Perguntas do paciente (24)

  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Talvez o desejo de ser autossuficiente proteja você da dor de perder. Mas, afastar-se dos vínculos não elimina a falta; apenas a mantém sob controle. As pessoas vão embora, mas o que se vive com elas não é vazio: cada vínculo deixa marcas, amplia o eu e pode ser elaborado sem exigir que outro venha preencher a lacuna


  • Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou

    Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou 100mg de sertralina, mas não resolveu. Faz 3 anos que eu não vou a escola por conta dessa ansiedade. Tenho medo do julgamento, medo do que os outros estão pensando, medo de ser rejeitado, criticado, medo de desagradar alguém, autoestima baixa. Quando alguém me chama para sair, ir em algum evento, festas ou um jogo de futebol, eu nunca vou por conta dessa ansiedade. Já passei por 2 psicólogas da TCC, mas eu parei de fazer terapia porque eu achei que não estava resolvendo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Olá.

    Você parou a terapia porque não estava resolvendo. Isso não foi desistência — foi leitura correta de que algo não estava funcionando. Vale registrar, porque muita gente na sua situação conclui que o problema é ser um caso perdido.

    Sobre o que você descreve: o medo social não é um defeito seu. É um sistema de proteção funcionando, só que calibrado para uma ameaça que não está mais lá. Ele foi feito para te proteger de rejeição real. O problema é que passou a disparar diante da possibilidade de rejeição — um convite, um jogo, uma sala de aula.

    Por isso a pergunta que costuma destravar não é "por que eu sou assim". É: do que exatamente esse sistema está tentando me proteger? Quando isso aparece com clareza, o medo deixa de ser inimigo e vira informação. É aí que o trabalho começa a andar.

    Dois pontos práticos. A sertralina em 100mg pode não ser a dose ou o medicamento certo para você — isso se ajusta, e vale voltar ao psiquiatra em vez de concluir que remédio não funciona. E a TCC tem eficácia bem documentada em ansiedade social, mas depende de exposição gradual real, feita junto com o terapeuta. Se as duas experiências anteriores ficaram só na conversa sobre pensamentos, faltou a parte que muda o circuito. Ao procurar alguém de novo, pergunte diretamente como a exposição vai ser conduzida.

    Três anos de evitação parece muito, e é. Mas evitação não é sentença: é um circuito que aprendeu bem demais. O que se aprendeu, se reaprende.


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Talvez não seja traição, mas o desejo de ser reconhecida e valorizada pelo olhar do outro. A culpa pode transformar uma preocupação comum em prova de deslealdade. Em vez de condenar esses pensamentos, observe a ansiedade e a necessidade de aprovação que os sustentam; elaborá-las pode ajudá-la a reinvestir sua autoestima em si mesma e no vínculo que escolheu.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Em 1912, num ensaio chamado Sobre a mais generalizada degradação da vida amorosa, ele sustenta que o desejo depende de obstáculo: onde a satisfação se torna garantida, ela perde intensidade. Não é cinismo, é observação clínica.

    Repare no que você descreve. Não se sente presa nem desconfortável, as conversas continuam boas até tarde, ele ama, cuida e demonstra. Quase tudo está no lugar — o que se apagou foi só a animação. Freud separava essas duas coisas: uma corrente terna, que produz afeto e familiaridade, e uma corrente sensual, que produz excitação e vive de tensão e incerteza. A primeira está intacta. A segunda é justamente a que a segurança dissolve.

    Daí a formulação incômoda: a queda do entusiasmo pode ser sinal de que a relação deu certo, não de que fracassou. Parte da "sensação gostosa" do começo era ansiedade — não saber se ele viria, se ligaria, se te escolheria. Você conquistou o oposto disso, e não se tem as duas coisas ao mesmo tempo.

    Quanto a "confundir amor com carência": não existe amor sem carência. Freud descreve o enamoramento como um estado em que a pessoa se empobrece em favor do outro. Precisar não contamina o amor — é o material de que ele é feito. Procurar um amor destilado, sem necessidade e sem hábito, é o caminho mais rápido para desqualificar relações que estão funcionando.

    Um critério prático para você observar: a diferença entre excitação que caiu e aversão que apareceu. Na primeira, a presença dele segue confortável e a ausência dá saudade — só falta a vibração. Na segunda, o toque incomoda e a ideia de terminar traz alívio, não medo. Pela sua descrição, você está claramente no primeiro caso.

    E sim, é possível recuperar — mas não fabricando insegurança, que produz ansiedade e não desejo. O desejo precisa de alteridade: vida própria, interesses não compartilhados, espaço para que o outro volte a ser alguém a ser descoberto.

