos, a dificuldade de integrar aspectos positivos e negativos de uma pessoa ou situação. Portanto, para explicar exatamente como essa técnica seria aplicada, é necessário conhecer o modelo terapêutico ou a fonte em que o termo foi apresentado.


  • Como funciona a análise de redes semânticas na identificação da "Porosidade dos Limites do Self" no

    Como funciona a análise de redes semânticas na identificação da "Porosidade dos Limites do Self" no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    “Porosidade dos limites do self” não é um critério diagnóstico formal do TPB. Em pesquisa, análises de redes semânticas podem estudar como palavras, conceitos e referências ao self e aos outros se organizam no discurso, identificando padrões de coocorrência e conectividade. Esses métodos podem contribuir para investigar fenômenos relacionados à identidade e às representações interpessoais, mas ainda não constituem ferramenta clínica validada para diagnosticar TPB. Na prática, difusão de identidade e instabilidade relacional são avaliadas pela entrevista clínica longitudinal e por instrumentos estruturados quando indicados.


  • Como a "Prosódia Linguística" e os Marcadores de Disfluência Verbal se comportam na transição para u

    Como a "Prosódia Linguística" e os Marcadores de Disfluência Verbal se comportam na transição para um estado dissociativo micro-borderline?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    A expressão “estado dissociativo micro-borderline” não corresponde a uma categoria clínica padronizada. Durante episódios dissociativos, algumas pessoas podem apresentar mudanças no ritmo da fala, pausas mais longas, redução da fluência, alterações prosódicas ou dificuldade para organizar narrativas. Entretanto, esses sinais são inespecíficos e também aparecem em ansiedade, trauma, depressão e outras condições. Portanto, prosódia e disfluência não permitem identificar isoladamente uma transição dissociativa no TPB. O diagnóstico exige integração entre experiência subjetiva, comportamento, contexto e evolução temporal.


  • O que é o fenômeno da "Saturação Semântica Objetal" no discurso Borderline e como ele antecipa a atu

    O que é o fenômeno da "Saturação Semântica Objetal" no discurso Borderline e como ele antecipa a atuação (acting-out)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    “Saturação semântica objetal” não é um conceito psicopatológico ou diagnóstico consolidado na literatura clínica sobre TPB. O que pode ser observado é uma intensificação do discurso em torno de determinadas relações interpessoais durante períodos de elevada ativação emocional. Idealização, desvalorização, medo de abandono, raiva e interpretações polarizadas podem preceder comportamentos impulsivos em alguns pacientes. Contudo, não existe marcador linguístico capaz de prever individualmente um acting-out. Clinicamente, é mais útil avaliar desencadeantes, intensidade afetiva, impulsividade, histórico comportamental e capacidade atual de regulação emocional.


  • Como estruturar uma técnica de "Refreamento Narrativo" na entrevista psiquiátrica para evitar a iatr

    Como estruturar uma técnica de "Refreamento Narrativo" na entrevista psiquiátrica para evitar a iatrogenia linguística?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    “Refreamento narrativo” não é uma técnica psiquiátrica universalmente padronizada, mas a ideia pode ser traduzida em princípios clínicos úteis. Durante elevada ativação emocional, o entrevistador pode reduzir a velocidade da interação, organizar cronologicamente os acontecimentos, separar fatos de interpretações e validar a experiência emocional sem confirmar conclusões potencialmente distorcidas. Perguntas claras e linguagem não confrontativa ajudam a preservar a aliança terapêutica. No TPB, é particularmente importante evitar respostas punitivas, ambiguidades desnecessárias e reforço involuntário de polarizações relacionais.


  • Qual é a assinatura linguística da "Manipulação" no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sob

    Qual é a assinatura linguística da "Manipulação" no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sob a ótica psicopatológica descritiva (e por que o termo é revisado na psiquiatria moderna)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Não existe uma “assinatura linguística” validada capaz de identificar manipulação no TPB. Além disso, a psiquiatria contemporânea procura utilizar esse termo com cautela, porque comportamentos anteriormente descritos como manipulativos podem representar tentativas disfuncionais de lidar com medo de abandono, intensa desregulação emocional ou dificuldades interpessoais. Isso não significa ignorar comportamentos problemáticos, mas compreender sua função sem julgamento moral. Clinicamente, são mais úteis conceitos como padrões interpessoais, contingências comportamentais, impulsividade e estratégias de regulação emocional.


