Perguntas do paciente (70)

  • Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do pont

    Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do ponto de vista da psicanálise.

    Estou em um relacionamento em que há muitos conflitos, ofensas e perda de respeito mútuo. As brigas são frequentes e muitas vezes acontecem na frente dos nossos filhos. Já não existe mais convivência afetiva entre nós: não dormimos mais juntos e o carinho praticamente desapareceu.

    Sinto que, ao longo do relacionamento, houve um acúmulo de mágoas e quebra de confiança. Antes do casamento, minha esposa teve comportamentos que me geraram muita insegurança e desconfiança, o que fez com que eu entrasse no casamento já com o respeito e a admiração bastante abalados. Com o tempo, apesar de tentativas de reconstrução, o relacionamento foi se desgastando ainda mais.

    Hoje percebo um ciclo constante de conflito: eu reconheço meus erros e tento assumir responsabilidade pelas minhas atitudes durante as brigas, mas sinto que minha esposa não reconhece a própria participação nos problemas, o que me gera frustração e sensação de impotência. Isso acaba intensificando os conflitos entre nós.

    Também percebo em mim um grande desgaste emocional, sentimentos de baixa autoestima, medo de ficar sozinho e dúvida constante sobre se devo continuar tentando ou me afastar. Ao mesmo tempo, amo muito meus filhos e tenho muito medo de prejudicar a convivência com eles caso haja separação.

    Gostaria de entender, sob uma perspectiva psicanalítica, como esses padrões emocionais e relacionais podem estar se repetindo na minha vida e de que forma um processo terapêutico poderia me ajudar a compreender melhor minhas escolhas, meus vínculos afetivos e minha dificuldade em lidar com essa situação.

    Também gostaria de saber como a psicanálise enxerga situações em que há perda de respeito e repetição de conflitos dentro do casal, e quando isso pode indicar um limite emocional para a continuidade da relação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Pela perspectiva psicanalítica, mais do que responder se você deve permanecer ou se separar, a pergunta central seria: o que mantém esse vínculo, mesmo quando ele se tornou uma fonte importante de sofrimento? A psicanálise procura compreender não apenas o que acontece entre o casal, mas também o que cada um leva para essa relação a partir de sua história emocional.

    Você descreve alguns elementos muito significativos: o casamento começou já marcado por uma ruptura na confiança, houve um acúmulo progressivo de mágoas, o respeito foi sendo perdido, os conflitos se tornaram frequentes e, hoje, existe um distanciamento afetivo importante. Além disso, aparecem sentimentos de baixa autoestima, medo da solidão e receio de perder a convivência com os filhos. Esses aspectos merecem ser compreendidos em profundidade.

    Do ponto de vista psicanalítico, todo relacionamento mobiliza expectativas, fantasias e experiências emocionais construídas muito antes do encontro com o parceiro. Quando você relata que entrou no casamento já com a admiração e a confiança abaladas, isso sugere que a relação começou sem que uma ferida importante tivesse sido verdadeiramente elaborada. Em muitos casos, aquilo que não é simbolizado retorna repetidamente sob a forma de desconfiança, vigilância, ressentimento ou necessidade constante de confirmação.

    Outro aspecto relevante é o ciclo que você descreve: conflitos, ofensas, arrependimento, novas tentativas e, posteriormente, a repetição das mesmas dificuldades. Na psicanálise, isso pode ser compreendido pela ideia de compulsão à repetição, conceito desenvolvido por Freud. Muitas vezes, o sujeito revive padrões de sofrimento não porque os deseje conscientemente, mas porque conflitos inconscientes ainda não encontraram outra forma de elaboração. A repetição, nesse sentido, não representa uma escolha racional, mas uma tentativa inconsciente de resolver algo que permanece aberto.

    Também chama atenção quando você diz que costuma reconhecer seus próprios erros, mas sente que sua esposa não faz o mesmo. É importante lembrar que, na clínica psicanalítica, escutamos apenas uma das partes da relação. Isso significa que é possível compreender seu sofrimento e suas vivências, mas não concluir como sua esposa vivencia ou interpreta esses mesmos acontecimentos. Cada parceiro participa da dinâmica conjugal com sua própria história psíquica, seus mecanismos de defesa e suas formas de lidar com a dor. Assim, sem escutar ambos, não é possível atribuir responsabilidades ou fazer afirmações sobre o funcionamento psicológico dela.

    A perda do respeito é um elemento particularmente importante. O amor pode atravessar momentos de frustração, conflito e ambivalência, mas quando o desprezo, as humilhações e as ofensas passam a organizar a relação, o vínculo tende a se tornar profundamente comprometido. Na perspectiva psicanalítica, o respeito está ligado ao reconhecimento da alteridade, isto é, à capacidade de reconhecer o outro como um sujeito separado, com dignidade e limites próprios. Quando esse reconhecimento se rompe de forma persistente, o casal frequentemente passa a funcionar mais a partir de ataques e defesas do que de encontros genuínos.

    Outro ponto delicado é que você relata que as brigas acontecem na frente dos filhos. Embora conflitos ocasionais façam parte da vida familiar, a exposição frequente das crianças a um ambiente de hostilidade pode gerar insegurança emocional, ansiedade e dificuldades na construção de seus próprios modelos de relacionamento. Isso não significa que a separação seja necessariamente a melhor solução, mas indica que a forma atual de convivência merece atenção, sobretudo pelo impacto que pode ter sobre o desenvolvimento emocional deles.

    O medo de ficar sozinho também merece ser explorado. Na psicanálise, muitas vezes descobrimos que o temor da separação não está relacionado apenas ao parceiro atual, mas também à maneira como cada pessoa vivenciou perdas, abandonos ou vínculos significativos ao longo da vida. Em alguns casos, o sofrimento de permanecer em uma relação pode parecer mais suportável do que a angústia despertada pela possibilidade da ruptura. Compreender essa dinâmica é uma parte importante do processo analítico.