    Guarde a sua melhor frase: você não quer fingir nem obrigar seus sentimentos. Sentimento não se produz por esforço. O que se pode fazer é entender de que ele era feito e o que mudou — e isso, em casos como o seu, em que o afeto permaneceu, costuma dar resultado.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Olá.

    Você fez a pergunta certa no final: o que de fato é estar se curando?

    Cura, aqui, não é virar extrovertida. É deixar de sofrer com o que você é. Ansiedade social e timidez não são a mesma coisa — a segunda é temperamento, e não precisa de tratamento. O que adoece é o medo do julgamento, não o fato de você falar pouco.

    Repare no que você mesma descreveu: seis meses atrás estava travada, hoje interage e a ansiedade diminuiu. Isso é evolução real, medida por você, na prática. O que a colocou em dúvida não foi um sintoma — foi um comentário de terceiros sobre o seu jeito. São critérios diferentes, e você está usando o de fora para avaliar o de dentro.

    Respondendo diretamente: não, você provavelmente não vai parar de ouvir esses comentários. Pessoas quietas ouvem isso a vida inteira, inclusive as que nunca tiveram ansiedade. O que muda com o tratamento é o que o comentário faz com você. Hoje ele te derruba e te faz duvidar do próprio progresso. Depois, vira só uma observação imprecisa de alguém que não te conhece bem.

    Sobre a sensação de não pertencimento: ela costuma ter raiz mais antiga que o trabalho atual. Você mencionou bullying na escola e um fechamento progressivo desde então — é ali que essa sensação normalmente se forma, e é ali que o trabalho terapêutico costuma render mais.

    Um bom sinal de melhora, para você usar como referência: não é falar mais. É poder ficar em silêncio numa roda sem que o silêncio doa.


  • Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico

    Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Olá. Obrigado por escrever. Dá para sentir o peso do que você está vivendo.

    Pesquisar sintomas é uma tentativa de encontrar segurança, mas ela alivia por minutos e devolve duas dúvidas novas. Vira um ciclo em que a busca alimenta o próprio medo. Isso não é fraqueza sua — é o modo como a ansiedade funciona. E os textos que você leu descrevem os quadros no pior cenário, sem contexto e sem pessoa. Boa parte do que está na sua cabeça hoje veio da leitura, não da sua experiência.

    Três caminhos, com calma:

    Quando vier a vontade de pesquisar, adie dez minutos e escreva a dúvida num caderno. Muitas somem sozinhas; as que restarem, leve a quem te acompanha.

    Para voltar a sair, comece pequeno: a porta, o portão, a esquina, com companhia e sem meta.

    E sobre a terapia, vale entender o que exatamente pesa no online — câmera, voz, exposição. Há atendimento só por áudio, sessões curtas, alguém de confiança por perto. Isso não precisa ser o fim da conversa, mas o primeiro assunto dela. Mantenha também o acompanhamento de quem prescreveu a medicação e conte sobre as pesquisas.

    Você não precisa vencer isso sozinho, e o difícil de agora não é o definitivo. Um abraço.


  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Sim, o que você descreve é bastante compatível com um quadro depressivo. Diagnóstico só em consulta, mas quase tudo que você listou está na descrição clínica: o vazio, a perda da graça nas coisas, o choro constante, a vontade de ficar deitada, a sensibilidade a tudo.

    Os lapsos de memória e a dificuldade de raciocinar fazem parte disso. Não conseguir fazer contas simples ou entender vídeos é sintoma reconhecido de depressão — não é você ficando burra. A concentração é das primeiras coisas a cair, e volta com o tratamento.

    A sensação de que seu namorado vai te deixar e de que te odeiam é o quadro falando, não uma leitura confiável da realidade. A depressão distorce exatamente isso, e de forma muito convincente.

    Procure um psiquiatra. Dois meses já é tempo de avaliar. Se você for menor de idade, conte a um adulto de confiança para te levar — se for difícil falar, mostre este texto que você escreveu. Ele explica melhor do que dá para falar chorando.

    Sem custo: UBS para encaminhamento, ou CAPS (CAPS-IJ se tiver menos de 18). Clínicas-escola de psicologia também atendem.

