Perguntas do paciente (48)
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O tratamento para o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser curto ou pode durar a vida
O tratamento para o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser curto ou pode durar a vida toda?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline varia de acordo com cada pessoa. Não existe um tempo fixo: alguns pacientes apresentam melhora significativa ao longo de alguns anos com tratamento adequado, enquanto outros podem precisar de acompanhamento por períodos mais longos. Psicoterapias com boa evidência científica, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), são consideradas tratamentos de primeira linha e podem reduzir de forma importante os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
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Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente excl
Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente exclui da minha vida sem mais nem menos (nao houve nada), mas por vezes me veem esses impulsos e acabo que nao consigo manter relaçoes com pessoas, acabo me afastando, ignorando e muitas vezes sumindo real, trocando de numero, para não ter mais que falar com tais pessoas, e desde sempre foi assim, não tenho amigos, nenhum com 26 anos apenas, tenho uns 3 virtuais, e depois de alguns meses, sumi, inclusive estão preocupados, me mandando email e tudo, mas nao sinto esgotamento nem nada, só vontade de ficar isolada mesmo, e quando esse sentimento acaba, acabo sentindo falta dessas pessoas, mas com vergonha de procura las novamente, e mais algumas questoes que me fazem crer que eu tenha algo, algum transtorno...
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma situação que merece atenção, principalmente porque você relata que esse padrão acontece desde a adolescência e tem se repetido em diferentes fases da vida. No entanto, não é possível concluir, apenas pelo seu relato, que exista um transtorno de personalidade ou outro diagnóstico específico.
Pela perspectiva da psicanálise, esse movimento de romper vínculos de forma repentina pode representar uma maneira inconsciente de lidar com conflitos emocionais, intimidade ou medo de sofrer. Em algumas pessoas, afastar-se antes que a relação se torne mais profunda funciona como uma forma de proteção, mesmo que depois surjam saudade e arrependimento. Compreender a origem desse padrão é uma parte importante do processo terapêutico.
Do ponto de vista da psicologia baseada em evidências, também é importante investigar outras possibilidades. Dificuldades persistentes em manter relacionamentos podem estar presentes em diferentes condições, como transtornos de personalidade, transtornos de ansiedade, depressão, traços do Transtorno do Espectro Autista em alguns casos, ou simplesmente refletir um padrão de funcionamento emocional desenvolvido ao longo da vida. Por isso, uma avaliação clínica cuidadosa é essencial antes de atribuir um diagnóstico.
A neurociência mostra que os relacionamentos sociais são fundamentais para a saúde mental e cerebral. Quando o isolamento se torna um padrão recorrente e traz prejuízos à vida da pessoa, vale a pena investigar o que está sustentando esse comportamento, especialmente porque você relata sentir falta das pessoas depois, mas acaba impedida pela vergonha de retomar o contato.
Minha orientação seria procurar um psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação detalhada. Mais do que descobrir "qual transtorno eu tenho", o objetivo é compreender por que esse padrão se repete e desenvolver formas mais saudáveis de construir e preservar vínculos. O fato de você reconhecer esse comportamento e desejar entendê-lo já é um passo importante para a mudança.
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Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressi
Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressivo-ansioso, já medicada e em tratamento (cloridrato de desvenlafaxina) e faço TCC.
Percebi que tenho ansiedade todos os dias no mesmo horário (entre 14:30 e 15hs) sem que eu me lembre de algum gatilho especifico nesse horário,não consegui evoluir em terapia ainda essa questão.Pensando em procurar por psicanalise, faz sentido mudar a abordagem?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, faz sentido discutir essa possibilidade com o profissional que a acompanha. A ansiedade em um horário específico pode estar relacionada a fatores biológicos, hábitos, contexto ou padrões emocionais que nem sempre são facilmente identificados. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens com maior respaldo científico para ansiedade e depressão, mas, quando os resultados não são os esperados, pode ser pertinente reavaliar a estratégia terapêutica ou considerar outra abordagem, de acordo com as necessidades individuais. O mais importante é que essa decisão seja tomada junto ao profissional responsável pelo seu acompanhamento.
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Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no
Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no passado através das minhas relações do presente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Se essa experiência estiver influenciando seus relacionamentos atuais, o processo terapêutico pode ajudar a identificar esses padrões, compreender como eles se formaram e desenvolver formas mais saudáveis de se relacionar. O objetivo não é 'apagar' o passado, mas reduzir a influência que ele exerce sobre o presente, favorecendo maior autonomia emocional e relações mais equilibradas. A escolha das ferramentas dependerá da abordagem terapêutica e das necessidades de cada pessoa.
