Perguntas do paciente (70)

  • Já amava meu psicólogo antes mesmo de iniciar a terapia com ele e ele tbm demonstrava q gostava de m

    Já amava meu psicólogo antes mesmo de iniciar a terapia com ele e ele tbm demonstrava q gostava de mim. Penso em falar com ele na terapia sobre isso. Como os doutores sabem que não é fantasia, pq comigo não é fantasia, já gostava mto antes da terapia. Como vocês afirmam q realmente é amor e o q fazer após isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    O que você está descrevendo é delicado e, ao mesmo tempo, muito humano. Sentir uma atração ou afeto intenso por alguém que oferece cuidado emocional como um psicólogo não é incomum, mas precisa ser pensado com atenção, porque o contexto terapêutico cria uma situação assimétrica de poder e confiança.

    É importante acolher o que você sente sem se julgar. A psicanálise e a psicoterapia sabem que sentimentos podem ser mistos, incluindo desejo, idealização, carinho e apego. Diferenciar fantasia de realidade emocional não é tão simples: muitas vezes, o que você sente é genuíno, mas a situação (a terapia) amplifica, organiza e dirige esse sentimento de maneiras específicas. Por exemplo: gostar de alguém antes de iniciar a terapia já existe no seu mundo emocional; a análise só traz isso para a superfície, dando espaço para refletir sobre o que significa, sobre seus limites, desejos e vulnerabilidades.

    O terapeuta, por sua vez, mantém limites éticos claros. Profissionais éticos não retribuem afetos românticos porque isso compromete a função terapêutica e a segurança emocional do paciente. A neutralidade terapêutica é justamente o que permite trabalhar com os sentimentos sem confusão, ajudando você a entender o que o amor mobiliza dentro de você.

    Uma forma de abordar na sessão é:

    “Quero falar sobre os sentimentos que surgiram comigo antes da terapia e que continuam fortes. Preciso compreender o que eles representam para mim.”

    Perguntas que podem orientar a reflexão:

    O que esse amor mobiliza em mim?

    Que partes minhas são reconhecidas ou idealizadas nele?

    O que esse sentimento diz sobre minhas experiências afetivas anteriores?

    O mais importante não é “resolver” se é amor ou não, mas usar o sentimento como material de análise, para compreender sua origem, seu impacto e suas repercussões na vida e nos relacionamentos fora da terapia.

    Se você sente que essa questão está ocupando muito espaço ou gerando angústia, levar o tema para a sessão é, em si, um passo significativo é justamente o que pode permitir compreender de forma segura o que o seu afeto realmente mobiliza.


  • Como saio da pornografia? Estou qs viciado oq faço?

    Como saio da pornografia? Estou qs viciado oq faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    É importante reconhecer o quanto isso pode gerar sofrimento. Quando alguém começa a se perguntar se está “quase viciado”, geralmente já percebe que o comportamento deixou de ser apenas um hábito e passou a ocupar um lugar que incomoda, culpa ou interfere na vida.

    O uso de pornografia, por si só, não define um problema. A questão costuma estar na função que ela ocupa: alívio de angústia, fuga de solidão, regulação emocional, descarga de tensão. Muitas vezes não é apenas sobre desejo sexual, mas sobre tentar anestesiar algo que não está encontrando outro caminho de elaboração. Quanto mais ela funciona como resposta automática ao desconforto, mais se fortalece o ciclo repetitivo.

    Talvez a pergunta não seja apenas “como sair?”, mas: em que momentos eu mais recorro a isso? O que estou sentindo logo antes? E o que fica evitado quando eu entro nesse comportamento?

    Do ponto de vista prático, pode ajudar:

    Mapear gatilhos (emoções, horários, contextos)

    Criar pequenas interrupções no automatismo (adiar alguns minutos antes de acessar)

    Reduzir estímulos que facilitam o acesso impulsivo

    Buscar outras formas de descarga ou regulação (atividade física, escrita, contato social)

    Mas, se há sensação de perda de controle, compulsão ou sofrimento significativo, vale considerar acompanhamento profissional. A repetição tem sempre uma lógica psíquica — e compreendê-la é mais eficaz do que lutar apenas contra o sintoma.

    Se você sente que esse comportamento está ocupando um espaço excessivo ou trazendo culpa e isolamento, podemos investigar juntos o que ele está encobrindo e como construir outras saídas possíveis.


  • O pensamento involuntário, aquele que surge do nada, muitas quando estamos em um ambiente de sala de

    O pensamento involuntário, aquele que surge do nada, muitas quando estamos em um ambiente de sala de aula, e que nos atrapalha a concentração na matéria dada pelo professor, é dado o start por quem? Como ficar focado 100% na experiência, na fala e ensinamento do professor?
    Gratidão pelas respostas e ensinamentos.

