Perguntas do paciente (12)

  • Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessid

    Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessidade de agradar a todos, crenças como: "eu tenho que agradar todo mundo", "se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim". Esses medos e essas crenças estão me atrapalhando muito na minha vida pessoal e nos esportes também

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá! Na TCC, a gente trabalha entendendo primeiro o que está por trás desse medo do julgamento e da rejeição. Muitas vezes, não é simplesmente “não gostar de ser criticado”. Existe uma crença mais profunda de que ser criticado, desagradar alguém ou cometer um erro diz alguma coisa sobre o seu valor como pessoa.

    Por exemplo, pensamentos como: “eu tenho que agradar todo mundo”, “se alguém não gostar de mim, significa que tem algo errado comigo” ou “se eu for criticado, não vou conseguir lidar com isso”.

    O problema é que, quando você acredita muito nesses pensamentos, começa a organizar a sua vida para evitar justamente aquilo que teme. Pode deixar de se posicionar, dizer sim quando gostaria de dizer não, evitar conflitos, tentar controlar a impressão que causa nas pessoas ou até se cobrar excessivamente para não cometer erros.

    Nos esportes, isso também pode aparecer. Em vez de a atenção estar na atividade, no seu desempenho e no que você está aprendendo, uma parte da sua atenção fica voltada para os outros: “O que estão pensando de mim?”, “Será que estou fazendo errado?”, “E se eu passar vergonha?”, “E se me criticarem?”. E quanto mais você tenta não errar ou não ser julgado, maior pode ficar a ansiedade.

    Na terapia, nós vamos trabalhar em algumas frentes. Vamos identificar esses pensamentos e crenças, entender de onde eles vêm e questionar se eles realmente correspondem à realidade. Mas não ficamos apenas na conversa. Aos poucos, também fazemos experimentos comportamentais e exposições para que você tenha novas experiências: se posicionar mais, tolerar pequenas desaprovações, permitir-se errar, dizer não em algumas situações e perceber o que realmente acontece quando alguém não concorda ou não gosta de alguma coisa que você fez.

    O objetivo não é fazer você deixar de se importar completamente com a opinião das pessoas. Isso nem seria muito realista. É fazer com que a opinião dos outros deixe de determinar o seu valor e as suas escolhas.

    Com o tempo, a ideia é sair de “eu preciso agradar todo mundo para ser aceito” para algo mais próximo de: “Eu gosto de ser aceito, mas não preciso da aprovação de todo mundo. Algumas pessoas podem não gostar de mim, podem discordar ou me criticar, e eu consigo lidar com isso.”

    É esse processo que vai aumentando a sua segurança para se posicionar, se expor, praticar seus esportes com mais liberdade e fazer escolhas mais alinhadas ao que você quer, e não apenas ao medo de desagradar alguém.

    Um abraço,
    Marcelle M. Jordão
    CRP 5/33062


  • bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu re

    bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu reprovo , o que posso fazer para melhorar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá! Ser canhota, por si só, não significa que você terá um desempenho ruim no Palográfico. Além disso, o teste não avalia apenas se os traços estão retos ou “bonitos”, vários aspectos são considerados na avaliação. Por isso, antes de concluir que as reprovações acontecem por essa dificuldade, vale solicitar uma devolutiva ao psicólogo responsável pela correção para entender melhor o que influenciou os resultados.

    Também sugiro que você observe se essa dificuldade com o traçado aparece em outras situações do dia a dia ou somente durante o teste. Se houver uma dificuldade de coordenação motora fina, escrita, postura ou controle do movimento, pode ser interessante procurar um terapeuta ocupacional para uma avaliação. Mas se a dificuldade surgir principalmente em situações de prova, acompanhada de ansiedade, medo de errar ou pressão para ter um bom desempenho, um psicólogo pode ajudar a compreender e trabalhar essas questões.

    Eu evitaria tentar “treinar para passar” especificamente no Palográfico. O mais importante é entender qual é a dificuldade que está acontecendo e procurar o profissional adequado para trabalhá-la.

    Um abraço.

    Marcelle M. Jordão
    CRP 05/33062


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    É compreensível que essa dúvida gere ansiedade, principalmente quando existe carinho pela pessoa e medo de tomar uma decisão da qual você possa se arrepender.

    Depois de quase três anos de relacionamento, é natural que as emoções não tenham a mesma intensidade do início. A paixão é um estado emocional intenso e, como outros estados emocionais, é transitória. Por isso, deixar de sentir aquela “animação” ou sensação gostosa do começo não significa necessariamente que o amor acabou.

    Relacionamentos saudáveis e duradouros costumam se sustentar menos na intensidade da paixão e mais na compatibilidade entre valores, objetivos de vida, respeito, cuidado, intimidade e na disposição de ambos para construir uma vida que faça sentido juntos.

