Perguntas do paciente (612)

  • Há algum sinal de que a Síndrome de Otelo pode voltar após o tratamento?

    Há algum sinal de que a Síndrome de Otelo pode voltar após o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    A chamada Síndrome de Otelo, marcada por um ciúme obsessivo e delirante, pode voltar caso os elementos inconscientes que a sustentam não sejam trabalhados em profundidade. Na psicanálise, entende-se que o sintoma é uma tentativa do inconsciente de lidar com questões mal elaboradas, como inseguranças ou fantasias ligadas ao desejo e à posse. O retorno depende da persistência de tais conflitos e da forma como o sujeito lida com a falta e o Outro. Por isso, a análise busca abrir espaço para que o sujeito possa simbolizar o que está em jogo, reduzindo a repetição do sintoma.


  • Como posso superar de vez o meu ex? Já estamos 1 ano separados (ele terminou comigo). O que posso fa

    Como posso superar de vez o meu ex? Já estamos 1 ano separados (ele terminou comigo). O que posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Olá! Se depois de um ano ele ainda ocupa tanto espaço em ti, é porque a separação não foi apenas dele, mas também de algo seu que ficou ali. Não se trata apenas de esquecer ou seguir em frente, mas de entender o que nesse laço ainda te prende. O desejo não obedece ao tempo cronológico, e tentar “superar de vez” pode ser justamente o que te faz girar em torno disso. O que esse ex representava para você? O que ainda retorna quando pensa nele? Falar sobre isso pode te ajudar a deslocar esse lugar que ele ocupa.








  • Em quais doenças psiquiátricas a irritabilidade pode se manifestar?

    Em quais doenças psiquiátricas a irritabilidade pode se manifestar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    A irritabilidade pode surgir em diversos quadros, como depressão, transtorno bipolar, ansiedade e TDAH. Ela muitas vezes funciona como um sinal de que algo não está sendo elaborado ou simbolizado, uma espécie de "escape" para conflitos internos que não encontram palavras. Em alguns casos, a irritabilidade também pode estar ligada a frustrações inconscientes ou a uma dificuldade em lidar com a falta, aquilo que nunca será completamente preenchido. É importante olhar para o que está por trás dessa irritação, pois ela pode ser uma pista para algo que precisa ser trabalhado.


  • Sofro de ciúmes retroativos, meu marido não dá motivos para desconfianças, porém as vezes sinto que

    Sofro de ciúmes retroativos, meu marido não dá motivos para desconfianças, porém as vezes sinto que fico procurando. Como posso lidar melhor com isso ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    O ciúme retroativo que você associa ao passado do seu marido pode estar ligado a uma insegurança em relação ao seu próprio desejo e ao lugar que ocupa no desejo do outro. Esses pensamentos podem ser uma forma de tentar controlar algo que escapa ao seu alcance, como se precisasse garantir que o amor do outro é exclusivo. A terapia pode ajudar a explorar essas angústias, permitindo que você entenda o que está por trás dessa necessidade de procurar motivos onde não há.


  • Como os psicólogos podem ajudar uma pessoa adulta a lidar com o ciúmes ?

    Como os psicólogos podem ajudar uma pessoa adulta a lidar com o ciúmes ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Os psicólogos podem ajudar o sujeito a entender o que o ciúme revela sobre ele próprio, já que, na perspectiva psicanalítica, o ciúme é menos sobre o outro e mais sobre os conflitos internos do sujeito. Na análise, busca-se compreender o que o ciúme encobre: inseguranças, fantasias ou o medo da perda que remetem à relação com o desejo e o lugar do sujeito no desejo do Outro. O trabalho consiste em permitir que a pessoa nomeie e ressignifique essas questões, construindo uma relação menos marcada por posse e controle. Isso não elimina o ciúme, mas pode torná-lo mais manejável.


  • Quais os padrões de pensamentos relacionados ao ciúme excessivo de uma pessoa adulta ?