    Quanto à sua dúvida sobre quando existe um limite emocional para a continuidade da relação, a psicanálise não estabelece critérios objetivos nem determina quando um casal deve permanecer junto ou se separar. O trabalho analítico consiste em ajudar a pessoa a compreender o significado de sua permanência, de seu desejo, de seus medos e dos custos emocionais envolvidos em cada possibilidade. Em outras palavras, o objetivo não é dizer qual decisão tomar, mas favorecer uma escolha mais consciente, menos determinada por culpas, medos ou repetições inconscientes.

    Um processo terapêutico pode ajudá-lo a:

    compreender por que essa relação ocupa esse lugar em sua vida;
    identificar padrões repetitivos nos seus vínculos afetivos;
    elaborar as mágoas e frustrações acumuladas;
    fortalecer sua autoestima e sua capacidade de estabelecer limites;
    diferenciar o medo da solidão do desejo genuíno de preservar o casamento;
    refletir sobre como exercer sua função paterna de forma saudável, independentemente do futuro da relação conjugal.

    Se ambos ainda desejarem reconstruir o casamento, além do trabalho individual, a terapia de casal pode ser um recurso importante para favorecer a comunicação e compreender a dinâmica do vínculo. Entretanto, quando apenas um dos parceiros está disposto a refletir sobre a relação, a psicoterapia individual continua sendo valiosa, pois permite compreender seu lugar nessa história e tomar decisões de forma mais consciente.

    Por fim, um aspecto merece destaque: quando há perda persistente de respeito, humilhações constantes ou qualquer forma de violência psicológica, verbal ou física, isso não deve ser naturalizado em nome da manutenção do casamento ou da convivência com os filhos. Nesses casos, além da compreensão psicanalítica, é fundamental considerar medidas que preservem a segurança e a saúde emocional de todos os envolvidos. O objetivo da psicanálise não é manter um relacionamento a qualquer custo, mas favorecer que o sujeito compreenda seus vínculos e possa construir relações em que exista espaço para respeito, reconhecimento e desenvolvimento emocional


  • “Como se estrutura o manejo clínico do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na

    “Como se estrutura o manejo clínico do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na perspectiva psicanalítica, e qual a função da escuta analítica em articulação (ou não) com a psiquiatria?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na perspectiva psicanalítica, o manejo clínico do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) fundamenta-se na construção de um enquadre terapêutico estável, na escuta do sofrimento psíquico e na compreensão da dinâmica inconsciente que sustenta os sintomas. Diferentemente de uma abordagem centrada apenas na eliminação dos comportamentos impulsivos ou da instabilidade emocional, a psicanálise busca compreender o sentido subjetivo dessas manifestações, entendendo-as como expressões de conflitos internos, falhas na constituição do ego e dificuldades na integração das experiências afetivas.

    O manejo clínico exige do analista uma postura de continência emocional, constância e neutralidade técnica. Pacientes com TPB frequentemente apresentam intensas oscilações afetivas, medo de abandono, relações marcadas por idealização e desvalorização, além de mecanismos de defesa primitivos, como a cisão, a identificação projetiva e a atuação (acting out). Diante disso, o analista deve sustentar um enquadre firme e previsível, oferecendo um espaço seguro para que o paciente possa simbolizar experiências que anteriormente eram expressas por meio da impulsividade ou do sofrimento corporal e emocional.

    A transferência ocupa um lugar central nesse processo. O paciente tende a reviver, na relação com o analista, experiências precoces de abandono, rejeição ou invasão. A forma como essas vivências emergem no vínculo terapêutico torna-se um importante material clínico para interpretação e elaboração. Paralelamente, a contratransferência também assume grande relevância, pois as intensas emoções despertadas no analista podem fornecer elementos valiosos para a compreensão da dinâmica psíquica do paciente, desde que sejam reconhecidas e elaboradas pelo profissional.

    A escuta analítica tem como função principal acolher a singularidade do sujeito, permitindo que ele atribua significado às suas experiências emocionais e inconscientes. Trata-se de uma escuta que vai além da observação dos sintomas, buscando compreender desejos, fantasias, angústias e conflitos que organizam o funcionamento psíquico. Ao favorecer a simbolização dos afetos, a escuta analítica possibilita que o paciente desenvolva formas mais elaboradas de lidar com suas emoções, reduzindo gradativamente a necessidade de recorrer à atuação impulsiva.

    No que se refere à articulação com a psiquiatria, a psicanálise não se opõe ao tratamento medicamentoso quando este se faz necessário. Em casos de intenso sofrimento psíquico, impulsividade grave, episódios dissociativos, sintomas depressivos importantes ou elevado risco de suicídio, o acompanhamento psiquiátrico pode ser um recurso essencial para estabilizar o paciente e possibilitar condições mais favoráveis ao trabalho analítico. Nesses casos, a medicação não é compreendida como tratamento do conflito inconsciente, mas como um recurso auxiliar para reduzir a intensidade dos sintomas e preservar a capacidade de elaboração psíquica.

    Assim, a atuação conjunta entre psicanálise e psiquiatria pode ser complementar. Enquanto a psiquiatria intervém principalmente na estabilização sintomática por meio dos recursos farmacológicos, a psicanálise dedica-se à investigação das causas subjetivas do sofrimento, promovendo um processo de autoconhecimento e transformação estrutural. Essa integração, quando realizada de maneira ética e respeitando as especificidades de cada abordagem, oferece melhores condições para o cuidado integral do paciente com TPB.

