Perguntas do paciente (51)

  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. O conjunto de sintomas que você relata merece atenção, especialmente por já estar interferindo na escola, nos relacionamentos e nas tarefas do dia a dia. Dificuldade de concentração, esquecimentos, perda de interesse, baixa energia e tristeza persistente podem estar presentes em quadros de ansiedade ou depressão, mas não é possível definir um diagnóstico apenas por esse relato.

    Também é importante considerar sua fase de vida. Em mulheres, o ciclo menstrual, uso ou troca de anticoncepcionais, gestação, pós-parto e, dependendo da idade, climatério e menopausa podem influenciar humor, sono, memória e concentração. Isso não significa que os sintomas sejam apenas hormonais, mas é um aspecto que deve ser investigado.

    Além disso, condições clínicas como alterações da tireoide também podem causar cansaço, lentificação do pensamento e mudanças de humor. Por isso, é indicado buscar avaliação psicológica e médica.

    Na avaliação, será importante observar sono, alimentação, ciclo menstrual, uso de medicamentos, rotina, eventos recentes e histórico de saúde. O fato de você já perceber prejuízos importantes é, por si só, motivo para buscar ajuda.

    Se em algum momento você se sentir em risco ou sem segurança, procure um serviço de urgência ou alguém de confiança imediatamente.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Depois de quatro dias compartilhando uma rotina próxima e prazerosa, é compreensível que o retorno para casa gere um contraste emocional forte. Isso não significa necessariamente dependência, insegurança ou algum problema no relacionamento. Pode ser uma reação à interrupção repentina de uma experiência afetiva muito significativa.

    Observe quanto tempo essa tristeza dura e se, aos poucos, você consegue retomar sua rotina. Caso o vazio seja muito intenso, aconteça em todas as despedidas ou faça com que você deixe de estudar, trabalhar, dormir ou cuidar de si, pode ser interessante compreender melhor essa experiência em psicoterapia. O objetivo não seria diminuir o amor ou a saudade, mas ajudá-la a manter o vínculo sem perder sua estabilidade emocional nos períodos de distância.


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. A transferência pode envolver sentimentos de admiração, apego, necessidade de aprovação, raiva e também sentimentos amorosos ou sexuais. Ao mesmo tempo, sentir atração pela psicóloga não exclui necessariamente a existência de transferência. Não é preciso descobrir sozinho qual das duas explicações é a “correta”.
    O mais produtivo é conversar sobre isso com a própria psicóloga. Um profissional preparado deve receber o tema sem julgamento, preservar os limites da relação terapêutica e utilizar esse conteúdo para compreender seus vínculos e necessidades emocionais. Evitar ou esconder esse sentimento pode aumentar a ansiedade; trabalhá-lo com segurança pode ser uma parte importante da terapia.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Sinto muito por essa violência ter acontecido. Gostaria que soubesse que você não é uma “namorada defeituosa”. Chorar, sentir medo ou ter lembranças involuntárias durante situações íntimas pode estar relacionado às experiências traumáticas que vivenciou. Seu corpo pode reagir como se precisasse se proteger, mesmo quando racionalmente você sabe que está com alguém seguro.
    É importante não se obrigar a continuar em nenhuma interação íntima quando estiver desconfortável.
    O uso de álcool não costuma resolver essas reações e, como você percebeu, pode intensificá-las. Procure uma psicóloga ou psicólogo com experiência no cuidado de pessoas que sofreram violência sexual e trauma. Tratamentos para sintomas pós-traumáticos podem envolver psicoterapia e, em alguns casos, acompanhamento médico.

    Também pode ser útil explicar ao seu namorado, dentro dos seus limites, que determinadas situações despertam medo e que você precisa de respeito, comunicação e liberdade para parar. A responsabilidade pelo que aconteceu no passado nunca foi sua.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Desejar intimidade, parceria e uma vida compartilhada não é futilidade. Também não existe uma idade em que uma pessoa “já deveria” ter resolvido todas as questões afetivas. Você não precisa esperar que sua vida esteja completamente estável para conhecer alguém; poucas vidas chegam a esse ponto de estabilidade total.

    Ao mesmo tempo, é importante observar se a expectativa de encontrar uma pessoa passou a representar a única possibilidade de felicidade. A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender suas escolhas anteriores, suas expectativas sobre relacionamentos, o medo de ficar sozinho e o tipo de vínculo que deseja construir. O objetivo não seria convencê-lo a desistir de procurar alguém, mas ajudá-lo a buscar relações com mais clareza e menos desespero.


  • Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Não sentir imediatamente alegria, conexão ou entusiasmo não significa, por si só, que você esteja rejeitando o bebê. A gravidez pode despertar ambivalência, medo, luto pelas mudanças na vida, preocupações financeiras, insegurança e dificuldade para assimilar a nova realidade.

    É importante observar se, além dessa dificuldade de aceitação, existem tristeza persistente, culpa intensa, ansiedade, perda de interesse, alterações importantes de sono ou pensamentos muito negativos. Sintomas de depressão e ansiedade também podem ocorrer durante a gestação.

    Converse com a equipe que acompanha seu pré-natal e considere uma avaliação com profissional de Psicologia Perinatal. O vínculo não precisa aparecer de forma instantânea; ele pode ser construído gradualmente, com apoio e sem julgamentos.


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Depois de um episódio depressivo, algumas pessoas ficam mais sensíveis a períodos de estresse, perdas, conflitos ou mudanças importantes. Isso não significa que a depressão esteja inevitavelmente “à espreita” ou que todo acontecimento ruim provocará uma recaída.
    Na psicoterapia, é possível identificar sinais iniciais, fatores que aumentam sua vulnerabilidade e estratégias que ajudaram anteriormente. Sono, isolamento, abandono de atividades, pensamentos muito negativos e mudanças de energia podem funcionar como sinais de alerta. Um plano de prevenção de recaídas ajuda a procurar apoio antes que os sintomas se intensifiquem.


  • Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo

    Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Além do sofrimento vivido no trabalho, você enfrentou a dor de não se sentir acreditada e protegida por alguém de quem esperava acolhimento. Essa invalidação pode deixar sentimentos profundos de abandono, raiva e desconfiança.

    A conclusão de que “a maioria das pessoas não presta” pode estar funcionando como uma tentativa de protegê-la de uma nova decepção. Entretanto, quando essa proteção se generaliza, também pode impedir vínculos seguros. A psicoterapia pode ajudá-la a elaborar tanto o que aconteceu no trabalho quanto a ruptura de confiança com sua mãe, diferenciando pessoas e situações atuais daquela experiência.

    Lidar com essa ferida não exige fingir que nada aconteceu nem perdoar antes de estar pronta. O primeiro passo pode ser reconhecer legitimamente o impacto que essa falta de apoio teve sobre você.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. A TCC e outras formas de psicoterapia podem ajudar, principalmente se a busca constante por conteúdos estiver funcionando como fuga das tarefas, tentativa de eliminar inseguranças ou busca impossível de estar totalmente preparado antes de agir.

    Durante uma avaliação, seria importante compreender se essa dificuldade está associada a ansiedade, perfeccionismo, impulsividade, TDAH, hábitos digitais, medo de errar ou outros fatores. O tratamento pode trabalhar planejamento, tolerância ao desconforto, definição de prioridades, limites para o consumo de conteúdos e realização de tarefas mesmo sem a sensação de preparo perfeito.

    Antes de tratar isso apenas como falta de disciplina, vale investigar a função que esses cursos e livros cumprem emocionalmente.


  • Repetir uma pequena frase ou uma palavra por algumas dezenas de minutos tem mesmo efeito relaxamento

    Repetir uma pequena frase ou uma palavra por algumas dezenas de minutos tem mesmo efeito relaxamento e calmante na mente e faz alterar as ondas cerebrais rápidas para as mais lentas?
    Mas pode ser verbalmente? Ou funciona melhor se for Mentalmente



    Muito obrigado psicólogos do Doctoralia tomara que me respondam

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. A repetição de uma palavra ou frase pode funcionar como um ponto de atenção e ajudar algumas pessoas a reduzir a dispersão mental, especialmente quando combinada com uma respiração tranquila. Ela pode ser feita mentalmente ou em voz baixa; a melhor forma depende de qual delas ajuda você a permanecer presente sem gerar esforço excessivo.

    Entretanto, não é possível garantir que a prática alterará determinadas ondas cerebrais de uma maneira específica ou produzirá o mesmo efeito em todas as pessoas. Experimente por alguns minutos e observe sua resposta. Caso a repetição se torne obrigatória, angustiante ou necessária para impedir que algo ruim aconteça, seria importante conversar com um profissional para avaliar se existe um comportamento compulsivo.