    Se apertar, CVV pelo 188, 24h.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Sua tristeza não apareceu apesar dos quatro dias felizes. Ela apareceu por causa deles.
    É isso que torna a experiência desconcertante — você procura um problema para explicar o vazio e não encontra nenhum, porque não há nenhum.
    Freud descreveu, em Luto e melancolia, que o luto não é reação apenas à morte de alguém: é reação à perda de qualquer coisa que ocupava o lugar de um ideal. E o que você perdeu não foi seu namorado — ele continua lá, o relacionamento está bem. O que se perdeu foi a vida que existiu por quatro dias e acabou.
    Repare no que você mesma nomeia como especial: acordar juntos, cozinhar, dividir a rotina. Não foi o extraordinário que te marcou, foi o ordinário. Durante quatro dias você não teve um namorado à distância — teve uma vida em comum. Ao voltar, você não retomou o normal: agora sabe exatamente o que falta. As despedidas anteriores interrompiam um encontro; esta interrompeu uma rotina — e rotina é justamente o que não deveria ter fim.
    Respondendo ao que você perguntou: sim, é normal e é comum. Não é dependência nem imaturidade. É o preço previsível de uma boa experiência que terminou. O inverso é que seria digno de exame: se você tivesse voltado indiferente.
    Duas observações práticas. Não trate esse vazio como sintoma a eliminar — ele mostra o que você quer, e vocês descobriram na prática que funcionam bem convivendo. E o que encurta a tristeza de retorno não é distração, é conversa: contar a ele que foi a rotina, não o passeio, o que te marcou, transforma um luto solitário em projeto compartilhado.
    Se a sensação se instalar por semanas, atingir outras áreas da vida, ou se você passar a evitar os encontros para não sofrer a despedida, aí vale procurar acompanhamento — não por ser anormal, mas por ter deixado de ser passageiro.
    Luiz Siqueira — Psicólogo Clínico (CRP 05/22932)


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Em Observações sobre o amor de transferência (1915). Freud diz explicitamente que esse amor não é menos genuíno que qualquer outro — é exatamente tão real quanto todo amor, porque todo amor é repetição de um modelo antigo. O que distingue o consultório não é a autenticidade do sentimento, é o fato de que ali ele não pode ser satisfeito.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Você não é defeituosa. O que acontece na intimidade é o seu corpo reagindo a um perigo antigo — tem nome, tem explicação e tem tratamento.

    Três coisas:

    Deixe o álcool de lado. Ele derruba as defesas que seguram as lembranças, por isso piora.

    Procure terapia focada em trauma. É o que realmente muda esse quadro. Se o custo for um obstáculo: clínicas-escola de psicologia em universidades, ou o CAPS pelo SUS (CAPS-IJ, se você tiver menos de 18).

    Combine com seu namorado que você pode pedir para parar a qualquer momento, sem explicar. Saber que tem essa saída já reduz o pânico, porque o corpo relaxa quando sente que tem controle.

    Se apertar muito em algum momento, o CVV atende 24h pelo 188.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    olá, Talvez você não esteja atrasado, mas apenas desejando algo profundamente humano: intimidade, partilha e reconhecimento. Aos 25 anos, não é preciso ter todas as respostas nem esperar que a vida se estabilize completamente para se abrir ao amor. É possível cuidar de si e, ao mesmo tempo, buscar alguém não para preencher uma falta, mas para construir algo em conjunto. A angústia talvez diminua quando você deixar de tratá-la como prova de fracasso e puder escutá-la com ternura.


  • Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

    Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.

    Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.

    Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.

    Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Olá.

    Seu relato é organizado e detalhado, o que já ajuda muito. Vou separar o que você descreveu em duas coisas diferentes, porque elas provavelmente não são o mesmo fenômeno.

    Os flashes atuais. Imagens rápidas, involuntárias, de conteúdo aversivo, que aparecem do nada e vêm acompanhadas de "e se acontecer?" — e depois de uma pequena ação para prevenir. Esse conjunto tem um nome descritivo em psicologia: pensamento intrusivo com comportamento de checagem. É um padrão frequente e bem conhecido, e existe tratamento com bons resultados. Um detalhe importante: o conteúdo dessas imagens não diz nada sobre você. Elas costumam ser justamente sobre aquilo que a pessoa mais teme, não sobre o que deseja.

    Os episódios da infância. A "bola gigante", os espinhos na parede, a sensação de estar comprimido, o corpo sem espaço — isso é bem diferente. Fenômenos de distorção perceptiva desse tipo, em crianças, em geral aparecem na transição entre vigília e sono ou em estados de absorção intensa, e costumam ser benignos e autolimitados. Combinam com o que você descreve: apareceram, sumiram, voltaram poucas vezes, sumiram de novo.

    O sonho realista recente é uma terceira coisa ainda, e não precisa ser somado aos outros dois.

    Sobre quem procurar. Comece por um psiquiatra. Não porque o quadro seja grave, mas porque ele consegue, numa avaliação, distinguir com segurança essas três camadas e verificar se algo merece investigação neurológica — a natureza dos episódios de infância é o único ponto em que essa checagem faz sentido. Em paralelo, ou logo depois, psicoterapia é o que efetivamente reduz os flashes e a checagem.

