Perguntas do paciente (554)

  • Para tratamento de ansiedade e depressão, qual é mais recomendado: Neuropsicólogo ou Psicólogo?

    Para tratamento de ansiedade e depressão, qual é mais recomendado: Neuropsicólogo ou Psicólogo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Essa é uma dúvida importante, e vale esclarecer com cuidado. Para tratamento de ansiedade e depressão, o profissional mais indicado, na maioria dos casos, é o psicólogo. É ele quem vai conduzir o processo psicoterapêutico, ajudando a entender padrões de pensamento, emoções e comportamentos, além de trabalhar estratégias para lidar com os sintomas de forma mais profunda.

    O neuropsicólogo também é psicólogo, mas com uma especialização voltada principalmente para avaliação das funções cognitivas, como memória, atenção e raciocínio. Ele costuma ser mais indicado quando existe suspeita de alterações neurológicas, dificuldades cognitivas específicas ou necessidade de uma avaliação mais detalhada do funcionamento cerebral. Ou seja, não é que ele não possa ajudar, mas o foco dele geralmente não é o tratamento direto da ansiedade e da depressão.

    Em alguns casos, dependendo da intensidade dos sintomas, também pode ser interessante uma avaliação com psiquiatra, especialmente se houver necessidade de medicação. Mas isso não substitui o processo terapêutico, que é onde muitas das mudanças mais consistentes acontecem ao longo do tempo.

    Talvez valha refletir: o que mais tem te incomodado hoje, são os sintomas emocionais, os pensamentos ou alguma dificuldade de concentração e memória? Você já percebeu há quanto tempo isso vem acontecendo e como tem impactado sua rotina? O que você espera encontrar em um processo de tratamento nesse momento?

    Com o acompanhamento adequado, é possível organizar melhor essas experiências e construir formas mais saudáveis de lidar com elas.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Quantos sintomas preciso ter para ser diagnosticado com transtorno de ansiedade?

    Como é diagnosticado uma pessoa com ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Essa é uma dúvida muito comum, e é importante esclarecer que a ansiedade, por si só, não é um diagnóstico. A ansiedade é uma emoção natural do ser humano, necessária inclusive para a sobrevivência. O que avaliamos clinicamente é quando esse sistema começa a funcionar de forma desregulada, intensa ou frequente a ponto de gerar sofrimento ou prejuízo na vida da pessoa.

    O diagnóstico não é feito por um único teste ou exame. Ele acontece a partir de uma avaliação clínica cuidadosa, onde o psicólogo ou psiquiatra observa padrões de pensamento, emoções, comportamentos e sintomas físicos. Também levamos em conta a frequência, intensidade, duração e o impacto desses sintomas no dia a dia. Em alguns casos, instrumentos como escalas ajudam a complementar essa avaliação, mas eles nunca substituem a escuta clínica.

    Do ponto de vista mais técnico, existem critérios definidos em manuais como o DSM-5, que ajudam a organizar esse diagnóstico. Mas, na prática, o que realmente guia é entender como aquela ansiedade funciona na vida da pessoa. O cérebro, quando entra em estado de alerta constante, começa a interpretar situações neutras como perigosas, como se estivesse tentando proteger o tempo todo, mesmo quando não há ameaça real.

    Agora, mais do que rotular, o mais importante é compreender o funcionamento. O que exatamente dispara essa ansiedade em você? Ela aparece mais no corpo, nos pensamentos ou nas situações sociais? E quando ela surge, você tende a evitar, enfrentar ou se cobrar mais ainda?

    Quando conseguimos entender esse padrão com profundidade, o tratamento deixa de ser genérico e passa a ser direcionado para aquilo que realmente mantém o ciclo. E é justamente esse tipo de organização que a terapia proporciona, com mais clareza e menos julgamento.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Por que quando saio para algum lugar me sinto bem, porém quando chego em casa, começo a apresentar s

    Por que quando saio para algum lugar me sinto bem, porém quando chego em casa, começo a apresentar sintomas de ansiedade, como: nó na garganta, angustia, coração acelerado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é mais comum do que parece e costuma ter uma lógica emocional por trás. Muitas vezes, quando estamos fora, interagindo, ocupados ou distraídos, o cérebro entra em um modo mais ativo e direcionado para o ambiente. Isso reduz o espaço para pensamentos internos e, consequentemente, para a ansiedade aparecer com tanta força.

    Quando você chega em casa, o cenário muda. O ambiente tende a ser mais silencioso, com menos estímulos externos, e aí o foco volta para dentro. É nesse momento que sensações físicas e emoções que estavam “em segundo plano” acabam ficando mais evidentes. O corpo não necessariamente ficou mais ansioso naquele momento, mas você passou a perceber mais intensamente o que já estava ali.

    Do ponto de vista do sistema nervoso, é como se, ao desacelerar, tudo aquilo que estava sendo mantido sob controle durante o dia encontrasse espaço para emergir. E isso pode se manifestar exatamente como você descreveu: nó na garganta, angústia, coração acelerado. Em alguns casos, o próprio ambiente de casa pode estar associado a estados emocionais específicos, o que reforça ainda mais essa resposta.

    Talvez valha a pena observar com mais curiosidade: o que costuma passar pela sua mente quando você chega em casa? Existe alguma sensação de vazio, cobrança interna ou preocupação que aparece nesse momento? Você sente que, quando está fora, consegue “se desconectar” de algo que volta quando você está sozinho(a)?

    Essas pistas ajudam muito a entender o que está sendo ativado nesse contexto. Trabalhar isso em terapia pode ser bastante útil, porque permite identificar esses padrões e desenvolver formas mais consistentes de regulação emocional, sem depender apenas da distração externa. Caso precise, estou à disposição.


  • Sintomas físicos da ansiedade ou pânico, podem acontecer mesmo se você não estiver tendo uma crise n

    Sintomas físicos da ansiedade ou pânico, podem acontecer mesmo se você não estiver tendo uma crise no momento?? ele pode ficar durando o dia indo e voltando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Sim, os sintomas físicos da ansiedade podem aparecer mesmo fora de uma crise evidente, e também podem ficar oscilando ao longo do dia. Muita gente associa ansiedade apenas a picos intensos, como uma crise de pânico, mas o corpo pode permanecer em um estado de alerta mais sutil e contínuo.