    São Carlos/SP

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    É muito legítima a sua dúvida. Pensamentos involuntários podem gerar frustração, principalmente quando surgem justamente em momentos em que queremos estar atentos, como em sala de aula. Muita gente interpreta isso como falta de disciplina ou desinteresse, quando na verdade o funcionamento psíquico é bem mais complexo.

    Do ponto de vista psíquico, o pensamento que “surge do nada” raramente vem do nada. Ele pode ser disparado por associações inconscientes: uma palavra do professor, um tom de voz, uma preocupação prévia, algo que já estava em segundo plano na mente. O inconsciente não funciona por comando voluntário — ele irrompe. A questão não é exatamente “quem dá o start?”, mas que o psiquismo está sempre em movimento, produzindo associações mesmo quando queremos foco absoluto.

    Sobre ficar 100% focado: essa é uma expectativa bastante rígida. A mente humana oscila naturalmente entre atenção e divagação. O problema não é o pensamento surgir, mas o quanto ele captura você. Às vezes, tentar eliminar completamente os pensamentos aumenta ainda mais a ansiedade e, paradoxalmente, a distração.

    Talvez valha se perguntar: o que costuma aparecer nesses momentos? São preocupações? Fantasias? Ansiedade de desempenho? Tédio? Autocrítica? O conteúdo desses pensamentos pode dizer algo sobre o que está em jogo naquela experiência de aprendizagem.

    Estratégias práticas ajudam (anotações ativas, pausas conscientes de respiração, organização do sono), mas se a distração é frequente e gera sofrimento ou prejuízo acadêmico, pode ser interessante investigar mais a fundo , inclusive para descartar questões como ansiedade intensa ou dificuldades atencionais.

    Se você percebe que sua mente frequentemente te afasta do presente e quer compreender melhor o que está por trás desses movimentos, a análise pode ser um espaço para explorar essas associações e fortalecer sua capacidade de atenção a partir da compreensão, não da cobrança.


  • Tenho 27 anos e nunca tive um orgasmos oq posso pra tá liberando o orgasmo?

    Tenho 27 anos e nunca tive um orgasmos oq posso pra tá liberando o orgasmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    O que você está descrevendo é mais comum do que parece, e é importante acolher essa experiência sem se culpar. O orgasmo não é apenas uma resposta física; ele envolve fatores emocionais, psicológicos, relacionais e corporais. Muitas pessoas passam anos sem experimentar orgasmo e, com atenção adequada, conseguem desbloqueá-lo.

    Alguns pontos importantes:

    1. Entender o corpo e o prazer

    Conhecer o próprio corpo é fundamental. Explorar zonas de prazer sem pressão, toque próprio, masturbação ou estímulos que tragam conforto e curiosidade ajuda o corpo a reconhecer sensações prazerosas.

    A ansiedade sobre “não conseguir” ou a expectativa de performance pode bloquear o reflexo orgástico.

    2. Relaxamento e atenção plena

    O orgasmo exige relaxamento e presença no momento. Técnicas de respiração, meditação ou atenção plena ao próprio corpo podem reduzir a tensão e aumentar a sensibilidade.

    Evite comparar-se com padrões externos ou a experiência de outras pessoas.

    3. Aspectos emocionais

    Bloqueios emocionais, culpas, traumas ou inseguranças podem interferir na capacidade de atingir orgasmo. Trabalhar esses conteúdos — sozinho ou com terapia — é muitas vezes determinante.

    Ansiedade, medo de julgamento ou vergonha podem reduzir a excitação e a percepção do prazer.

    4. Relações e comunicação

    No contexto de relações sexuais, comunicar desejos, limites e o que dá prazer ajuda a criar segurança e conforto.

    Explorar de forma gradual, sem pressa ou obrigação, permite que o corpo responda naturalmente.

    5. Apoio profissional

    Um(a) sexólogo(a) ou psicólogo(a) especializado em sexualidade pode guiar exercícios de consciência corporal, relaxamento e exploração do prazer.

    A análise também pode ser um espaço para investigar como fatores emocionais ou experiências passadas podem estar interferindo na sua experiência de prazer.

    Uma reflexão útil:

    “O que, na minha história ou no meu corpo, ainda não permite que eu sinta esse prazer plenamente?”

    Trazer essa pergunta para a terapia ou conversar com profissional especializado não é vergonha, é cuidado consigo mesma. Com atenção, paciência e exploração consciente, é possível desbloquear o orgasmo e descobrir novas formas de prazer.