    Quais os padrões de pensamentos relacionados ao ciúme excessivo de uma pessoa adulta ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    O ciúme excessivo em adultos pode associar-se a uma insegurança profunda, onde o desejo do outro é vivido como uma ameaça. Esses padrões de pensamento muitas vezes se conectam a experiências passadas de abandono, traição ou rivalidade, que não foram elaboradas. A pessoa pode projetar no parceiro suas próprias angústias, como se precisasse controlar o outro para se sentir segura. A terapia pode ajudar a explorar essas associações, permitindo que o ciúme perca sua força paralisante.


  • Qual é a origem do ciúme patológico de um paciente adulto ?

    Qual é a origem do ciúme patológico de um paciente adulto ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    O ciúme patológico em adultos muitas vezes se associa a uma ferida narcísica não elaborada – como se o outro fosse responsável por completar algo que falta no sujeito. Sua origem pode estar em vivências passadas de abandono, traição ou insegurança afetiva, que se repetem como um fantasma nos relacionamentos atuais. A psicanálise explora o que esse ciúme protege (uma ilusão de controle sobre o desejo do outro) e o que ele esconde (um medo profundo de não ser "suficiente"). O tratamento ajuda a desvendar esses nós, sem julgamentos.


  • Como um paciente adulto pode controlar o ciúmes possessivo ?

    Como um paciente adulto pode controlar o ciúmes possessivo ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    O ciúme possessivo em um adulto aponta para a angústia frente ao desejo do outro, que é sempre imprevisível e impossível de controlar completamente. Na psicanálise, busca-se compreender o que esse ciúme revela sobre a relação do paciente com a falta, ou seja, com aquilo que sente que lhe escapa. Trabalhar essas questões em análise pode ajudar o paciente a deslocar o foco do controle sobre o outro para uma melhor relação com seus próprios desejos e inseguranças. Não se trata de “controlar” o ciúme, mas de entender o que ele representa e, a partir disso, transformá-lo.


  • O que é ciúmes possessivo? .

    O que é ciúmes possessivo? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    O ciúme possessivo surge quando o outro é visto como um objeto que deve estar sempre disponível e sob controle. Não se trata apenas do medo de perder, mas da dificuldade em lidar com a falta e com a ideia de que o desejo do outro não te pertence. O problema é que, ao tentar controlar, tu acabas reforçando a própria angústia, porque o desejo nunca é totalmente garantido. Quanto mais tentas segurar, mais escapa. O ciúme fala menos do outro e mais daquilo que, em ti, não consegues suportar.








  • Por que os filhos têm ciúmes dos pais? .

    Por que os filhos têm ciúmes dos pais? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    O ciúme dos filhos pelos pais reflete a dinâmica de desejo que Lacan descreve: o desejo do outro é sempre um enigma. A criança percebe que não é o centro absoluto do mundo dos pais, que eles também têm interesses, relações e desejos que escapam a ela. Esse sentimento pode ser mais evidente na relação entre os pais, onde a criança se sente excluída de uma troca que não compreende totalmente. O ciúme surge como uma forma de reivindicar um lugar privilegiado e tentar entender seu papel no desejo dos pais. É uma maneira de lidar com a sensação de não ser tudo para o outro, um aprendizado essencial para crescer.


  • Num relacionamento conjugal, a opinião do outro é muito importante?

    Num relacionamento conjugal, a opinião do outro é muito importante?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    A opinião do outro pode ser importante, mas não deve se tornar uma prisão. No relacionamento, o que está em jogo é a dinâmica entre dois desejos, que nunca se encaixam perfeitamente. Ouvir o outro é fundamental, mas também é preciso manter um espaço para o que é singular em cada um. Quando a opinião do outro se torna uma lei absoluta, o risco é de perder a própria voz e o próprio desejo. O desafio é construir um laço onde ambos possam existir, sem anular um ao outro.