    É como se o sistema de alarme do organismo não desligasse completamente. O cérebro continua interpretando o ambiente ou o próprio corpo como algo que precisa de atenção, e isso mantém sintomas como coração acelerado, respiração diferente, tensão muscular ou sensação estranha no corpo, indo e voltando conforme o nível de ativação varia.

    Um detalhe importante é que, quando você percebe esses sinais e passa a monitorar mais o corpo, isso pode amplificar a sensação. Não é que o sintoma surgiu “do nada”, mas a atenção aumenta a intensidade da experiência. E isso cria um ciclo: sensação, atenção, aumento da sensação.

    Talvez valha observar com mais calma: quando esses sintomas aparecem, você já está pensando em algo específico ou eles surgem primeiro no corpo? O que você costuma fazer quando percebe essas sensações? Tenta controlar, se distrair ou entender o que está acontecendo? E como isso impacta a duração delas?

    Esse padrão é bastante trabalhável em terapia, especialmente quando você aprende a reconhecer o funcionamento do seu corpo sem entrar em luta com ele. E, se houver dúvidas sobre a origem física dos sintomas, uma avaliação médica também pode trazer mais segurança.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Estou normal e do nada começo a sentir uma angustia muito grande, um desanimo, vazio, tristeza, perc

    Estou normal e do nada começo a sentir uma angustia muito grande, um desanimo, vazio, tristeza, perco a vontade de fazer qualquer coisa e sinto uma enorme vontade de chorar. Isso pode ser sintoma de ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?

    O que você descreve é algo que merece bastante atenção, mas talvez não seja tão simples quanto encaixar apenas como ansiedade. A ansiedade costuma estar mais ligada a um estado de alerta, preocupação ou tensão. Já essa sensação de vazio, desânimo profundo e vontade de chorar aponta mais para um estado emocional que pode estar relacionado à tristeza, sobrecarga emocional ou até sinais de um quadro depressivo.

    Uma coisa importante é que essas experiências não surgem “do nada” exatamente. Muitas vezes, o cérebro emocional já vinha acumulando algo em segundo plano, e em determinado momento isso transborda. É como se uma parte sua estivesse tentando sinalizar algo importante, mesmo que isso não esteja claro de forma consciente.

    Vale se observar com um pouco mais de curiosidade: esses episódios acontecem em algum contexto específico, mesmo que sutil? Existe algum padrão de pensamentos que aparece junto? E quando essa sensação vem, você tenta afastar, entender ou apenas suportar até passar?

    Também é importante olhar para a frequência e intensidade disso. Está acontecendo com que regularidade? Tem impactado sua rotina, suas relações ou sua motivação para as coisas do dia a dia?

    Mais do que dar um nome imediato para isso, o mais relevante é entender o que está por trás dessas oscilações emocionais. Uma conversa terapêutica pode ajudar bastante a organizar essas experiências e identificar o que está sendo ativado internamente nesses momentos.

    Caso precise, estou à disposição.


  • A alexitimia pode ser sintoma de ansiedade ou depressão?

    A alexitimia pode ser sintoma de ansiedade ou depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Essa é uma pergunta muito interessante, porque a alexitimia costuma gerar bastante confusão mesmo. Ela não é considerada um transtorno por si só, mas sim uma dificuldade em identificar, diferenciar e expressar emoções. E sim, ela pode aparecer associada tanto à ansiedade quanto à depressão.

    Em muitos casos de ansiedade, o sistema emocional fica tão ativado que a pessoa começa a se desconectar do que sente, como se fosse uma forma de proteção. Já na depressão, pode acontecer quase o oposto: um certo “achatamento” emocional, onde tudo parece meio distante, difícil de nomear ou até sem sentido. Do ponto de vista da neurociência, é como se as áreas do cérebro responsáveis por perceber e organizar emoções estivessem menos integradas com a experiência consciente.

    Mas vale um cuidado importante: a alexitimia não é necessariamente causada pela ansiedade ou depressão. Em algumas pessoas, ela já existe como um padrão mais antigo, ligado à forma como aprenderam a lidar com emoções ao longo da vida, muitas vezes em contextos onde sentir ou expressar não era seguro ou incentivado.

    Talvez valha a pena se perguntar: quando você tenta identificar o que sente, o que acontece dentro de você? Vem um “vazio”, uma confusão ou até um desconforto? Em quais momentos isso aparece mais? Existe alguma emoção que parece mais difícil de acessar do que outras?

    Essas pistas ajudam bastante a entender se estamos falando de algo mais momentâneo, ligado a um quadro emocional atual, ou de um padrão mais profundo que merece ser explorado com mais cuidado em terapia.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Sai de um relacionamento de mais de quatro anos recentemente, e bem no inicio eu conversei com outra

    Sai de um relacionamento de mais de quatro anos recentemente, e bem no inicio eu conversei com outras pessoas com segundas intenções por ser muito imaturo na época, ela soube e me deu uma segunda chance e eu jurei que aquilo jamais aconteceria e de fato não aconteceu, cortava qualquer tipo de contato mínimo que tivesse segundas intenções. Noivamos e após cerca de dois anos vivendo bem acabamos terminando pois ela se sentia insegura com essas questões do inicio e tinha medo que depois de muitos anos juntos voltasse a acontecer, até tentamos reatar mas acabamos novamente pelo mesmo motivo, algumas semanas depois ainda tentei pela ultima vez antes de deixar isso pra trás, ela me falou a mesma coisa, aquelas situações do inicio ainda a magoavam e foi um fim definitivo. Eu errei, pedi perdão, fui perdoado e mudei esse comportamento, isso jamais aconteceu, porém as vezes me pego sentindo culpa, já aceitei que não tem mais volta e estou seguindo minha vida mas gostaria de saber como trabalhar essa culpa e me perdoar de uma vez por todas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? A forma como você descreve sua história mostra alguém que realmente se responsabilizou pelo erro, mudou a postura e tentou reconstruir o vínculo de maneira madura. Quando mesmo assim o relacionamento chega ao fim, a culpa costuma permanecer como uma espécie de eco emocional, como se o passado continuasse pedindo explicações que você já deu. A neurociência mostra que o cérebro tem dificuldade em “encerrar arquivos” ligados a experiências que misturam amor, perda e arrependimento, por isso a culpa aparece como se estivesse protegendo algo — mesmo quando você já sabe racionalmente que não há mais o que consertar ali.

