Perguntas do paciente (12)

  • Assistir pornografia causa danos físicos ao cérebro? E quando estamos navegando e vemos algo pornogr

    Assistir pornografia causa danos físicos ao cérebro? E quando estamos navegando e vemos algo pornográfico sem a intenção da busca ou envolvimento emocional/ atividade sexual, há algum efeito negativo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Essa é uma dúvida muito comum e importante de ser esclarecida com responsabilidade e sem sensacionalismo. Vamos por partes:

    Assistir pornografia causa danos físicos ao cérebro?
    Não existem evidências científicas que comprovem que assistir pornografia, por si só, cause danos físicos estruturais ao cérebro. O que a ciência mostra é que o consumo frequente e desregulado pode sim impactar o funcionamento do cérebro, especialmente em áreas ligadas à motivação, recompensa e controle dos impulsos — de forma parecida com outros comportamentos que ativam o sistema de dopamina, como jogos ou redes sociais.

    Quando esse consumo se torna compulsivo, ele pode trazer prejuízos emocionais, sociais e até relacionais. Nesse caso, a pessoa pode sentir dificuldade em sentir prazer em situações reais, isolamento, culpa, vergonha, ou mesmo queda na autoestima e disfunções sexuais.

    E quando vemos algo pornográfico sem intenção ou envolvimento emocional/sexual?
    Nesses casos, especialmente quando o conteúdo aparece de forma inesperada (em redes sociais, propagandas, etc.), não há efeitos negativos diretos e imediatos ao cérebro. O impacto vai depender do nível de exposição, frequência, contexto emocional, e da história pessoal de quem está vendo.

    Se a pessoa tem um histórico de compulsão, dependência ou traumas ligados à sexualidade, até essas exposições involuntárias podem gerar desconforto emocional. Caso contrário, é possível que não tenha efeito significativo — apenas um incômodo momentâneo.

    Em resumo:

    O problema não é a pornografia em si, mas a forma como ela é consumida e o impacto que isso causa na vida da pessoa;

    Exposições ocasionais e involuntárias tendem a não causar prejuízos relevantes;

    O mais importante é observar como você se sente depois de se deparar com esse tipo de conteúdo — e, se necessário, buscar acolhimento psicológico.


  • Como faço para diminuir a Desrealização? faço tratamento para o transtorno de ansiedade.

    Como faço para diminuir a Desrealização? faço tratamento para o transtorno de ansiedade.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    A desrealização é uma sensação bastante desconfortável — como se o mundo ao redor estivesse estranho, distante ou "irreal". Ela pode surgir como sintoma de ansiedade intensa, sendo uma forma do cérebro tentar se proteger de uma sobrecarga emocional. Ou seja: não é perigosa, mas é um sinal de que seu sistema está em alerta.

    Como você já faz tratamento para o transtorno de ansiedade (o que é ótimo!), o ideal é conversar com sua/seu terapeuta sobre esses episódios. Mas aqui vão algumas estratégias que costumam ajudar a reduzir a desrealização no momento em que ela aparece:

    1. Foque nos seus sentidos (Grounding)

    Nomeie 5 coisas que você vê, 4 que você toca, 3 que escuta, 2 que cheira, 1 que sente o gosto.
    Isso ajuda a "ancorar" você no momento presente e sinaliza para o cérebro que está tudo bem.

    2. Respiração consciente

    Inspire lenta e profundamente pelo nariz, segure por 2 segundos e solte devagar pela boca. Repita por alguns minutos.
    Isso ajuda a acalmar o sistema nervoso e a reduzir o estado de alerta.

    ‍ 3. Movimento e estímulo físico

    Caminhar, alongar, lavar o rosto com água fria ou segurar algo com textura diferente (como uma pedra ou um cubo de gelo) pode ajudar seu corpo a sair do modo "desconectado".

    4. Aceite a sensação, sem lutar contra ela

    Diga a si mesma: "Essa sensação é desconfortável, mas vai passar. Meu cérebro está tentando me proteger, mas eu estou segura."
    A luta contra a sensação costuma piorar a ansiedade. A aceitação reduz a intensidade.

    E lembre-se: a desrealização não significa que você está “ficando louca” ou perdendo o controle. É um sintoma temporário e tratável. Com o avanço do tratamento da ansiedade, esses episódios tendem a diminuir.


  • O que é a terapia dos afetos positivos e como ela impacta na depressão com anedonia?