  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Esses sintomas podem aparecer em diferentes situações, como ansiedade, estresse, privação de sono, TDAH, alterações de humor, uso de substâncias ou condições clínicas. Por isso, a presença de pensamento acelerado isoladamente não permite concluir um diagnóstico.

    Observe quando os sintomas começaram, como está seu sono, se houve aumento incomum de energia, irritabilidade, impulsividade ou mudanças na produtividade. Alterações de humor e concentração precisam ser avaliadas considerando duração, intensidade e evolução ao longo do tempo.

    Uma avaliação psicológica pode ajudar a organizar essas informações e indicar se também é necessária uma consulta médica ou psiquiátrica.


  • Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

    Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.

    Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.

    Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.

    Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Seu relato reúne fenômenos diferentes: imagens mentais involuntárias, comportamentos de conferência, medo de que tragédias aconteçam e experiências perceptivas antigas que pareciam muito reais. Não seria seguro tentar reunir tudo em um único diagnóstico por uma resposta on-line.

    Imagens intrusivas e comportamentos de verificação podem ocorrer em quadros obsessivos, mas as experiências perceptivas também exigem investigação de sono, ansiedade, trauma, medicamentos, substâncias, condições neurológicas e funcionamento psíquico. Pensamentos intrusivos são imagens ou ideias indesejadas e recorrentes, mas somente uma avaliação poderá dizer se isso se aplica ao seu caso.

    Recomendo procurar, com brevidade, um psiquiatra e um psicólogo clínico. Dependendo da avaliação inicial, também poderá ser indicado um neurologista. Caso volte a ter dificuldade para distinguir uma experiência interna da realidade, fique muito desorganizado ou não se sinta seguro, procure um serviço de urgência.


  • Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet

    Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.

    Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.

    Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.

    Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Olá. Um pensamento hipotético não é equivalente a uma intenção, decisão ou nova infidelidade. No TOC, pensamentos indesejados podem provocar culpa, dúvida e necessidade de obter certeza absoluta sobre o que eles “realmente significam”.
    Tentar analisar repetidamente se ainda existe algum sentimento pode acabar alimentando o ciclo obsessivo. Em vez de encontrar uma certeza perfeita, o tratamento costuma ajudar a pessoa a tolerar a dúvida e a não responder ao pensamento com checagens, confissões repetidas ou ruminação.
    Leve esse episódio ao profissional que acompanha seu TOC. É importante avaliar tanto o funcionamento obsessivo quanto seus sentimentos reais, sem tratar a presença de um pensamento como prova de caráter ou desejo.


  • O que é a "fusão pensamento-objeto" do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    O que é a "fusão pensamento-objeto" do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    A fusão pensamento-objeto é um fenômeno comum no TOC em que a pessoa passa a atribuir ao pensamento um significado excessivo ou um poder que ele não possui na realidade.

    Por exemplo, alguém pode acreditar que apenas pensar em um acidente aumenta as chances de ele acontecer. Outra pessoa pode sentir que ter um pensamento considerado "ruim" significa ser uma pessoa ruim.

    Na prática, o pensamento deixa de ser visto apenas como um evento mental e passa a ser tratado como uma ameaça real.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), trabalhamos a identificação dessas interpretações distorcidas, ajudando a pessoa a compreender que pensamentos não são fatos, intenções ou previsões. O objetivo é desenvolver uma relação mais flexível com as próprias experiências mentais, reduzindo a ansiedade e a necessidade de realizar compulsões.


  • Como os rituais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) se relacionam com a visão de túnel?

    Como os rituais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) se relacionam com a visão de túnel?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    A visão de túnel acontece quando a atenção fica extremamente concentrada em uma ameaça percebida, dificultando que a pessoa considere outras possibilidades.

    No TOC, isso pode ocorrer durante as obsessões. Quem teme contaminação, por exemplo, pode focar exclusivamente na possibilidade de adoecer e ignorar evidências de segurança.

    Os rituais ou compulsões surgem como tentativas de reduzir essa ansiedade. O problema é que, embora tragam alívio temporário, acabam reforçando o medo e estreitando ainda mais o foco da atenção.

    Na TCC, ajudamos a pessoa a ampliar sua percepção da situação, questionar interpretações automáticas e desenvolver novas formas de responder à ansiedade sem recorrer aos rituais.