    Existe um ponto importante de correção conceitual aqui: ser perdoado não significa que o impacto emocional deixe de existir para a outra pessoa. Ela pode ter perdoado sua intenção, mas não conseguiu reconstruir o senso de segurança interna. Isso não invalida o quanto você mudou; apenas revela que cada sistema emocional tem seu próprio ritmo. Dito isso, queria te perguntar: quando essa culpa aparece, ela fala mais sobre o medo de ter sido “uma pessoa ruim” ou sobre a sensação de ter perdido alguém importante por algo que ficou lá atrás? E o que você acredita que essa culpa tenta garantir, agora que a relação já terminou?

    Percebo também que você fez algo essencial: aceitou o fim, mesmo sentindo que ainda havia amor e esforço. Isso mostra maturidade emocional, mas às vezes o corpo demora mais que a mente para acompanhar essa aceitação. Como você imagina que seria olhar para aquele jovem que você era no início da relação com um pouco mais de humanidade, entendendo que imaturidade não é sentença de caráter, mas estágio de desenvolvimento? E o que mudaria dentro de você se, em vez de pedir perdão repetidas vezes, começasse a reconhecer o quanto cresceu desde então?

    Trabalhar a culpa não é apagá-la, e sim colocá-la no lugar certo: um capítulo que ensinou, não uma identidade. O perdão que falta agora já não depende mais dela — depende de você reorganizar sua história de um modo em que o erro seja parte da trajetória, e não o centro dela. Esse processo costuma acontecer com mais clareza na terapia, onde é possível explorar o que exatamente ainda te prende a esse desfecho.

    Caso precise, estou à disposição.


  • É normal uma pessoa com ansiedade ter pensamentos perturbadores?

    É normal uma pessoa com ansiedade ter pensamentos perturbadores?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?
    Sim — é mais comum do que se imagina. Quando a ansiedade está alta, o cérebro entra num estado de hiperatividade, tentando antecipar perigos e controlar o que não pode ser controlado. Nesse processo, surgem pensamentos que parecem completamente fora de lugar: ideias agressivas, imagens assustadoras, dúvidas sobre si mesmo ou até medo de enlouquecer. Esses pensamentos são chamados de pensamentos intrusivos, e embora sejam perturbadores, não significam que você acredita neles nem que vá colocá-los em prática. Eles são sintomas, não intenções.

    É como se o cérebro, sobrecarregado de medo, testasse todos os cenários possíveis pra tentar “garantir” segurança — só que faz isso de forma desordenada, gerando exatamente o efeito oposto: mais angústia e culpa. A neurociência explica que isso acontece porque as áreas ligadas à vigilância (como a amígdala cerebral) ficam em alerta máximo, enquanto as áreas responsáveis por avaliar racionalmente as ameaças (como o córtex pré-frontal) ficam sobrecarregadas. O resultado é uma enxurrada de pensamentos que não refletem quem você é, apenas o quanto está em sofrimento.

    Talvez valha refletir: o que muda em você quando tenta lutar contra esses pensamentos em vez de apenas observá-los? O que eles parecem tentar te avisar — uma necessidade de controle, de segurança, de certeza? E se, por um momento, você parasse de tentar expulsá-los e apenas os reconhecesse como “ruído da ansiedade”, o que aconteceria com a intensidade deles?

    Em terapia, é possível aprender a lidar melhor com esse tipo de pensamento, desenvolvendo técnicas de aceitação e presença que reduzem o poder que eles têm sobre você. E, se estiver em acompanhamento psiquiátrico, mencione esses episódios — há formas seguras de estabilizar o funcionamento cerebral e devolver clareza à mente.

    Esses pensamentos não definem quem você é, apenas mostram que o cérebro está cansado de tentar se proteger o tempo todo. Caso precise, estou à disposição.


  • Não desejo me matar, mas gostaria de não existir, não tenho esperança, me sinto presa (não tenho e n

    Não desejo me matar, mas gostaria de não existir, não tenho esperança, me sinto presa (não tenho e nem quero ter religiosidade), não vejo sentido em existir, acho que sou um fracasso e é tarde demais para deixar de ser. Mas não quero morrer, quero melhorar e deixar de me sentir assim só que não vejo como isso seria possível, já fiz tratamento para depressão, tomei medicamentos e fiz terapia, resolveu por um tempo e depois voltou pior. Existe algum jeito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá… obrigado por dizer isso com tanta honestidade. O que você descreve não é desejo de morrer, é exaustão de existir do jeito que está — e essa diferença importa muito.

    Quando alguém diz “não quero me matar, mas queria não existir”, geralmente está falando de um sofrimento que ficou crônico, como se a vida tivesse virado um quarto sem janelas. O cérebro, depois de longos períodos de depressão, começa a perder acesso à esperança não porque ela não exista, mas porque os circuitos que a permitem sentir ficam temporariamente desligados. É como tentar enxergar cores com óculos escuros permanentes: a paisagem continua lá, mas a percepção muda. Isso não é defeito de caráter, nem prova de fracasso definitivo.

    Você também toca em algo central quando diz que já fez tratamento, melhorou e depois voltou pior. Isso acontece mais do que se fala, e não significa que “nada funciona”. Muitas vezes o primeiro tratamento alivia sintomas, mas não alcança camadas mais profundas do sofrimento — como esquemas antigos de desvalor, desamparo ou fracasso, ou uma relação muito rígida com a própria história. Quando essas camadas seguem ativas, a melhora pode ser real, mas instável. A pergunta que vale aqui não é “por que falhou?”, e sim “o que ainda não foi cuidado do jeito certo?”.