    O que é a terapia dos afetos positivos e como ela impacta na depressão com anedonia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    A Terapia dos Afetos Positivos é uma abordagem que busca ampliar e fortalecer experiências emocionais agradáveis, como alegria, gratidão, esperança e contentamento. Ao contrário de terapias que focam exclusivamente na redução de sintomas negativos (como tristeza ou ansiedade), essa abordagem valoriza o cultivo de emoções positivas como ferramenta terapêutica.

    No caso da depressão com anedonia — que é a dificuldade ou incapacidade de sentir prazer — essa terapia tem um papel fundamental. Pessoas com anedonia costumam relatar que nada parece fazer sentido, dar prazer ou gerar motivação. E é aí que a Terapia dos Afetos Positivos entra como um resgate da conexão com pequenos momentos de bem-estar.

    Como ela impacta na depressão com anedonia?

    Trabalha o reconhecimento e a valorização de experiências positivas, mesmo que sutis;

    Estimula o cérebro a reaprender a sentir prazer, ativando circuitos neurais ligados à recompensa;

    Ajuda a construir um repertório emocional mais equilibrado, o que fortalece a resiliência emocional;

    Contribui para a reconexão com a vida e com os sentidos, algo que a anedonia afasta.

    Essa abordagem pode ser usada como complemento dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), com intervenções práticas, exercícios de atenção plena e diários de gratidão, por exemplo.

    Em resumo, ela não ignora a dor, mas lembra que é possível — e necessário — (re)aprender a sentir prazer, mesmo que aos poucos.


  • sou usuaria de sertralina 25 mg, mas com o tempo venho tendo pensamentos intrusivos com tudo todas a

    sou usuaria de sertralina 25 mg, mas com o tempo venho tendo pensamentos intrusivos com tudo todas as horas, ate com quem amo,isso me deixa ansiosa e com medo de um surto, faço terapia e o medico aumentou minha dose de sertralina

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Oi! Primeiro, quero te acolher nesse momento difícil.
    Os pensamentos intrusivos são mesmo assustadores — especialmente quando envolvem pessoas que amamos. Mas é importante saber que eles não definem quem você é.

    Esses pensamentos fazem parte de muitos quadros de ansiedade, especialmente do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), e também podem aparecer durante fases de adaptação ao uso (ou ajuste) de medicamentos como a sertralina, especialmente nas primeiras semanas ou ao mudar a dose.

    O que você está vivendo — ter pensamentos indesejados, que surgem sem querer e causam culpa, medo ou ansiedade — é algo que muitas pessoas enfrentam. Mas esses pensamentos não significam que você quer que aquilo aconteça, nem que está "perdendo o controle". Eles são intrusivos justamente porque vêm contra os seus valores.

    O fato de você já estar em acompanhamento com terapia e seu médico ter ajustado a dose da medicação mostra que você está no caminho certo. A adaptação pode levar um tempinho, e em alguns casos, os sintomas podem parecer piores antes de melhorar — mas com o tratamento adequado, esse quadro tende a estabilizar.

    Fale abertamente com seu médico e sua terapeuta sobre esses pensamentos. Não tenha vergonha — quanto mais você compartilha, mais suporte pode receber. E lembre-se: você não está sozinha, e isso tem tratamento.

    Você é muito mais do que esses pensamentos. Cuide-se com gentileza.


  • Qual profissional pode dar laudo técnico de TDAH?

    Qual profissional pode dar laudo técnico de TDAH?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Essa é uma dúvida super comum — e importante!

    O laudo técnico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) deve ser feito por profissionais da área da saúde com formação e habilitação para diagnóstico de transtornos mentais e do neurodesenvolvimento.

    Os profissionais que podem emitir laudo para TDAH são:

    Médico psiquiatra – Especialista em saúde mental, com formação clínica para diagnosticar, medicar (se necessário) e emitir laudos formais.
    Neurologista (especialmente infantil) – Pode diagnosticar TDAH, especialmente quando há suspeitas de outras condições neurológicas associadas.
    Pediatra – Em alguns casos, especialmente com acompanhamento contínuo da criança, o pediatra pode emitir laudo, mas isso varia conforme a complexidade e a exigência da instituição.
    Psicólogo(a) – Pode realizar avaliação psicológica e emitir um relatório técnico com base em testes padronizados e observações clínicas. Esse documento, embora não seja um diagnóstico médico, tem validade legal em muitos contextos (como escola, INSS ou concursos), dependendo das exigências específicas.

    Importante: Em algumas situações, como solicitação de medicação ou acesso a benefícios legais, o laudo médico é o mais aceito. Já em contextos escolares e educacionais, relatórios psicológicos também são reconhecidos e utilizados.

    O ideal é buscar um profissional que avalie a história clínica completa, aplique instrumentos específicos e, se necessário, atue de forma integrada com outros especialistas.