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De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de
De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de que serei deixada a qualquer momento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Experiências precoces de abandono ou de vínculos instáveis podem influenciar a forma como a pessoa percebe segurança e confiança nos relacionamentos ao longo da vida. Em alguns casos, isso pode favorecer o desenvolvimento de insegurança, medo de rejeição ou hipervigilância em relação à possibilidade de ser abandonada. No entanto, essa relação não é automática nem ocorre da mesma forma para todas as pessoas. Um processo terapêutico pode ajudar a compreender como sua história de vida influenciou esses padrões e desenvolver formas mais saudáveis de se relacionar.
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Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostari
Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostaria de entender o que essa dor está revelando sobre a minha estrutura emocional agora.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A descoberta de uma traição costuma provocar um impacto emocional intenso e pode afetar a sensação de segurança, confiança, autoestima e previsibilidade nos relacionamentos. Quando essa experiência passa a ocupar grande parte dos pensamentos, pode indicar que a mente está tentando compreender e elaborar um evento vivido como muito significativo. Um processo terapêutico pode ajudar a identificar como essa vivência repercute na sua história, nas suas crenças e na forma como você se relaciona, favorecendo uma elaboração mais saudável dessa experiência.
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Descobri uma traição do meu parceiro e terminei, como posso trabalhar o medo de que essa situação se
Descobri uma traição do meu parceiro e terminei, como posso trabalhar o medo de que essa situação se repita em outros vínculos?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Após uma traição, é comum que surjam medo, insegurança e dificuldade para confiar novamente. Em terapia, é possível trabalhar a elaboração dessa experiência, identificar como ela impactou suas crenças sobre si mesma, sobre os relacionamentos e sobre a confiança, além de desenvolver recursos para que essa vivência não determine a forma como você se relacionará no futuro. Cada processo é individual, mas é possível reconstruir a confiança de maneira gradual e saudável.
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Estou casado há 22 anos, há alguns meses me envolvi com outra mulher, não consigo deixá-la, mas tamb
Estou casado há 22 anos, há alguns meses me envolvi com outra mulher, não consigo deixá-la, mas também não consigo abandonar meu casamento que é harmonioso e tenho um filho com a minha mulher. Não consigo sair dessa situação, porém não me sinto bem nela, está me consumindo. O que fazer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Situações como essa geram sofrimento significativo e costumam estar relacionadas a padrões emocionais e de apego que demandam compreensão adequada em um processo terapêutico. Não existe uma resposta simples ou única para conflitos dessa natureza. Em psicoterapia, é possível explorar os valores, as necessidades emocionais, os mecanismos envolvidos na manutenção desse comportamento e as consequências para você e para as pessoas ao seu redor, favorecendo maior clareza e possibilidade de escolhas mais conscientes. Recomendo que procure um profissional para acompanhar esse caso com a profundidade que ele exige.
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Fazer uma pergunta para o cérebro antes de adormecer Escrever uma pergunta para o Subconsciente depo
Fazer uma pergunta para o cérebro antes de adormecer Escrever uma pergunta para o Subconsciente depois fechar olhos deitar e dormir pra técnica ficar melhor tenho que repetir falar a frase mentalmente da pergunta até apagar? Ou o Subconsciente terá memória da escrita??
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não existem evidências científicas que sustentem a ideia de que o subconsciente funcione como um oráculo capaz de responder a perguntas formuladas antes do sono, independentemente de a pergunta ter sido escrita ou repetida mentalmente. O que a neurociência reconhece é o processo de 'incubação', onde o cérebro continua a processar informações e problemas enquanto dormimos, consolidando memórias e, por vezes, facilitando a percepção de soluções ao acordar. No entanto, isso é um processo biológico natural de processamento de dados e não depende de técnicas específicas de 'perguntas ao subconsciente'.