    Essa sensação de estar presa e de que “é tarde demais” costuma vir acompanhada de uma voz interna muito dura, que se apresenta como verdade absoluta, mas que é, na prática, um estado mental. Você já reparou como essa conclusão aparece junto com o cansaço extremo, e não quando você está minimamente menos sobrecarregada? O sistema emocional, quando está esgotado, reduz o futuro a um ponto cego. Não porque ele não exista, mas porque o cérebro está operando em modo de economia máxima de energia.

    Existe jeito, sim — mas talvez não do jeito que você tentou antes, nem no ritmo que gostaria. Em quadros assim, o caminho costuma envolver uma combinação mais cuidadosa: uma psicoterapia que trabalhe sentido, identidade e relação com a própria dor, e não só sintomas; uma reavaliação psiquiátrica quando necessário, não como “última tentativa”, mas como ajuste fino; e, principalmente, um compromisso de não tratar esse estado como uma sentença sobre quem você é. Melhorar não começa com enxergar sentido na vida, começa com reduzir o peso que faz tudo parecer sem sentido.

    Agora, algo muito importante: mesmo você dizendo que não quer morrer, o fato de sentir vontade de não existir e de se perceber sem esperança merece cuidado próximo. Se em algum momento esses pensamentos ficarem mais intensos ou começarem a assustar, procure ajuda imediata. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo número 188, 24 horas por dia, e pode ser um apoio nesse momento de aperto. Procurar ajuda não contradiz sua vontade de melhorar — ela a confirma.

    Talvez a pergunta mais honesta agora não seja “qual é o sentido da vida?”, mas “o que tornaria os próximos dias um pouco menos insuportáveis?”. A partir daí, o caminho vai se abrindo em pequenos graus, não por grandes revelações. Esses temas merecem cuidado sério e humano. Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre como construir esse próximo passo com menos peso.


  • A ansiedade pode mudar minha percepção quanto a realidade? Eu tenho um pensamento e minha mente me f

    A ansiedade pode mudar minha percepção quanto a realidade? Eu tenho um pensamento e minha mente me faz acreditar que aquilo que eu pensei é real de forma que eu consigo até sentir em sensações no meu corpo. Eu penso em algo e minha cabeça tira aquilo totalmente de contexto e isso me deixa muito ansiosa, porque eu não me sinto assim quando não tô ansiosa, não sinto essas coisas que penso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?

    O que você descreve acontece com mais frequência do que parece, e sim, a ansiedade pode alterar bastante a forma como a realidade é percebida. Não no sentido de perder o contato com a realidade, mas de interpretá-la de forma distorcida, como se o cérebro estivesse constantemente tentando prever perigo, mesmo quando ele não está ali de fato.

    Quando a ansiedade está alta, o cérebro entra em um modo de alerta. Ele começa a tratar pensamentos como se fossem sinais reais de ameaça. É como se a mente dissesse “se pensei nisso, então pode ser verdade”, e o corpo acompanha essa interpretação com sensações físicas bem intensas. Isso explica por que você não só pensa, mas também sente no corpo, como se aquilo estivesse realmente acontecendo.

    Esse processo costuma envolver uma mistura de pensamentos automáticos, imaginação e resposta corporal. E quanto mais você tenta entender ou controlar isso no meio da ansiedade, mais o ciclo se fortalece. Fora desse estado ansioso, seu cérebro volta a funcionar de forma mais integrada, e por isso você percebe que esses pensamentos não fazem tanto sentido.

    Talvez seja importante observar algumas coisas com calma: quando esse tipo de pensamento começa, você percebe algum gatilho ou ele surge “do nada”? O que você costuma fazer logo depois que ele aparece? Você tenta checar, evitar, analisar ou simplesmente se afasta? E como seu corpo reage nesses momentos?

    Essas perguntas ajudam a entender o padrão por trás disso, porque geralmente não é o pensamento em si o problema, mas a forma como ele é interpretado e a relação que você constrói com ele. Em terapia, esse tipo de experiência pode ser trabalhado com bastante cuidado, ajudando a diferenciar pensamento de realidade e reduzindo esse impacto emocional e corporal.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho medo de falar o que penso, fico com medo do vão pensar e de como vão reagir. Normalmente acont

    Tenho medo de falar o que penso, fico com medo do vão pensar e de como vão reagir. Normalmente acontece quando vou falar o que quero, o que desejo.
    Ex: cortes de cabelo, fico nervosa e falo que o que a pessoa quiser eu vou usar, não consigo me decidir.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve tem muito a ver com medo de julgamento e com uma tendência a se ajustar ao outro para evitar desconforto. Em situações simples, como escolher um corte de cabelo, isso aparece como indecisão, mas por trás disso costuma existir algo mais profundo: o receio de desagradar, de ser avaliada negativamente ou de “errar” e lidar com a reação do outro.

    Do ponto de vista psicológico, é como se o seu sistema emocional priorizasse segurança relacional acima da sua própria vontade. O cérebro interpreta que manter o outro satisfeito é mais importante do que sustentar o próprio desejo. Então, na hora de decidir, surge tensão, dúvida e, muitas vezes, você acaba abrindo mão da escolha para aliviar esse desconforto.

    Não é falta de opinião ou incapacidade de decidir. Muitas vezes a pessoa até sabe o que quer, mas sente dificuldade em sustentar isso na presença do outro. É como se, naquele momento, a confiança na própria escolha diminuísse e o foco passasse a ser: “como eu evito um possível julgamento aqui?”.

    Talvez valha se perguntar: o que você imagina que pode acontecer se disser exatamente o que quer? Esse medo aparece mais com pessoas específicas ou em qualquer situação? Quando você abre mão da sua escolha, vem mais alívio ou depois fica uma sensação de frustração? E, se você pudesse escolher livremente, sem ninguém opinar, você costuma saber o que quer?

    Essas situações podem ser trabalhadas com bastante profundidade em terapia, ajudando você a fortalecer a conexão com suas próprias preferências e a desenvolver mais segurança para expressá-las, sem que isso dependa tanto da reação do outro.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Bom dia! Não tenho ânimo para fazer nada, quero ficar deitada o dia todo, meus projetos; Trabalho, E

    Bom dia! Não tenho ânimo para fazer nada, quero ficar deitada o dia todo, meus projetos; Trabalho, Estudos, atividades do lar não quero fazer nada. Tento reagir , retomar, mas não tenho ânimo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Bom dia! Tudo bem?