    Em síntese, o manejo psicanalítico do Transtorno de Personalidade Borderline estrutura-se na manutenção de um enquadre seguro, na valorização da transferência, na escuta analítica e na elaboração dos conflitos inconscientes. A articulação com a psiquiatria, quando indicada, não substitui o processo analítico, mas atua como suporte terapêutico, favorecendo a estabilização clínica e ampliando as possibilidades de desenvolvimento psíquico do paciente


  • Qual o papel dos mecanismos de defesa nas interações sociais de pessoas com Transtorno de Personalid

    Qual o papel dos mecanismos de defesa nas interações sociais de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na perspectiva da psicanálise freudiana, os mecanismos de defesa desempenham um papel central nas interações sociais de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Eles são recursos inconscientes utilizados pelo ego para proteger o indivíduo de angústias intensas, conflitos internos e sentimentos que seriam difíceis de suportar conscientemente.

    No TPB, essas defesas costumam ser mais rígidas e intensas, o que influencia diretamente a forma como a pessoa percebe a si mesma e aos outros.

    Um dos mecanismos mais evidentes é a cisão (ou divisão), em que as pessoas e as situações são vividas de maneira polarizada: alguém pode ser percebido como totalmente bom ou totalmente mau. Quando o vínculo proporciona segurança, o outro é idealizado; diante de uma frustração, pode ser rapidamente desvalorizado. Essa oscilação contribui para a instabilidade dos relacionamentos.

    Outro mecanismo frequente é a projeção, na qual sentimentos, desejos ou conflitos internos são atribuídos ao outro. Assim, emoções como raiva, medo da rejeição ou insegurança podem ser percebidas como se fossem provenientes das atitudes da outra pessoa, gerando mal-entendidos e conflitos interpessoais.

    A negação também pode aparecer como uma tentativa de afastar da consciência experiências dolorosas ou perdas emocionais, dificultando o reconhecimento da realidade quando ela desperta sofrimento intenso.

    Embora Freud tenha descrito diversos mecanismos de defesa, autores psicanalíticos posteriores ampliaram a compreensão do funcionamento borderline, mostrando que essas defesas refletem dificuldades profundas na integração das experiências afetivas e na regulação das emoções.

    Do ponto de vista psicanalítico, esses mecanismos não são vistos como "falhas" ou escolhas conscientes, mas como tentativas do aparelho psíquico de proteger o sujeito de angústias primitivas relacionadas ao medo do abandono, da perda do amor e do desamparo. O problema é que, ao mesmo tempo em que aliviam temporariamente o sofrimento, acabam produzindo rupturas, conflitos e sofrimento nas relações.

    O objetivo da psicanálise não é eliminar os mecanismos de defesa, mas ajudar a pessoa a reconhecer seus conflitos inconscientes, elaborar suas experiências emocionais e desenvolver formas mais flexíveis e maduras de lidar com as frustrações e com os vínculos afetivos.

    Se você percebe que vive relacionamentos marcados por conflitos intensos, medo constante de abandono ou dificuldades para confiar nas pessoas, a psicanálise pode oferecer um espaço seguro para compreender esses padrões e transformá-los. O autoconhecimento é um caminho importante para construir relações mais estáveis e saudáveis.


  • Como a psicanálise explica a instabilidade dos relacionamentos no Transtorno de Personalidade Border

    Como a psicanálise explica a instabilidade dos relacionamentos no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na perspectiva da psicanálise freudiana, a instabilidade dos relacionamentos no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser compreendida como uma expressão de conflitos inconscientes relacionados às primeiras experiências de vínculo, cuidado e separação.

    Freud nos mostrou que as primeiras relações da infância deixam marcas profundas na forma como amamos e nos relacionamos na vida adulta. Quando essas experiências foram vividas com insegurança, inconsistência, abandono ou intenso sofrimento emocional, o sujeito pode desenvolver dificuldades para construir vínculos estáveis.

    Nos relacionamentos, isso pode se manifestar por uma alternância entre idealização e decepção. Em um momento, o outro é percebido como alguém perfeito, capaz de preencher todas as faltas; em outro, diante de uma frustração ou sentimento de rejeição, passa a ser visto como alguém que decepciona ou abandona. Essa oscilação não acontece por escolha consciente, mas porque antigos conflitos emocionais são reativados na relação atual.

    Do ponto de vista psicanalítico, o medo intenso de abandono frequentemente está ligado à reedição de experiências primitivas de perda, desamparo ou falhas nos vínculos iniciais. Assim, pequenas situações podem adquirir um significado muito maior no mundo interno da pessoa, despertando angústias profundas e reações intensas.

    É importante destacar que a psicanálise não reduz o TPB apenas a um diagnóstico. Cada sujeito possui uma história única, e compreender essa história é essencial para entender por que determinados padrões se repetem. O trabalho analítico busca justamente oferecer um espaço para que esses conflitos inconscientes possam ser elaborados, permitindo que a pessoa construa formas mais seguras e estáveis de se relacionar consigo mesma e com os outros.

    Se você percebe que vive relações marcadas por medo do abandono, intensidade emocional ou repetição de sofrimentos, a psicanálise pode ajudá-lo a compreender as origens desses padrões e a construir vínculos mais saudáveis. Buscar ajuda é um passo importante para transformar a relação com o outro e, principalmente, consigo mesmo.


  • Tenho sonhos com situações em que na vida real eu não quero que aconteça, os sonhos sempre são meio

    Tenho sonhos com situações em que na vida real eu não quero que aconteça, os sonhos sempre são meio confusos é uma mistura entre gostar e não gostar do sonho.


    As vezes quando acordo sinto uma sensação boa e culpa por isso, aí eu penso racionalmente se realmente quero que tal coisa aconteça e sempre chego a conclusão que não quero.