    Também somos pessoas em constante transformação. Nós mudamos, nossos parceiros mudam e a própria relação se transforma ao longo do tempo. Por isso, é possível se “reapaixonar” pela mesma pessoa muitas vezes ao longo da vida, à medida que nos permitimos conhecer quem o outro está se tornando e construir novas formas de conexão.

    Talvez, neste momento, seja mais importante compreender o que mudou em você, nele e na relação, em vez de tentar responder imediatamente se ainda existe amor. A psicoterapia pode ajudá-la a explorar essas dúvidas, compreender seus sentimentos, pensamentos, necessidades e valores, sem a obrigação de chegar rapidamente a uma decisão. O objetivo não seria convencê-la a permanecer ou terminar, mas ajudá-la a fazer escolhas mais conscientes e coerentes com aquilo que é importante para você.

    Um abraço,
    Marcelle M. Jordão
    CRP 5/33062


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá! Pelo que você conta, existe um dado muito importante: você já percebe uma evolução. No início do trabalho, sentia-se muito ansiosa e travada nas interações e, seis meses depois, reconhece que essa ansiedade diminuiu e que está conseguindo se comunicar melhor. Isso é progresso, independentemente de alguém ainda considerá-la uma pessoa quieta.

    Ser tímida, reservada ou falar pouco não significa necessariamente ter um transtorno de ansiedade social. Para saber se existe um transtorno, seria necessária uma avaliação profissional. E, mesmo quando existe ansiedade social, melhorar não significa se transformar em uma pessoa expansiva, que conversa o tempo todo.

    Uma pergunta que pode ajudá-la a perceber essa diferença é: você deixa de falar porque gostaria de falar, mas o medo e a ansiedade a impedem, ou fica em silêncio porque naquele momento simplesmente não tem vontade ou necessidade de falar? Você mesma diz algo importante: “acredito que tenho falado o que quero falar”.

    Talvez os comentários das outras pessoas estejam fazendo você usar a percepção delas como medida da sua evolução: “Se ainda dizem que sou quieta, será que realmente melhorei?”. Mas uma coisa não necessariamente comprova a outra. Você pode continuar sendo uma pessoa mais reservada e, ao mesmo tempo, estar muito menos limitada pela ansiedade.

    Na ansiedade social, melhorar não significa nunca mais sentir ansiedade ou nunca mais ouvir que você é quieta. Significa ter cada vez mais liberdade para conversar, se posicionar, criar vínculos e participar das situações que são importantes para você, mesmo quando algum desconforto aparece.

    Também seria interessante olhar com cuidado para essa sensação de não pertencimento. As experiências de bullying que você viveu podem ter contribuído para a forma como aprendeu a enxergar a si mesma e sua relação com outras pessoas.

    Talvez a pergunta não seja “quando vou deixar de ser quieta?”, mas “quanto a ansiedade ainda me impede de ser e fazer aquilo que eu gostaria?”. Essa diferença pode ajudá-la a enxergar sua evolução de uma forma mais justa.

    Um abraço,
    Marcelle M. Jordão
    CRP 5/33062


  • Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico

    Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá! Pelo seu relato, as pesquisas parecem ter começado como uma tentativa de entender o que estava acontecendo e encontrar alguma segurança, mas acabaram aumentando a ansiedade. Isso pode criar um ciclo: sinto medo, pesquiso para me tranquilizar, encontro informações preocupantes, fico mais atento aos sintomas e sinto ainda mais medo.

    As ideias negativas que ficaram dessas pesquisas podem, sim, ser trabalhadas. Na TCC, utilizamos estratégias como teste de evidências e descatastrofização para questionar pensamentos como: “Isso é um fato ou uma possibilidade?”, “Quais evidências realmente sustentam essa conclusão?”, “Existe outra forma de interpretar o que estou sentindo?”. Técnicas de mindfulness também podem ajudar a observar pensamentos e sensações sem reagir imediatamente a eles.

    Como você relata que não consegue mais sair de casa sozinho, a evitação também precisa ser trabalhada. Isso pode ser feito por meio de uma exposição gradual e planejada, começando por situações que gerem uma ansiedade mais tolerável e avançando aos poucos. Essas experiências ajudam o cérebro a construir novas evidências de que aquilo que hoje é percebido como ameaça pode ser enfrentado.

    Você também comenta que não consegue fazer terapia on-line. Já tentou? Se sim, o que dificultou: falta de privacidade em casa, dificuldade de vínculo com o profissional ou outra questão? Entender essa barreira pode ajudar a encontrar uma alternativa possível para você neste momento.