    O que você está descrevendo não parece ser apenas falta de vontade, e sim algo mais profundo relacionado à sua energia emocional e mental. Quando surge esse desejo constante de ficar deitada, sem ânimo para tarefas que antes faziam parte da rotina, geralmente é um sinal de que o organismo está em um estado de sobrecarga ou esgotamento. É como se o sistema interno estivesse tentando “economizar energia” porque algo não está bem regulado.

    Em muitos casos, isso se conecta a quadros de ansiedade, depressão ou até um cansaço emocional acumulado. O cérebro, nessas situações, tende a reduzir a motivação e o interesse, não porque você não quer reagir, mas porque está difícil acessar aquela energia que antes vinha de forma mais natural. Por isso, tentar “forçar” pode até aumentar a sensação de frustração.

    Talvez seja importante olhar com mais curiosidade para esse momento: quando isso começou a acontecer? Houve alguma mudança recente na sua vida ou algum período de maior estresse? O que você sente internamente quando pensa em começar uma atividade, é mais cansaço, desânimo, ansiedade ou uma sensação de bloqueio?

    Também vale observar se ainda existem pequenos momentos do dia em que você se sente um pouco melhor, mesmo que brevemente. Isso ajuda a entender se estamos falando de uma perda generalizada de prazer ou de uma oscilação de estado emocional.

    Se esse padrão tem se mantido, procurar um psicólogo pode ser um passo importante para compreender o que está por trás desse desânimo e começar a retomar, aos poucos, seu funcionamento. Em alguns casos, também pode ser interessante uma avaliação com psiquiatra, principalmente quando há uma queda mais intensa de energia e motivação.

    Esse momento não define quem você é, mas pode ser um sinal de que algo dentro de você precisa de atenção e cuidado mais aprofundado. Caso precise, estou à disposição.


  • o uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode causar depressão ou sintomas depressivos?

    o uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode causar depressão ou sintomas depressivos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    O uso excessivo de aparelhos eletrônicos, por si só, não é considerado uma causa direta de depressão, mas pode sim contribuir para o surgimento ou intensificação de sintomas depressivos em algumas pessoas. O ponto central não é apenas o tempo de uso, mas como, quando e para quê esses aparelhos estão sendo utilizados no dia a dia.

    Por exemplo, quando o uso começa a substituir atividades importantes como sono adequado, interação social presencial, momentos de lazer real ou até o cuidado com a própria rotina, isso pode afetar o humor. Além disso, a exposição constante a comparações nas redes sociais, excesso de informação e estímulos rápidos pode deixar o cérebro mais cansado e menos sensível a experiências simples do cotidiano, o que, ao longo do tempo, pode gerar sensação de vazio ou desânimo.

    Do ponto de vista do funcionamento cerebral, o uso contínuo de estímulos digitais tende a ativar sistemas de recompensa de forma rápida e frequente. Isso pode fazer com que atividades mais lentas e naturais percam um pouco o “interesse”, criando uma espécie de contraste que favorece a apatia ou a dificuldade de sentir prazer em outras áreas da vida.

    Talvez valha observar algumas coisas: você percebe que seu humor muda depois de passar muito tempo no celular ou computador? O uso tem atrapalhado seu sono, sua disposição ou seus relacionamentos? Você usa esses aparelhos mais para se distrair de algo que está difícil de lidar? Essas perguntas ajudam a entender se o uso está sendo neutro ou se já está impactando seu bem-estar.

    Se houver sinais de desânimo persistente, perda de interesse pelas coisas ou cansaço constante, pode ser importante olhar isso com mais profundidade em um processo terapêutico. Caso precise, estou à disposição.


  • Minha filha de 11 anos desde novembro de 2022, apresenta uma falta de apetite, come poucos alimentos

    Minha filha de 11 anos desde novembro de 2022, apresenta uma falta de apetite, come poucos alimentos e passa maior do dia sem se alimentar, alegando não ter fome. Ela se alimentava bem até os 5 anos, foi grudar um pedaço de carne no dente dela e começou a parar de se alimentar direito, sendo seletiva com a alimentação e evitando muitos outros. Há 2 anos atrás teve crise de ansiedade pós pandemia e agora essa seleção absurda, não querendo comer nada! Desde 6 anos não come arroz e feijão, carne não come feita em casa, só come se for na esfiha de carne do Habib's. Em casa só come macarrão, batata comum e as vezes milho. Não come frutas, somente morango, banana e uva verde sem semente, só se for com chocolate derretido ( fondue). A maioria dos alimentos ela rejeita. E muitas vezes acorda e não se alimenta. Tenho percebido que isso só piorou após ela ter amizade com uma menina muito depressiva, inclusive é a única amizade dela, minha filha se acha feia, ela é muito tímida e não dorme direito, dorme muito tarde e acorda muito tarde. As refeições dela, está sendo no máximo 2 por dia. Estou muito preocupada, qual profissional devo procurar? Qual psicólogo, especializado em qual área, devo procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, entendo profundamente a sua preocupação — o que você descreve não é “frescura alimentar” nem uma fase simples, e é importante levar isso a sério, como você está fazendo.

    O padrão que sua filha apresenta aponta para uma relação muito delicada entre ansiedade, experiências corporais precoces e alimentação. Aquele episódio inicial com a carne presa no dente pode ter funcionado como um marco traumático: o corpo aprendeu a associar certos alimentos à sensação de perigo. A partir daí, o sistema emocional passa a agir antes da razão, e a recusa alimentar deixa de ser escolha consciente para virar uma tentativa de autoproteção. O cérebro infantil, especialmente após períodos de ansiedade intensa como o pós-pandemia, tende a buscar controle onde consegue — e a comida costuma ser um desses lugares.