  • Não sinto mais vontade de fazer nada, Nem mesmo trabalhar, estudar, ir à academia e nem de fazer as

    Não sinto mais vontade de fazer nada, Nem mesmo trabalhar, estudar, ir à academia e nem de fazer as coisas que eu gosto. Todo dia me xingo mentalmente me amaldiçoando com palavras fortes constantemente, sentindo diversas vezes sentimentos de inveja, raiva e tristeza. Me estressou com qualquer coisa besta e fico agressivo com as pessoas ao meu redor desejando o mal delas. Não tenho sonhos, metas e nem vontade de sair da cama, todo dia que acordo sinto um aperto no peito e uma vontade de chorar. Baixa autoestima não fica de fora também.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Olá! O que tu descreve parece indicar que algo em sua vida perdeu o sentido, como se estivesse preso em um ciclo de culpa, frustração e agressividade direcionada tanto a si quanto aos outros. Na psicanálise, procuraríamos entender o que essa falta de vontade e esse ódio revelam sobre seu conflito interno. Esses sentimentos podem ser expressões de desejos reprimidos ou insatisfeitos, ou mesmo de uma angústia profunda diante de algo que você não consegue nomear. É importante encontrar um espaço onde você possa falar livremente sobre essas dores, sem julgamentos, para começar a dar forma ao que está sufocado. Isso pode ser o primeiro passo para compreender e elaborar o que está te paralisando.








  • Hipocondria tem cura?

    Hipocondria tem cura?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Na psicanálise, não se fala em “cura” no sentido médico, mas em compreender o que está por trás do sofrimento. A hipocondria é marcada por uma angústia deslocada para o corpo, onde os sintomas funcionam como uma linguagem do inconsciente. O trabalho analítico busca dar voz a essa angústia, entendendo o que ela quer dizer sobre os conflitos do sujeito. Não se trata de apagar os sintomas, mas de transformar a relação com eles, encontrando outras formas de lidar com o que está em jogo.








  • Olá boa noite, eu fui uma criança criada trancada em casa, minha mãe não deixava me socializar direi

    Olá boa noite, eu fui uma criança criada trancada em casa, minha mãe não deixava me socializar direito, hoje eu tenho muita dificuldade de conversar ou manter um papo por muito tempo, não consigo conversar com as pessoas, e quando consigo logo vem aquele silêncio embaraçoso.
    Eu queria saber se o fato de minha mãe ter me criado recluso de certa forma teria me trazido algum transtorno social, por que hoje isso está me incomodando demais.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Boa noite. O modo como foste criado pode, sim, ter deixado marcas importantes na forma como vê as relações hoje. Na psicanálise, olhamos para a história familiar como algo que estrutura, de certa maneira, como suas formas de estar no mundo. Crescer num ambiente de reclusão pode ter limitado a sua possibilidade de experimentar a troca com o outro, o que talvez tenha criado um certo estranhamento ou desconforto nas relações atuais. No entanto, isso não é um destino fechado. Ao explorar suas experiências e sentimentos em análise, você poderá compreender melhor o que essa dificuldade revela e encontrar formas mais livres de te posicionar diante do outro.








  • Olá, recém entrei em um relacionamento e esses dias eu estava distraído quando de surpresa um conhec

    Olá, recém entrei em um relacionamento e esses dias eu estava distraído quando de surpresa um conhecido chegou muito perto de mim e eu achei q fosse me beijar, na mesma hora tive a sensação de que se acontecesse aquele beijo eu iria gostar e até sorri, segundos depois que percebi a situação lembrei que não sinto nada pela pessoa e que tenho namorada e nunca a trairia, estranhei a situação mas ignorei. No dia seguinte eu relembrei esse caso e ando me culpando imensamente pensando que não a mereço, estou me odiando por ter tido essa sensação involuntária e penso nisso o tempo todo... O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Olá! Sentir uma reação involuntária não significa uma traição ou falta de caráter. A psicanálise entende que o desejo é algo que nos atravessa, nem sempre ligado à nossa vontade consciente. Essa sensação momentânea que você teve pode dizer mais sobre algo interno, como uma curiosidade ou fantasia, do que sobre a sua relação. Culpar-se excessivamente só reforça o conflito, tornando a situação maior do que ela realmente é. O importante é reconhecer que esses pensamentos não definem quem você é ou o valor que dá ao seu relacionamento.