  • Para a psicanálise o que seria o sujeito renunciar a si mesmo? Quais quadros ou transtornos pode o s

    Para a psicanálise o que seria o sujeito renunciar a si mesmo? Quais quadros ou transtornos pode o sujeito desenvolver?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Na psicanálise, a ideia de “renunciar a si mesmo” está ligada a um fenômeno profundo: o sujeito cede partes de seu desejo, vontade ou necessidade própria em função de expectativas externas, normas sociais ou demandas de outras pessoas. Não é simplesmente abrir mão de algo ocasionalmente; é um padrão em que o próprio sujeito se apaga em prol do outro ou de um ideal, muitas vezes sem perceber plenamente.

    1⃣ Como isso se manifesta

    Adaptação extrema: ajustar comportamento e opiniões para agradar ou evitar conflitos.

    Negação do desejo próprio: sentir que não tem direito a certas vontades ou necessidades.

    Dificuldade de limites: aceitar situações ou relações que geram sofrimento apenas para manter vínculo ou aprovação.

    Autoacusação e culpa: sentir que não está “à altura” ou que precisa se sacrificar constantemente.

    Na linguagem psicanalítica, pode envolver submissão ao superego, internalização de ideais parentais ou repetição de padrões relacionais que tornam o sujeito invisível para si mesmo.

    2⃣ Possíveis repercussões clínicas

    A renúncia crônica a si mesmo pode contribuir para o desenvolvimento de diferentes quadros ou sintomas, sem que exista um determinismo absoluto:

    Depressão: sentimento de vazio, desamparo, desesperança, desmotivação — muitas vezes ligado à frustração de nunca satisfazer o próprio desejo.

    Ansiedade e pânico: ansiedade difusa ou ataques de pânico podem surgir como reação ao conflito entre o desejo próprio e a exigência de agradar ou se adaptar.

    Transtornos de personalidade ou traços de dependência: dificuldades de autonomia, medo intenso de abandono ou insegurança relacional podem estar associados.

    Sintomas psicossomáticos: fadiga extrema, dores crônicas, distúrbios gastrointestinais ou outros sintomas físicos sem causa orgânica clara podem ser manifestações de conflitos internos não elaborados.

    Comportamentos autossabotadores: dificultar oportunidades, adiar decisões ou permanecer em relações prejudiciais pode ser uma forma inconsciente de manter o padrão de renúncia.

    3⃣ Reflexão psicanalítica

    Uma questão central seria:

    “O que estou abrindo mão para ser aceito, amado ou reconhecido? E o que isso me tira de mim mesmo?”

    Trazer essas situações para análise permite que o sujeito nomeie os conflitos, reconheça o próprio desejo e comece a criar modos de existência mais autênticos, sem abrir mão de si mesmo para o outro.


  • O que acontece com uma mulher que teve uma primeira vez traumática ao fazer sexo quando o cara não p

    O que acontece com uma mulher que teve uma primeira vez traumática ao fazer sexo quando o cara não parou na hora que ela pediu para parar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    O que você descreve configura uma experiência de abuso sexual, e não apenas uma “primeira vez difícil”. Quando o desejo de parar não é respeitado, isso deixa marcas físicas, emocionais e psíquicas profundas, especialmente porque a sexualidade feminina se constrói historicamente em relação à própria autonomia corporal e à confiança no outro.

    Na psicanálise, um evento traumático sexual precoce pode gerar alguns desdobramentos importantes:

    1⃣ Efeitos emocionais imediatos

    Medo e ansiedade em relação à intimidade sexual.

    Sentimento de culpa ou vergonha, mesmo que a culpa não seja da vítima.

    Raiva, repulsa ou confusão, já que a experiência conflita com o desejo de prazer que poderia existir.

    2⃣ Impactos na sexualidade futura

    Dificuldade em confiar no parceiro ou em entregar-se sexualmente.

    Evitação sexual, frieza ou desconexão durante o sexo.

    Medo de reviver a situação, pensamentos intrusivos ou flashbacks durante intimidade.

    Orgasmo bloqueado ou prazer reduzido, porque o corpo associa intimidade a ameaça ou perda de controle.

    3⃣ Consequências psíquicas mais amplas

    Transtornos de ansiedade e depressão, com medo constante de repetição ou insegurança relacional.

    Sintomas de estresse pós-traumático, como lembranças invasivas, hipervigilância ou alterações de humor.

    Relações interpessoais marcadas por desconfiança, seja na sexualidade, seja em vínculos afetivos em geral.