    O nível de seletividade, a redução progressiva do repertório alimentar, o baixo número de refeições, a dificuldade com fome, o sono desregulado, a baixa autoestima e o isolamento social formam um conjunto que merece uma avaliação cuidadosa e integrada. Não porque exista um rótulo fechado agora, mas porque esse funcionamento pode evoluir se não for compreendido a tempo. Em alguns casos, vemos quadros compatíveis com transtornos alimentares restritivos na infância, ansiedade alimentar ou padrões conhecidos como evitação alimentar sensorial ou por medo, que não têm relação com vaidade ou desejo de emagrecer, mas com ansiedade e segurança.

    O primeiro passo é buscar um psicólogo infantil ou infantojuvenil com experiência em ansiedade, desenvolvimento emocional e dificuldades alimentares. É importante que seja alguém habituado a trabalhar com crianças e pré-adolescentes, porque o manejo clínico é muito diferente do atendimento adulto. Esse profissional vai olhar não só para a comida, mas para autoestima, vínculos, sono, ansiedade, relações sociais e a forma como sua filha percebe o próprio corpo e o mundo.

    Paralelamente, uma avaliação médica com pediatra ou hebiatra é fundamental para checar crescimento, peso, exames e possíveis impactos físicos dessa restrição. Em muitos casos, o acompanhamento com um nutricionista infantil sensível a questões emocionais também é indicado — não para impor dietas, mas para reconstruir, com cuidado, a relação com a alimentação. Quando esses profissionais trabalham em conjunto, o prognóstico costuma ser melhor.

    Talvez uma pergunta importante agora seja: em que momentos sua filha parece mais tensa ou mais segura? Como ela reage quando sente que está sendo pressionada a comer? Crianças com esse perfil costumam reagir muito mal à cobrança direta, mesmo quando os adultos estão tentando ajudar. O caminho costuma ser mais lento, mas possível, quando a sensação de segurança volta a se instalar.

    Você está certa em se preocupar e em procurar orientação antes que isso se agrave. Isso mostra cuidado e presença. Esses temas exigem atenção precoce e delicadeza. Se fizer sentido, posso te ajudar a entender melhor como funciona esse tipo de acompanhamento e o que observar nesse processo.


  • Boa noite. Meu noivo tem uma filha de 9 anos, que fica com ele a cada 15 dias... Estamos juntos a 3

    Boa noite.
    Meu noivo tem uma filha de 9 anos, que fica com ele a cada 15 dias... Estamos juntos a 3 anos, até a gte se conhecer ele tratava ela como uma namorada, usava o tempo deles juntos para ficarem grudados, fazia dela a mulher da vida dele, até aí acho q é assim mesmo, mas desde q ficamos juntos, até hoje ele me afasta da relação quando ela chega, chegou até a pedir pra eu dormir no sofá pra ela poder dormir na cama com ele, quando estamos juntos, anda de mão dada com ela e não dá a mão pra mim, e hoje eu coloquei um colchão ao lado da nossa cama para ela dormir,e quando ele chegou do trabalho quase infartou dizendo que ela tem q dormir na cama abraçada com ele.
    No início achava q ela tinha ataque de ciúmes comigo pq eu cheguei depois na vida deles,e pensava q ela como criança não entendia e fazia birra, mas hoje eu percebo q as birras dela são alimentadas por como ele a trata, no nosso convívio ele faz questão de mostrar pra ela que eu estou em segundo plano.
    Preciso muito de ajuda, tenho medo de estar errada na minha opinião.
    Já até conversamos c ela sobre o pai dela ter eu como namorada,e ela entendeu, e longe dele ela é um amor,mas quando ele está perto ele faz questão de se isolar c ela a ponto de deixar ela realmente pensando que ela é a namorada dele. Agora já começo a crer q ele é quem tá tomando atitude errada em tratá-la como a namorada ee excluir na frente dela.as ele não percebe, e me acusa de estar c ciúmes.
    Por favor,o que eu faço???
    Não tenho ciúmes, acho certo ele tratar bem a filha, mas colocá-la no lugar de namorada tratá-la romanticamente e me excluir da vida dele toda vez q ela vem, acho q não tá certo. Não sei como convencê-lo de estar errado.
    Afinal quem está errando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Boa noite, tudo bem?

    O que você está descrevendo não parece ser apenas uma questão de ciúme ou sensibilidade sua. Existe um ponto importante aí que, na psicologia, a gente observa com bastante cuidado: quando a criança passa a ocupar um lugar emocional que não é dela dentro da relação com o pai ou a mãe. Filhos precisam de vínculo, carinho e proximidade, mas não de um lugar de “parceria afetiva” que se aproxima do papel de um companheiro. Quando essa linha fica confusa, tanto a criança quanto o relacionamento acabam sendo impactados.

    Pelo que você relata, não é a filha que está criando essa dinâmica sozinha. Ela responde ao modelo que o pai oferece. Crianças aprendem muito mais pelo comportamento do adulto do que por conversas diretas. Então, quando ele reforça esse tipo de proximidade exclusiva e te coloca em segundo plano, ele sem perceber ensina para ela qual é o “lugar” de cada um ali.

    Agora, tem um ponto delicado aqui. Tentar convencê-lo de que ele está errado pode acabar virando um embate e reforçando a defesa dele, como já parece estar acontecendo quando ele interpreta isso como ciúme. Talvez o caminho não seja provar que você está certa, mas ajudá-lo a refletir sobre os efeitos disso. Por exemplo: que tipo de relação ele quer construir com a filha a longo prazo? Ele percebe como isso pode confundir emocionalmente ela? E como ele imagina que um relacionamento saudável funciona quando existem filhos envolvidos?

    E tem uma parte que é sua também, e que merece atenção: como você tem se sentido ao ser colocada nesse lugar? Até que ponto isso está sendo tolerável para você? O que, para você, seria o mínimo necessário para se sentir respeitada dentro dessa relação?