    Como já iniciou a medicação, mantenha o acompanhamento médico e compartilhe com o profissional como você está se sentindo. Psicoterapia e tratamento medicamentoso podem trabalhar de forma complementar para ajudá-lo a recuperar gradualmente sua autonomia e qualidade de vida.

    Um abraço,
    Marcelle M. Jordão
    CRP 5/33062


  • Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus

    Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá! Dificuldade de concentração não significa necessariamente falta de esforço ou disciplina. Ansiedade, estresse, alterações no sono e no humor, excesso de estímulos e até alguns transtornos podem afetar nossa capacidade de sustentar a atenção. Por isso, quando essa dificuldade começa a prejudicar sua vida acadêmica, vale investigar o que está por trás dela.

    O uso frequente de redes sociais também pode tornar atividades que exigem atenção prolongada, como estudar ou ler um livro, menos atraentes diante de estímulos rápidos e disponíveis o tempo todo. Em vez de depender apenas da força de vontade, algumas mudanças no ambiente podem ajudar: deixar o celular fora do alcance durante o estudo, desativar notificações e estabelecer períodos curtos de concentração (Ex. 10 a 15 minutos), aumentando esse tempo gradualmente.

    Com a leitura, talvez seja interessante abandonar temporariamente a expectativa de ler como você lia antes. Se hoje 10 minutos exigem esforço, comece por aí. Recuperar um hábito costuma funcionar melhor com metas pequenas e possíveis do que com cobranças que acabam tornando a atividade ainda mais difícil.

    Também observe o que acontece quando surge a vontade de pegar o celular: tédio, ansiedade, dificuldade com a tarefa, necessidade de distração? Entender a função desse comportamento é tão importante quanto tentar controlá-lo.

    Se essa dificuldade é persistente e está trazendo prejuízos importantes, a psicoterapia pode ajudar tanto a investigar suas causas quanto a construir estratégias mais adequadas à sua rotina.

    Abs,
    Marcelle M. Jordão
    CRP 5/33062


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá. Antes de tudo, sinto muito que você tenha passado por experiências tão dolorosas. Obrigada pela confiança em compartilhar isso.

    Pelo que você relata, é possível que suas reações nos momentos de intimidade estejam relacionadas aos abusos que sofreu na infância. Chorar, sentir medo e reviver essas lembranças não significa que você seja "defeituosa". Essas reações podem acontecer com pessoas que passaram por situações traumáticas.

    Também me chamou atenção quando você disse que não quer que seu namorado tenha "uma namorada defeituosa". Gostaria de reforçar que você não é definida pelo que aconteceu com você. O abuso foi uma violência que sofreu, e não uma característica sua.

    A boa notícia é que isso tem tratamento. Com o acompanhamento adequado, é possível elaborar essas experiências, reduzir o medo e recuperar, aos poucos, a sensação de segurança e de confiança nos relacionamentos.

    Procure um psicólogo para uma avaliação. Você não precisa enfrentar isso sozinha. Buscar ajuda é um passo importante para cuidar de você e construir uma relação mais leve consigo mesma e com quem você ama.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá. O que você descreve é uma angústia muito comum, embora muitas pessoas tenham dificuldade de falar sobre ela. O desejo de construir uma relação profunda, de compartilhar a vida com alguém e de se sentir pertencente faz parte de necessidades humanas importantes. Isso não torna você fútil.

    Também me chamou atenção quando você disse que, aos 25 anos, "já deveria ter a resposta para isso". Muitas vezes, acabamos nos comparando com outras pessoas e criamos expectativas sobre o que "deveríamos" ter conquistado em determinada idade. Essas ideias podem parecer verdades absolutas, mesmo sem nunca termos parado para questioná-las.
    Na psicoterapia, aprendemos justamente a refletir sobre essas crenças e a nos perguntar: essa forma de enxergar a vida realmente faz sentido para mim ou é fruto das comparações e expectativas que fui construindo ao longo do tempo? Esse exercício não muda o desejo de viver um relacionamento, mas pode diminuir o peso e a cobrança que colocamos sobre nós mesmos.

    Você pergunta se precisa esperar a vida ficar estável para procurar alguém. Não necessariamente. A vida raramente está completamente resolvida antes de iniciarmos um relacionamento. Ao mesmo tempo, é importante que a busca por um(a) parceiro(a) não se torne a única condição para que você se sinta feliz, pois isso pode aumentar a ansiedade e a sensação de que sua vida está "em espera".

    Talvez, mais do que perguntar "quando serei feliz?", valha a pena refletir sobre o que felicidade, intimidade e parceria significam para você, e como construir uma vida coerente com esses valores enquanto permanece aberto à possibilidade de um relacionamento.