  • Em quais doenças psiquiátricas o ciúme patológico pode se manifestar?

    Em quais doenças psiquiátricas o ciúme patológico pode se manifestar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    O ciúme patológico é aquele que vai além do desconforto normal que todos podemos sentir em uma relação. Ele costuma ser intenso, persistente, irracional e interfere diretamente na qualidade de vida da pessoa e nas suas relações. Muitas vezes, vem acompanhado de verificações compulsivas, vigilância, desconfiança extrema e sofrimento emocional.

    E sim, esse tipo de ciúme pode aparecer como sintoma em diferentes transtornos psiquiátricos. Alguns dos mais comuns são:

    Transtorno Delirante (tipo ciumento)
    — Nesse caso, o ciúme está inserido em um delírio fixo e infundado de que o(a) parceiro(a) está traindo. A pessoa acredita com convicção, mesmo sem qualquer evidência real.

    Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
    — O ciúme pode aparecer como pensamentos intrusivos de infidelidade, que geram ansiedade intensa, e a pessoa sente necessidade de confirmar, perguntar, vigiar, mesmo sabendo que o medo pode não fazer sentido.

    Transtorno de Personalidade Borderline
    — Pode surgir em momentos de medo intenso de abandono, insegurança e dificuldade em confiar no outro. A intensidade emocional acentua esse tipo de ciúme.

    Transtorno de Personalidade Paranoide
    — Há uma tendência à desconfiança generalizada. A pessoa pode interpretar ações neutras como sinais de traição, tendo dificuldades em confiar, mesmo sem motivo.

    Transtornos por uso de substâncias
    — Algumas substâncias, como álcool ou drogas estimulantes, podem intensificar o ciúme e gerar até delírios momentâneos de infidelidade.

    Importante dizer: sentir ciúmes não é sinal de transtorno. O que diferencia o ciúme comum do patológico é a intensidade, a frequência, a perda de controle e o prejuízo na vida da pessoa e do casal.

    Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, buscar apoio psicológico é um passo importante. O ciúme patológico tem tratamento — com psicoterapia, acolhimento e, se necessário, acompanhamento psiquiátrico.


  • Qual é o Impacto da crise existencial na vida diária de um paciente adulto ?

    Qual é o Impacto da crise existencial na vida diária de um paciente adulto ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    A crise existencial pode ter um impacto profundo na vida de um paciente adulto, principalmente porque ela costuma tocar em questões muito íntimas e fundamentais, como:

    "Quem eu sou?"
    "O que estou fazendo da minha vida?"
    "Qual é o meu propósito?"
    "E se nada disso fizer sentido?"

    Quando essas perguntas aparecem com frequência, acompanhadas de angústia, insatisfação e desconexão com a própria vida, elas podem gerar:

    Ansiedade e insegurança — pela sensação de estar “perdida” ou de não estar vivendo de forma autêntica.
    Queda na motivação — atividades antes prazerosas podem perder o sentido, o que pode levar à procrastinação e até sintomas depressivos.
    Sobrecarga mental — a mente fica ruminando, buscando respostas, mas sem encontrar alívio.
    Impacto nos relacionamentos — a pessoa pode se afastar, sentir-se incompreendida ou entrar em conflitos internos e externos.
    Busca por mudanças — o que pode ser positivo quando feita com consciência, mas também pode gerar impulsividade se a crise estiver intensa demais.

    Apesar de dolorosa, a crise existencial pode ser um ponto de virada na vida adulta, especialmente quando acompanhada com carinho e escuta terapêutica. Muitas vezes, é nesse processo de questionar que a pessoa encontra novos sentidos, reconstrói valores e se reconecta com quem ela realmente é.

    Se você está passando por isso (ou conhece alguém que esteja), saiba que é possível atravessar essa fase com mais leveza — e que a terapia é um espaço seguro para isso.


  • Quais preconceitos são enfrentados por pessoas com deficiência?

    Quais preconceitos são enfrentados por pessoas com deficiência?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Essa é uma pergunta muito importante e necessária. Pessoas com deficiência enfrentam diversos preconceitos e barreiras sociais que vão muito além da sua condição física, sensorial, intelectual ou neurodivergente. Muitas dessas dificuldades não vêm da deficiência em si, mas da forma como a sociedade lida com ela.

    Alguns dos preconceitos mais comuns incluem:

    Capacitismo
    É o preconceito que considera a pessoa com deficiência como inferior, incapaz ou limitada. Muitas vezes, isso aparece em forma de infantilização, superproteção, exclusão ou até em "elogios" que desumanizam, como “nossa, ele é um guerreiro”.