    Esse tipo de situação dificilmente se resolve só com uma conversa pontual, porque envolve padrões emocionais mais profundos. Muitas vezes, um espaço terapêutico, individual ou até de casal, ajuda a organizar melhor esses papéis e limites, de uma forma mais clara e menos defensiva.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Sou casada a 18 anos e sofro com a dependência emocional,meu marido è manipulador,quer as coisas do

    Sou casada a 18 anos e sofro com a dependência emocional,meu marido è manipulador,quer as coisas do jeito dele.Sai com os amigos,mais quando saiu com os meus ele se isola,fecha a cara.Passamos dias sem se falar,e na maioria das vezes eu que procuro pra dialogar,mesmo não estando errada.O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? Imagino o quanto deve ser desgastante viver tantos anos em uma dinâmica que parece sempre te colocar no papel de quem cede, enquanto ele se mantém distante, fechado ou manipulando a situação para que tudo aconteça do jeito dele. Quando isso se repete por tanto tempo, o corpo começa a acreditar que não existe outra forma de se relacionar, e a dependência emocional nasce justamente desse medo silencioso de perder o pouco de vínculo que ainda existe, mesmo quando esse vínculo já te machuca.

    Quero apenas ajustar uma ideia importante: dependência emocional não significa fraqueza. Ela costuma ser a resposta a anos de invalidamento, silêncio afetivo e relações em que você aprendeu que, se não for você a puxar o diálogo, nada acontece. Esse padrão não se forma do nada. Quando vocês passam dias sem se falar e é sempre você quem tenta reconstruir a ponte, isso não significa que você esteja errada — significa que há um desequilíbrio emocional que precisa ser olhado com cuidado. O que você sente dentro de si nos momentos em que ele se fecha? E o que você teme que aconteça se você não for a primeira a tentar conversar?

    Às vezes, relacionamentos assim funcionam como espelhos antigos: mostram uma versão de você que já não combina com a pessoa que você vem se tornando. Vale refletir sobre quais limites têm sido ultrapassados há anos e como isso tem impactado sua autoestima. Como seria se, por um instante, você imaginasse uma relação onde cuidado, diálogo e respeito fossem vias de mão dupla? E, mais profundamente, o que você acha que ainda te prende a essa dinâmica — medo, esperança, hábito, ou a sensação de que ninguém ocuparia esse espaço?

    Esses padrões geralmente precisam de acompanhamento terapêutico para que você consiga reconstruir a sua autonomia emocional e entender o que é seu e o que é resultado de anos convivendo com atitudes manipuladoras. Não é simples, mas é possível, e você não precisa continuar vivendo numa relação onde só um lado carrega o peso emocional de tudo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Geralmente me sinto muito insegura com o meu namorado e suas amizades entre mulheres, pois toda vez

    Geralmente me sinto muito insegura com o meu namorado e suas amizades entre mulheres, pois toda vez que digo que me sinto insegura com alguma delas, ele sempre aparece se aproximando mais dela logo após (não sei se pode ser coincidência, mas acontece todas as vezes). Sempre fui uma pessoa que internaliza sentimentos e reprimo até não aguentar e explodir (o que é errado), mas estou tentando ser mais transparente com ele sobre essas coisas, pois o mesmo já relatou incômodo quando não digo o que sinto. Hoje mesmo estava conversando com ele, logo após irmos no cinema com os seus amigos... Uma amiga em específico dele, nem me comprimentou, olhou no meu olho apenas uma vez, e mesmo eu estando ao lado dele, ela direcionava a atenção para o mesmo como se eu não estivesse presente no momento. Quando chegamos, eu perguntei se ele tinha muita proximidade com a amiga dele, ou se eram apenas colegas de trabalho, se conversavam coisas a mais no WhatsApp. Ele disse que mal falava com ela no WhatsApp, mas toda vez que tem oportunidade fala como ela é adorada por ele. Ele questionou o porquê da pergunta e eu disse sobre minha insegurança, fui totalmente aberta com ele, e ele respondeu "ah sim, entendi. Sinto muita pena de vc :(" e não falou mais nada. Não sei o que pode ter significado, se ele vai se aproximar dela como fez com as outras, se vai me taxar de louca... O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, obrigada por confiar algo tão sensível — o que você descreve não é pequeno, e dá para sentir o quanto isso te deixa em alerta por dentro.

    A insegurança que você relata não surge do nada. Ela parece se acender em situações muito específicas, onde você se sente invisível, deslocada ou comparada, como nesse encontro com os amigos dele. Quando alguém ignora sua presença e direciona toda a atenção ao seu parceiro, o sistema emocional costuma interpretar isso como ameaça ao vínculo, mesmo que racionalmente a gente tente minimizar. O corpo reage antes do pensamento, como se estivesse dizendo “tem algo errado aqui”. Você percebe como essa sensação aparece menos como ciúme puro e mais como medo de perder lugar?

    Também chama atenção o padrão que você descreve: sempre que você expressa insegurança, ele parece se aproximar mais da pessoa que te gera desconforto. Pode até existir coincidência, mas o impacto emocional em você é real — e isso é o que importa clinicamente. Quando você se abre, esperando acolhimento ou pelo menos curiosidade, e recebe uma resposta como “sinto muita pena de você”, algo se quebra. Essa frase não valida, não pergunta, não se interessa; ela coloca o problema exclusivamente em você. É natural que isso gere confusão, dúvida sobre si mesma e até medo de ser vista como exagerada ou “louca”.

    Você menciona um histórico de internalizar sentimentos até explodir, e agora está tentando fazer diferente, sendo mais transparente. Isso é um movimento saudável, mas ele só se sustenta se do outro lado houver espaço emocional. Transparência não significa se expor para ser diminuída. Fica uma pergunta importante: quando você fala do que sente, você se sente mais próxima dele ou mais sozinha? E, depois dessas conversas, seu corpo fica mais calmo ou mais tenso?

    Talvez o ponto central não seja decidir “o que fazer agora”, mas observar com atenção como esse relacionamento lida com vulnerabilidade. Insegurança pode ser trabalhada em terapia, sim, mas ela também é moldada pela qualidade da resposta do outro. Relações seguras não fazem a pessoa se sentir pequena por sentir. Se você já está tentando mudar um padrão interno antigo e, mesmo assim, sai dessas conversas se sentindo desqualificada, isso merece ser olhado com cuidado.