    4⃣ O papel da psicanálise

    Na análise, esse tipo de experiência é trabalhado como material psíquico, não apenas como relato factual. A abordagem permite:

    Explorar os sentimentos de impotência, raiva e vergonha associados ao trauma.

    Compreender como esse episódio organiza padrões emocionais e relacionais futuros.

    Trabalhar o reencontro com o próprio corpo e desejo, respeitando o ritmo e os limites da paciente.

    Uma reflexão clínica útil:

    “O que essa experiência me ensinou sobre meu corpo, meu desejo e meus limites? Como isso ainda influencia minhas relações atuais?”

    Trazer esses sentimentos para análise permite que a paciente reconquiste autonomia e segurança sobre o próprio corpo, sem a pressão de apagar ou ignorar o trauma.


  • Hipnose Ericksoniana pode ser feita online para fobia de avião?

    Hipnose Ericksoniana pode ser feita online para fobia de avião?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    É compreensível buscar alternativas quando uma fobia começa a limitar escolhas e experiências, como viajar de avião. O medo pode ser muito intenso, mesmo quando racionalmente a pessoa sabe que o risco é baixo.

    A Hipnose Ericksoniana, desenvolvida por Milton Erickson, é uma abordagem que utiliza estados de atenção focada e linguagem indireta para acessar recursos internos e flexibilizar respostas emocionais. Ela é bastante utilizada em casos de fobias, inclusive medo de avião, porque trabalha com imaginação guiada, ressignificação de experiências e dessensibilização simbólica.

    Sim, ela pode ser feita online. O estado hipnótico não depende de presença física, mas de vínculo, concentração e condução adequada. Muitos profissionais realizam atendimentos virtuais com bons resultados, especialmente quando o paciente consegue estar em um ambiente reservado e tranquilo durante a sessão.

    Ao mesmo tempo, vale considerar que nenhuma técnica é “mágica” ou padronizada. Em fobias, é importante avaliar:

    Intensidade do medo

    Presença de ataques de pânico

    Histórico de traumas

    Expectativas em relação ao tratamento

    Às vezes a fobia está ligada apenas a uma resposta condicionada de ansiedade; em outros casos, ela pode estar conectada a experiências mais profundas de perda de controle, vulnerabilidade ou experiências passadas.

    Talvez a pergunta também seja: o que exatamente no avião te assusta? A queda? O confinamento? A falta de controle? A antecipação da ansiedade?

    Se o medo tem limitado sua vida, buscar acompanhamento é um passo importante. Seja por hipnose, terapia cognitivo-comportamental ou abordagem psicodinâmica, o fundamental é um trabalho estruturado e conduzido por profissional qualificado. Se desejar, posso explicar como normalmente funciona um processo terapêutico para fobias e quais critérios observar ao escolher um profissional.


  • Olá, eu tenho uma filha que é muito apegada a mim, ele tem 13 anos, ela quer que eu durma com ela, s

    Olá, eu tenho uma filha que é muito apegada a mim, ele tem 13 anos, ela quer que eu durma com ela, só posso sair se for com ela e quando faço ao contrario ela chora muito, eu percebo que mimei ela demais pois com meu outro filho não fiz isso e com ela exagerei, mas isso tem me sugado muito, sinto que nao tenho mais nenhum tempo para mim. Um dia marquei um encontro com amigas para beber e conversar, ela chorrou tanto que tive que levar e foi algo muito constrangedor pois ninguém tinha levado os filhos. Como posso trabalhar para mostrar a ela que isso lhe prejudica, que ela precisa crescer aos poucos e se desapegar tanto? Isso não acontece só comigo , dependendo da pessoal ela se apegada rápido e sempre chora também.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    O que você está descrevendo é muito desafiador e é compreensível sentir-se sobrecarregada. Filhos muito apegados criam uma tensão constante entre o desejo de autonomia deles e a necessidade de espaço pessoal dos pais. Aos 13 anos, a adolescência já começa a pedir pequenos deslocamentos, mas o apego pode continuar intenso, especialmente se a rotina anterior reforçou proximidade e dependência.

    O primeiro passo é acolher o que ela sente, sem culpabilizá-la nem se culpar. O choro e a ansiedade dela não significam que você esteja errando, mas que ela ainda não desenvolveu algumas habilidades de regulação emocional e independência. Ao mesmo tempo, é legítimo e saudável que você tenha seus próprios espaços e momentos de descanso ou convívio social.

    Algumas estratégias práticas:

    Gradualidade – Comece a propor pequenas separações planejadas, curtas, que ela consegue tolerar, e vá aumentando o tempo aos poucos. O cérebro emocional da criança/adolescente precisa de experiências graduais de desapego para se sentir seguro.