    Por que isso acontece? Tenho TOC sexual, muitos pensamentos durante o dia, medo, culpa e agora tenho sonhado com essas coisas. É angustiante.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na perspectiva psicanalítica, é importante lembrar que sonhos não são desejos literais nem previsões do que você realmente quer fazer. O inconsciente se expressa por meio de símbolos, condensações e misturas de emoções, muitas vezes utilizando justamente aquilo que mais nos angustia.

    Quando existe um quadro de TOC, especialmente o TOC sexual, ocorre algo muito comum: quanto mais a pessoa tenta afastar determinados pensamentos, mais eles passam a ocupar espaço na mente. Durante o dia, você luta contra eles, analisa, verifica, busca ter certeza de que não quer aquilo. À noite, esse material psíquico continua sendo elaborado pelo aparelho mental e pode aparecer nos sonhos.

    O fato de sentir uma sensação agradável em algum momento do sonho ou ao acordar não significa que você deseja aquilo na realidade. Sonhos mobilizam emoções diversas, e o cérebro não separa de forma tão organizada prazer, medo, curiosidade, culpa e angústia. É justamente essa mistura que costuma gerar sofrimento em pessoas com TOC, que passam a interpretar a experiência como uma prova de seus desejos, quando na verdade ela não é.

    A culpa que surge depois parece estar ligada a uma pergunta constante: "E se isso significar que eu quero?" Essa dúvida é um dos mecanismos centrais do TOC. A mente busca uma certeza absoluta sobre quem você é e sobre o que deseja, mas essa certeza nunca chega, fazendo com que o ciclo de análise e sofrimento continue.

    Pela psicanálise, o mais importante não é tomar o sonho como uma revelação literal, mas compreender o conflito emocional que está por trás dele: os medos, as proibições internas, a culpa, a ansiedade e a necessidade de controle. Muitas vezes, o sofrimento não está no conteúdo do sonho em si, mas na forma como ele é interpretado ao acordar.

    Se isso tem gerado muita angústia, vale a pena levar esses sonhos para o processo terapêutico. Eles podem ser trabalhados não como uma confirmação de desejos ocultos, mas como uma via de acesso aos conflitos emocionais que estão produzindo tanto medo e culpa.

    Você não é seus pensamentos, nem seus sonhos. Na clínica psicanalítica, buscamos compreender o significado do sofrimento que eles carregam, para que a pessoa deixe de viver aprisionada pela dúvida e pela necessidade constante de comprovação. Se desejar, um processo terapêutico pode ajudá-lo a compreender melhor esses conteúdos e reduzir a angústia que eles vêm provocando.


  • Estou passando pelo primeiro luto significativo da minha vida, primeira vez que perco alguém com gra

    Estou passando pelo primeiro luto significativo da minha vida, primeira vez que perco alguém com grande vínculo, que no caso foi a minha gatinha de 13 anos...a dor é tão dilacerante, que simplesmente não consigo suportar. Sinto muitas culpas, pelas decisões tomadas sobre os tratamentos, pelo tempo que não curti ela porque estava envolta em problemas do cotidiano, embora cuidei, amei, fiquei muito com ela, sinto que ainda sim, foi pouco, que eu era muito mas muito feliz com ela, eu tinha tudo, e agora ela se foi, a nova realidade me assola de tristeza, nunca mais terei a felicidade com ela. Não sei como lidar com tudo isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na perspectiva da psicanálise, o luto é um processo profundo de reorganização emocional diante da perda de alguém que ocupava um lugar importante em nossa vida. Quando esse vínculo é tão significativo quanto o que você construiu com sua gatinha durante 13 anos, a dor pode ser sentida como algo realmente dilacerante.

    O que chama atenção no seu relato é que, além da tristeza pela ausência, existe uma forte presença da culpa. Muitas vezes, após uma perda, a mente revisita inúmeras situações, decisões e momentos vividos, procurando respostas para algo que já não pode ser modificado. É comum surgirem pensamentos como: "eu deveria ter feito mais", "eu poderia ter aproveitado melhor", ou "talvez eu tenha falhado". Porém, essas reflexões costumam nascer da dor da separação e do amor que existia nesse vínculo.

    A sensação de que "foi pouco" costuma aparecer porque o afeto não desaparece com a morte. O amor continua existindo, mas já não encontra a presença física para ser direcionado. Isso gera um vazio difícil de suportar. O fato de você sentir tanta falta dela não significa que amou pouco; muitas vezes significa justamente o contrário: que ela ocupava um lugar muito especial na sua vida.

    Também é importante observar que você não está sofrendo apenas pela perda da sua gatinha, mas pela perda de uma parte da sua rotina, da sua história e da forma como você experimentava felicidade ao lado dela. Por isso, a realidade parece tão dura neste momento.

    Permita-se viver esse luto sem exigir de si mesma que esteja bem rapidamente. A dor precisa ser elaborada, sentida e compreendida. Com o tempo, a lembrança da perda tende a deixar de ocupar todo o espaço, permitindo que as memórias de amor e companhia possam existir sem provocar apenas sofrimento.

    Se você perceber que a culpa está se tornando maior do que a saudade, ou que a dor está impedindo sua vida de seguir minimamente adiante, buscar um acompanhamento terapêutico pode ser muito importante. A psicanálise oferece um espaço seguro para falar sobre essa perda, compreender os sentimentos envolvidos e atravessar esse processo de forma menos solitária.

    Você não precisa enfrentar esse luto sozinha. Falar sobre essa dor, sobre a culpa e sobre o amor que existia entre vocês pode ser um passo importante para transformar esse sofrimento em uma lembrança que continue carregando significado, mas sem machucar da mesma forma.