    A terapia pode te ajudar muito a diferenciar o que é uma ferida antiga sendo ativada e o que é um limite relacional que precisa ser respeitado no presente. Não para te convencer de que está errada, mas para te ajudar a se escutar melhor e a entender o que você precisa para se sentir segura em um vínculo. Esses temas merecem cuidado — se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Olá, eu sofro com crises ansiosas a pouco tempo comecei a fazer terapia. É normal passar pela crise

    Olá, eu sofro com crises ansiosas a pouco tempo comecei a fazer terapia. É normal passar pela crise se sentir com medo e triste e depois você consegue ficar calma? Fica como se nada tivesse acontecido?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Sim, o que você descreve é bastante comum em quem está vivendo crises de ansiedade, principalmente no início do processo. Durante a crise, o corpo e a mente entram em um estado de alerta intenso, com medo, angústia e uma sensação de que algo muito ruim está acontecendo. Mas, quando essa ativação diminui, o sistema emocional volta ao equilíbrio, e pode surgir essa sensação de “voltei ao normal”, quase como se nada tivesse acontecido.

    Isso acontece porque a ansiedade funciona em ondas. O cérebro ativa respostas de sobrevivência, libera substâncias que preparam o corpo para reagir, e depois, naturalmente, esse pico vai diminuindo. Quando passa, muitas pessoas sentem até um certo alívio ou um cansaço, como se tivessem saído de algo muito intenso. Essa mudança rápida pode dar essa impressão de desconexão com o que aconteceu antes.

    Ao mesmo tempo, vale observar com carinho o que fica depois da crise. Às vezes não é exatamente que “não aconteceu nada”, mas sim que o corpo saiu do estado de alerta e a mente tenta retomar o controle. Você costuma lembrar claramente do que sentiu durante a crise ou parece meio distante depois? Fica algum resquício de medo de ter outra crise? Ou vem um pensamento de “isso pode voltar a qualquer momento”?

    Como você já está em terapia, esse é um ponto muito importante para levar para as sessões. Entender esse ciclo ajuda bastante a diminuir o medo da própria ansiedade, porque uma parte do sofrimento vem justamente da imprevisibilidade dessas mudanças.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Bom dia, a ansiedade pode causar sensações de vazio e de desrealização/despersonalização?

    Bom dia, a ansiedade pode causar sensações de vazio e de desrealização/despersonalização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Bom dia!
    Pode sim — e, na verdade, isso é mais comum do que parece. A ansiedade, quando se mantém por muito tempo em níveis elevados, faz o cérebro funcionar em modo de sobrevivência, priorizando o que ele entende como essencial para te manter “a salvo”. Nesse estado, as áreas responsáveis pela percepção emocional e pela sensação de presença ficam em segundo plano, o que pode gerar justamente essas sensações de vazio, de estar “desconectado de si” ou de que o mundo parece meio distante.

    É como se o sistema nervoso dissesse: “isso está intenso demais, vou te afastar um pouco da experiência para você não entrar em colapso”. Essa desconexão, que chamamos de desrealização ou despersonalização, é uma estratégia biológica de autoproteção. Ela não é perigosa, mas é angustiante porque faz você se sentir como espectador da própria vida. O “vazio” também costuma aparecer nesse contexto, não como falta de emoção, mas como uma emoção tão amortecida que o corpo e a mente não conseguem reconhecê-la claramente.

    Talvez valha se perguntar: o que dentro de mim está pedindo pausa, mesmo quando eu tento seguir? Que situações ou pensamentos parecem drenar mais a minha energia emocional? E quando eu paro de lutar contra a sensação e apenas observo, o que muda na intensidade dela? Essas reflexões ajudam a transformar a relação com o sintoma — de algo assustador para algo que o corpo está tentando comunicar.

    Com o tempo, terapia, e possivelmente acompanhamento médico, o sistema nervoso aprende a se sentir seguro de novo. E, quando a segurança volta, a sensação de vazio e de desconexão tende a diminuir naturalmente. Caso precise, estou à disposição.


  • oii, eu queria saber o porquê de eu ficar muito nervosa com coisas simples do cotidiano, especialmen

    oii, eu queria saber o porquê de eu ficar muito nervosa com coisas simples do cotidiano, especialmente quando se trata de homens, qualquer tarefa simples que envolva homem no meio p mim ja é um sacrifício, eu sempre foco em nao ficar nervosa (ja estando) quando fico proxima de um. o tipo de nervosismo que eu sinto é de dar tremedeira, coração acelerado, voz falha e suadeira

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?

    O que você descreve parece ter mais a ver com uma resposta emocional intensa do seu corpo do que com as situações em si. Esse nervosismo com tremedeira, coração acelerado, voz falhando e suor é típico de um estado de ansiedade ativada, como se o seu sistema interno estivesse interpretando essas situações como ameaçadoras, mesmo que racionalmente você saiba que são simples.

    Um ponto importante é que, quando isso acontece especificamente com homens, geralmente existe algum significado emocional por trás disso. Pode estar ligado a experiências anteriores, aprendizados, inseguranças ou até formas como você passou a se perceber nesses contextos. O cérebro aprende associações, e às vezes ele passa a reagir automaticamente antes mesmo de você conseguir “pensar sobre isso”.

    E tem um detalhe curioso: quando você diz que tenta não ficar nervosa, já estando nervosa, isso pode acabar aumentando ainda mais a ansiedade. É como se uma parte sua estivesse tentando controlar a reação enquanto outra já está ativada, criando um ciclo de tensão interna. Quanto mais você luta contra a sensação, mais o corpo entende que há algo errado ali.

    Talvez valha a pena se perguntar com calma: o que você imagina que pode acontecer quando está perto de um homem? Existe medo de julgamento, de errar, de ser exposta ou rejeitada? Essa reação aparece com qualquer homem ou em situações específicas? E quando começou a perceber esse padrão na sua vida?

    Essas respostas ajudam a entender de onde essa reação está vindo e como ela foi construída ao longo do tempo. Trabalhar isso em terapia pode ser muito útil, porque permite não só reduzir os sintomas físicos, mas também ressignificar essas experiências e construir uma sensação de segurança mais estável nessas situações. Caso precise, estou à disposição.


Perguntas frequentes

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