    Dúvidas sobre competência
    Pessoas com deficiência ainda são subestimadas no ambiente profissional, escolar e até familiar. Há quem ache que elas “não dão conta” de tarefas simples, o que reduz oportunidades e alimenta o isolamento.

    Falta de acessibilidade
    A exclusão também se manifesta de forma prática: quando não há rampas, intérpretes de Libras, materiais adaptados ou compreensão das necessidades específicas de cada pessoa.

    Invisibilidade social e afetiva
    Muitas vezes, pessoas com deficiência são tratadas como se não tivessem desejos, sonhos ou vida afetiva/sexual — como se fossem “eternas crianças”. Isso fere profundamente a autoestima e a dignidade.

    Olhares de pena ou choque
    A empatia verdadeira não vem da pena, mas do respeito. O olhar carregado de dó ou surpresa costuma ser desconfortável e reforça a ideia de que aquela pessoa é “fora do normal”.

    Por isso, falar sobre deficiência é falar sobre direitos, inclusão e humanidade. O primeiro passo é reconhecer o quanto a sociedade ainda precisa aprender a ouvir, acolher e respeitar as diferenças sem reduzi-las a estereótipos ou limitações.


  • É normal um adulto com TDAH de 18 anos ter ciúmes e controlar a mãe?

    É normal um adulto com TDAH de 18 anos ter ciúmes e controlar a mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Essa é uma pergunta delicada e importante.

    Primeiro, vale lembrar que o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) envolve dificuldades com impulsividade, regulação emocional e controle dos próprios comportamentos — o que pode, sim, influenciar em reações mais intensas como ciúmes, controle ou dificuldade de aceitar mudanças nas relações, especialmente dentro da família.

    No caso de um adulto jovem (como aos 18 anos), isso também pode estar relacionado ao momento de transição entre adolescência e vida adulta — uma fase cheia de dúvidas, inseguranças e necessidade de reafirmar vínculos.

    No entanto, é importante entender que sentir ciúmes ou tentar controlar a mãe não é algo "normal" ou saudável, ainda que seja relativamente comum em alguns contextos. O que isso mostra é que há algo emocional que precisa ser olhado com carinho e cuidado — seja medo de perder o vínculo, insegurança, baixa autoestima ou necessidade de reafirmação.

    O TDAH pode intensificar essas reações, mas não justifica atitudes controladoras ou invasivas. Por isso, o ideal é que esse jovem esteja em acompanhamento psicológico para aprender a lidar melhor com suas emoções, desenvolver autonomia e construir relações mais saudáveis.

    Relações familiares também passam por fases e aprendizados. O acompanhamento de um psicólogo(a) pode ajudar tanto o jovem quanto os pais a navegar por essas mudanças com mais leveza e respeito.


  • Pode desenvolver tourette depois de adulto? Sinto tipo como se algo balançasse, como se fosse a ca

    Pode desenvolver tourette depois de adulto?
    Sinto tipo como se algo balançasse, como se fosse a cabeça, não sei explicar
    Mas não é algo visível, eu acho
    Sinto como se fosse por dentro
    Estou passando por muito estresse
    Pensamentos intrusivos

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Olá! Entendo que esse tipo de sensação pode ser muito confuso e angustiante — e fico feliz que você esteja buscando compreender melhor o que está sentindo.

    Sobre a sua pergunta:
    A Síndrome de Tourette costuma se manifestar ainda na infância ou adolescência, geralmente antes dos 18 anos. Ela é caracterizada por tiques motores e vocais, que são movimentos ou sons repetitivos e involuntários, podendo ser simples (como piscar os olhos) ou mais complexos.

    No entanto, não é comum que a Tourette surja pela primeira vez na vida adulta. Quando há sintomas parecidos em adultos, é importante investigar outras causas possíveis — como ansiedade intensa, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), estresse elevado, ou até efeitos colaterais de medicações.

    O que você descreveu — essa sensação interna, como se algo balançasse, junto com estresse e pensamentos intrusivos — pode estar relacionado a:

    Ansiedade generalizada ou em crise

    Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

    Tiques funcionais (movimentos sem causa neurológica, mas ligados ao sistema emocional)

    Respostas psicossomáticas ao estresse

    Pensamentos intrusivos também são muito comuns em quadros de ansiedade e TOC, e não significam que você “vai fazer” aquilo que está pensando. Eles são involuntários, causam desconforto, e muitas vezes surgem justamente porque você se importa e está em sofrimento.

    Minha sugestão: Busque apoio psicológico e psiquiátrico para uma avaliação mais aprofundada. Quanto antes você for acolhida, mais rápido pode entender o que está acontecendo e cuidar da sua saúde emocional com segurança.