  • Um narcisista pode melhorar se não beber álcool e se for acompanhado psicologicamente os surtos de c

    Um narcisista pode melhorar se não beber álcool e se for acompanhado psicologicamente os surtos de ciúmes e agressividade serão minimizados

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Sim, na perspectiva psicanalítica, é possível que uma pessoa com traços narcísicos apresente melhora quando existe um compromisso real com o tratamento psicológico e quando fatores que intensificam os conflitos emocionais, como o consumo excessivo de álcool, são reduzidos ou eliminados.

    O álcool costuma diminuir os freios emocionais e aumentar impulsividade, irritabilidade e agressividade. Em alguém que já possui dificuldades para lidar com frustrações, rejeições ou sentimentos de insegurança, o uso de álcool pode potencializar crises de ciúmes, explosões de raiva e comportamentos agressivos.

    A psicanálise busca compreender o que está por trás dessas manifestações. Muitas vezes, o ciúme excessivo e a necessidade de controle não surgem apenas do desejo de possuir o outro, mas de feridas emocionais profundas, medo de abandono, baixa autoestima e dificuldades na construção da própria identidade emocional.

    No entanto, a melhora depende de alguns fatores importantes:

    Reconhecimento de que existe um problema.
    Desejo genuíno de mudar.
    Continuidade no processo terapêutico.
    Abandono ou redução significativa do uso de álcool, quando este contribui para os surtos.
    Responsabilização pelos próprios comportamentos.

    Portanto, os surtos de ciúmes e agressividade podem ser minimizados, mas não apenas pela interrupção do álcool. O trabalho terapêutico é fundamental para compreender e transformar os conflitos emocionais que alimentam esses comportamentos.


  • É normal não estar triste e nem feliz? Estou preocupada com minha neutralidade, só cumpro as obrigaç

    É normal não estar triste e nem feliz? Estou preocupada com minha neutralidade, só cumpro as obrigações com meus filhos e não quero mais nada.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    É mais comum do que parece. Na psicanálise, essa sensação de não estar nem triste nem feliz pode ser compreendida como um estado de esvaziamento emocional, no qual a pessoa continua funcionando, cuidando dos filhos, trabalhando e cumprindo suas responsabilidades, mas se sente desconectada dos próprios desejos.

    Muitas vezes, não é a tristeza que aparece em primeiro plano, mas a falta de vontade, de entusiasmo e de investimento na própria vida. É como se a energia psíquica estivesse voltada apenas para sobreviver e atender às demandas do dia a dia. Por trás dessa neutralidade podem existir lutos não elaborados, frustrações acumuladas, sobrecarga emocional, conflitos internos ou até mesmo aspectos da história de vida que ainda precisam ser compreendidos.

    A psicanálise não busca apenas eliminar sintomas, mas entender o que essa neutralidade está tentando comunicar. Afinal, quando deixamos de sentir tanto a tristeza quanto a alegria, pode haver algo dentro de nós que está pedindo para ser escutado.

    Se você se identificou com essa sensação de estar vivendo apenas no "modo automático", talvez seja o momento de olhar para si mesma com mais cuidado. Através da psicoterapia psicanalítica, é possível compreender as origens desse vazio emocional, resgatar o contato com seus desejos e reconstruir um sentido mais autêntico para a sua vida.

    Se deseja entender melhor o que está por trás dessa neutralidade e iniciar um processo de autoconhecimento profundo, entre em contato para agendar uma sessão. Você não precisa carregar tudo isso sozinha. Sua história merece ser ouvida.


  • Olá! Estou passando por um momento chato, tenho um namorado e vivemos uma relação boa, leve e tranqu

    Olá! Estou passando por um momento chato, tenho um namorado e vivemos uma relação boa, leve e tranquila, me sinto segura ao lado dele. Mas sonho direto com ele me terminando o relacionamento e há alguns dis sonhos com mãos frequência. O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Pela perspectiva psicanalítica freudiana, o mais interessante no seu relato é que você diz:

    "Vivemos uma relação boa, leve e tranquila, me sinto segura ao lado dele."

    E, ao mesmo tempo:

    "Sonho direto com ele me terminando."

    Essa aparente contradição merece atenção.

    Para Freud, os sonhos não devem ser interpretados de forma literal. Sonhar repetidamente com um término não significa necessariamente que seu namorado queira terminar ou que o relacionamento esteja em risco.

    Muitas vezes, o sonho expressa um conflito interno, um medo ou um desejo inconsciente que está buscando representação.


  • Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consi

    Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consigo. Sendo parte da minha personalidade será que é possível mudar ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Sim, é possível mudar.

    Pela perspectiva psicanalítica, é importante fazer uma distinção: ter uma característica de personalidade não significa estar condenado a repeti-la para sempre. Personalidade não é uma sentença; é uma forma de funcionamento que foi sendo construída ao longo da vida.

    Quando você diz:

    "Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro."

    E logo depois:

    "Tenho consciência que preciso mudar, mas não consigo."

    Isso sugere que existe uma diferença entre aquilo que você entende racionalmente e aquilo que sente emocionalmente.

    Muitas pessoas ciumentas sabem, intelectualmente, que o parceiro não está fazendo nada de errado. Ainda assim, sentem medo, angústia ou desconfiança. Isso acontece porque o ciúme raramente é apenas sobre o comportamento do outro.


  • O que seria uma pessoa que tem tendências depressivas?

    O que seria uma pessoa que tem tendências depressivas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na psicologia e na psicanálise, dizer que uma pessoa tem tendências depressivas não significa necessariamente que ela tenha um quadro clínico de depressão. A expressão costuma indicar uma predisposição a vivenciar certas experiências emocionais e modos de funcionamento psíquico associados à depressão.