    Antecipação e negociação – Avise com antecedência sobre momentos que você vai se ausentar. Explique o motivo e combine algo positivo que ela possa fazer nesse período.

    Fortalecer autonomia – Incentive atividades que ela possa fazer sozinha ou com amigos, oferecendo suporte inicial mas não intervindo de imediato.

    Exemplo de autocuidado – Mostre que cuidar de si mesma é importante e normal. Ao ver que você retorna segura e presente, a confiança dela aumenta.

    Diálogo sobre sentimentos – Em vez de enfatizar só a necessidade de desapego, ajude-a a nomear sentimentos: “Eu sei que é difícil quando não estou com você, mas isso não significa que eu te amo menos”.

    Vale observar que esse padrão de apego intenso pode se repetir com outras pessoas, o que indica que parte do desafio está na forma como ela regula a ansiedade de separação. A terapia infantil ou familiar pode ajudar muito a trabalhar essas questões de forma estruturada, sem que você sinta culpa ou sobrecarga.

    Se você sente que a situação está sugando seu bem-estar e afetando sua vida social, emocional e profissional, conversar com um psicólogo pode ser um passo importante. É possível aprender formas de criar limites afetivos claros e saudáveis, respeitando o tempo de crescimento dela sem abrir mão do seu espaço pessoal.


  • Sonhei que estava apaixonada pela minha pscalanista e que era recíproco. Esse sonho revela que estou

    Sonhei que estava apaixonada pela minha pscalanista e que era recíproco. Esse sonho revela que estou fazendo transferência?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    O que você descreve tem muito a ver com o fenômeno que chamamos de transferência, mas é importante entender o que isso significa na prática.

    Na psicanálise, transferência é quando sentimentos, desejos ou expectativas que você já tem ou teve em outros relacionamentos — muitas vezes da infância ou de relações importantes — se projetam sobre o analista. Isso inclui carinho, admiração, raiva, ciúme ou até desejo sexual.

    Sonhar que sente amor ou que é correspondida pelo analista não indica necessariamente que você “de fato está apaixonada” nele. É mais provável que o sonho esteja revelando algo que você está transferindo para a relação terapêutica: desejos de afeto, aceitação, cuidado, segurança, e a forma como você vivencia intimidade e vínculo emocional.

    O sonho torna consciente algo que já estava funcionando de maneira inconsciente: a relação analítica é um espaço privilegiado para explorar sentimentos que talvez não se manifestem com tanta intensidade em outras relações. A experiência de afeto ou desejo no sonho pode ser uma forma de seu psiquismo trabalhar o que está sendo vivido na análise.

    Uma pergunta que ajuda a aprofundar o tema:

    “O que esse amor no sonho me faz sentir sobre mim mesma e sobre meus vínculos afetivos?”

    Trazer o sonho para a sessão é, justamente, material de análise. É aí que ele deixa de ser apenas fantasia e passa a iluminar padrões emocionais, desejos e necessidades que você tem vivido na vida real.


  • É possível o paciente fazer análise mas experimentar a Terapia do Esquema com outro profissional mas

    É possível o paciente fazer análise mas experimentar a Terapia do Esquema com outro profissional mas sem deixar o profissional nem abandonar o prosseguimento da terapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Isaías Amorim

    Sim, é possível e, na prática clínica, não é incomum que pacientes experimentem abordagens diferentes simultaneamente ou em paralelo, desde que haja consciência sobre o que cada espaço oferece e qual é o objetivo de cada intervenção.

    Do ponto de vista psicanalítico, a análise trabalha fundamentalmente com a escuta do inconsciente, o acompanhamento das resistências e das repetições, e o processo é lento e contínuo. Já a Terapia do Esquema (uma abordagem cognitivo-comportamental avançada) é mais estruturada, com técnicas direcionadas a modificar padrões cognitivos, emocionais e comportamentais. Cada abordagem tem ritmo, foco e ferramentas diferentes.

    O ponto delicado é como você lida com a experiência em ambos os contextos:

    É importante manter clareza sobre qual espaço serve para quê.

    Ter consciência de que mudanças rápidas promovidas em uma abordagem podem ser discutidas ou questionadas na outra.

    Evitar que haja competição entre os profissionais, para que você não se sinta dividido ou sobrecarregado.

    Uma reflexão útil pode ser:

    “O que busco na análise que não consigo na Terapia do Esquema, e vice-versa?”

    Se essa articulação for feita com consciência, você pode se beneficiar de duas perspectivas complementares sem abandonar o processo de análise. Em muitos casos, trazer à análise suas experiências com outra terapia também vira material rico de interpretação e elaboração, enriquecendo o processo psicanalítico.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.