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Namoro a 1 ano e moramos juntos, tivemos muitas brigas feias mesmo. A um tempo atrás eu errei com el
Namoro a 1 ano e moramos juntos, tivemos muitas brigas feias mesmo. A um tempo atrás eu errei com ele e tivemos uma briga feia, porém depois dessa briga, eu comecei a ficar muito apática em relação a ele, só que essa apatia se estendeu a todas as áreas da minha vida, como querer estudar, se arrumar, fazer tarefas básicas do dia. Eu fico tentando procurar respostas por meio se tarot e quando alguém diz "você ainda o ama" eu tenho um alívio imediato. Porém volta a mesma ansiedade, e o mais estranho é que não sinto mais atração física, fico comparando ele com outros caras, e eu me sinto mal pq eu quero sentir amor e atração por ele... As vezes do nada sinto um frio na barriga quando ele me beija, e fico feliz as vezes do nada em imaginar eu e ele se tornando pais. Porém essa falta de amor por ele volta muito forte e eu sinto culpa, não consigo terminar pq eu tenho muita gratidão por tudo que vivemos e tenho medo de se arrepender. Quero muito voltar a amar ele, muito mesmo. O que pode ser isso que está acontecendo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve pode estar relacionado a diferentes fatores, como o impacto emocional das brigas, ansiedade, culpa, desgaste da relação ou até sintomas depressivos. Não é possível identificar a causa apenas por esse relato. A busca constante por confirmações externas, como no tarot, seguida de alívio temporário e retorno da ansiedade, pode indicar um ciclo de busca de certeza que merece atenção clínica. O mais indicado é realizar uma avaliação com um psicólogo para compreender o que está acontecendo e diferenciar se a dificuldade está ligada ao relacionamento em si, a um quadro de ansiedade ou a outros aspectos emocionais. Esse entendimento é fundamental antes de tomar decisões importantes sobre a relação.
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Olá, quanto tempo dura uma análise? Muito obrigada
Olá, quanto tempo dura uma análise? Muito obrigada
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não existe um tempo determinado. A duração de uma análise varia conforme os objetivos, a demanda apresentada e a evolução de cada pessoa. Alguns processos duram meses, enquanto outros podem se estender por anos. O mais importante é que o acompanhamento seja continuamente avaliado entre paciente e terapeuta, de acordo com as necessidades e os resultados obtidos.
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Tenho uma dúvida sobre a técnica do copo com água divulgada por Lair Ribeiro. Nessa prática, a pesso
Tenho uma dúvida sobre a técnica do copo com água divulgada por Lair Ribeiro. Nessa prática, a pessoa faz uma pergunta ao subconsciente, bebe metade da água antes de dormir e depois bebe o restante ao acordar.
Minha dúvida é a seguinte: se após beber o primeiro gole a pessoa demora bastante tempo para adormecer, essa demora poderia enfraquecer ou até ‘dissipar’ o possível efeito da técnica? Ou o processo já estaria estabelecido independentemente do tempo que se leve para pegar no sono?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Até o momento, não há evidências científicas de boa qualidade que sustentem a eficácia dessa técnica ou que demonstrem que beber água antes de dormir possa influenciar o subconsciente da forma como é proposta. Da mesma forma, não existem estudos que indiquem que o tempo para adormecer fortaleça ou enfraqueça um suposto efeito da prática. Se a técnica proporciona algum benefício para uma pessoa, isso pode estar relacionado a fatores como expectativa, sugestão ou ao ritual em si, e não a um mecanismo comprovado pela ciência.
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E se eu não gostar do meu analista nas primeiras sessões? Devo insistir ou é melhor trocar logo de p
E se eu não gostar do meu analista nas primeiras sessões? Devo insistir ou é melhor trocar logo de profissional?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
É possível não gostar do analista nas primeiras sessões, e isso não significa automaticamente que seja necessário trocar de profissional. A relação terapêutica leva algum tempo para ser construída e, na psicanálise, sentimentos de incômodo, resistência ou até antipatia podem surgir e fazer parte do próprio processo analítico.
Uma boa pergunta é: “Não gostei porque estou estranhando o processo ou porque existe algo na postura do profissional que realmente me faz sentir inseguro(a)?”
Se for apenas falta de familiaridade, pode valer a pena continuar algumas sessões e observar. Inclusive, você pode falar diretamente sobre isso com o analista. A maneira como ele recebe e trabalha sua crítica pode fornecer informações importantes sobre a qualidade da relação terapêutica.
Por outro lado, não é necessário insistir indefinidamente. Se você se sente desrespeitado(a), julgado(a), pressionado(a), invadido(a), inseguro(a) ou percebe falta de ética, competência ou limites profissionais, procurar outro profissional é plenamente legítimo.
Na prática, eu recomendaria dar algumas sessões para avaliar a adaptação, mas sem transformar a permanência em obrigação. O tratamento precisa oferecer um vínculo suficientemente seguro para que você consiga falar inclusive sobre aquilo que incomoda na própria terapia.