    Algumas características frequentemente observadas são:

    Tendência ao pessimismo ou à expectativa de que as coisas não darão certo.
    Autocrítica excessiva e dificuldade em reconhecer as próprias conquistas.
    Sentimentos recorrentes de culpa.
    Baixa autoestima ou sensação de insuficiência.
    Dificuldade em experimentar prazer de forma duradoura.
    Maior sensibilidade a perdas, rejeições e frustrações.
    Tendência ao isolamento em momentos de sofrimento.
    Necessidade frequente de aprovação externa para sentir valor pessoal.
    Na perspectiva freudiana

    Freud abordou esse tema em sua obra Luto e Melancolia. Ele observou que algumas pessoas, diante de perdas ou decepções, direcionam para si mesmas sentimentos de raiva, crítica ou desapontamento que originalmente estavam relacionados a outra pessoa ou situação.

    Nesses casos, podem surgir pensamentos como:

    "Eu não sou bom o suficiente."
    "Sempre estrago tudo."
    "Não mereço ser feliz."
    "Há algo errado comigo."

    A pessoa passa a ser seu próprio juiz severo, numa dinâmica em que o Superego exerce críticas intensas sobre o Ego.

    Tendência depressiva não é destino

    Ter tendências depressivas não significa que a pessoa estará deprimida para sempre. Significa apenas que, diante de estresse, perdas ou conflitos emocionais, ela pode ter maior propensão a responder com:

    Desânimo;
    Retraimento;
    Autocrítica;
    Sentimentos de desesperança.

    O trabalho terapêutico ajuda justamente a compreender a origem desses padrões, fortalecer recursos emocionais e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com as dificuldades da vida.

    Como psicanalista, eu faria uma distinção importante:

    Uma pessoa com tendências depressivas geralmente sofre não apenas pelo que acontece com ela, mas também pela forma como interpreta a si mesma diante do que acontece.

    Essa diferença é fundamental para compreender o sofrimento e promover mudanças mais profundas.


  • Sinto um vazio no peito e parece que fiz algo de errado sem ter feito e é como se alguma coisa vai a

    Sinto um vazio no peito e parece que fiz algo de errado sem ter feito e é como se alguma coisa vai acontecer de mal a qualquer momento. Medo de perder alguém da minha família me deixa muito nervosa aí choro muito já passo com psicóloga e psiquiatra. O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    O que você descreve um vazio no peito, sensação de que fez algo errado sem identificar o quê, medo constante de que algo ruim aconteça e preocupação intensa em perder alguém da família é uma experiência que pode ser muito angustiante.

    Como você já está em acompanhamento com psicóloga e psiquiatra, o mais importante é continuar compartilhando exatamente esses sentimentos com eles, da forma como escreveu aqui. Esses detalhes são valiosos para o tratamento.

    Pela perspectiva psicanalítica, às vezes a ansiedade não aparece ligada a um perigo real e imediato, mas a uma sensação difusa de ameaça. A pessoa sente que "algo ruim vai acontecer", mesmo sem conseguir apontar uma causa concreta. Freud chamava isso de angústia, um estado em que o sofrimento existe antes mesmo de haver um objeto claro para explicá-lo.

    Também chama atenção quando você diz:

    "Parece que fiz algo de errado sem ter feito."

    Em algumas pessoas, existe uma tendência a carregar culpa excessiva ou uma sensação constante de responsabilidade, mesmo quando não há motivo objetivo. Isso não significa que você seja culpada de algo; significa que a experiência emocional da culpa pode estar muito presente na sua vida psíquica.


  • O que é “erro de atribuição de intenção” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    O que é “erro de atribuição de intenção” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na perspectiva clínica, o erro de atribuição de intenção ocorre quando a pessoa interpreta o comportamento do outro como se soubesse exatamente o que ele está pensando, sentindo ou pretendendo, sem evidências suficientes para isso.

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), esse fenômeno pode aparecer com frequência devido à intensa sensibilidade emocional e ao medo de abandono ou rejeição.

    Exemplos

    Uma pessoa demora para responder uma mensagem.

    Em vez de considerar várias possibilidades, a pessoa com TPB pode concluir:

    "Ela está me ignorando de propósito."
    "Ela não gosta mais de mim."
    "Ela quer me abandonar."
    "Ela está me punindo."

    Perceba que o fato observado é apenas o atraso na resposta. A intenção atribuída ("quer me abandonar") foi criada pela interpretação.

    Outro exemplo:

    O parceiro chega mais quieto em casa.

    A interpretação pode ser:

    "Ele está bravo comigo."
    "Fiz alguma coisa errada."
    "Ele não me ama mais."

    Quando, na realidade, ele pode estar apenas cansado ou preocupado com outra questão.

    Como a psicanálise compreenderia isso?

    Freud não utilizava o termo "erro de atribuição de intenção", mas poderia compreender esse fenômeno através de mecanismos como:

    Projeção: sentimentos internos são percebidos como se viessem do outro.
    Transferência: experiências emocionais antigas são revividas nas relações atuais.
    Repetição de padrões afetivos: expectativas de abandono ou rejeição construídas ao longo da história passam a influenciar a leitura das relações presentes.

    Por exemplo, alguém que viveu experiências precoces de instabilidade emocional pode ficar especialmente atento a sinais de afastamento. Assim, situações neutras passam a ser interpretadas como ameaças.

    Por que isso causa sofrimento?

    Porque a pessoa reage não ao que o outro fez, mas ao significado que atribuiu ao comportamento.