    Um mês e meio é recente e a frequência é alta, mas você está lúcido sobre o que acontece, reconhece que são pensamentos e está buscando ajuda no momento certo. Isso é bom prognóstico.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Olá.

    Sobre aquele conteúdo, você não sentiu prazer com ele e saiu em cinco minutos com repulsa. Isso não é recaída — recaída pressupõe desejo, busca, alívio, e nada disso esteve presente. O que houve foi aversão, que é o oposto de vício.

    O que sobrou não foi a imagem. Foi o que você concluiu sobre si mesma a partir dela. Um susto virou veredito sobre quem você é, e onze anos depois o veredito ainda está de pé — o episódio, não.

    Sobre 2015: aquela pergunta foi uma falha grave do profissional, não sua. Ele transformou seu relato numa avaliação do seu valor sexual, que era exatamente o que você não pediu. Não voltar foi autopreservação. O problema foi aquele terapeuta, não a terapia.

    Não ter tido experiência sexual aos 45 anos não é sintoma nem atraso. E baixa libido é efeito comum de quadros depressivos e de várias medicações — vale levar isso à sua psiquiatra sem constrangimento.

    Uma luz prática: quando a angústia voltar, separe no papel duas coisas que estão coladas — o que de fato ocorreu (cinco minutos, nojo, saída imediata) e o que sua mente diz que aquilo significa. A desproporção fica visível.

    E ao procurar terapia, pergunte diretamente como o profissional trabalha com vergonha e sexualidade. Se a resposta te colocar na posição de examinada, você pode sair de novo. Isso não é ser difícil — é saber o que já te machucou uma vez. Procure sondar a sensibilidade do terapeuta ao assunto sexo, se ele fala de modo tranquilo, se tem preconceitos, crie uma lista de perguntas a fazer de forma que a respostas delas te permitirá se sentir tranquila com sua escolha de um novo profissional.

    Você fez bem em escrever.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Olá Talvez você esteja preso não apenas à garota, mas à culpa e ao futuro que imaginou com ela. O desejo pode transformar uma possibilidade perdida em algo idealizado. Antes de buscá-la, tente entender o que realmente sente e assumir seus erros.


  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Talvez o celular e a pornografia tenham se tornado uma tentativa de aliviar a ansiedade, o medo e as mudanças trazidas pela gravidez, mas o alívio repetido pode virar compulsão. Procure um psicólogo ou psiquiatra com experiência em compulsões sexuais e comportamento digital; a terapia, geralmente cognitivo-comportamental ou psicodinâmica, ajuda a compreender os gatilhos, regular emoções e reconstruir intimidade. Se houver perda de controle, sofrimento ou prejuízo no trabalho e no casamento, busque ajuda quanto antes, sem se reduzir à culpa.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Olá, O problema já não parece estar entre você e seu parceiro, mas entre você e o seu próprio juiz interior. Você confessou, foi perdoado, mas continua procurando uma absolvição que nenhuma confirmação externa consegue tornar definitiva. A repetição da confissão pode ser justamente uma maneira de alimentar a culpa que pretende eliminar. Mais importante do que perguntar novamente se foi perdoado é compreender por que uma parte de você insiste em não permitir que a dívida termine.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Talvez a culpa esteja tentando transformar uma perda que você não podia controlar em algo que poderia ter evitado. Você não perdeu apenas sua cachorra, mas também o futuro que imaginava viver ao lado dela. O luto não pede que você deixe de amar; pede, aos poucos, que esse amor encontre uma nova forma de existir.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Um término pode ser vivido como um luto: perde-se não apenas a pessoa, mas também os planos e a imagem de futuro construídos com ela. A dor não precisa ser reprimida nem apressadamente substituída; é preciso elaborá-la, reconhecendo o que se perdeu e, aos poucos, reinvestindo a libido em si mesmo e em novos vínculos.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Sim, é possível, mas não por simples decisão. É preciso elaborar as mágoas, interromper as ofensas e reconstruir limites e confiança por meio de mudanças consistentes. Quando o ressentimento permanece dominante, a separação pode ser mais saudável do que insistir no vínculo.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Siqueira

    Talvez essa tristeza seja a dor de não se sentir vista nem segura para ser você mesma. Quando precisamos “pisar em ovos”, algo em nós se retrai; e sentimentos não validados podem se transformar em solidão, mesmo dentro de um relacionamento. Isso é compreensível, mas não deve ser ignorado. Se essa tristeza persistir ou se tornar intensa, procure apoio psicológico: você não precisa atravessá-la sozinha.


Perguntas frequentes

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