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Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar c
Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar com essa culpa sem me forçar a perdoar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim. A psicanálise pode ajudar a compreender a origem desse sentimento de culpa, os padrões relacionais envolvidos e os conflitos emocionais associados ao desejo de se afastar da família. O objetivo não é levar a pessoa a perdoar ou retomar vínculos, mas favorecer uma compreensão mais profunda de sua experiência para que possa fazer escolhas de forma mais consciente. A decisão de manter ou não um relacionamento familiar deve considerar a história, o contexto e o bem-estar de cada pessoa.
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Todo mundo hoje diz que tem TDAH ou burnout. A psicanálise acredita nesses diagnósticos ou busca ent
Todo mundo hoje diz que tem TDAH ou burnout. A psicanálise acredita nesses diagnósticos ou busca entender o que está por trás do sintoma?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A psicanálise pode reconhecer que uma pessoa apresenta um diagnóstico de TDAH ou burnout, mas sua proposta clínica é diferente de simplesmente explicar o sofrimento pelo diagnóstico. Ela procura compreender também o significado do sintoma, sua função na vida psíquica e a história singular daquela pessoa.
Isso não significa que a psicanálise considere TDAH ou burnout "invenções". O TDAH é uma condição clínica reconhecida, com critérios diagnósticos específicos, e o burnout é reconhecido pela OMS como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho. O problema está em transformar qualquer dificuldade de concentração, cansaço ou procrastinação automaticamente em um diagnóstico.
Por exemplo, dificuldades de atenção podem aparecer em TDAH, mas também em ansiedade, depressão, privação de sono, estresse crônico e outras condições. Por isso, diagnóstico exige avaliação clínica adequada, e não apenas identificação com conteúdos das redes sociais.
Na perspectiva psicanalítica, mesmo quando existe um diagnóstico estabelecido, permanece a pergunta: "O que esse sintoma representa para esta pessoa?" Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar conflitos, histórias e formas de funcionamento completamente diferentes.
Portanto, não precisamos escolher entre "diagnóstico" e "compreensão do sujeito". Uma avaliação clínica responsável pode reconhecer a condição existente e, ao mesmo tempo, investigar aquilo que está por trás da maneira particular como ela se manifesta.
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É verdade que na psicanálise o terapeuta quase não fala?
É verdade que na psicanálise o terapeuta quase não fala?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não exatamente. Essa é uma simplificação bastante difundida da psicanálise.
Na psicanálise, o analista pode falar menos do que em algumas modalidades de psicoterapia, mas isso não significa permanecer em silêncio. A característica central é que o analista não ocupa o lugar de alguém que oferece respostas prontas, conselhos ou interpretações para todos os problemas do paciente.
A escuta tem uma função clínica específica. O analista pode fazer perguntas, pontuações, interpretações e intervenções quando considera que isso pode favorecer a associação e a elaboração do paciente. Em determinados momentos, inclusive, uma intervenção breve pode ter mais efeito do que uma explicação longa.
Isso também varia conforme a orientação psicanalítica e o estilo do profissional. Freud, por exemplo, não estabeleceu uma regra de que o analista deveria simplesmente permanecer calado.
Portanto, se alguém está em análise e sente que o profissional nunca fala, nunca intervém ou parece simplesmente esperar a sessão terminar, é perfeitamente legítimo conversar sobre isso. O silêncio pode ser uma intervenção clínica, mas silêncio não é sinônimo de boa psicanálise.
A questão mais importante é compreender qual função o silêncio está desempenhando naquele tratamento.
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Como funciona o papel de associação livre na prática da psicanálise?
Como funciona o papel de associação livre na prática da psicanálise?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na prática, a associação livre é uma das principais ferramentas da psicanálise. A proposta é que o paciente fale sobre o que vier à mente, tentando não selecionar previamente aquilo que considera importante, lógico, adequado ou socialmente aceitável.
Isso não significa falar de maneira completamente aleatória. Durante a sessão, o paciente pode começar contando algo que aconteceu naquele dia e, a partir daí, lembrar de uma pessoa, uma situação antiga, um sonho, uma fantasia ou uma emoção aparentemente sem relação com o assunto inicial. Essas conexões são justamente parte do material que interessa à escuta analítica.
O analista, por sua vez, não precisa interpretar cada frase. Ele acompanha repetições, contradições, lapsos, mudanças de assunto, silêncios e afetos que aparecem no discurso e pode realizar intervenções ou interpretações quando considerar clinicamente pertinente.
Um ponto importante é que não existe obrigação de conseguir associar livremente desde a primeira sessão. Vergonha, resistência, medo de julgamento ou dificuldade de colocar determinadas experiências em palavras também podem fazer parte do processo e podem ser trabalhados na própria análise.