  • Como identificar a transição linguística entre o estado de "Clivagem Ativa" (Splitting) e o estado d

    Como identificar a transição linguística entre o estado de "Clivagem Ativa" (Splitting) e o estado de "Vazio Existencial/Dissociação" no discurso do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Não existe um padrão linguístico específico que permita determinar objetivamente a passagem da clivagem para um estado dissociativo. Na clivagem, podem aparecer avaliações polarizadas de si e dos outros, com mudanças rápidas entre idealização e desvalorização. Em experiências dissociativas, alguns pacientes relatam estranhamento de si, sensação de irrealidade, distanciamento emocional ou falhas na continuidade da experiência. Essas manifestações podem repercutir no discurso, mas são inespecíficas. A avaliação clínica deve considerar contexto, estado mental, experiência subjetiva e padrão longitudinal, evitando inferências diagnósticas baseadas apenas na linguagem.


  • Como a linguagem do psiquiatra deve se adaptar para contrapor a previsibilidade das armadilhas discu

    Como a linguagem do psiquiatra deve se adaptar para contrapor a previsibilidade das armadilhas discursivas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) (como a projeção e a clivagem)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Mais do que “contrapor armadilhas discursivas”, o objetivo é manter uma comunicação estável, clara e não punitiva. No TPB, o psiquiatra deve validar emoções sem necessariamente concordar com todas as interpretações, estabelecer limites consistentes e evitar entrar em polarizações de “totalmente bom” versus “totalmente ruim”. Também é útil explicitar ambiguidades e explorar interpretações alternativas sem confronto excessivo. Uma comunicação previsível ajuda a preservar a aliança terapêutica e reduz rupturas. O tratamento torna-se mais eficaz quando o comportamento é compreendido funcionalmente, em vez de interpretado como uma disputa entre paciente e terapeuta.


  • Como a instabilidade afetiva e a difusão de identidade do Transtorno de Personalidade Borderline (TP

    Como a instabilidade afetiva e a difusão de identidade do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se manifestam na estrutura gramatical e na escolha lexical do paciente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    Não existe uma estrutura gramatical ou escolha lexical específica que diagnostique TPB. Entretanto, em determinados contextos, a instabilidade afetiva pode aparecer narrativamente por mudanças rápidas na avaliação de acontecimentos e relacionamentos, enquanto dificuldades relacionadas à identidade podem surgir como descrições contraditórias ou pouco integradas do próprio self ao longo do tempo. Esses fenômenos são clinicamente relevantes, mas não exclusivos do TPB. A análise da linguagem pode enriquecer a compreensão psicopatológica, porém o diagnóstico continua baseado no padrão persistente de funcionamento emocional, interpessoal e comportamental.


  • "Como a labilidade afirmativo-emocional e a fragmentação da identidade (difusão do self) no Transtor

    "Como a labilidade afirmativo-emocional e a fragmentação da identidade (difusão do self) no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) se expressam na pragmática da linguagem, na estrutura do discurso e na semântica lexical do paciente?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Flávia Barbieri

    No TPB, alterações da identidade e intensa reatividade emocional podem repercutir na maneira como experiências são narradas. Em momentos de elevada ativação afetiva, podem ocorrer mudanças rápidas de perspectiva, avaliações polarizadas e dificuldade em integrar simultaneamente aspectos positivos e negativos de si ou dos outros. Pragmaticamente, o significado de uma interação também pode mudar conforme o estado emocional e o contexto relacional. Entretanto, esses padrões não constituem biomarcadores linguísticos do TPB. O discurso deve ser interpretado como parte de uma avaliação psicopatológica mais ampla e longitudinal.


Perguntas frequentes

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