    O ciclo costuma ser:

    Ocorre um fato ambíguo.
    Surge uma interpretação negativa.
    A emoção se intensifica (medo, raiva, tristeza).
    A reação acontece como se a interpretação fosse uma certeza.
    O relacionamento sofre consequências.
    Uma pergunta útil na clínica

    Quando surge a certeza sobre a intenção do outro, vale investigar:

    "O que a pessoa realmente fez?"

    "E o que estou supondo que ela quis dizer ou fazer?"

    Essa distinção entre fato e interpretação costuma ser muito importante no trabalho terapêutico com pessoas que apresentam características borderline, pois ajuda a reduzir conflitos e ampliar a capacidade de compreender diferentes possibilidades antes de concluir qual era a intenção do outro.


  • O que é um vínculo e como influencia a forma como nos relacionamos com outras pessoas?

    O que é um vínculo e como influencia a forma como nos relacionamos com outras pessoas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Pela perspectiva da psicanálise, um vínculo é muito mais do que uma simples relação entre duas pessoas. Trata-se de uma ligação afetiva construída a partir das experiências emocionais, conscientes e inconscientes, que estabelecemos com os outros ao longo da vida.

    Desde o nascimento, criamos nossos primeiros vínculos com as figuras de cuidado. Essas experiências iniciais influenciam profundamente a maneira como passamos a perceber a nós mesmos, os outros e o mundo.


  • Como a dinâmica de negação pode afetar a relação entre o paciente com Transtorno de Personalidade Bo

    Como a dinâmica de negação pode afetar a relação entre o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o terapeuta? Como o terapeuta pode garantir uma relação de confiança enquanto o paciente nega seu diagnóstico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Pela ótica psicodinâmica e psicanalítica, a negação é um mecanismo de defesa que protege o indivíduo de conteúdos psíquicos que geram sofrimento, vergonha, medo ou ameaça à sua autoimagem. Em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, a negação do diagnóstico pode ter um impacto significativo na relação terapêutica.


  • estou prestes a sair de um relacionamento abusivo de 18 anos ! qual profissional devo procurar após

    estou prestes a sair de um relacionamento abusivo de 18 anos ! qual profissional devo procurar após me separar dele ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Após sair de um relacionamento abusivo de 18 anos, o profissional mais indicado costuma ser um psicólogo, psicanalista ou psicoterapeuta qualificado, alguém que possa ajudá-la a elaborar não apenas o término, mas também os impactos emocionais acumulados ao longo desses anos.

    É comum que, após uma relação abusiva prolongada, a pessoa experimente:

    Dificuldade para confiar em si mesma;
    Culpa por estar saindo da relação;
    Medo do futuro;
    Baixa autoestima;
    Ansiedade;
    Sensação de vazio ou confusão sobre a própria identidade;
    Dificuldade para estabelecer limites;
    Ambivalência ("sei que preciso sair, mas sinto vontade de voltar").

    A terapia pode ajudar a reconstruir aspectos que muitas vezes ficam fragilizados em relações abusivas: autonomia, autoestima, segurança emocional e capacidade de reconhecer as próprias necessidades.


  • Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente excl

    Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente exclui da minha vida sem mais nem menos (nao houve nada), mas por vezes me veem esses impulsos e acabo que nao consigo manter relaçoes com pessoas, acabo me afastando, ignorando e muitas vezes sumindo real, trocando de numero, para não ter mais que falar com tais pessoas, e desde sempre foi assim, não tenho amigos, nenhum com 26 anos apenas, tenho uns 3 virtuais, e depois de alguns meses, sumi, inclusive estão preocupados, me mandando email e tudo, mas nao sinto esgotamento nem nada, só vontade de ficar isolada mesmo, e quando esse sentimento acaba, acabo sentindo falta dessas pessoas, mas com vergonha de procura las novamente, e mais algumas questoes que me fazem crer que eu tenha algo, algum transtorno...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    O seu relato chama atenção porque não se trata apenas de timidez ou dificuldade para fazer amizades. Você descreve um padrão que se repete desde a adolescência:

    Cria vínculos;
    As pessoas se tornam importantes;
    Surge um impulso de desaparecer;
    Você corta contato;
    Se isola;
    Depois sente falta dessas pessoas;
    Mas a vergonha impede a reaproximação.

    O fato de isso acontecer há muitos anos sugere que existe um padrão emocional mais profundo por trás desse comportamento.

    Primeiro, é importante dizer que não é possível concluir por esse relato isolado que você tenha um transtorno específico. Um diagnóstico exige avaliação clínica detalhada. No entanto, o que você descreve merece investigação psicológica.

    Pela perspectiva psicanalítica

    Eu ficaria menos interessado na pergunta:

    "Qual transtorno eu tenho?"

    E mais interessado na pergunta:

    "O que acontece dentro de mim quando alguém se aproxima?"

    Porque muitas vezes o afastamento não ocorre por falta de afeto.

    Na verdade, o que você relata sugere algo curioso:

    Você sente falta das pessoas depois.

    Ou seja, não parece haver ausência de necessidade de vínculo.

    O que existe pode ser uma dificuldade em sustentar a proximidade emocional.


  • Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressi

    Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressivo-ansioso, já medicada e em tratamento (cloridrato de desvenlafaxina) e faço TCC.
    Percebi que tenho ansiedade todos os dias no mesmo horário (entre 14:30 e 15hs) sem que eu me lembre de algum gatilho especifico nesse horário,não consegui evoluir em terapia ainda essa questão.Pensando em procurar por psicanalise, faz sentido mudar a abordagem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Sim, faz sentido considerar a psicanálise, mas não necessariamente porque a TCC esteja "errada" ou tenha falhado.