Em termos simples: a associação livre procura diminuir o controle consciente sobre o discurso para que conteúdos, conflitos e padrões que normalmente ficam fora do foco possam aparecer e ser elaborados.
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Sempre sonho com um homem em épocas diferentes que sempre fala que vai me encontrar, me fala o nome
Sempre sonho com um homem em épocas diferentes que sempre fala que vai me encontrar, me fala o nome dele; é como se fossemos apaixonados...mas quando acordo não me lembro do rosto dele e nem do nome...o que isso significa?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Esse tipo de sonho não possui um significado universal nem permite concluir que exista um homem específico que você esteja destinada a encontrar. O fato de o sonho se repetir, porém, pode ser clinicamente interessante.
Na perspectiva psicanalítica, o mais relevante talvez não seja descobrir quem é esse homem, mas compreender o que ele representa para você. A figura recorrente pode funcionar como uma representação de desejo, expectativa, necessidade afetiva ou de uma determinada forma de vínculo. O fato de vocês aparecerem como apaixonados pode ser mais importante do que a identidade dele. O esquecimento do rosto e do nome ao despertar também não é estranho: boa parte do conteúdo dos sonhos é rapidamente esquecida após acordarmos.
Pela neurociência, sonhos incorporam fragmentos de memórias, emoções e representações que podem ser combinados de maneira bastante flexível durante o sono. Portanto, não lembrar do rosto ou do nome não significa que você esteja reprimindo necessariamente uma identidade específica. Também não é evidência de premonição ou de uma pessoa real que irá aparecer na sua vida.
Se esse sonho realmente se repete em diferentes períodos, eu investigaria principalmente o que você sente durante e depois dele: segurança, paixão, saudade, desejo, perda, ansiedade? E o que estava acontecendo na sua vida quando esses sonhos reapareceram? Essas informações podem revelar muito mais sobre o significado psicológico do sonho do que tentar identificar literalmente o homem.
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Tive uma crise de ansiedade que me desabilitou por um.tenpo, depois melhorei, porém sinto que depois
Tive uma crise de ansiedade que me desabilitou por um.tenpo, depois melhorei, porém sinto que depois disso não consegui voltar "ao normal" como era antes. Isso é natural de acontecer ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, isso pode acontecer. Após uma crise de ansiedade intensa, algumas pessoas permanecem por um período mais sensíveis aos sinais do próprio corpo, com receio de ter uma nova crise ou com a sensação de que 'algo mudou'. Essa recuperação nem sempre é imediata e varia de pessoa para pessoa. Se essa sensação persiste ou está impactando sua rotina, é importante buscar uma avaliação com um profissional de saúde mental para identificar os fatores envolvidos e definir o tratamento mais adequado.
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Quanto tempo dura uma psicoterapia da área da psicanálise?
Quanto tempo dura uma psicoterapia da área da psicanálise?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não existe um tempo padrão para uma psicoterapia de orientação psicanalítica. A duração depende da demanda, dos objetivos, da história do paciente e da evolução do processo. Pode durar alguns meses ou se estender por períodos mais longos.
Na psicanálise tradicional, muitas vezes o tratamento é de longo prazo, porque não se busca apenas aliviar um sintoma específico, mas compreender conflitos, padrões de relacionamento e modos de funcionamento que foram construídos ao longo da história do indivíduo.
Na minha forma de trabalhar, porém, o processo é mais estruturado e orientado para objetivos terapêuticos definidos. Primeiro realizo uma avaliação para compreender a demanda, identificar os principais conflitos e estabelecer quais mudanças são prioritárias. A partir disso, o tratamento é conduzido de maneira individualizada, acompanhando a evolução e os resultados ao longo do processo.
Isso significa que não considero necessário manter alguém indefinidamente em terapia para que ela possa obter resultados. Ao mesmo tempo, não seria responsável estabelecer antecipadamente que determinada questão será resolvida em um número fixo de sessões, porque cada pessoa responde de maneira diferente.
Portanto, se você está pensando em iniciar uma psicoterapia, a melhor pergunta não é apenas "quanto tempo vai durar?", mas "o que precisamos trabalhar e como saberemos que estou avançando?". É justamente isso que uma boa avaliação inicial deve esclarecer.
Perguntas frequentes
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É obrigatório estar tomando anticocepcional para fazer uso do roacutan?
Para pessoas que possam engravidar é necessário o uso de método contraceptivo…