    Espero ter ajudado!
    @heyde.psi


  • O que é hiperfixação no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    O que é hiperfixação no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Hiperfixação é um termo popular utilizado para descrever um foco intenso e prolongado em um tema, atividade ou preocupação.

    No contexto do TOC, ela pode aparecer quando a pessoa passa muito tempo analisando dúvidas, buscando certezas ou monitorando possíveis ameaças.

    Por exemplo, alguém pode passar horas pesquisando sintomas de doenças ou revisitando mentalmente uma situação para ter certeza de que não cometeu um erro.

    Embora pareça uma tentativa de resolver o problema, esse comportamento geralmente mantém a ansiedade ativa.

    Na TCC, trabalhamos para reduzir os comportamentos de busca de certeza e fortalecer a tolerância à dúvida, aspecto fundamental no tratamento do TOC.

    Espero ter ajudado!
    @Heyde.psi


  • Qual a diferença de hiperfixação e obsessão? .

    Qual a diferença de hiperfixação e obsessão? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    O termo "hiperfixação" não faz parte dos manuais diagnósticos de saúde mental e não possui uma definição clínica consensual. Na linguagem popular, costuma ser usado para descrever um foco intenso em determinado assunto ou atividade.

    Já a obsessão é um conceito bem estabelecido na literatura científica. No TOC, as obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes, intrusivos e indesejados, que geram sofrimento significativo e frequentemente levam à realização de compulsões para aliviar a ansiedade.

    Em geral, interesses intensos costumam estar associados à curiosidade ou satisfação, enquanto as obsessões são marcadas por sofrimento, medo e necessidade de controle. Por isso, a avaliação psicológica busca compreender não apenas o conteúdo do pensamento, mas também o impacto emocional e a função que ele exerce na vida da pessoa.

    Espero ter ajudado!
    @Heyde.psi


  • Quais são algumas condições de saúde mental ligadas à hiperfixação?

    Quais são algumas condições de saúde mental ligadas à hiperfixação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    A hiperfixação pode estar presente em diferentes condições, embora se manifeste de maneiras distintas.

    Ela pode ser observada no TOC, no Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), no Transtorno do Espectro Autista (TEA), em alguns transtornos de ansiedade e até em episódios de humor específicos.

    O mais importante é compreender o contexto em que ela ocorre.

    Enquanto no TOC o foco costuma estar relacionado à redução da ansiedade e à busca de certeza, no TDAH e no TEA ele frequentemente está associado ao interesse intenso por um tema ou atividade.

    Uma avaliação psicológica / neuropsicológica adequada ajuda a identificar a origem desse padrão e a definir o tratamento mais indicado.

    Espero ter ajudado!
    @Heyde.psi


  • Como diferenciar se um comportamento repetitivo é hiperfoco ou compulsão ?

    Como diferenciar se um comportamento repetitivo é hiperfoco ou compulsão ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Uma pergunta importante é: "Por que esse comportamento está acontecendo?"

    O hiperfoco geralmente ocorre porque a atividade desperta interesse, curiosidade ou prazer.

    A compulsão, por outro lado, costuma ser realizada para reduzir ansiedade, evitar culpa, neutralizar um pensamento ou prevenir uma consequência temida.

    Por exemplo, passar horas desenhando porque gosta da atividade pode representar hiperfoco. Já lavar as mãos repetidamente para aliviar o medo de contaminação caracteriza uma compulsão.

    A motivação por trás do comportamento costuma ser o principal elemento para diferenciá-los.

    Espero ter ajudado!
    @Heyde.psi


  • Qual a diferença fundamental entre o hiperfoco do Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade

    Qual a diferença fundamental entre o hiperfoco do Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o foco do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heyde Medeiros

    Embora possam parecer semelhantes, existem diferenças importantes.
    No TDAH, o hiperfoco geralmente ocorre em atividades altamente estimulantes ou interessantes.
    No TEA, o foco intenso costuma estar relacionado a interesses específicos e pode proporcionar satisfação e senso de organização.
    No TOC, o foco frequentemente é impulsionado pela ansiedade e pela necessidade de eliminar dúvidas ou prevenir riscos percebidos.
    Em resumo, enquanto o hiperfoco no TDAH e no TEA costuma estar ligado ao interesse, o foco característico do TOC geralmente está relacionado ao medo e à busca de controle.

    Espero ter ajudado!
    @Heyde.psi


Perguntas frequentes

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