    Você não está sozinha, e isso tem tratamento.


  • Morro de medo de ser uma narcisista vulnerável. Tenho TOC e é uma das obsessões, mesmo q eu não poss

    Morro de medo de ser uma narcisista vulnerável. Tenho TOC e é uma das obsessões, mesmo q eu não possa pedir reafirmação é algo q pode ser diagnosticado então não consigo aceitar a dúvida. Identifico muitos traços em mim e me sinto muito desesperada e culpada. Existe a possibilidade de ser narcisista e ao mesmo tempo ter toc e morrer de medo de ser e se sentir muito mal e culpada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Oi! Antes de qualquer coisa: sinto muito que você esteja passando por esse sofrimento — e já quero te dizer que só o fato de você estar com medo de ser narcisista e se sentindo culpada por isso diz muito sobre você... e, sinceramente, aponta na direção contrária do narcisismo patológico.

    Vamos conversar com calma sobre isso?

    O TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) pode gerar obsessões de conteúdo extremamente angustiante, inclusive dúvidas sobre quem você é — sua moral, seus sentimentos, sua identidade, seu caráter.

    É comum pessoas com TOC se questionarem obsessivamente:

    “E se eu for má?”

    “E se eu for narcisista?”

    “E se eu não amar de verdade as pessoas?”

    “E se eu estiver enganando todo mundo?”

    Essa forma de TOC tem a ver com o que chamamos de TOC de personalidade ou TOC com obsessões existenciais/morais. E ele costuma gerar justamente o que você descreveu: medo paralisante, culpa intensa, hipervigilância e uma necessidade desesperada de certeza, mesmo sabendo que pedir reafirmação pode alimentar o ciclo.

    Sobre o narcisismo:
    O narcisismo patológico (inclusive o subtipo mais “vulnerável” ou “encoberto”) envolve padrões persistentes de grandiosidade, falta de empatia, manipulação, necessidade de admiração... e geralmente, quem de fato tem esse padrão não sofre por “achar que pode ser narcisista”. Muito pelo contrário: tende a justificar, negar ou projetar.

    Então, sim, é possível ter TOC e ter obsessões sobre ser narcisista. Mas sentir culpa, medo de machucar os outros e buscar ser uma pessoa melhor não são características do narcisismo clínico — são características de alguém que se importa profundamente.

    O mais importante: você não precisa lidar com isso sozinha. O TOC tem tratamento e, com ajuda profissional (especialmente com Terapia Cognitivo-Comportamental, que é muito eficaz nesse tipo de obsessão), é possível aprender a lidar com essas dúvidas de forma mais saudável, sem que elas te paralisem.

    Você não é o que o TOC te diz. Você é quem busca ajuda, quem sente, quem se importa. E isso importa muito.


  • Gostaria de saber se p HOCD é um tipo de toc real ?

    Gostaria de saber se p HOCD é um tipo de toc real ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Letícia Junqueira

    Essa é uma dúvida muito comum, e fico feliz que você esteja buscando entender melhor o que está sentindo.

    Sim, o que muitas pessoas chamam de HOCD (Homosexual Obsessive Compulsive Disorder) é uma variação do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Não é um diagnóstico separado, mas sim um subtipo do TOC.

    No HOCD, a pessoa passa a ter pensamentos obsessivos relacionados à sua orientação sexual — por exemplo, alguém heterossexual que começa a ter pensamentos repetitivos e intrusivos de que pode ser homossexual, ou vice-versa. Esses pensamentos geram dúvida constante, ansiedade, culpa e muitas vezes levam a comportamentos compulsivos, como:

    Checar constantemente se sentiu algo por alguém do mesmo sexo

    Evitar filmes, pessoas ou situações relacionadas ao tema

    Buscar incessantemente provas de que sua orientação "real" é a que sempre acreditou ter

    Pedir validação de outras pessoas sobre isso

    É importante saber que o sofrimento não vem da orientação sexual em si, mas da obsessão e da dúvida intensa que o TOC provoca. E isso pode acontecer com qualquer conteúdo obsessivo — orientação sexual, identidade de gênero, religião, moralidade, contaminação, etc.

    Por isso, sim: o HOCD é um TOC real, com sintomas reais e sofrimento real. E o mais importante: tem tratamento. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes, especialmente com técnicas de exposição e prevenção de resposta. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico também é necessário.

    Se você se identificou com isso, saiba que não está sozinha(o). Buscar ajuda é o primeiro passo para se libertar desse ciclo de dúvida e ansiedade.


Perguntas frequentes

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