  • Bom dia! Gostaria de perguntar devido a uma questão da minha ansiedade, não consigo frequentar a fa

    Bom dia!
    Gostaria de perguntar devido a uma questão da minha ansiedade, não consigo frequentar a faculdade me dá muita agonia, não converso e me sinto inferior, tenho medo de apresentações... Isso acontece somente na faculdade, eu trabalho fora e não sinto isso.Comecei a faculdade de psicologia e acho que não condiz mais com o que eu quero.
    Devo ir em um psicólogo ou psiquiatra ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Olá! O que você descreve pode apontar para um desconforto mais profundo relacionado ao ambiente da faculdade ou ao que ela representa para você. Na psicanálise, explorar o sentido dessa "agonia" e do medo pode ajudar a entender por que isso aparece nesse espaço específico. Tanto um psicólogo quanto um psicanalista podem auxiliar nesse processo; o psiquiatra seria necessário se a ansiedade estivesse te prejudicando fisicamente a ponto de precisar de medicação. Talvez o problema não seja apenas o curso, mas algo que esse contexto mobiliza em você.








  • Abuso psicológico afeta tanto saúde mental quanto física ?

    Abuso psicológico afeta tanto saúde mental quanto física ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Olá! Sim, o abuso psicológico impacta tanto a saúde mental quanto física, porque o corpo e a mente estão intimamente conectados. Na psicanálise, entendemos que as palavras têm um poder estrutural: elas constroem ou ferem. Quando alguém é submetido a humilhações, manipulações ou desvalorizações constantes, isso marca o inconsciente e pode somatizar no corpo, como dores crônicas, insônia ou outros sintomas físicos. Além disso, cria efeitos como ansiedade, depressão e sensação de desamparo, afetando a capacidade de se relacionar com o outro e consigo mesmo. Tratar essas marcas exige escuta atenta e respeito ao tempo singular de elaboração de cada sujeito.








  • Por que a validação emocional é importante? .

    Por que a validação emocional é importante? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    A validação emocional importa porque dá lugar àquilo que a pessoa sente, sem negar ou apagar o que está pulsando dentro dela. Na psicanálise, o que não é ouvido tende a retornar de outras formas — como sintomas ou conflitos. Reconhecer e legitimar as emoções não significa concordar com elas, mas permitir que encontrem um espaço para existir. É nesse espaço que algo pode ser elaborado, permitindo ao sujeito lidar melhor com o que o afeta.








  • Eu não consigo esquecer o passado mesmo que tento, sonho com o passado e acabo chorando o pq será?

    Eu não consigo esquecer o passado mesmo que tento, sonho com o passado e acabo chorando o pq será?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    Olá! O passado não se apaga porque ele não é apenas um tempo que passou, mas algo que ainda opera em ti. Sonhar e chorar revelam que há algo ali que insiste, que não foi simbolizado completamente. O que retorna não é o simples fato, mas o que nele ficou sem nome, sem elaboração. Não se trata de esquecer, mas de entender o que ainda te prende a isso.








  • É possível transformar a angústia em algo positivo?

    É possível transformar a angústia em algo positivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luíza Pedroso Cunha

    A angústia pode ser associada a um sinal de que algo no desejo está em conflito ou não encontra caminho para se expressar. Em vez de vê-la apenas como negativa, ela pode funcionar como um motor para questionar e explorar o que está em jogo. Na psicanálise, a angústia é muitas vezes um ponto de partida para elaborar questões inconscientes, abrindo caminho para novas formas de lidar com o que antes parecia paralisante.


Perguntas frequentes

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