    Se essa angústia e tristeza têm sido frequentes, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender melhor essas expectativas, flexibilizar algumas formas de pensar e encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com esse momento da sua vida ;)


  • Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá. Essa é uma dúvida muito mais comum do que parece, principalmente quando a gravidez não foi planejada ou quando a mulher ainda está tentando compreender todas as mudanças que esse momento traz.

    É importante diferenciar duas coisas: ter dificuldade para aceitar a gravidez não significa, necessariamente, rejeitar o bebê. Muitas gestantes passam por um período de ambivalência, no qual sentimentos de alegria, medo, insegurança, tristeza e até arrependimento podem coexistir. Isso faz parte da experiência de muitas mulheres e, por si só, não indica que você rejeite seu filho.

    Mais do que se preocupar com um sentimento específico, vale a pena observar como essas emoções evoluem ao longo do tempo e o quanto elas têm causado sofrimento ou interferido na sua rotina.

    Se essas dúvidas têm sido frequentes, intensas ou vêm acompanhadas de muita angústia, conversar com um psicólogo pode ajudar você a compreender melhor o que está sentindo, acolher essas emoções e atravessar esse momento com mais segurança. Não se culpe por ter sentimentos conflitantes: eles podem fazer parte do processo de adaptação à maternidade.


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá. Essa é uma pergunta muito importante.

    Nem toda pessoa que já teve depressão apresentará um novo episódio. No entanto, algumas pessoas podem ter uma maior vulnerabilidade ao longo da vida, o que aumenta o risco de recorrência em determinadas circunstâncias.

    A depressão não tem uma única causa. Ela costuma resultar da interação de diferentes fatores, como predisposição individual, aspectos biológicos, psicológicos e as experiências vividas ao longo da vida.

    Além disso, quem já enfrentou um episódio depressivo pode perceber que determinados padrões de pensamento, emoção e comportamento tendem a reaparecer. Por isso, reconhecer precocemente esses sinais e buscar ajuda pode fazer toda a diferença.

    Se você faz essa pergunta porque percebe que alguns sintomas estão voltando, vale a pena procurar um psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação. Quanto mais cedo o cuidado é iniciado, maiores são as chances de controlar os sintomas e reduzir o impacto deles na sua qualidade de vida.


  • Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo

    Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá. Sinto muito que você tenha passado por essa experiência. Pelo seu relato, parece que o sofrimento não veio apenas das dificuldades no trabalho, mas também da sensação de não ter sido acolhida justamente por alguém de quem você esperava compreensão e apoio.

    Quando uma pessoa busca ajuda e se sente desacreditada ou invalidada, é comum que surjam sentimentos de abandono, traição e até uma perda de confiança nas pessoas. Isso pode fazer com que a mente passe a interpretar novas situações de forma mais generalizada, levando a conclusões como "a maioria das pessoas não presta" ou "ninguém é confiável". Embora essas conclusões sejam compreensíveis diante da dor vivida, vale a pena refletir se essa experiência não acabou influenciando a forma como você passou a enxergar as pessoas.

    Na psicoterapia, é possível trabalhar tanto o impacto emocional dessa vivência quanto a forma como ela influenciou suas crenças sobre si, sobre os outros e sobre o mundo. Isso não significa minimizar o que aconteceu, mas compreender como essa experiência marcou você e encontrar maneiras de seguir em frente sem que ela continue definindo suas relações.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcelle M. Jordão

    Olá. Sim, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode te ajudar a compreender e modificar esse padrão de comportamento.

    Pelo que você descreve, parece haver um ciclo em que a busca constante por livros, cursos e mais conhecimento acaba competindo com a execução do trabalho. Muitas vezes, isso pode estar relacionado a fatores como dificuldade em tolerar a incerteza, medo de errar, perfeccionismo ou até mesmo ao hábito de buscar a sensação de estar "se preparando", em vez de agir. Mas isso só pode ser compreendido adequadamente em uma avaliação clínica.

    Na TCC, buscamos identificar quais pensamentos, emoções e comportamentos estão mantendo esse ciclo e desenvolver estratégias para interrompê-lo. O objetivo não é fazer com que você pare de estudar, mas encontrar um equilíbrio entre aprender e colocar esse conhecimento em prática, encaixando na sua rotina de trabalho.

    Vale ressaltar também que impulsividade e dificuldade de manter o foco podem estar presentes em diferentes condições ou mesmo ocorrer isoladamente. Por isso, uma avaliação individual é importante para entender o que está acontecendo no seu caso e definir a melhor forma de tratamento.

    O fato de você já ter percebido esse padrão e o impacto dele no seu trabalho é um passo importante. Com o acompanhamento adequado, é possível desenvolver estratégias para aumentar a concentração, reduzir a procrastinação e tornar sua rotina mais produtiva e satisfatória.


Perguntas frequentes

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