    O que me chama atenção no seu relato é a regularidade do horário. Quando uma ansiedade aparece quase todos os dias entre 14h30 e 15h, vale investigar diferentes possibilidades:

    Aspectos fisiológicos (alimentação, glicemia, sono, uso de cafeína, rotina de trabalho, efeitos da medicação);
    Aspectos ambientais (algo que ocorre regularmente nesse período, mesmo que pareça insignificante);
    Aspectos emocionais e inconscientes.

    A TCC costuma trabalhar muito bem a identificação de pensamentos automáticos, crenças e comportamentos associados à ansiedade. Porém, algumas pessoas sentem necessidade de explorar uma outra pergunta:

    "Por que justamente esse sintoma se organiza dessa forma na minha vida?"

    É aí que a psicanálise pode contribuir.

    O que a psicanálise investigaria?

    Freud observou que nem toda angústia possui um objeto claramente identificável. Às vezes, a pessoa sente a ansiedade antes mesmo de saber do que está ansiosa.

    No seu caso, um analista poderia explorar:

    O que esse horário representa na sua rotina?
    Há alguma lembrança, fase da vida ou experiência que se associa a esse período do dia?
    O que costuma acontecer emocionalmente pouco antes da ansiedade surgir?
    O que você evita pensar ou sentir quando a ansiedade aparece?

    Nem sempre a resposta surge rapidamente. Muitas vezes, ela aparece ao longo do processo analítico por meio de associações, sonhos, lembranças e repetições observadas na própria análise.


  • De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de

    De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de que serei deixada a qualquer momento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Pela perspectiva psicanalítica, o abandono de uma figura parental importante pode deixar marcas profundas não apenas pela ausência em si, mas pelo significado emocional que essa ausência adquire ao longo do desenvolvimento.

    Quando uma criança vivencia o afastamento, a rejeição ou a indisponibilidade de um pai, ela geralmente não possui recursos emocionais para compreender a complexidade da situação. Muitas vezes, ela tenta dar sentido à experiência com conclusões sobre si mesma, como:

    "Não fui importante o suficiente."
    "Algo em mim fez essa pessoa ir embora."
    "As pessoas que amo podem desaparecer."
    "Não posso confiar que alguém ficará."

    Essas conclusões nem sempre são conscientes, mas podem influenciar a forma como a pessoa se vincula ao longo da vida.

    Como isso pode se transformar em insegurança?

    Se uma experiência significativa de abandono não é elaborada, o psiquismo pode permanecer em estado de alerta diante da possibilidade de novas perdas.

    Então, em relacionamentos amorosos, amizades ou até mesmo vínculos profissionais, pode surgir uma expectativa silenciosa:

    "Mais cedo ou mais tarde, a pessoa vai me deixar."

    Essa expectativa não significa que você queira ser abandonada. Pelo contrário. Ela costuma refletir uma tentativa de se preparar para uma dor que já foi vivida antes.

    O paradoxo do medo de abandono

    Muitas pessoas que carregam essa ferida vivem um paradoxo:

    Desejam proximidade e amor;
    Mas sentem medo quando alguém se torna importante.

    Quanto maior o investimento emocional, maior pode ser a ansiedade.

    Pequenos acontecimentos passam a ser interpretados como sinais de afastamento:

    Uma mensagem respondida mais tarde;
    Uma mudança de humor do parceiro;
    Um desencontro na rotina.

    A dor antiga pode ser reativada por situações que, objetivamente, não representam abandono.

    O que a psicanálise investigaria?

    A análise não partiria da ideia de que o abandono do seu pai explica tudo, mas perguntaria:

    Como você viveu essa ausência?
    O que ela significou para você?
    Que explicações construiu sobre si mesma naquela época?
    Como essas experiências aparecem hoje nos seus relacionamentos?

    Muitas vezes, o sofrimento atual não vem apenas do que aconteceu, mas da forma como essa experiência foi internalizada.

    Uma observação importante

    O medo constante de ser deixada nem sempre indica que você é dependente ou fraca. Frequentemente, ele revela que houve uma ferida em um vínculo fundamental e que seu psiquismo aprendeu a permanecer atento para evitar reviver aquela dor.

    O trabalho terapêutico consiste, em parte, em diferenciar:

    "O que pertence à minha história?"

    e

    "O que está acontecendo na relação atual?"

    À medida que essa diferenciação acontece, a pessoa pode começar a se relacionar mais com o presente e menos com a expectativa de que o passado irá necessariamente se repetir.

    Uma pergunta que costuma ser muito rica em análise é:

    Quando surge o medo de ser abandonada, o que dói mais: perder a pessoa ou sentir novamente aquela sensação antiga de não ter sido escolhida?

    Essa distinção frequentemente ajuda a compreender o núcleo emocional da insegurança.


  • Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostari

    Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostaria de entender o que essa dor está revelando sobre a minha estrutura emocional agora.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Pela perspectiva psicanalítica, a descoberta de uma traição costuma produzir um sofrimento que vai muito além do fato em si.

    Quando alguém é traído, não se rompe apenas a confiança na relação. Muitas vezes são abaladas várias experiências psíquicas ao mesmo tempo:

    A confiança no outro;
    A imagem que a pessoa tinha do relacionamento;
    A sensação de segurança emocional;
    Os planos para o futuro;
    A percepção de si mesma dentro da relação.

    Por isso, é natural que o assunto ocupe grande parte dos pensamentos logo após a descoberta.

    A questão que a psicanálise costuma fazer não é apenas:

    "Por que estou sofrendo tanto?"

    Mas também:

    "O que exatamente foi ferido em mim?"

    Para algumas pessoas, a maior dor é a perda da confiança.

    Para outras, é a sensação de rejeição.

    Para outras, é a humilhação.

    Para outras ainda, é a quebra de uma idealização: a descoberta de que a pessoa amada não era exatamente quem imaginavam.


Perguntas frequentes

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